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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Cristovam Buarque recomenda investimentos em tecnologia e inovação para superar crises externas


Diante da estagnação da atividade econômica no último trimestre, sob os efeitos da crise internacional, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que o Brasil deveria adicionar ações inovadoras, aos atuais pacotes de estímulos ao consumo interno, para manter a economia fortalecida tanto em curto como em longo prazo e se proteger de crises internacionais.

Para o senador, o País só deve apresentar crescimento econômico eficiente quando começar a injetar recursos em sua capacidade inovadora. Ou seja, a partir do momento em que a indústria desenvolver produtos de alto valor agregado, como os das áreas de informática, telecomunicações, espaciais, equipamentos médicos, bioquímicos e neurocientíficos. Dessa forma, o senador avalia que o Brasil poderia dar um salto no resultado da balança comercial diversificando com produtos industrializados a pauta exportadora, tradicionalmente centralizada em commodities: soja, milho, minério de ferro e petróleo bruto.

"O Brasil tem de desenvolver produtos com valor agregado para criar demanda (por esses produtos). Hoje o País não cria, ele reage à demanda", disse ele ao Jornal da Ciência.

"O que garante demanda é o produto novo, é o tablet, e nós não temos os produtos novos. Nós compramos tudo que é intensivo em conhecimento científico, desde os remédios, desde os equipamentos médicos, desde os sistemas de telecomunicações, desde esses aparelhos todos que nós usamos" criticou o senador, ontem no Plenário, segundo a Agência Senado.

Ontem, ainda no plenário do Senado, Buarque lembrou que o único item de ponta em tecnologia produzido no País são os aviões da Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica) que respondem por 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB). "Aí está uma amarra fundamental. Não vimos medidas certas para a gente enfrentar (a crise)", disse ele.

Para o senador, a indústria aeronáutica é exceção na área de tecnologia e inovação no País graças à criação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) na década de 1950, o que reflete os frutos colhidos em longo prazo dos investimentos em inovação.

"Precisamos que a economia seja dinâmica para que, criando renda, possamos comprar aquilo que precisamos. Mas a parte pública dos bens oferecidos, como a paz no trânsito, como a redução da criminalidade, como a melhoria da escola pública, como um sistema de saúde que funcione. Essa parte, sendo pública, não é refletida no PIB na sua totalidade", destacou ele.

Investimentos em educação de base - Informando que suas avaliações constam de seu livro "A economia está bem, mas não vai bem", o senador avalia, entretanto, que para o Brasil conseguir transformar-se em um pólo de ciência e tecnologia tem de começar a investir o quanto antes na educação de base. Mesmo assim o senador estima que o Brasil levaria cerca de 20 anos para conseguir ser transformado em um pólo tecnológico de ponta. 

"É preciso colocar a ciência à disposição das crianças nos primeiros anos de escola", alertou o senador.

Hoje, na opinião de Buarque, as crianças nem sequer sabem o que é ciência, justamente por falta de professores qualificados. "Um professor com salário de mil reais não tem conhecimento cientifico para ensinar ciência", disse.

Paralelamente a essa iniciativa, o senador recomenda fazer a reforma da universidade com intuito de estimular a relação com a indústria e demais setores econômicos. Para o Brasil dar um salto científico- tecnológico, o senador calcula que 8% dos recursos do PIB na Educação anualmente seriam suficientes. "Temos de começar a remunerar bem o professor", opina o senador. "Não adianta criar grandes centros de ciência e tecnologia sem investir também na educação base, a não ser que o Brasil tenha de importar cientistas". 

Impactos da crise no Brasil - Refletindo os impactos da crise na União Européia, a economia brasileira apresentou estagnação (crescimento zero) no terceiro trimestre deste ano (de julho a setembro), na comparação com os últimos três meses anteriores, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) terça-feira (6).

O baixo dinamismo econômico no período foi puxado pelo resultado negativo da indústria que enfrenta a concorrência de produtos importados, principalmente da China, tanto no mercado interno quanto no externo. De janeiro a outubro, o setor industrial acumula crescimento próximo de zero (0,7%).

Segundo o IBGE, o resultado do PIB no terceiro trimestre não foi pior em razão do setor agropecuário, único a apresentar resultado positivo no período, de 3,2%, na mesma base de comparação. Essa taxa de crescimento foi sustentada pelas exportações do agronegócio, principalmente pelos preços das commodities apreciados no exterior.

Pacotes paliativos - Em uma tentativa de minimizar os efeitos negativos da nova crise sobre a atividade econômica, o Brasil anunciou na semana passada novos pacotes para manter a atividade econômica aquecida. Dentre as medidas destaca-se a desoneração da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a aquisição de eletrodomésticos da linha branca. Na prática, é a mesma estratégia do governo adotada na crise de 2008, originada nos Estados Unidos. (Viviane Monteiro - com informações da Agência Senado)

Fonte: Jornal da Ciência

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Brasil precisa olhar além da crise mundial, defende Mercadante


Em debate sobre a crise econômica mundial, na Câmara, o ministro defendeu medidas de estímulo a inovação, formação de recursos humanos, aumento de produtividade e ciência e tecnologia.

Em discussão na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (9), sobre as causas e as medidas para conter os impactos da crise mundial no Brasil, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Aloizio Mercadante, sustentou que o "Brasil precisa olhar além da crise".

Para superar o momento de instabilidade econômica com o olhar no futuro, ele defendeu e detalhou medidas de estímulo à inovação, à formação de recursos humanos, ao fortalecimento da indústria nacional e ao aumento de produtividade e de ciência e tecnologia.

Mercadante citou programas e ações dos governos atual e anterior que contribuem para o cenário brasileiro mais favorável em relação a outras grandes economias. Entre as medidas em andamento, ele apontou a nova política industrial, com a desoneração do setor produtivo, o Ciência sem Fronteiras (para concessão de 100 mil bolsas para estudantes no exterior em parceria com a iniciativa privada) e o uso do poder de compra do governo voltado para setores estratégicos e para a produção nacional. 

Na linha da inovação, Mercadante destacou a Empresa Brasileira para Pesquisa e Inovação na Indústria (Embrapii), criada conjuntamente com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A iniciativa visa a alavancar a inovação no setor empresarial e ajudar o país a acompanhar a crescente produção científica nacional. "Nós estamos começando com três centros de excelência: o Senai Bahia, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo e o Instituto de Tecnologia do Rio de Janeiro. A nossa meta é chegar a 30 centros", informou.

Desdobramento de 2008 - Em seu pronunciamento de meia hora, Aloizio Mercadante, que é economista, fez um panorama da situação econômica internacional e compartilhou a análise do ministro da Fazenda, Guido Mantega, da vivência atual de um segundo momento da crise de 2008, com aspectos qualitativos diferenciados.

"Nós não estamos diante de uma crise de liquidez, de ameaça sistêmica do sistema financeiro que decorreu do abuso da liquidez patrocinada pela autoridade monetária americana", disse. "O que hoje nós temos é uma restrição importante na capacidade dos países industrializados de utilizar a política monetária e a política fiscal, que estão bastante fragilizadas, no sentido de recuperação do crescimento econômico de seus países e da economia mundial. Isso porque a resposta que foi dada na crise foi insuficiente."

De acordo com o ministro, o Brasil não está imune às tendências recessivas, mas tem sólidas linhas de defesa pelo amadurecimento de sua democracia. "Nosso congresso brasileiro tem muito mais maturidade para administrar crises do que outros países", comparou. Ele ressaltou ainda contribuições do governo anterior para a atual situação de solidez fiscal.

"Nós tivemos o câmbio flutuante, compromisso com a responsabilidade fiscal e as metas de inflação. Foram contribuições importantes do governo Lula", disse. "A estabilidade econômica hoje é um patrimônio nacional suprapartidário", acrescentou.

Mercadante ressaltou ainda o investimento em programas sociais e em pesquisa na área de petróleo e gás, e o papel dos bancos públicos como fatos relevantes no processo de recuperação e crescimento do país: "O papel do BNDES, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Finep [Financiadora de Estudos e Pesquisas] foram e serão absolutamente decisivos para que a gente possa responder não apenas à crise, mas financiar o crescimento sustentável no Brasil".

O ministro Guido Mantega afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar a crise. "Preparado para enfrentar não quer dizer que é sem ônus, vamos sofrer menos que outros países", ponderou. Mantega destacou como ponto favorável ao Brasil a estabilidade da dívida brasileira, a situação fiscal privilegiada, reservas maiores em relação à crise anterior e um forte mercado interno.

"É importante que nós tomemos medidas para fortalecer a produção brasileira, valor agregado no Brasil. É nesse sentido que lançamos o Brasil Maior para dar condições às empresas brasileiras para estarem preparadas para competir", frisou.

Para Mercadante, é importante neste momento ter uma linha de defesa comercial, como vem sendo adotado pelo governo, desonerar a indústria para gerar competitividade, defender-se da guerra comercial e das importações predatórias e preservar o mercado interno, considerado por ele o maior patrimônio nacional.

"O Brasil tem reserva cambial, tem liquidez para suportar a necessidade de crédito. Nós estamos atuando nas duas pontas para que esse país com a maturidade democrática que tem, seja capaz de reconhecer o que já foi feito no passado e ter o apoio político necessário para enfrentar a crise", disse Mercadante aos parlamentares.

Também participaram do debate o ex-ministro Maílson da Nóbrega e o presidente da SR Rating, Paulo Rabello de Castro, que representou o PSDB.

Fonte: Agência MCT

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

''Não há dinheiro para resgatar todo mundo''


A crise europeia está longe de ser resolvida e é o maior empecilho para que os mercados desenvolvidos mantenham desempenho superior ao dos emergentes. A avaliação é do economista Ricardo Amorim. Após trabalhar em vários bancos internacionais, em São Paulo e em Nova York, ele voltou ao Brasil pouco antes do estouro da crise econômica nos Estados Unidos. Hoje, está à frente da Ricam Consultoria.

"Temo que os efeitos da crise europeia para a economia mundial sejam piores do que o impacto da crise americana", diz. Para Amorim, os países europeus apenas ganharam tempo com os pacotes que socorreram a Grécia e a Irlanda. Uma solução efetiva ainda está distante, diz.

O argumento é o de que não há recursos suficientes para salvar países que ainda enfrentarão problemas em decorrência da situação fiscal delicada: Portugal, Espanha, Itália e Bélgica. "Não existe dinheiro para resgatar todo mundo", argumenta Amorim.

Segundo ele, há três saídas possíveis: 1) calote generalizado, com efeitos imprevisíveis para o mundo; 2) impressão de dinheiro pelo Banco Central Europeu (BCE), a exemplo do que tem feito seu par americano (o Fed), com inevitável disparada da inflação; 3) resgate pelos emergentes, atualmente únicos com dinheiro suficiente para sanar problema dessa magnitude.

Essa última solução envolveria como contrapartida o controle do Fundo Monetário Internacional (FMI) por esses países, um caminho politicamente complicado. Em resumo, uma grave crise na região é inevitável. (Leandro Modé)

Fonte: O Estado de S. Paulo