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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

AEB e Nasa: acordos sobre mudanças climáticas, desastres naturais e camada de Ozônio


Encontro destaca a relevância da cooperação espacial entre Brasil e EUA.

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp, recebeu o administrador da Nasa (Agência Espacial dos Estados Unidos), Charles Bolden,que desembarcou no Aeroporto de Guarulhos, na última quarta-feira (26), em sua primeira visita ao Brasil. Raupp saudou o visitante em nome do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, e da própria AEB, e frisou a relevância de uma ampla e profunda cooperação espacial entre Brasil e EUA.

No dia seguinte, quinta-feira (27), Raupp e Bolden voltaram a se encontrar em São José dos Campos, nas instalações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), durante a visita do administrador da Nasa a essa importante instituição do Programa Espacial Brasileiro. Na ocasião, eles firmaram dois acordos de cooperação: um sobre a participação do Brasil no Programa de Medição de Precipitação Global (GPM) e o outro sobre o lançamento de sondas para o estudo da camada de ozônio.

Pelo primeiro acordo, o Brasil terá acesso a dados gerados pela constelação de satélites do GPM, programa dos Estados Unidos e Japão criado para monitorar por satélites as precipitações na atmosfera, em alta resolução temporal, no mundo inteiro.

A constelação GPM, que começará a ser lançada em 2013, permitirá estimar mudanças climáticas e meteorológicas, aperfeiçoar a previsão do tempo e dar mais eficácia aos sistemas de alertas de desastres ambientais, como tempestades, tormentas, relâmpagos, enxurradas, inundações etc. O programa também fornecerá dados precisos sobre as características das chuvas em cada área do planeta, além de criar mapas em três dimensões revelando a estrutura das precipitações.

Para o Brasil, o pleno uso dos dados do GPM beneficiará várias áreas em larga escala, a começar pelo Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais, criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para enfrentar com os recursos mais modernos e eficientes as calamidades espontâneas que têm causado tantas perdas e danos em todo o País.

O Ministério da Integração Nacional também está interessado no acesso aos dados do GMP, que considera de extrema valia para o trabalho do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CENAD), que está sendo estruturado por sua Secretaria Nacional de Defesa Civil (SEDEC). Proposta de parceria com a SEDEC já chegou à AEB, nesta sexta-feira.

A AEB propôs registrar no acordo o estudo da possibilidade de desenvolvimento conjunto com a Nasa de um satélite para compor a constelação GPM. Mas a proposta não pôde ser incluída no texto, em vista de dificuldades orçamentárias por que passa a Nasa. Contudo, a ideia de um projeto futuro não está inteiramente descartada.

O segundo acordo assinado por Raupp e Bolden estabelece que o Inpe continue lançando em território brasileiros ondas de ozônio conectadas a balões atmosféricos, permitindo melhor compreensão sobre o funcionamento da camada de ozônio. Os equipamentos serão cedidos pela Nasa, que também será responsável pela formação de profissionais. Os dados gerados pelas sondas estarão disponíveis a ambos os países.

O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, apresentou à delegação norte-americana o projeto Observatório Global do Ecossistema Terrestre (GTEO), na sigla em inglês), elaborado em parceria com o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da Nasa. Trata-se de um satélite pleno de tecnologia altamente inovadora, destinado a estudar mudança nos ecossistemas e nos ciclos geoquímicos do planeta, inclusive medindo sua vegetação e o comportamento dos oceanos.

Ciceroneado pelo chefe do Laboratório de Integração e Testes (LIT/Inpe), Petrônio Noronha de Souza, Bolden ficou impressionado com a excelência de suas instalações e equipamentos, bem como com seu enorme potencial de atuação. Não por acaso, os acordos foram assinados justamente durante a visita ao LIT - sinal de efetivo avanço científico e tecnológico.

Bolden ainda teve tempo para um encontro com crianças e adolescentes do Vale do Paraíba, entre os quais um grupo de alunos de uma escola municipal de Ubatuba, que está construindo um pequeno satélite. O visitante revelou-se exímio comunicador. Proferiu palestra pautada de momentos inesperados, emocionantes e divertidos. A conversa agradou em cheio a crianças e adultos. Liberados pelo conferencista para formularem qualquer tipo de perguntas a qualquer instante, os pequenos levantaram dezenas de questões, as mais diferentes. Foi uma festa.

Ao final, Bolden cumprimentou os alunos pela qualidade das perguntas e pelo alto nível de curiosidade manifestada sobre temas espaciais. E tirou dezenas de fotos com todos eles, encantados com sua forma simpática e agradável de lidar com os jovens, a quem recomendou: estudem muito, procurem estar entre os melhores naquilo que fazem e não tenham medo de fazer perguntas, nem de errar.

Durante o magnífico almoço oferecido aos visitantes pelo Inpe, Raupp teve oportunidade de reafirmar a Bolden o grande interesse do Brasil em desenvolver com os Estados Unidos um programa de cooperação espacial bem mais abrangente, intenso e profundo do que o atual. Por seu turno, o administrador da Nasa, que pela primeira vez pisou em solo brasileiro, não se cansou de repetir o quanto estava satisfeito e grato por tudo o que lhe tinha sido dado ver, ouvir e conversar no Brasil.

Fonte: Ascom da AEB

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Satélite estrangeiro testado no Inpe inicia operações em órbita


A Nasa anunciou que as medidas do nível de salinidade dos oceanos já estão sendo realizadas pelo SAC-D/Aquarius, satélite testado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e lançado em junho da base de Vandenberg, na Califórnia, Estados Unidos.

Resultado de parceria entre as agências espaciais argentina (Conae) e norte-americana (Nasa), o satélite tem como principal missão medir o nível de salinidade dos oceanos por meio de um radiômetro e escaterômetro construído pelo Jet Propulsion Laboratory (JPL) e Goddard Space Flight Center, da Nasa. Até hoje, os dados de salinidade dos mares eram coletados apenas em amostras locais (in situ), com o uso de barcos e bóias.

Assim como a temperatura da água, a salinidade é um fator que ajuda a entender os padrões de circulação das correntes marítimas. Como a salinidade afeta a densidade das águas oceânicas e, consequentemente, o clima terrestre, os dados do satélite contribuirão para o aperfeiçoamento dos modelos climáticos de longo prazo.

Nos próximos meses, a equipe científica da missão Aquarius irá analisar e calibrar as medições para liberação dos dados preliminares, que serão utilizados por pesquisadores em todo o mundo.

Testes - De junho de 2010 a março de 2011, em seu Laboratório de Integração e Testes (LIT), o Inpe realizou uma série de testes e ensaios para demonstrar que o satélite SAC-D/Aquarius estava preparado para resistir ao lançamento e ao ambiente na órbita da Terra.

No decorrer da campanha de medidas físicas e ensaios ambientais, mais de trezentos profissionais estrangeiros trabalharam nas instalações do LIT/Inpe, o único laboratório do gênero no Hemisfério Sul capacitado para a realização de atividades de montagem, integração e testes de satélites e seus subsistemas.

Foram realizados testes de interferência e compatibilidade eletromagnéticas, vibração, vibro-acústico, choque de separação, vácuo-térmico, além das medidas de propriedades de massa do satélite. A impossibilidade de reparo em órbita torna imprescindível a simulação em Terra de todas as condições que o satélite enfrenta desde o seu lançamento até o final de sua vida útil no espaço.

Fonte: Ascom do Inpe

quarta-feira, 2 de março de 2011

Satélite para estudar aerossóis


Nasa informa que contagem para o lançamento deve começar na sexta-feira (4).
A nova missão científica objetiva oferecer informações que permitam uma melhor compreensão de como o Sol e os aerossóis influenciam o clima terrestre.

Aerossóis são minúsculas partículas líquidas ou sólidas suspensas na atmosfera que têm papel crítico no clima do planeta e estão presentes em praticamente todos os locais, do ar na superfície onde os humanos respiram até as mais elevadas camadas da atmosfera.

Os aerossóis medem de um centésimo de micrômetro, ou o tamanho das menores bactérias, a dezenas de micrômetros, ou o diâmetro de um fio de cabelo.

Dos equipamentos do Glory, o sensor de polarimetria (APS, na sigla em inglês) coletará dados sobre os aerossóis atmosféricos, tais como forma, composição e refletividade dos diferentes tipos de partículas. O monitor de irradiância total (TIM) medirá variações na atividade solar ao medir a quantidade de radiação que atinge o topo da atmosfera terrestre.

Os dados enviados pelo satélite de meia tonelada permitirão realizar medidas precisas da influência dos aerossóis e da energia solar no clima terrestre. Segundo os responsáveis pela missão, os dois fatores influenciam o balanço energético da Terra - relação entre a energia que entre e a que sai pela atmosfera - e seu conhecimento será importante para antecipar mudanças futuras no clima e como elas poderão afetar a vida no planeta.

O Glory se juntará a uma frota de satélites de observação terrestre conhecidos como Constelação A, ou Trem A, destinados ao estudo da biosfera e do clima do planeta.

Mais informações: www.nasa.gov/mission_pages/Glory/main/index.html

Fonte: Agência Fapesp

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

EUA e UE planejam foguete de baixo custo


Uma nova parceria entre empresas da Europa e dos Estados Unidos está dando o maior passo até agora para o compartilhamento de tecnologia de foguetes espaciais. Ela quer construir um foguete comercial confiável que leve astronautas e material científico americanos ao espaço.

A fabricante de foguetes de combustível sólido Alliant Techsystems Inc. e uma unidade da European Aeronautic Space & Defence Co. estão se aliando para propor o desenvolvimento de um foguete de 90 metros - batizado como Liberty - que ambas as empresas veem como um potencial ponto de inflexão nas ambições espaciais do governo americano. A empreitada deve ser anunciada hoje.

Se tiver sucesso, o plano pode ajudar a Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA, a Nasa, a poupar dinheiro e ao mesmo tempo acelerar o desenvolvimento de uma substituição de sua frota de ônibus espaciais que estão sendo aposentados. Ao reduzir de maneira significativa os custos de lançamento tradicionais, a sociedade vai também servir como catalisador do avanço de projetos comerciais como o de um hotel inflável, proposto para ficar em baixa órbita e atender a potenciais turistas espaciais, preveem os proponentes do negócio.

Mas a iniciativa, que enfrenta obstáculos financeiros e políticos nos EUA, também foi desde o início planejada para dar um empurrão nas duas empresas. Ela procura combinar tecnologia exclusiva de ambos os lados do Atlântico.

"Os dois sistemas de lançamento" que foram combinados no foguete proposto "combinam melhor do que qualquer um de nós podia imaginar", disse Charlie Precourt, vice-presidente e gerente-geral de sistemas de lançamento espacial da Alliant. "Nada mais", disse ao Wall Street Journal, "poderia minimizar os custos de desenvolvimento" tanto assim nem oferecer "um início tão encorajador".

A Alliant Techsystems, uma das maiores fornecedoras do ônibus espacial, tem sofrido com a decisão da Casa Branca de terceirizar funções básicas da Nasa e contratar táxis espaciais - desenvolvidos e na maior parte operados pela indústria privada - para transportar carga e astronautas à Estação Espacial Internacional. A empresa americana busca nova estratégia para concorrer nesse cenário inédito.

A Eads e sua divisão Astrium tentaram sem sucesso durante anos conseguir contratos espaciais civis nos EUA, inclusive com a Nasa. Agora, a potência aeroespacial europeia encontrou um possível meio de entrar nesses mercados.

Projetado para levar mais de 22 toneladas até a órbita terrestre baixa, o foguete proposto teria potência mais ou menos equivalente à dos maiores propulsores de carga pesada dos EUA e da Europa. De acordo com a Alliant Techsystems, o preço visado é menos de US$ 180 milhões por lançamento, ou até 40% menos que o custo dos lançamentos mais caros da Nasa e da força aérea americana fornecidos por uma joint venture da Boeing Co. com a Lockheed Martin Corp. Os foguetes Liberty serão capazes de transportar astronautas e suprimentos essenciais para manter a estação espacial operando até a próxima década. As parceiras se negaram a discutir os custos de desenvolvimento projetados.

A medida aumenta a pressão em rivais como Boeing, Lockheed e a Space Exploration Technologies Corp., interessadas nos mesmos contratos para levar astronautas e carga para a estação espacial.

Mas antes de qualquer coisa, a sociedade precisa persuadir a Nasa a dar-lhe financiamento inicial de um programa de US$ 200 milhões elaborado para o estímulo a empreendimentos espaciais comerciais. Várias rivais esperam parte daquele dinheiro. Antes de começar o desenvolvimento pleno, os sócios da Liberty também terão de achar um meio de manobrar em meio aos obstáculos políticos previstos no Congresso americano.

A proposta, contudo, coincide com as políticas da Casa Branca e da Nasa que enfatizem sociedades espaciais comerciais e encorajam maior cooperação internacional numa série de iniciativas espaciais.

A Eads e a Alliant Techsystems argumentam que têm uma vantagem significativa sobre as rivais porque seu foguete deve ser um híbrido de tecnologias americana e europeia existentes, projetado desde o princípio com mecanismos de segurança adicional necessários para transportar os astronautas. Isso reduz custos e o tempo de desenvolvimento em relação a muitos rivais, dizem os proponentes. O desenvolvimento de um novo foguete, a começar por componentes não testados, pode custar vários bilhões de dólares e mais de dez anos de trabalho.

"Se as portas forem abertas" e a Nasa concordar em arcar parcialmente com os custos do trabalho no foguete, diz Alain Charmeau, diretor-presidente da divisão de transporte espacial da Astrium, "teremos claramente uma estratégia para entrar nesse mercado".

Contando com equipamento derivado do ônibus espacial e com um voo de teste inicial projetado para talvez já em 2013, o Liberty pretende preservar parte da tecnologia e dos empregos associados com os ônibus. O foguete deve operar a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, o que pode acabar sendo um importante atrativo para a Nasa, as autoridades da Casa Branca e os líderes do Congresso ansiosos em minimizar as demissões e o impacto na Flórida.

Outras partes do foguete proposto são derivadas do europeu Ariane 5, o principal foguete lançador comercial do mundo, que é comercializado pela Arianespace, outra filiada da Eads. Grupos anteriores de empresas americanas que envolviam sócios russos ou europeus não envolviam essas trocas amplas de tecnologia. (Andy Pasztor, do The Wall Street Journal)

Fonte:Valor Econômico

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Astrônomos confirmam objeto mais remoto já detectado por telescópios


A equipe do Telescópio Espacial Hubble, da Nasa, registrou o objeto mais antigo já detectado por astrônomos. A galáxia UDFy-38135539 está a 13,1 bilhões de anos-luz de distância. A imagem foi divulgada nesta quarta-feira (20), na revista científica Nature.

A luz da galáxia demorou 13,1 bilhões de anos para chegar ao Sistema Solar. A idade estimada do Universo é de aproximadamente 13,7 bilhões de anos. O que é observado no centro da foto é a luz da galáxia depois de apenas 600 milhões de anos após o Big Bang.

O complexo nome do conjunto de estrelas vem da região observada, conhecida como "ultra deep field", com os números indicando a posição exata no espaço. Nesta região, o Hubble apresentou uma série de candidatas para astros mais distantes.

Após analisar as opções oferecidas pelo Hubble, a confirmação da condição de objeto mais remoto já observado veio após o trabalho de astrônomos usando o telescópio VLT (sigla para telescópio muito grande, em inglês) do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês).

Com o instrumento, os pesquisadores mediram o desvio para o vermelho da gálaxia, estimado em 8.6. Essa classificação significa que o objeto existia há 600 milhões de anos após o Big Bang.

O desvio para o vermelho diz respeito ao estudo da luz emitida pelo objeto no espaço. A decomposição da luz detectada, a análise do espectro, é a técnica mais precisa para saber a distância da galáxia do Sistema Solar. A luz é dividida em suas cores componentes e traços de higrogênio e outros elementos são procurados. Em inglês, o nome do desvio para o vermelho é redshift.

No caso da galáxia UDFy-38135539, os astrônomos do VLT observaram a região durante 16 horas para chegar às conclusões.

Há 13 bilhões de anos, o Universo ainda não era totalmente transparente e muita névoa de hidrogênio preenchia o espaço. Essa massa absorvia a radiação ultravioleta emitida pelas galáxias então em formação. É a chamada era da reionização, ilustrada na foto abaixo.

Ela durou entre 150 milhões e 800 milhões de anos após o Big Bang e recebe este nome por representar o período no qual a "cortina de fumaça" de hidrogênio foi dissipada pela radiação ultravioleta, originada das primeiras estrelas em formação.

Astrônomos do VLT ainda afirmam que um objeto com redshift de 10 chegou a ser estudado, porém a análise não foi conclusiva. Grande parte dos astrônomos considera o número como inválido.

Fonte: G1