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sábado, 25 de junho de 2011

Em lista de nove países, Brasil investe menos na preservação por hectare de florestas


Estudo coordenado pelo Centro para o Monitoramento da Conservação Mundial do programa da ONU para o Meio Ambiente revela que, entre nove países, o Brasil é o que menos investe na preservação de cada hectare de suas florestas. Enquanto o Brasil desembolsa, em média, R$ 4,43 por hectare de suas unidades de conservação, na Argentina o índice é cinco vezes maior (R$ 21,37), no México, nove vezes (R$ 39,71) e, na África do Sul, 15 vezes (R$ 67,09).

A disparidade é ainda maior se os gastos brasileiros são comparados com os de países desenvolvidos: nos Estados Unidos, país da lista que mais investe na conservação ambiental, são R$156,12 por hectare (35 vezes a mais que o Brasil) e, na Nova Zelândia, R$ 110,39. A lista, integrada também por Costa Rica, Canadá e Austrália, agrega países que, a exemplo do Brasil, têm grande parte de seus territórios ocupados por parques naturais ou índices sociais semelhantes aos brasileiros.

O estudo "Contribuição das unidades de conservação para a economia nacional", divulgado neste mês e feito em parceria entre o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Ministério do Meio Ambiente, calculou quanto o Brasil fatura com a preservação de suas florestas e quanto poderá ganhar caso amplie os investimentos no setor, o que permitiria maior aproveitamento de seus recursos naturais e incremento no número de turistas.

Um dos autores do estudo, o pesquisador da UFRJ Carlos Eduardo Young, diz à BBC Brasil que a intenção foi mostrar que a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico são compatíveis.

Segundo ele, é preciso resistir ao impulso de tirar um proveito econômico de curto prazo das florestas, em nome de um desenvolvimento mais duradouro e inclusivo. "Nós comprovamos que, do jeito que está, as florestas brasileiras já garantem à sociedade um retorno financeiro superior ao que é investido nelas. Se melhorarmos o sistema de gestão, o valor do benefício pode crescer significativamente."

Investimentos - O estudo calcula que, caso o governo garanta a conservação nessas áreas e invista mais nelas, o aproveitamento econômico desses territórios, que cobrem cerca de 15% do país, pode gerar ao menos R$ 5,77 bilhões por ano.

O valor viria de produtos florestais (como castanha-do-pará ou madeira em áreas de extração controlada, por exemplo), turismo, estoque de carbono conservado, água e receitas tributárias, baseada no modelo de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) Ecológico adotado por alguns Estados.

Para isso, no entanto, Young diz que o país teria de ampliar os investimentos no setor, atualmente em torno de R$ 300 milhões por ano nas reservas federais, para cerca de R$ 550 milhões anuais para o sistema federal, R$ 350 milhões para os sistemas estaduais (a serem empregados sobretudo em maior fiscalização), além de cerca de R$ 1,8 bilhão para gastos em infraestrutura para o turismo.

Hoje, segundo o estudo, há um funcionário brasileiro para cada 18.600 hectares protegidos, número bastante inferior aos da África do Sul (1 para cada 1.176 hectares), dos Estados Unidos (1 para 2.125), Argentina (1 para 2.400) e Canadá (1 para 5.257).

Ainda de acordo com o estudo, a exploração legal de produtos oriundos de florestas naturais já gera cerca de R$ 3,79 bilhões ao Brasil por ano, ao passo que a receita de ICMS Ecológico repassada aos municípios pela existência de unidades de conservação em seus territórios é de R$ 402,7 milhões. Não há dados abrangentes sobre receitas advindas do turismo.

Young explica, no entanto, que os benefícios econômicos da preservação ambiental são ainda mais amplos, já que grande parte da água que abastece as usinas hidrelétricas nacionais, provendo energia às indústrias e às cidades país, advém de unidades de conservação ambiental; que o turismo em áreas protegidas é fonte central de recursos para muitos municípios brasileiros; e que o desenvolvimento de fármacos e cosméticos muitas vezes se dá por meio de pesquisas sobre espécies vegetais protegidas em unidades de conservação.

Mesmo assim, diz que, por se tratar de produtos e serviços em geral de natureza pública, seu valor não é percebido pela sociedade, que na maior parte dos casos não paga diretamente pelo seu consumo ou uso.

O pesquisador afirma ainda que a dicotomia agricultura X conservação ambiental, que ganhou força durante as discussões sobre o novo Código Florestal que tramita no Congresso, é falsa:

"Não somos contra o desenvolvimento da agricultura, muito pelo contrário. Achamos, aliás, que a conservação ambiental favorece os agricultores, na medida em que lhes garante água para a irrigação, ameniza efeitos de enchentes e impede a erosão de terrenos montanhosos, que podem ser muito prejudiciais aos produtores".

Ele alerta, no entanto, que caso o novo Código reduza as áreas mínimas de conservação exigidas em cada propriedade, o país abrirá mão de uma riqueza maior. "Vivemos um momento decisivo, que determinará se saberemos usar os recursos naturais valiosos de que dispomos e que são um dos nossos maiores diferenciais", afirma.
(BBC Brasil)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Poço Feio poderá sofrer interdição de órgãos federais

A precariedade de preservação da caverna de Governador Dix-Sept Rosado conhecida popularmente como Poço Feio, poderá determinar a sua interdição nos próximos dias por agentes do IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e ICMbio - Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Segundo foi constatado por um grupo de pesquisadores que visitou a caverna no último final de semana, as visitações, principalmente nos finais de semana, vem provocando a depredação de forma incontrolável, com pichações, muito lixo no seu interior, fogueiras e outras ações prejudiciais ao meio ambiente.



Segundo o Chefe do Escritório local do ICMbio, Darcy Santos, a cobrança de entrada na propriedade para permitir o acesso ao local é uma irregularidade, tendo em vista que não existe nenhum plano de manejo para preservar a caverna que, juridicamente, pertence a União, por ser um patrimônio espeleológico e por estar dentro de Área de Preservação Permanente do Rio Mossoró.



As ações que os dois órgãos federais poderão desenvolver no local vão da interdição até a proibição da cobrança e exigência de elaboração de um plano de manejo, prevendo uma campanha de educação ambiental para os freqüentadores que estão depredando totalmente o patrimônio natural da cidade de Governador Dix-Sept Rosado.



Foram constatadas na área várias irregularidades, como fogueiras para churrasco (feitas com a própria vegetação local), muito lixo (garrafas pet, cacos de vidro, preservativos usados, latinhas de cerveja etc) no interior da caverna e dentro da área usada para o banho. Havia no local neste último final de semana, cerca de 60 pessoas, que foram para lá em busca de lazer, sem que tenha sido feito nenhuma pesquisa de capacidade de carga que determinasse o número de pessoas que a caverna suporta. O Rio Mossoró também vem sofrendo com essa demanda para a caverna, tendo em vista que nessa área ele está totalmente assoreado.