quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Fórum discute importância das florestas para sustentabilidade do planeta


Estimativas de tendência de perda de florestas feitas nos últimos dez anos revelam risco de extinção das florestas tropicais nos próximos 50 anos, se continuar o ritmo do padrão atual de exploração. Afinal, qual é a importância das florestas não só para o equilíbrio fundamental do planeta, mas também para a sobrevivência das populações humanas?

Já se sabe que alguns dos serviços ambientais essenciais oferecidos pelas florestas são a regulação do clima, a manutenção e oferta de água e de alimentos. Sua importância também pode ser traduzida em inúmeras possibilidades econômicas decorrentes de sua utilização.

Para discutir a proteção em caráter emergencial das florestas de todo o planeta, representantes das Nações Unidas estão reunidos desde essa segunda-feira (24/1), em Nova York (EUA), no 9º UNFF (Fórum das Nações Unidas para Florestas) com o propósito de estabelecer agendas internacionais comuns em torno deste objetivo.

Durante duas semanas, os países membros vão debater a importância das florestas para o bem-estar e garantia da sustentabilidade das próprias populações humanas, sem se limitarem à questão da produção e do mercado florestal - focado no fornecimento de madeira -, tônica que sempre permeou essas discussões.

De acordo com João de Deus, diretor do Departamento de Florestas do MMA, no Ano Internacional de Florestas (2011), o lema da campanha da ONU pretende lembrar a todos que a conservação florestal não é um obstáculo ao desenvolvimento.

"As comunidades podem desenvolver suas economias em um processo que esteja associado à habilidade de se conseguir manter os recursos a longo prazo", comenta.

Outros temas como a preservação da biodiversidade (especialmente em florestas tropicais, que apresentam megadiversidade), redução de sua perda e manutenção de florestas como estratégia de mitigação dos efeitos de mudanças climáticas serão pautados no Fórum.

O principal ponto que o Brasil pretende defender é o manejo adequado de florestas tropicais como instrumentos de mercado. João de Deus explica que existe a possibilidade de um modelo de desenvolvimento em que as florestas vão auxiliar no processo socioeconômico das comunidades, feito a partir da utilização de recursos múltiplos destas áreas.

"Ao gerar esta multiplicidade de usos, este modelo prevê que a pressão econômica sobre os recursos florestais deve ser compatibilizada com a sua conservação a longo prazo", argumenta.

A reunião vai avaliar como cada país membro pode implementar tais mudanças e socializar ideias e sugestões em busca de novas iniciativas.

Manejo florestal

João de Deus afirma que os atuais padrões de manejo florestal têm se mostrado insatisfatórios. Ele explica ainda que a criação de novos modelos vai exigir novas tecnologias e desenvolvimento de conhecimento, além de investimentos em pesquisas nesta área.

"A cooperação deve trabalhar firme e rapidamente nesse processo. Perdemos muito tempo com a propagação da ideia de que o manejo florestal seria uma única solução para todos os males".

O manejo florestal é o documento técnico que contém o planejamento para a exploração de determinadas espécies madeireiras nas florestas. Implica no manejo da floresta que extrai da mesma apenas o que ela consegueria repor naturalmente, sem que isso comprometa o equilíbrio do ecossistema e sua capacidade de regeneração florestal, sem colocar em risco sua cobertura vegetal.

Fonte: Assessoria de Comunicação do MMA

Efeitos climáticos de La Niña persistem até meados de 2011, diz entidade internacional

Fenômeno meteorológico é responsável pelas chuvas intensas na Austrália e na Indonésia. No Brasil, causa secas severas no sul do país. Situação deve prosseguir até abril de 2011, diz Organização Mundial de Meteorologia.

O fenômeno La Niña deverá se prolongar durante os próximos meses de 2011. O episódio responsável pelas catástrofes climáticas registradas na Austrália e em outras partes do mundo deve prosseguir pelo menos até abril, segundo um relatório da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), divulgado nesta terça-feira (25/01).

O fenômeno oceânico-atmosférico se caracteriza por um esfriamento anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico tropical, com impactos sentidos em diferentes regiões do globo.

Segundo o relatório da OMM, desde agosto de 2010, as temperaturas da região oriental e central do Oceano Pacífico estão, em média, 1,5ºC mais frias do que o normal. Indicadores atmosféricos indicam que o La Niña é um dos episódios de maior impacto do século passado. Desde o seu aparecimento, ele tem provocado desordens climáticas que ocupam as manchetes dos noticiários.

Os meteorologistas da OMM afirmam que o corrente fenômeno é responsável pelas precipitações acima da média registradas na Austrália, na Indonésia e sudeste da Ásia. Acredita-se também que o atual La Niña tenha provocado mais chuvas no sul da África e precipitação abaixo do normal na África Equatorial oriental. Menos chuva também foi registrada no centro e no sudoeste da Ásia, como também no sudeste da América do Sul.

Na Austrália, por exemplo, a região norte do país sofreu grandes inundações ainda em dezembro. Em algumas partes do estado de Vitória, choveu em 24 horas o volume de chuva que costuma ser distribuído ao longo de um ano.

"Regiões tipicamente impactadas pelos eventos do La Niña devem ficar atentas e esperar uma continuidade das condições moderadas e fortes do La Niña nos próximos dois meses, e uma condição mais fraca em março e abril", diz o relatório da OMM.

O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), antevê que, no Brasil, o La Niña vai provocar mais chuvas nas vazões dos rios da Região Norte e Nordeste do país. Já a Região Sul, produtor agrícola nacional importante, deve sofrer com secas severas.

"Ainda não temos ferramentas para quantificar o quanto acima haverá de chuva, portanto não há como prever se haverá danos para a população. Mas sabemos que na Região Norte as chuvas caem em forma de pancada, ou seja, chove muito em pouco tempo", disse à Deutsche Welle Priscila Farias, meteorologista do CPTEC.

Sobre as chuvas que caíram no Rio de Janeiro e ocasionaram a morte de mais de 800 pessoas, Farias disse que o ocorrido pode não se relacionar ao La Niña. "Não se sabe se o La Niña tem alguma influência nessa que foi a maior fatalidade climática da história do Brasil."

O La Niña, normalmente, provoca o aumento das chuvas na parte ocidental do Pacífico Equatorial, incluindo o norte da Austrália e Indonésia, durante os meses de dezembro a fevereiro. No período de junho a agosto, o mesmo efeito é observado nas Filipinas - e quase não é sentido na parte oriental do Pacífico Equatorial.

Condições mais úmidas também são registradas entre dezembro e fevereiro no norte da América do Sul e sul da África, e entre junho e agosto no sul da Ásia e sudeste australiano. O ar fica seco em algumas regiões do Equador, Peru e África Equatorial ocidental entre dezembro e fevereiro e, entre junho e agosto, esse fenômeno é observado no Brasil e Argentina.

Uma vez que o fenômeno se desenvolve, sua duração média é de 12 meses. Segundo os registros meteorológicos, o forte El Niño de 1997-1998 foi seguido por um La Niña prolongado que durou de 1998 a 2001. (Nadia Pontes)


Fonte: Deustche Welle

Vacina vegetal é criada no Brasil


Num avanço tecnológico muito significativo para o país, cientistas do Instituto de Tecnologia de Imunobiológicos (o Bio-Manguinhos), da Fiocruz, no Rio, em parceria com pesquisadores americanos, assinaram acordo para o desenvolvimento e a produção da primeira vacina feita no mundo a partir de uma planta - ou seja, sem o uso de vírus atenuados ou inativados (não infecciosos).

O imunizante escolhido para ser inicialmente produzido dessa forma é o da febre amarela, uma das doenças do arsenal do mosquito da dengue, o Aedes aegypti, e endêmica em países da América do Sul e da África.

Além de reduzir os efeitos colaterais - raros com a vacina atual, porém graves -, o novo imunizante poderá ser fabricado em maior quantidade e a um custo menor.

Hoje a vacina contra a febre amarela é produzida por Bio-Manguinhos com uma tecnologia 100% brasileira e desenvolvida a partir de uma cepa viva atenuada do vírus do gênero dos flavivirus, cultivada em ovos especiais (chamados embrionados) livres de doenças e fornecidos por uma única indústria nacional. O vírus se multiplica no ovo formando o antígeno - o princípio ativo da vacina atual.

Apesar de sua comprovada eficácia, esse método tem problemas. Como a vacina é obtida a partir de embriões de galinha, ela pode causar alergia em pessoas suscetíveis e até complicações como encefalite, a inflamação no cérebro, devido ao uso de vírus vivo.

Os pesquisadores esperam que com a nova técnica o imunizante seja mais seguro, diz Marcos Freire, vice-diretor de Desenvolvimento Tecnológico de Bio-Manguinhos:

- É algo inédito no mundo.

De forma simplificada, na produção da nova vacina os cientistas pegam o gene que faz (codifica) a principal proteína do vírus que induz a resposta imunológica no organismo. Em seguida, eles colocam esse gene nas células das folhas da planta Nicotiana benthamiana, espécie de tabaco. À medida que ela se desenvolve suas folhas crescem produzindo grande quantidade de antígeno.

- Cada folha da planta é uma minifábrica do antígeno que será usado na vacina - explica Ricardo Galler, principal pesquisador.

O método das chamadas biofábricas é usado na produção de algumas substâncias, como insulina, mas é a primeira vez que se chega tão longe com uma vacina.

Freire comenta que a produção nacional de ovos embrionados para a produção da vacina para o mercado brasileiro e o externo (o país exporta o imunizante para 70 países) não atende à demanda. E boa parte precisa ser importada dos Estados Unidos e da Europa.
- Se tudo der certo com a nova tecnologia e os testes pré-clínicos e clínicos apresentarem bons resultados, não vamos depender mais de ovos especiais embrionados, que no Brasil só têm um fornecedor - afirma o pesquisador. - Apesar de a vacina atual ser segura e eficaz, sua tecnologia tem 70 anos e, de certa forma, é obsoleta.

O uso da planta em cultivo por hidroponia - sem solo, onde as raízes recebem uma solução nutritiva balanceada - é uma grande vantagem porque os cientistas não precisam de grandes áreas de granjas para obter a proteína que estimula a resposta ao vírus, o que favorece a produção em áreas controladas e restritas. Além disso, o tabaco é um vegetal bem estudado e não comestível. Portanto, o seu cultivo não vai interferir na produção de alimentos.

O acordo entre Bio-Manguinhos e o Centro Fraunhofer para Biotecnologia Molecular e a iBio Inc., nos Estados Unidos, foi assinado no último dia 4. A Fiocruz investirá US$ 6 milhões no projeto para que o país domine o inovador processo de produção, e a previsão para o início da primeira fase clínica de estudo, no Brasil e nos Estados Unidos, é de três anos.

O Programa Nacional de Imunizações recomenda que a vacina contra febre amarela seja aplicada a partir dos nove meses de vida e a imunização seja repetida a cada dez anos. Isto vale principalmente para as pessoas que viajam para regiões endêmicas. (Antônio Marinho)

Fonte: O Globo

"Nature" destaca entrada do Brasil no ESO

A última edição da revista "Nature" traz reportagem sobre o pedido brasileiro para participar das operações do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês). Com o título "Brasil inicia corrida por telescópio", o texto afirma que a entrada do país no observatório, que ainda depende de aprovação do Congresso, servirá para consolidar a organização europeia como a mais forte do mundo em observação espacial.

Os recursos a serem pagos pelo governo brasileiro, cerca de US$ 300 milhões ao longo de dez anos, além de uma "taxa de entrada" de US$ 130 milhões, serão aplicados na construção de um novo telescópio.

A íntegra do texto pode ser lida em: http://www.nature.com/news/2011/110126/full/469451a.html

Engenharia é a carreira mais visada no Sisu


Curso também é o que mais ofereceu vagas aos que participaram do Enem

Com 251 mil inscrições, os cursos de engenharia foram os mais procurados no Sisu (Sistema de Seleção Unificada), site que seleciona os alunos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio para universidades públicas e institutos tecnológicos.

Em segundo ficou o curso de administração, com 103 mil inscrições, e, logo em seguida, medicina, com 85 mil.

Além de ter sido a carreira mais procurada, engenharia foi a que mais ofereceu vagas: 15% das 83.125 disponibilizadas. O aluno pôde optar por até dois cursos.

No que se refere a concorrência, a maior está na carreira de radiologia, com 68 candidatos por vaga, somando-se todos os cursos da área. Depois vêm medicina (65) e relações públicas (50).

Isoladamente, o curso mais concorrido é o de gestão ambiental do instituto federal de tecnologia de Rondônia: 683 candidatos por uma das três vagas oferecidas.

Os quatro menos disputados estão no instituto federal de tecnologia de Santa Catarina. Oferecidas em cidades do interior, as duas licenciaturas de matemática e uma de física e outra de química ficaram com concorrência de 4,5 a 5,3 candidatos por vaga.

Os índices de concorrência no Sisu refletem também a baixa procura por carreiras de formação de professores. Dos 50 cursos menos disputados, 33 são de licenciatura.

Entre as instituições, a Universidade Federal do Ceará foi a que recebeu o maior número de inscrições: 118 mil para 5.700 vagas. Em seguida, vêm as federais do Mato Grosso e do Rio, com 96 mil e 92 mil inscrições, respectivamente.

A primeira chamada do Sisu foi divulgada no domingo. As matrículas são nos dias 27, 28 e 31, presencialmente nas próprias instituições. (Angela Pinho)

Fonte: Folha de SP

Conselheiro do CNE defende Enem regionalizado


O presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE), Paulo Speller, vai propor mudanças no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) à nova presidente do Inep, Malvina Tuttman. Ele vai sugerir que o Enem seja regionalizado, isto é, que o teste deixe de ser aplicado simultaneamente em todo o país.

Para Speller, as universidades federais também poderiam assumir tarefas, sob supervisão do MEC, na organização do exame.

- O Brasil é muito grande. É preciso que haja descentralização do processo. As universidades federais podem contribuir muito. Minha sugestão é de descentralização do Enem, regionalização e parceria com universidades federais.

Malvina visitará o CNE nesta quarta. Desde terça-feira (25/1), os conselheiros estão reunidos. Além de presidente da Câmara de Educação Superior, Speller é reitor da última universidade federal criada no governo Lula, a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), em Redenção, no Ceará. Segundo ele, seu ponto de vista é compartilhado por outros conselheiros.

- A presidente do Inep vem aqui amanhã (hoje) e vamos dizer isso ela - afirmou.

Speller defende a ampliação do banco de questões do Enem, passo indispensável para a aplicação de diversas provas por ano. Isso porque o Enem é elaborado com base na Teoria de Resposta ao Item, que exige que as perguntas das provas sejam pré-testadas, de modo a garantir o mesmo grau de dificuldade em testes distintos. Sem a ampliação, não há como realizar mais edições do exame.

Speller lembra que a Universidade Federal de Mato Grosso oferece cursos para formação de professores brasileiros no Japão. Nesses cursos, o vestibular é feito eletronicamente. Para Speller, esse deve ser o caminho do Enem.

- Temos de chegar num ponto de fazer por via eletrônica. Estou falando de um cenário para o futuro.

Na reunião do CNE, o novo secretário de Educação Superior, Luiz Cláudio Costa, destacou a importância do Enem e do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para democratizar o acesso ao ensino superior: - Antes tínhamos uma tragédia invisível: a pré-evasão. Estudantes sonhavam (em ingressar na universidade) e sequer podiam fazê-lo. O Enem acabou com essa pré-evasão.

Costa disse que a presidente Dilma Rousseff seguirá Lula e fará reuniões com os reitores das federais.

- A presidenta Dilma tem um compromisso total com a educação e o ensino superior. Vamos estar agendando em breve, com certeza no primeiro semestre. (Demétrio Weber)

Fonte: Globo