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sábado, 6 de agosto de 2011

Capacidade de produção de eletricidade cresce 53% em dez anos


Após somar 6 mil MW em 2010, Brasil acrescenta outros 2 mil MW no primeiro semestre deste ano

A capacidade instalada das usinas de geração de energia elétrica em operação no País alcançou 115,0 mil megawatts (MW) na última quinta-feira (4), de acordo com dados do Banco de Informações da Geração (BIG) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Essa potência total é 53% maior do que os 74,8 mil MW instalados até dezembro de 2001.

Só no primeiro semestre de 2011, entraram em operação comercial usinas capazes de somar mais 2 mil MW de energia para o País, depois do crescimento de 6 mil MW em 2010. Está prevista para os próximos anos uma adição de 51,5 mil MW na capacidade de geração do Brasil, proveniente dos 121 empreendimentos atualmente em construção e mais 541 outorgados. Estão em andamento, por exemplo, as hidrelétricas de grande porte de Santo Antônio, Jirau e Belo Monte, que será a terceira maior do mundo quando concluída.

Além da produção, nesses seis primeiros meses foram concluídas as obras de quatro linhas de Transmissão de Energia Elétrica, segundo relatório do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Outras 21 linhas e 19 subestações estão em andamento. O relatório destaca como importantes para o sistema nacional, o início das obras de interligação das usinas do Madeira, que permitirá o escoamento da energia para o resto do País; e também o andamento das obras da interligação Tucuruí-Macapá-Manaus, que integrará o Amazonas e Amapá ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Matriz limpa 

As usinas hidrelétricas respondem por 67,48% da matriz energética brasileira no final de junho. A segunda maior fonte com participação na matriz nacional, no fim do semestre, é a termoelétrica, responsável por 26,52% da capacidade. As Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) ficam em terceiro, com 3,15%. Outras fontes participantes da matriz são a nuclear (1,74%) e eólica (0,94%). As centrais geradoras de energia (CGH), que são hidrelétricas de menos de 1 MW representam 0,17%, respectivamente.

A evolução desses números pode ser acompanhada pelo sitio da agência.

Potência supera consumo até 2015

Segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS), o Brasil vai conviver com uma capacidade de produção de energia maior que o consumo até, no mínimo, 2015. Somente neste ano, o País deverá registrar uma sobra estrutural de energia da ordem de 2,5 mil megawatts (MW) médios, para uma previsão de oferta de 58 MW médios no ano. Para 2015, a ONS prevê uma sobra de 5 mil MW médios, para uma oferta de 71 mil MW médios. As projeções levam em consideração um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) médio de 5% nos próximos cinco anos.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Eólicas têm R$ 25 bi em investimentos


Estimativa considera projetos com início das operações até 2013; aumenta o interesse por fusões e aquisições. Instalação de fábricas de equipamentos no País escala e avanços tecnológicos reduziram o custo da energia.

Os projetos de energia eólica (gerada pela força do vento) no País, com entrada em operação prevista até 2013, somam R$ 25 bilhões em investimentos, segundo a Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica). A projeção considera empreendimentos vencedores de leilões em 2009 e 2010, a conclusão do Proinfa -programa de fontes alternativas do governo - e projetos com venda de energia prevista no mercado livre, que reúne grandes consumidores.

Fusões e aquisições não estão incluídas nessa conta, embora também passem por forte aquecimento.

A CPFL Energia anunciou, no intervalo de dez dias, a compra da líder no setor no País, a SIIF Énergies, e admitiu manter "tratativas" com a Ersa Energias Renováveis, que diz negociar uma "associação" com a CPFL. A participação das eólicas na matriz da CPFL deve passar de 7,6% em 2011 para 18,2% em 2013.

"A energia eólica ganhou competitividade nos últimos anos. O custo dos equipamentos caiu e houve melhora em eficiência", diz Gustavo Estrella, diretor de relações com investidores da CPFL. "Além do enorme potencial e do avanço da tecnologia, a energia eólica gera menos problemas ambientais", afirma Lindolfo Zimmer, presidente da Copel, que procura parceiros no setor.

Capacidade instalada - Os projetos em construção elevarão a capacidade instalada de geração de energia eólica de 900 MW em 2010 para 5.300 MW em 2013. "Apesar do crescimento, a participação das eólicas na capacidade total de geração será de apenas 4% em 2013", diz Ricardo Simões, presidente da Abeeólica. Hoje, esse percentual é de 0,5%.

O potencial é grande. Mapeamento realizado em 2000 aponta a possibilidade de geração de 143 GW no País. Especula-se que esse potencial seja ainda maior, caso sejam consideradas turbinas mais modernas, entre 80 e 100 metros de altura. "Ele estaria entre 300 e 400 GW, pelo menos", estima Steve Sawyer, do GWEC (Conselho Global de Energia Eólica).

A complementaridade com a energia hidráulica - os ventos são mais fortes no período seco - deixa o investimento atrativo do ponto de vista estratégico para o país.

Custos - Durante anos apontado como um dos principais entraves ao desenvolvimento do setor, o preço passou a contar a favor dessa fonte alternativa. "Os preços têm caído. No leilão de 2009, o valor médio ficou em R$ 148 o MWh e, no ano passado, em R$ 135", diz Sérgio Marques, presidente da Bioenergy.

"É um círculo virtuoso. Quanto mais leilões você realiza, mais empresas vêm ao País, mais escala você adquire e maior é a possibilidade de o preço baixar", afirma Maurício Tolmasquim, presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

O anúncio de novos projetos desenvolvidos exclusivamente no mercado livre - onde comprador e vendedor negociam diretamente - comprova a maior competitividade. "Mostra que essa fonte é realmente economicamente viável", diz Tolmasquim.

Análise: Avanço no País é animador, embora ainda seja tímido

Luiz Pinguelli Rosa* Especial para a Folha de São Paulo de hoje (19).

Entre as fontes primárias convencionais de energia no Brasil, destacam-se o petróleo, o gás natural e a hidroeletricidade - objeto de críticas, embora seus reservatórios tenham sido reduzidos.

O carvão é pouco usado, exceto na siderurgia. Nas fontes alternativas, ganharam importância os biocombustíveis, especialmente o álcool, também alvo de polêmica, acusado de competição com alimentos e de contribuir para o desmatamento.

A energia eólica cresceu após o último leilão, seu custo caiu e é promissora. O uso da energia solar é pequeno, mesmo para aquecimento.

Entre as fontes não renováveis, a energia nuclear, que representa 3% da potência elétrica brasileira, é a única que não emite gases do efeito estufa. Entretanto, inspira preocupação o acidente em curso com os reatores japoneses em Fukushima.

A participação das fontes renováveis no Brasil é de 47%, enquanto no mundo esse percentual é de 13% e, nos países da OCDE, é de 6%.

No mundo, os combustíveis fósseis somam 75%, com o petróleo à frente. Em nove anos o preço do petróleo foi multiplicado por 14. O preço do barril do óleo cru em 1999 era US$ 10, mas em 2008 beirou US$ 140. Caiu a menos de US$ 50 para voltar a subir, chegando a US$ 120 em abril.

Fatores contribuíram na questão do petróleo. Houve previsão de queda da produção, embora tenha havido descoberta do pré-sal aqui. A alta do consumo nos países em desenvolvimento foi puxada pela China. A instabilidade no Oriente Médio, área produtora, foi evidenciada pela ocupação do Iraque. Ocorrem agora rebeliões nos países árabes.

Por sua vez, o efeito estufa tornou-se um grande problema político. O Brasil assumiu, na Conferência de Copenhague, o compromisso de reduzir suas emissões previstas para o ano de 2020.

Considero animador o avanço da energia eólica, complementar à hidrelétrica, embora ainda tímido em relação ao potencial brasileiro. Também é alvissareiro o aumento do consumo do álcool nos automóveis, embora afetado pela crise da produção do etanol em 2011, que reduziu sua participação.

* Diretor da Coppe (programa de pós-graduação em engenharia) da UFRJ.

Fonte: Folha de São Paulo

Nota do blog: Essa corrida para implantação de parques eólicos, como se representassem a única salvação do planeta, está fazendo com que troquem "os pés pelas mãos" na hora de conceder o licenciamento destes empreendimentos. No Rio Grande do Norte, o órgão licenciador escolheu para localização de vários parques, uma reserva de desenvolvimento sustentável, passando por cima da legislação federal e declarando que está obedecendo resoluções do Conama - Conselho Nacional do Meio Ambiente. 

Aerogeradores estão sendo instalados sobre o que antes eram dunas (APPs), mangues (APPs) e restingas, como se aquela área fosse a última disponível do planeta. Praticamente todo o litoral do Estado tem na velocidade dos ventos todas as condições propícias para este tipo de produção de energia e nenhuma desculpa serve para justificar a destruição do meio ambiente para a produção daquela que é chamada de "energia limpa", e que no RN é tão suja como um "pau de galinheiro".

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Investimentos em energia limpa cresceram 30% no mundo em 2010


Agência aponta necessidade de políticas mais agressivas.

Dois relatórios recém-lançados mostram que a energia limpa ganhou mais espaço no mundo na última década, com destaque para as modalidades solar e eólica, mas o esforço para reduzir a predominância dos combustíveis fósseis precisará de políticas mais "agressivas", que incluem a redução dos subsídios aos derivados de petróleo e o aumento aos incentivos governamentais para a produção de formas de energia menos poluentes. A fundação norte-americana Pew Charitable Trusts, que apresentou no dia 29 de março a edição 2010 do relatório "Who's Winning the Clean Energy Race?" (Quem está vencendo a corrida da energia limpa?), revela que houve um crescimento mundial dos investimentos do setor de energia limpa de 30% entre 2009 e 2010, atingindo a marca de US$ 243 bilhões.

Total aplicado no setor chegou a US$ 243 bi ano passado. O documento "Clean Energy Progress Report" (Relatório sobre o progresso da energia limpa), divulgado em 6 de abril pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), destaca a importância conquistada na última década por algumas tecnologias de energia renovável, ao ponto de se tornarem mais competitivas que algumas das tecnologias convencionais. Entretanto, a IEA pondera que os custos da maioria das inovações tecnológicas ainda superam aqueles relacionados aos combustíveis fósseis, que receberam US$ 312 bilhões em subsídios em 2009, contra apenas US$ 57 bilhões para energias renováveis.

Para a Agência, uma "revolução da energia limpa" pode ser alcançada com uma ampla política de estímulo. "Ao longo das últimas duas décadas, vários países conseguiram promover alterações dramáticas em seus mercados energéticos. A chave para o sucesso tem sido a criação de uma abordagem estratégica e compreensiva que informe o público sobre segurança energética, crescimento econômico e benefícios ambientais dos investimentos em energia limpa", informa o texto.

Vice-liderança brasileira entre os emergentes - O Brasil tem conquistado destaque nesse cenário, registrando US$ 7,6 bilhões em investimentos em energia limpa em 2010. Com isso, o País ficou na sexta posição entre os países do G-20 e em segundo lugar entre os emergentes, atrás apenas da China, de acordo com o relatório da Pew Charitable Trusts. Dos recursos destinados para a energia limpa no Brasil, 40% foram para os biocombustíveis, 31% para energia eólica e 28% para outras fontes renováveis.

Combustíveis fósseis receberam US$ 312 bi em subsídios em 2009, contra US$ 57 bi para renováveis O estudo mostra que o País também está na sexta colocação entre os membros do G-20 que tiveram maior crescimento nos investimentos nos últimos cinco anos, com 81%. No entanto, os aportes no Brasil sofreram uma redução de 1,3% entre 2010 e o ano anterior, quando somaram US$ 7,7 bilhões; em 2009, o País ocupava a sétima posição no ranking. O indicador que mede a intensidade de investimentos, relacionando o total aportado com o Produto Interno Bruto (PIB), coloca o Brasil na sétima colocação, com uma proporção de 0,35%. Na Alemanha, o país que mais investe em energia limpa em relação ao PIB, essa proporção foi de 1,4% no ano passado.

Entre os países com maior capacidade instalada de energia limpa, o Brasil, no entanto, figura apenas na nona colocação, somando 13,84 GW, atrás de países como China (1º lugar, com 103,36 GW), Estados Unidos (2º lugar, 57,99 GW) e Alemanha (3º lugar, 48,86 GW). No período de 2005 a 2010, o Brasil foi o oitavo país que mais cresceu em capacidade instalada, com alta de 42%, de acordo com o documento "Who's Winning the Clean Energy Race?".

Nova indústria mundial - Para a Pew Trusts, o setor de energia limpa deixou de se restringir a aplicações em nichos específicos para se transformar em uma indústria mundial na primeira década do século 21, chegando a adicionar anualmente mais de 60 GW na produção global de energia. "O rápido crescimento e o tamanho considerável dessa ainda jovem indústria captaram igualmente a atenção dos investidores, inventores e tomadores de decisão", destaca o relatório. Os 20 países mais ricos do mundo concentraram 90% dos recursos aportados nesse setor no ano passado.

Brasil é o último em percentual de recursos aplicados em energia limpa: gastou 7% dos US$ 2,5 bilhões anunciados pelo governo desde 2009 Com o aumento do interesse sobre as fontes de energia limpas, aumentaram também as iniciativas governamentais de criação de estímulos ao setor, originando novas fontes de financiamento. Além disso, os países têm criado políticas para aumentar a produção e conquistar vantagens competitivas em determinados setores. "Especialmente, está claro que o centro de gravidade para os investimentos em energia limpa está mudando do Ocidente (Europa e Estados Unidos) para o Oriente (China, Índia e outras nações asiáticas)."

Dados levantados pela Pew Trusts mostram que a pesquisa e o desenvolvimento no setor de energia limpa, financiados com recursos públicos e privados, cresceu 24% no mundo em 2010, atingindo o patamar de US$ 35 bilhões. Considerando apenas os países do G-20, houve um crescimento de 27% no financiamento para a área a partir do capital de risco, incluindo venture capital e private equity, no total de US$ 8,1 bilhões.
Liderança europeia nos aportes

Na lista das regiões que mais recebem investimentos nesse setor, a primeira posição é ocupada pela Europa (US$ 94,4 bilhões), seguida pela Ásia (US$ 82,8 bilhões). O continente americano aparece em terceiro lugar, com aumento de 35% no período, para US$ 65,8 bilhões. No ranking dos países, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino dos aportes na América, com US$ 34 bilhões em 2010, mas, apesar de os investimentos norte-americanos terem crescido 51% em relação a 2009, o país perdeu a segunda posição no G-20 para a Alemanha (US$ 41,2 bilhões), que teve 100% de crescimento, e ainda está atrás da China (US$ 54,4 bilhões), que cresceu 39%.

Entre as principais fontes de energia limpa, a solar se destacou no G-20 com crescimento dos investimentos do setor privado de 53%, alcançando a marca recorde de US$ 79 bilhões, estimulada principalmente por projetos de pequena escala e residenciais. Apesar da elevação mais modesta de 34% no G-20, a energia eólica continua sendo a que mais recursos recebe entre as fontes limpas, com US$ 95 bilhões - o que representa 48% do total de investimentos.

Recuo dos biocombustíveis - Em âmbito mundial, os biocombustíveis tiveram uma queda em relação a 2009, totalizando investimentos de apenas US$ 4,7 bilhões em 2010 - o nível menor desde 2005. Segundo o relatório da Pew Trusts, isso "reflete o fato de que a capacidade de produção de biocombustíveis de primeira geração excedeu a demanda em uma série de mercados importantes e que a segunda geração de combustíveis não está suficientemente avançada para distribuição comercial em larga escala".

O relatório da IEA indica, no entanto, que o consumo de biocombustíveis continua crescente no mundo, com destaque para os Estados Unidos e o Brasil, mas ele representa apenas 2,7% do consumo global nos transportes rodoviários. A Agência prevê que seria necessário um crescimento sustentável da produção mundial de dez vezes para se alcançar as metas ambientais sobre mudanças climáticas até 2050, quando se espera que os biocombustíveis respondam por 27% dos transportes rodoviários. Entre 2000 e 2010, a produção mundial de biocombustíveis passou de 16 bilhões de litros para mais de 100 bilhões de litros. "Será particularmente importante que os biocombustíveis avançados alcancem a escala comercial nos próximos dez anos, com um aumento de 30 vezes na capacidade até 2030", conclui a IEA.

Consolidação chinesa - Chamada no relatório de superpotência global de energia limpa, a China mostra números surpreendentes nos últimos anos. Se em 2005 ela recebeu menos de US$ 3 bilhões em investimentos privados, em 2009 - ano em que tomou a dianteira em escala mundial - foram US$ 39,1 bilhões. Em 2010, os investimentos computados na China foram iguais aos aportes feitos em 2004 em todo o mundo, compara a Pew Charitable Trusts. "Com metas agressivas em energia limpa e clara ambição de dominar a fabricação e geração em energia limpa, a China está rapidamente avançando para a dianteira em relação ao resto do mundo", explica o relatório.

Em 2010, o país foi responsável pela produção de quase 50% dos módulos solares e turbinas eólicas. No entanto, a China tem uma capacidade instalada de energia solar de apenas 1 GW, o que demonstra que sua produção de painéis e módulos tem visado o mercado externo. Em contrapartida, a energia eólica tem crescido muito dentro do país; com uma meta de atingir 150 GW instalados até 2020, a China instalou, apenas em 2010, 17 GW, ao valor de US$ 45 bilhões, o que representou 47% do aporte global em energia eólica.

Programas de estímulo - Levantamento da Pew Trusts, com base em informações da Bloomberg New Energy Finance, mostra que 12 membros do G-20 adotaram programas para estimular o estratégico setor da energia limpa e para combater os efeitos da crise financeira mundial de 2008/2009. Esses programas de energia limpa totalizaram US$ 194,3 bilhões nos anos de 2009 e 2010, de acordo com o documento. Desse total, 49% ou US$ 94,8 bilhões já foram gastos até o final de 2010. Desde o começo de 2009, a maior parte desses fundos foi empregada nas seguintes áreas: 37% para programas de eficiência energética, 21% para projetos de energia renováveis, 19% para pesquisa e desenvolvimento, e 17% para iniciativas de redes elétricas inteligentes (smart grid).

Diferentemente de países como a França - que já aplicou 100% dos recursos programados - e do Japão - que já gastou mais de 85% -, o Brasil apenas gastou 7% dos US$ 2,5 bilhões anunciados pelo governo desde 2009. O País é o último da lista de percentual de recursos aplicados em energia limpa, perdendo apenas para o Canadá, que também só investiu 17% dos US$ 800 milhões divulgados. (Guilherme Gorgulho)

Fonte: Inovação Tecnológica

quinta-feira, 31 de março de 2011

Brasil está em sexto na corrida pelas energias limpas


País recebeu US$ 7,6 bilhões em 2010 para desenvolver fontes renováveis, ficando atrás apenas das grandes potências mundiais, como a China, que consolidou sua liderança alcançando a marca dos US$ 54,4 bilhões. Os investimentos em energias limpas cresceram 30% no ano passado depois de um 2009 turbulento em virtude da crise financeira mundial e chegaram aos US$ 243 bilhões, um recorde histórico.

No ranking dos países que mais receberam recursos, o destaque segue sendo a China, que foi o destino de cerca de um quinto de todo o dinheiro encaminhado para fontes renováveis, US$ 54,4 bilhões. A decepção foi os Estados Unidos, que apesar de toda a retórica do presidente Barack Obama, acabou caindo uma posição em relação ao ano anterior e ficou em terceiro, atrás da Alemanha.

O Brasil surge em sexto, subindo uma posição desde 2009, tendo recebido US$ 7,6 bilhões e gerado cerca de 14 GW em renováveis. Dos investimentos, 40% foram destinados para os biocombustíveis, 31% para energia eólica e 28% para outras fontes.

Quem apresenta todos esses dados é o relatório Who"s Winning the Clean Energy Race? (Quem está vencendo a corrida pela energia limpa?), publicado nesta terça-feira (29) pela ONG norte-americana Pew Charitable Trusts.

Segundo o documento, 90% de todos os investimentos foram para países do G20. A União Européia, se for considerada como um único destino, ficaria em primeiro lugar com US$ 94 bilhões, sendo a Alemanha e a Itália os grandes destaques, com US$ 41,2 bilhões e US$ 13,9 bilhões respectivamente.

Entre os europeus a grande surpresa foi a expressiva queda do Reino Unido, que saiu de terceiro em 2009 para décimo terceiro no ano passado, tendo recebido apenas US$ 3,3 bilhões. O relatório afirma que a razão para isso foi que em 2009 os projetos eólicos offshore teriam supervalorizado a posição britânica.

Mesmo se for considerada como uma única entidade, a União Europeia está com sua posição na vanguarda das energias renováveis ameaçada pelo constante e acelerado crescimento chinês. A Ásia deverá assumir em breve o papel de maior receptor de investimentos.

Já a queda norte-americana pode ser explicada pela não aprovação da lei energética no ano passado pelo Congresso, decisão que afastou investidores. Mesmo assim os recursos para renováveis subiram 51% e chegaram a US$ 34 bilhões.

Para o relatório, o crescimento alemão e chinês é baseado em políticas públicas de incentivo e de metas, fatores ainda ausentes nos Estados Unidos.

Porém alguns criticam o desenvolvimento chinês, alegando que ele é baseado na exploração da mão de obra. Respondendo isso, a ex-governadora do Michigan e conselheira do Pew, Jennifer Granholm, afirma que não é questão de custos e sim de políticas. "Esta teoria de que a China só cresce devido à mão de obra barata não se aplica às energias limpas, que tem sua expansão como uma consequência das políticas de metas", explicou.

O Brasil, que aparece em sexto no ranking, também ocupa essa posição na previsão de crescimento para os próximos cinco anos. Entre as energias limpas no país, se destacam a produção de etanol com 36 bilhões de litros, a geração elétrica com biomassa, 8000MW, e as pequenas centrais hidroelétricas, 5000MW. As grandes metas salientadas pelo relatório são a geração de 1805MW através de fontes eólicas até 2012 e o aumento do uso de biodiesel.

A Argentina e a Turquia também aparecem como países promissores, apresentando 568% e 190% de crescimento nos investimentos em 2010.

A capacidade instalada mundial de renováveis está em 388GW, com 40GW em eólicas e 17GW de solares tendo sido adicionadas no ano passado.

O relatório foi produzido com base em dados de 2010, portanto ainda não leva em conta os efeitos da recente crise nuclear. Por isso, é bem provável que o recorde histórico nos investimentos em energias limpas alcançado no ano passado seja ultrapassado com facilidade em 2011.
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Fonte: Carbono Brasil

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Termelétrica a carvão será inaugurada com promessa de não agredir ambiente


A fase C da Usina Termelétrica Candiota 3 será inaugurada na próxima sexta-feira (28/1), com a presença da presidenta Dilma Rousseff. Localizada na cidade de Candiota, no sul do Rio Grande do Sul, a termelétrica tem capacidade instalada de 350 megawatts e começou a gerar energia no dia 3 de janeiro.

A obra, avaliada em R$ 1,3 bilhão, teve financiamento de US$ 430 milhões do China Development Bank (CDB) e foi construída pela Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE).

A grande novidade da usina é a utilização de dessulfurizadores, uma tecnologia que reduz os impactos ambientais da termelétrica. Segundo o presidente da CGTEE, Sereno Chaise, a mesma tecnologia será utilizada também nas usinas antigas, muito poluentes. "Hoje, a energia produzida a carvão, desde que se adapte a esses instrumentos, pode ser considerada energia limpa. E a nova usina conta com todos eles. Vai significar agressão zero ao meio ambiente", garantiu.

Dos 350 megawatts instalados, 292 megawatts já foram comercializados em leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica, em dezembro de 2005. A pedra fundamental da usina foi lançada em setembro de 2006. A energia gerada pela termelétrica será compartilhada com o Sistema Interligado Nacional, que é coordenado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Chaise deve aproveitar a inauguração da fase C da usina para anunciar a contratação da empresa que fará os estudos técnicos para ampliação da termelétrica, com a construção da fase D. "Hoje, 46% da energia produzida em todo o mundo é originária do carvão. Aqui no Brasil, esse percentual é de 1,2%. As nossas jazidas de carvão são inesgotáveis. Se fizermos toda nossa energia oriunda a carvão, temos energia para mais de 500 anos. O combustível está aí, os financiamentos internacionais estão batendo na nossa porta. Então, por que não fazer?", disse ele ao defender o investimento.

Para o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, a nova usina traz segurança energética para a Região Sul, onde o potencial hidrelétrico já está esgotado. Segundo ele, a fiscalização dos órgãos ambientais garante a segurança do empreendimento para o meio ambiente. (Sabrina Craide)

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Leilão ressalta competitividade da energia eólica no Brasil

A produção de energia eólica no Brasil está cada vez mais atrativa. É o que revelou o primeiro leilão de energia gerada pelos ventos promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel),  em São Paulo. Com um deságio de 21,49% em relação preço-teto definido no edital, o leilão negociou 753 lotes de 1 megawatt (MW) ao preço médio de R$ 148,39 MWh. O investimento estimado chega a R$ 9 bilhões e o preço alcançado garante competitividade à fonte eólica, limpa e renovável, frente à geração térmica, poluente e não-renovável.

Os 71 empreendimentos vencedores serão instalados em Sergipe, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e Rio Grande do Sul. Os contratos de compra e venda terão vigência de 20 anos, a partir de 1º de julho de 2012, ano previsto para o início do suprimento.

Com o resultado do leilão, o Brasil reforça sua posição pela preferência por energia gerada a partir de fontes renováveis, que atualmente respondem por 85,4% da oferta interna de energia elétrica, com destaque para geração hidrelétrica. Ao estimular a energia eólica, o País acompanha a tendência de desenvolvimento internacional. A utilização do vento como fonte primária de energia teve crescimento médio de 27% ao ano, de 1990 a 2008. A capacidade instalada mundial é de 121 mil MW. Desse total, 54% estão na Europa, de acordo com dados do Global Wind Energy Council (GWEC). 

O potencial brasileiro para esse tipo de geração pode chegar a 145 mil MW, de acordo com o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), feito em 2001. Atualmente, a potência dos parques eólicos em operação no Brasil é de 602 MW, explorados por 36 empreendimentos. Outros 10 projetos estão em construção, com capacidade de 256,4 MW e 45, com potencial de 2.139,7 MW, já foram outorgados pela Aneel. 

Os leilões de reserva têm como objetivo garantir o suprimento e reduzir os custos operacionais do Sistema Interligado Nacional (SIN). No ano passado, foi realizado o primeiro leilão de energia gerada por biomassa, no qual foram negociados 2.379 MW produzidos por 31 termelétricas movidas a cana-de-açúcar e capim elefante, com suprimento iniciado neste ano e em 2010.