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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Rede de extensão tecnológica é proposta para combater analfabetismo funcional e capacitar micro e pequenas empresas


Conselho de Altos Estudos da Câmara vai apresentar projeto de lei para fortalecer ação dos ministérios da Ciência e Tecnologia e da Educação.

Em pronunciamento na última terça-feira (27), na Câmara, o deputado Ariosto Holanda (PSB-CE) defendeu investimentos na capacitação profissional e tecnológica para fortalecimento das micro e pequenas empresas e dos analfabetos funcionais para inclusão de cerca de 50 milhões de brasileiros no processo de desenvolvimento do país. O parlamentar cearense relatou os resultados do seminário realizado em agosto, na Câmara, que apontou ações para resgatar e fortalecer a extensão tecnológica do País por meio de estruturas ágeis e flexíveis de transferência de conhecimentos para a população, do tipo dos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs).

Conforme Ariosto Holanda, os CVTs constituem verdadeiros atalhos que avançam sobre a educação tradicional, e devem ser usados numa ação de massa, já que os excluídos são muitos. Como os institutos federais vão estar presentes até final do governo Dilma em 600 municípios, o deputado propõe que em torno de cada campus sejam implantados três CVTs para assegurar a presença da extensão tecnológica em 2.400 municípios.

"Se houver essa decisão política por parte do governo teríamos no país a criação da maior rede de extensão tecnológica voltada para atacar esses dois problemas crônicos: o do analfabetismo funcional da população e do analfabetismo tecnológico das micro e pequenas empresas", disse o parlamentar cearense.

Segundo Ariosto, as regiões de baixo IDH desconhecem ações da Ciência e Tecnologia voltadas para a inovação tecnológica ou para novos conhecimentos. "Quando surgem, são pontuais ou isoladas e não de alcance da população. Fala-se às vezes em cluster, em empreendedorismo, em arranjos produtivos locais, em empresa de base tecnológica, em incubadoras de empresa, em agronegócios, mas não se fala em acabar com o analfabetismo funcional da população, das pequenas empresas e dos pequenos negócios", afirma o deputado.

De acordo com o deputado, a Unesco, no seu relatório do ano 2000, já conclamava os pesquisadores para voltarem suas atenções para as regiões pobres, no sentido de identificar os seus problemas e abrir caminho para as soluções dos mesmos. Para isso - acrescentava a agência da ONU -, as ações da extensão devem estar na pauta das instituições de ensino e pesquisa levando conhecimento para capacitação da população e fomento à criação de unidades de produção.

Para Ariosto, a extensão é importante porque ela age não só na transferência e aplicação de novos conhecimentos, mas também na identificação da demanda local, realimentando os trabalhos da pesquisa. "É ela que chega ao homem e aos pequenos negócios. Infelizmente, hoje essa atividade depende de emendas ao orçamento. Programas do Ministério da Ciência e Tecnologia como os do Centro Vocacional Tecnológico (CVT), Arranjo Produtivo Local (APL), Incubadoras de Empresas e outros poderiam se constituir como projetos para o desenvolvimento das atividades de extensão", constata.

"Num estado democrático, regulador de uma economia mista, todo processo de desenvolvimento deve levar em conta o homem e o seu meio e o seu direito, enquanto cidadão, à educação e trabalho", assinala Ariosto. O deputado cita o economista e sociólogo Ignacy Sachs: "a luta contra a pobreza e pela integração social com criação de empregos produtivos deve ser contínua e presente. Não é aceitável que os progressos financeiros e econômicos sejam realizados à custa do desemprego ou subemprego estruturais, que resultam em exclusão social e pobreza".

Ariosto Holanda observa que "o crescimento econômico mesmo que acelerado não significa desenvolvimento social se ele não ampliar o emprego, reduzir a pobreza e atenuar a desigualdade. Nessa discussão, ênfase deve ser dada à necessidade de considerar o emprego uma questão básica no equacionamento das estratégias do desenvolvimento. Propostas como a de geração de trabalho a partir das vocações regionais e locais surgem como elemento fundamental de políticas públicas desenvolvimentistas", assinala.

Na nossa democracia, já dizia Marcio Pochman, citado pelo deputado: "sobram partidos e faltam idéias e propostas para um desenvolvimento econômico social equilibrado. Temos com urgência de levarmos a ética para a economia e para a política, porque República significa igualdade de oportunidades". Segundo Ariosto, o Brasil certamente modernizou-se do ponto de vista tecnológico, mas não o fez do ponto de vista social e político. "Existem profundas contradições no formato das políticas econômicas e sociais. O Estado encontra grandes dificuldades para resolver problemas estruturais relacionados com demandas populares como os da saúde, educação, terra, meio ambiente".

"O verdadeiro desenvolvimento só será alcançado quando existir liberdade humana. Para isso, problemas como persistência da pobreza, necessidades essenciais não satisfeitas, ameaça ao meio ambiente concentração de renda e violação das liberdades políticas devem ser superados", disse Ariosto. Para ele, o Brasil ainda não atingiu essa liberdade.

O País é a 7ª potência do mundo em PIB, mas ocupa o 71º lugar em Índice de Desenvolvimento Humano - compara. "O caminho da independência é o da Educação. Nesse ponto o Brasil tem uma enorme dívida que o governo atual tenta pagar. Além dos seus 50 milhões de analfabetos funcionais, o Brasil para colocar 85% dos seus jovens no ensino médio precisa construir 50 mil novas salas de aula e contratar 500 mil novos professores", ele afirma.

O discurso do crescimento econômico como fórmula de geração de trabalho, analisa Ariosto Holanda, diante dessa massa de excluídos, torna-se inócuo. "Poderemos ter aumento significativo do PIB sem que isso implique em criação de um grande número de empregos e diminuição de pobreza. É preciso discutir o que é desenvolvimento e pensar numa economia que leve em conta as pessoas", argumenta.

Preocupado com essa situação do analfabetismo funcional da população e analfabetismo tecnológico das MPE, segundo o deputado, o Conselho de Altos Estudos da Câmara irá apontar diretrizes para a implantação no País de uma rede de Centros de Assistência Tecnológica, tipo CVT, a ser operada pelos institutos federais e Universidades públicas. O parlamentar informa que o estudo no seu final deverá encaminhar projeto de lei que venha definir políticas públicas voltadas para a consolidação e modernização das micro e pequenas empresas e para implantação no país de um grande programa de extensão tecnológica, que venha massificar as ações de assistência ás micro e pequenas empresas e de capacitação da população.

"Espero que as ideias aqui defendidas possam contribuir com o planejamento estratégico dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e o da Educação, na sua missão, não só de fortalecer a Educação, Ciência e a Tecnologia do país, mas, sobretudo, de inovar com programas que resultem na transferência de conhecimentos para a população", disse Ariosto Holanda. "Para isso é preciso definir recursos orçamentários para o Ministério da Ciência e Tecnologia que venham dar suporte a um grande programa de extensão tecnológica no país. O PL-7394 que cria o fundo para extensão, aprovado na Câmara e que seguiu para o Senado com o número PL-120, aguarda até hoje sinal do governo para ser votado", assinala. (Flaminio Araripe) 

Fonte: Jornal da Ciência

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Câmara defende recursos de orçamento para ações de extensão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação


Aloizio Mercadante anunciou vinculação dos CVTs aos institutos federais e universidades públicas.

Nesta terça-feira (16), no seminário A Extensão Tecnológica no Brasil, realizado na Câmara, o deputado Ariosto Holanda (PSB-CE) propôs emenda da Comissão de Ciência e Tecnologia à Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) para que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação possa ampliar o programa de Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT) para dois mil municípios. "Temos recursos assegurados para educação, pesquisa, mas ninguém encontra os recursos para extensão", disse o deputado, ao defender ação política para viabilizar esta atividade.

Conforme Ariosto, o programa de CVTs do MCTI só sobrevive por meio de emendas individuais. "Programa de emenda não tem consistência", ele afirmou. O presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Bruno Araújo, manifestou apoio à ideia de colocar recursos de orçamento para extensão no MCTI e declarou que a área de ciência tecnologia é republicana e apartidária.

O deputado cearense pediu ao ministro Aloizio Mercadante para agilizar o trâmite do Projeto de Lei 7394 no Senado, já aprovado na Câmara, que cria o Fundo de Extensão da Educação Profissional. Como ex-senador e conhecedor da casa, disse Ariosto, o ministro poderá acelerar a aprovação do PL Nº 120 de 2010, que vai injetar cerca de R$ 400 milhões por ano para a extensão.

Aloizio Mercadante anunciou a reformulação do programa de CVTs, agora em quatro padrões, três fixos e um móvel sobre rodas ou barco, para chegar à população mais distante. O programa de CVTs vai determinar preços da construção de novas unidades e de equipamentos, o que será disponibilizado em pregão eletrônico com os critérios definidos para o acesso.

Mercadante sinalizou que o Ministério da Educação vai participar do programa de CVTs, inclusive com recursos, e defendeu a vinculação dos CVTs aos institutos federais e universidades públicas com adoção obrigatória de projetos pedagógicos. "É preciso padronizar, certificar e dar continuidade e sustentabilidade à ação", afirmou o ministro.

Com o CVT, o ministro disse que quer fortalecer a área de tecnologia social e citou as tecnologias assistivas. Será publicado um catálogo de exemplos bem sucedidos, de bengala a cadeira de rodas, e será oferecido às empresas que queiram produzi-los crédito dos bancos oficiais e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Destacou também uma linha de CVT com as tecnologias sustentáveis.

Mercadante prestigiou a inauguração de Centro Vocacional Tecnológico instalado na entrada do Anexo II da Câmara. O CVT é dotado laboratório de química, biologia, física, eletromecânica, informática e sala de videoconferência para educação a distância, que entrou em conexão com a sede do Instituto Centec, em Fortaleza, que enviou pessoal e equipamentos para a exposição aberta ao público até sexta-feira (19). (Flaminio Araripe)
 
Fonte: Jornal da Ciência

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Associação Nacional dos CVTs será lançada em seminário na Câmara Federal


Lançamento acontece no seminário "Extensão Tecnológica no Brasil", que será realizado amanhã (16), em Brasília.

A Associação Nacional dos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) - unidades de ensino e de profissionalização para difundir o acesso ao conhecimento científico e tecnológico - será lançada amanhã (16), em Seminário "Extensão Tecnológica no Brasil" a ser será realizado na Câmara Federal. O projeto é organizado pelo deputado Ariosto Holanda (PSB-CE) e promovido pelas comissões de Ciência e Tecnologia, de Comunicação e Informática e a Comissão Especial do Plano Nacional de Educação (PNE), além do Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da casa.

Segundo Holanda, o evento tem recebido apoio decisivo, também, do governo do Ceará, por meio do Instituto Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec), da Câmara e do Senai Nacional. Criador dos CVTS, o parlamentar implantou 40 unidades no Ceará quando secretário de Ciência e Tecnologia estadual.

Para mostrar ao público como funciona um CVT, serão montados, nesta segunda-feira, equipamentos que compõe um Centro Vocacional Tecnológico, como laboratórios de biologia, química, física, eletroeletrônica, informática e sala de videoconferência. A montagem fica até 20 deste mês, no Anexo II da Câmara. Os equipamentos e instrutores para a montagem dos laboratórios foram cedidos pelo Instituto Centec e transportados para a Câmara Federal com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Marie Curie - No evento, ocorre também a exposição de Marie Curie, Prêmio Nobel de Química em 1911. A cientista estará sentada com vestido preto numa réplica do laboratório onde realizou os experimentos que a levaram à descoberta de dois novos elementos químicos, o polônio e o rádio. Com base em fotos da época, foi produzida a vidraria típica do laboratório, a mesa de trabalho e as vestes de Marie Curie, em homenagem ao Ano Internacional da Química comemorado por toda a comunidade científica em 2011.

Lançamento de livro - No seminário, será lançado e distribuído o livro "CVT: A extensão a serviço da capacitação" da Câmara Federal, que adota a definição de três padrões para o CVT, estabelecida pela Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (Secis) do MCTI. O livro é resultado do seminário da Secis realizado em Brasília com o deputado para ouvir as experiências dos estados que possuem redes de CVTs e definir um padrão, por determinação do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

Foram estabelecidos três modelos de CVTs. A estrutura padrão básica determina que o CVT 1, o menor dos três modelos, terá 500 metros quadrados, a um custo de R$ 525 mil, incluindo os equipamentos. O CVT 2 de tamanho intermediário com 750 m² é uma ampliação da estrutura mais simples com adição de oficina de eletromecânica, sala de administração e auditório, orçado em R$ 1 milhão com os equipamentos. Já o CVT 3 é a estrutura maior com 1.500 m², com orçamento de R$ 2 milhões.

Fonte: Jornal da Ciência

terça-feira, 29 de março de 2011

Deputados convocam ministro para explicar corte na verba de CVTs


Recurso para a criação de mais unidades deve ser reduzido em R$ 100 milhões este ano, o que pode inviabilizar o plano de expansão das unidades que transferem conhecimento tecnológico à micro e pequenas empresas. O cálculo é do titular da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, deputado Ariosto Holanda (PSB-CE), que critica a tesoura passada em R$ 1,6 bilhão no orçamento do MCT para este ano.

Ao temer que os cortes do orçamento dos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) prejudiquem o desempenho tecnológico dos pequenos negócios, principalmente, nas cidades interioranas do País, integrantes da comissão convidaram o ministro Aloizio Mercadante para explicar, em audiência pública nesta quarta-feira (30), as verbas cortadas destinada à criação de novas unidades.

"O corte atingiu os recursos das emendas parlamentares. As minhas emendas, sozinhas, perderam R$ 6 milhões para a construção de novos CVTs", disse Holanda, que também preside o Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica.

Ao criticar o corte no orçamento dos CVTs, o deputado enfatiza a necessidade de o Brasil se preocupar em colocar a discussão de fomento à ciência e tecnologia na pauta diária, a exemplo do que ocorre em outros países.

"Na Finlândia (que também teve de fazer ajuste fiscal) houve cortes em outras despesas, mas os recursos da ciência e tecnológica foram mantidos", compara o parlamentar.

Além de cursos profissionalizantes, os centros vocacionais têm uma estrutura que oferece laboratórios que ajudam a definir a vocação produtiva da região, analisa a viabilidade do solo e dos setores que podem ser explorados em cada cidade ou município. Dentre esses, estão os setores de etanol, de turismo e biodiesel.

"Se micro e pequenas empresas precisam de informações sobre um produto ou sobre a região, os centros têm condições de fornecer dados a essas empresas", diz o parlamentar que acredita que os CVTs sejam um ponto de apoio à comunidade.

Hoje, existem cerca de 70 CVTs, no máximo, distribuídos pelo Brasil, dos quais quase metade (30) estão no Ceará, cita Holanda, que discorda de dados do MCT que apontam cerca 236 centros criados desde 2003.

O deputado vê a necessidade de serem criados mil centros até 2014, a fim de reduzir a mortalidade de micro e pequenas empresas. Para este ano, a proposta é a de criar 400 unidades que demandariam cerca de R$ 1 bilhão, o equivalente a R$ 2 milhões por unidade. Porém, as indicações são de que a construção de novos centros seja inviabilizada diante dos cortes no orçamento do MCT. 

Autor da ideia de criação dos CVTs no Brasil para micro e pequenas empresas, o deputado fala sobre o assunto em seminário a ser realizado em 14 de abril no MCT. O modelo de desenvolvimento de centros no Brasil foi trazido dos Estados Unidos. 

Fonte: Jornal da Ciência Email