segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Nordeste está 10 anos atrás do Sudeste no ensino médio


Em 2009, a proporção de jovens de 15 a 17 anos no Nordeste que frequentavam a série adequada para sua idade era inferior à registrada no Sudeste dez anos antes, diz o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apenas 39,2% dos adolescentes nessa faixa etária estavam no ensino médio; no Sudeste, eram 60,5% em 2009 e 42,1% em 1999.

Para o IBGE, a desigualdade regional na educação é preocupante. "Mesmo com todas as melhoras sociais, a educação avança devagar", diz Ana Lucia Saboia, gerente de Indicadores Sociais.

Segundo o IBGE, espera-se que a educação evolua mais lentamente, pois ela depende de políticas públicas nas diversas esferas de governo e do tempo necessário para que os ciclos sejam concluídos pelos alunos.

José Francisco Soares, da Universidade Federal de Minas Gerais, pondera que o indicador que mede a adequação à série depende das outras fases de escolarização. "Esse indicador é muito exigente. Para que se esteja com 15 anos no ensino médio não pode ter havido nenhum problema na vida: atraso no ingresso, repetência ou abandono da escola."

Conforme o especialista, ainda há um "estoque de problemas a resolver" até que a disparidade diminua. "Existe um percurso a seguir. Cuidar do acesso, da permanência na escola e da conclusão dos ciclos de ensino. E também do aprendizado, da qualidade do que se aprendeu."

Mão de obra

Ana Lúcia lembra que períodos de crescimento econômico reforçam a necessidade de qualificação do jovem. No país todo, a escolarização entre 15 e 17 anos ainda não está universalizada: 14,8% desses jovens estavam fora da escola no ano passado. Em 2008, eram 15,9%.

Já a das crianças de 7 a 14 anos se universalizou a partir dos anos 1990. Em 2009, 98,1% delas frequentavam instituições de ensino.

O IBGE ainda aponta que menos da metade dos jovens no mercado de trabalho tem ensino médio.

De acordo com a pesquisa, 40,7% dos jovens de 18 a 24 anos que trabalhavam ou procuravam emprego tinham, em 2009, 11 anos de estudo; 15,2% tinham ido além desse nível escolar. Dez anos antes, eram, respectivamente, 21,7% e 7,9%.

A pesquisa do IBGE mostrou que o analfabetismo entre jovens de 15 a 24 anos foi de 1,9% em 2009. Isso significa, segundo o instituto, que a taxa está praticamente erradicada para essa faixa etária. (Verena Fornetti)

Fonte: Folha de SP

Brasil freia namoro com observatório da União Europeia

O governo brasileiro deve enviar, no início desta semana, uma carta ao diretor-geral do ESO (Observatório Europeu do Sul), Tim de Zeeuw, dizendo que não aceita os termos negociados para a entrada do Brasil na instituição.

"Estou acabando de dar polimento a uma carta comunicando que, nessas condições, nós não vamos entrar", disse à Folha o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende. "Não estamos fechando nenhuma porta, mas os custos não são aceitáveis."

Os termos recusados foram negociados entre o ESO e uma comissão brasileira composta por dois astrônomos e um diplomata. Eles previam um investimento de 132 milhões de euros como taxa de entrada no consórcio, parcelados em dez anos, e uma anuidade de 13,6 milhões de euros, calculada com base no PIB brasileiro - como é a praxe na organização europeia.

Na prática, seriam R$ 60 milhões anuais. "Para que você tenha uma ideia, o maior investimento de cooperação internacional feito pelo Brasil é o pagamento que fazemos à ONU, que é de R$ 90 milhões."

Euforia sigilosa

A perspectiva de se unir ao ESO já animava parte da comunidade astronômica brasileira desde a visita de Rezende ao Chile, em fevereiro. Na semana passada, durante evento em Passa Quatro (MG), Albert Bruch, diretor do LNA (Laboratório Nacional de Astrofísica) e membro da comissão de negociação, falou a cerca de 300 astrônomos sugerindo que eles se apressassem a apresentar projetos de observação nas instalações do ESO no Chile.

Bruch disse que os termos finais do acordo já haviam sido encaminhados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia para a aprovação do presidente Lula. Mas acrescentou que nada poderia revelar sobre a proposta finalizada, por estar "sob sigilo".

Alguns astrônomos encaram a ideia de se unir ao ESO com desconfiança. "Trata-se de uma opção péssima", afirma João Steiner, astrônomo do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP. "A astronomia brasileira já teve um investimento de US$ 30 milhões nos últimos 20 anos, que nos deu uma capacidade científica invejável. O gasto com o ESO será de 15 a 20 vezes maior, sem que estejamos preparados para isso."

Um dos pontos criticados é o fato de que ser membro da ESO não garante uso das instalações. Cada projeto precisa ser aprovado por uma comissão internacional.
(Salvador Nogueira)

Fonte: Folha de SP

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Cientistas criam tecido em forma de aerosol que é borrifado no corpo


Um tecido que pode ser borrifado na pele ou em outras superfícies para fazer roupas, curativos médicos e até cortinas e estofados foi apresentado nesta quinta-feira. O material, desenvolvido por um acadêmico e estilista espanhol, Manel Torres, em parceria com Paul Luckan, especialista em tecnologia de partículas do Imperial College London, foi batizado de Fabrican Spray-on.

Uma vez aplicado na pele com tecnologia aerosol, ele seca instantaneamente, não forma costuras, pode ser lavado e vestido novamente.

O tecido é composto de fibras pequenas, substâncias conhecidas como polímeros - que fazem com que as fibras se unam - e um solvente que permite que ele seja aplicado em forma líquida.

Após a aplicação, que pode ser feita com lata de aerosol ou um spray de alta pressão, o solvente se evapora. A textura pode ser alterada de acordo com o tipo de fibra usada (lã, linho ou acrílico) e dependendo da forma de aplicação.

'Material futurístico'

"Quando comecei este projeto, queria criar um material futurístico, sem costuras, rápido e confortável", disse Torres. "Na minha busca por produzir este tipo de tecido, terminei voltando aos princípios de tecidos mais antigos como o feltro, que também é produzido a partir de fibras e um modo de uni-las sem costurá-las ou tecê-las."

"Como artista, passei meu tempo sonhando com criações únicas, mas como cientista, tenho que me focar em fazer coisas reproduzíveis. Quero mostrar como a ciência e a tecnologia podem ajudar estilistas a criar novos materiais."

A moda, no entanto, é apenas um dos usos para a tecnologia. Torres criou uma empresa, a Fabrican Ltda, com o professor Luckham, para explorar outras aplicações, como bandagens médicas, lenços umedecidos, perfumadores de ar e estofados para móveis e carros.

"A aplicação do tecido borrifado na moda é uma excelente forma de anunciar o conceito, mas também queremos trabalhar com novas aplicações nas indústrias médica, de transporte e química", disse Luckham.

"Por exemplo, o tecido pode ser produzido e mantido em uma lata de aerosol esterilizada, que poderia ser perfeita para fazer curativos borrifados sem aplicar nenhuma pressão, no caso de queimaduras, ou para aplicar remédios diretamente sobre um ferimento", completou.

Fonte: BBC Brasil

"Primo" da varíola infecta macaco em TO



Pesquisadores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) descobriram que o vírus vaccinia -causador de doença não letal, mas que traz grandes inconvenientes a humanos- está circulando pelo país e contaminou macacos na Amazônia.

"Foi surpreendente para nós. Apesar de nós já termos indicações anteriores, não imaginávamos que seria tão expressivo", afirma Erna Kroon, coordenadora do Laboratório de Vírus da UFMG.

O vaccinia foi encontrado em animais silvestres do Tocantins que dificilmente tiveram contato com humanos, gado ou outras espécies com contaminação registrada.

Segundo os cientistas, isso pode significar que uma importante forma de disseminação tenha passado despercebida na última década.

Em estudo publicado na revista científica "Emerging Infectious Diseases", eles dizem ter pistas de que a contaminação foi causada por roedores não silvestres, que entraram em contato com pessoas ou animais infectados.

Os pesquisadores acreditam que essa forma de transmissão silenciosa também aconteça com outros vírus -alguns mais perigosos do que o próprio vaccinia.

A UFMG está começando uma pesquisa com outra família de vírus e já encontrou casos de contaminação simultânea com o vaccinia. O que, inicialmente, reforça os temores da equipe.

Os pesquisadores descobriram a contaminação ao examinar animais resgatados na construção de uma hidrelétrica em Lajedo e Ipueiras, em Tocantins.

Dos 344 mamíferos resgatados, 84 indicavam presença de anticorpos para o vírus. O maior índice foi nos primatas: 25,3% dos macacos-pregos e 48,1% dos bugios.

Por meio de sequenciamento parcial e análise do genoma de seis amostras positivas das duas espécies, os cientistas confirmaram que se trata do mesmo vírus que, no resto do país, causa doenças no rebanho bovino.

O vaccinia pertence ao gênero Orthopoxvirus -o mesmo da varíola humana- e sua origem nunca foi complemente esclarecida.

Desconhecido

Sua proximidade com o causador da varíola fez com que ele fosse usado nas vacinas contra a moléstia, declarada oficialmente extinta pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 1980.

Os pesquisadores não sabem se o vaccinia encontrado em Tocantins tem relação com a imunização ou se é alguma outra forma recombinante na natureza.

A doença causada por ele em humanos, embora não letal, tem custos sociais e econômicos altos. O desconhecimento de médicos e laboratórios é uma das principais ameaças. "Como os profissionais de saúde não têm informações sobre o vírus, não sabem prescrever o tratamento adequado", alerta Kroon.

Os laboratórios também não costumam incluir a testagem para o vaccinia, que é altamente contagioso, em seus exames.

Em humanos, doença causa dores fortes

Ainda não existem registros de mortes de humanos causadas pelo vaccinia vírus, mas as pessoas contaminadas podem sofrer com pústulas (feridas com acúmulo de pus) que causam dores "extremamente fortes", afirma Erna Kroon, da UFMG.

Como não há tratamento específico, a medicação é indicada para tratar os sintomas, que incluem mal estar, perda de peso e problemas linfáticos.

No gado, o vírus causa a chamada vaccinia bovina, que também provoca ulcerações, que se manifestam principalmente nas tetas das vacas.

No Brasil, o vírus é endêmico em algumas regiões. A doença tem maior incidência em Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. (Giuliana Miranda)

Fonte: Folha de SP

Camada de ozônio está estável desde 2000


A camada de ozônio manteve-se estável na última década. Até o meio do século, ela deve ficar gradualmente mais grossa e voltar a ser como antes dos anos 1980.

Na Antártida, porém, onde o buraco na camada de ozônio é grande, a recuperação será mais demorada. Ele deve se fechar somente no fim do século 21.

As conclusões, divulgadas ontem, saíram de um estudo elaborado pela Organização Mundial da Meteorologia (OMM) e pelo Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente).

Os cientistas atribuem o sucesso à decisão tomada em Montréal, no Canadá, em 1987, de interromper a produção dos clorofluorocarbonetos (CFCs) em produtos como sprays aerossóis e refrigeradores. Os CFCs são os principais responsáveis pela destruição da camada de ozônio.

As primeiras observações de um buraco sazonal aparecendo sobre a Antártida ocorreram na década de 1970. Na época, os países estavam produzindo CFCs em altíssimas quantidades, e a situação da camada de ozônio piorava com velocidade.

Ela é importante porque, nas altas altitudes, o ozônio bloqueia os perigosos raios ultravioleta do Sol e é essencial para a manutenção da vida na Terra. A perda do gás iria, por exemplo, aumentar o risco de câncer de pele.

Por esta avaliação científica sobre a camada de ozônio feita neste ano -a primeira atualização em quatro anos sobre o assunto-, a aplicação do Protocolo de Montréal "impediu um esgotamento maior da camada de ozônio", e ao mesmo tempo "apresentou valiosos benefícios secundários ao mitigar a mudança climática".

O Protocolo de Montréal, ao contrário das negociações do clima, é visto como exemplo de acordo internacional que conseguiu resolver um problema ambiental.

O físico e divulgador da ciência americano Carl Sagan, por exemplo, escreveu pouco antes da sua morte, em 1996, que o protocolo era "um triunfo para a glória da espécie humana", e que serviu para mostrar como a cooperação internacional poderia proteger o meio ambiente.
Fonte: Folha de SP

Número de brancos no ensino superior ainda é o dobro do de pretos


Em 1999, entre os estudantes de 18 a 24 anos de idade que cursavam universidade, 33,4% eram brancos, 7,5% pretos e 8% pardos. Os dados fazem parte da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais 2009 divulgada nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação à população com ensino superior concluído, o número de brancos é três vezes maior (15%), apesar de o número de pretos e pardos graduados ter crescido entre 1999 e 2009, passando de 2,3% (tanto para pretos quanto para pardos) para 4,7% e 5,3%, respectivamente.

No geral, os brancos têm mais acesso à educação em todos os níveis. As desigualdades se apresentam desde o analfabetismo, cuja a taxa nacional era de 13,3% em 1999 e passou para 9,7% em 2009. Apesar dos avanços registrados na última década, os pretos e pardos ainda apresentam o dobro da incidência de analfabetismo verificado na população branca: 13,3% dos pretos e 13,4% dos pardos são analfabetos, contra 5,9% dos brancos.

Por fim, os brancos, em média, estudam 8,4 anos, enquanto os negros, 6,7 anos. Embora o indicador tenha melhorado entre pretos e pardos, em 2009, ainda está abaixo da escolaridade dos brancos em 1999, que era de 7 anos.

Na última década, a pesquisa também registrou que a diferença de rendimentos entre os negros e os brancos é de pelo menos 20%. No segmento mais rico da população, a síntese chama atenção para o fato de a proporção de pretos e pardos ser de 1,8% e de 14,2%, respectivamente.

"Trata-se de uma cifra ainda bastante distante da representatividade da população. Pretos e pardos são 6,9% e 44,2% das pessoas no Brasil em 2009, o que corresponde a uma maioria de 51,1% da população", avalia a pesquisa.

O documento também alerta que a vulnerabilidade das pessoas negras diante dos indicadores requer "atenção para as políticas públicas", pois, famílias de cor preta e parda são maioria entre aquelas com filhos de até 14 anos.

Fonte: Agência Brasil