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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Comissão de Mudanças Climáticas avaliará monitoramento do Programa Antártico

 
A Comissão Parlamentar Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas realizará audiência pública nesta quarta-feira (19) para divulgar e debater o Programa Antártico Brasileiro (Proantar).
 
Os parlamentares querem avaliar como está sendo feito o monitoramento e o acompanhamento das mudanças climáticas no continente antártico e seus impactos no território brasileiro.

Na reunião da semana passada, o presidente do colegiado e autor do requerimento de convocação da reunião, senador Sérgio Souza (PMDB-PR), relatou a visita que fez ao continente antártico, a convite da Marinha brasileira. De acordo com Sérgio Souza, a península antártica, que avança em direção ao continente sul-americano, tem sofrido fortes efeitos do aquecimento global. Ele ressaltou, porém, que o restante do continente está relativamente bem preservado.

Segundo o senador, caso a maior parte da camada de gelo da antártica ocidental venha a se derreter, devido a uma elevação de 5 graus Celsius da temperatura da água, o nível do mar pode subir em até sete metros, provocando grandes inundações ao redor de todo o globo.

O Proantar realiza, desde 1982, pesquisa nas áreas de Ciências da Terra, Ciências da Atmosfera e Ciências da Vida na Antártida. As atividades brasileiras na região são desenvolvidas na Estação Comandante Ferraz, localizada na Baía do Almirantado; em três refúgios localizados nas ilhas Elefante, Nelson e Rei George; e em navios especiais.

Nos últimos anos, as pesquisas desenvolvidas pelo Proantar têm sido objeto de emendas apresentadas por parlamentares ao Orçamento da União. No exercício de 2009, por exemplo, deputados e senadores aprovaram a destinação de cerca de R$ 19 milhões para a gestão do Programa Antártico Brasileiro.

Foram convidados para a audiência representantes da Marinha, do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. A reunião será realizada às 14 horas, no Plenário 15 do Senado, em Brasília.
 
Fonte: Agência Câmara de Notícias
 

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Brasil não vai desativar estações meteorológicas, afirma governo


O presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Carlos Aragão, disse na segunda-feira (28) que “não há a menor hipótese” de que as três estações meteorológicas que o Brasil mantém na Antártida sejam desativadas.

A coleta de dados pelas estações ficou ameaçada depois que o projeto de pesquisa meteorológica do Proantar (Programa Antártico Brasileiro) foi extinto, em abril deste ano, após perder um edital.

“O CNPq não deixará de financiar nenhum projeto estratégico para o país”, afirmou o presidente à Folha.

Segundo Aragão, o projeto de meteorologia liderado por Alberto Setzer, do Inpe, que coleta dados na região há 25 anos, ficou em trigésimo lugar do edital aberto em 2009 para apoiar o Proantar. Só 19 projetos foram contemplados.

“A comunidade que faz pesquisa antártica cresceu, a competição aumentou, e projetos que tiveram melhor qualidade foram contemplados.”

Aragão diz que o edital provavelmente não foi “o instrumento adequado” para o projeto de meteorologia, e que este poderia ser financiado por carta-convite (quando há poucos grupos especializados numa área) ou por encomenda (quando só um grupo pode executar o projeto).

O Inpe também poderia financiar diretamente a manutenção da coleta de dados.

Segundo o glaciologista Jefferson Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a parte científica da pesquisa meteorológica foi absorvida pelos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia da Antártida, criados em 2008.

O que fica de fora é o serviço de previsão do tempo na Estação Antártica Comandante Ferraz, onde o Brasil faz pesquisa. Segundo ele, esse serviço deveria ser bancado pela Marinha. “Isso não é atribuição do CNPq.” 


Fonte:  Folha.com

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ondas do Canadá abalam gelo da Antártida, indica estudo

Podem ondas geradas por tempestades no Canadá abalar plataformas de gelo na Antártida? Um trio de cientistas dos EUA diz que sim.

Eles propõem que esse tipo de onda possa ter sido a causa do rompimento espetacular, em 2008, da plataforma de gelo Wilkins, contabilizada como a mais recente vítima do aquecimento global no continente gelado.

A ideia aparece em um estudo na última edição do periódico "Geophysical Research Letters". Ela lembra o famoso "efeito borboleta", descrito pelo meteorologista americano Edward Lorenz, pai da teoria do caos.

Lorenz se perguntava nos anos 1970 se o bater das asas de uma borboleta no Brasil poderia produzir um tornado no Texas - indicando como os processos climáticos são complexos e interconectados.

No novo estudo, o grupo liderado pelo oceanógrafo Peter Bromirski, da Scripps Institution, na Califórnia, traz uma amostra dessas interconexões.

Se estiverem certos, eles terão ajudado a solucionar um mistério que intriga a ciência desde 2002, quando satélites flagraram o rompimento em tempo quase real da plataforma Larsen-B.

Gota d´água - Embora o degelo esteja na origem da ruptura, ninguém sabe direito qual foi a gota d'água para o colapso, já que a Larsen-B e a Wilkins se esfacelaram com tempo bom.

Segundo o trio, as vilãs da história são as chamadas ondas de infragravidade. Elas são geradas quando a marola produzida por tempestades intensas viaja ao longo da costa e se transforma em ondas de longo período.

Estas, por sua vez, propagam-se através do oceano, com velocidade maior que a de ondas comuns, e a maior distância.

Como carregam muita energia, essas ondas são capazes de abalar de maneira significativa as plataformas de gelo, imensas línguas glaciais flutuantes presas ao continente.

Além disso, diferentemente das marolas, ondas de infragravidade não são enfraquecidas pelo gelo marinho que cobre o oceano Austral na maior parte do ano.

Sinais - Bromirski e seus colegas Olga Sergienko (Universidade de Princeton) e Douglas MacAyeal (Universidade de Chicago) detectaram sinais de ondas de infragravidade na barreira de Ross, a maior plataforma de gelo antártica.

A fonte dos sinais foi localizada em tempestades que se abateram sobre o noroeste da América do Norte; o padrão de ventos ali força as ondas rumo à Antártida.

"A dispersão (das ondas) causa uma diferença no tempo de viagem dos diferentes períodos da onda", disse Bromirski à Folha. "Isso permite que a trajetória de propagação seja estimada com precisão suficiente para localizar a origem das ondas de infragravidade."

Segundo os autores, ondas de infragravidade geradas por tempestades longe da Antártida "podem ser um agente mecânico chave que contribui para a produção e/ou expansão de fendas preexistentes em campos ou plataformas de gelo".

Aquecimento global - O estudo mostra que tempestades ocorreram na costa da Patagônia em 2008 bem a tempo de ondas de infragravidade terem viajado e causado o colapso de parte da plataforma Wilkins em maio daquele ano.

Embora ninguém estivesse lá para medir, afirmam, as ondas de infragravidade "podem ter desempenhado um papel integral" no processo.

E, antes que os céticos de plantão inocentem a mudança climática, Bromirski avisa: "Embora não se antecipe um aumento no número de tempestades, sua intensidade deve aumentar. Tempestades mais fortes produzem marolas de maior amplitude, que devem produzir ondas de infragravidade de maior amplitude". (Fonte: Folha Online)