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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Gestores fazem um balanço do ano 2011


O primeiro ano de mandato da presidente Dilma Rousseff foi considerado ruim, do ponto de vista de investimentos em Ciência e Tecnologia, para os gestores ouvidos pelo Jornal da Ciência. O contingenciamento anunciado no início do ano foi citado como "um princípio turbulento" para a área que estava em ascensão desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula. Mas justificativas não faltam. O presidente do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), Mario Neto Borges, ressalta que mesmo que haja uma continuidade política partidária, o primeiro ano de cada governo sempre provoca algum atraso. Em sua avaliação, "do ponto de vista econômico, não foi um bom ano. Do ponto de vista político e de articulação, foi um ano positivo."

Para o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva, as dificuldades do início do ano não impediram a realização de grandes projetos ao longo de 2011. "Embora tivéssemos os cortes de recursos, nós conseguimos implantar e lançar os principais editais, como fazemos todos os anos. Então lançamos o edital universal com R$ 120 milhões e cumprimos com os compromissos financeiros assumidos em anos anteriores junto aos fundos setoriais, contabilizando investimentos que superaram ao final R$ 550 milhões. Também cumprimos integralmente nosso programa de bolsas no País, com alguma expansão na área de iniciação cientifica", avalia.

O presidente do Conselho Nacional dos Secretários para Assuntos de C,T&I (Consecti) Odenildo Sena, destaca que, apesar do "susto inicial", o ano termina com esperança. "Esperança de que a partir do próximo ano o Brasil retoma aquele ritmo de investimentos que estava acontecendo, porque na nossa área sabemos que não pode perder oportunidades sob pena de colocar em risco os avanços e o amadurecimento do País", destaca.

O otimismo para 2012 se refere à perspectiva de aumento de recursos para C&T. O Projeto de Lei Orçamentária ainda está em discussão no Congresso. O senador Cyro Miranda (PSDB-GO) apresentou relatório setorial na Comissão Mista de Orçamento destinando R$ 7,9 bilhões para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Este valor cresceu 8,3% em relação à proposta de 2011, o que corresponde a cerca de R$ 600 milhões de acréscimo. Pelo relatório, o orçamento para educação também foi incrementado. A intenção é alocar R$ 72,2 bilhões para o Ministério da Educação.

A proposta ainda precisa ser aprovada pela comissão mista, e depois será votada em Plenário. A previsão, de acordo com o regime do congresso, é que o projeto seja apreciado em plenário até o dia 22 de dezembro, antes do recesso. De acordo com assessor parlamentar ouvido pelo Jornal da Ciência, esses valores deverão ser aprovados e estão muito próximos ao valor final do orçamento de 2012.

Finep - Para o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, o corte orçamentário sofrido pela pasta em 2011 foi compensado pelo fortalecimento da atuação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que fecha o ano com mais de R$ 2,5 bilhões em novas contratações e contabilizando uma demanda por recursos que ultrapassou R$ 9 bilhões. De acordo com o presidente da Finep, Glauco Arbix, a reorganização dos processos permitiu reduzir em 58,8% o tempo médio de análise e aprovação dos projetos reembolsáveis, de 249 dias para 102 dias. "Houve um aumento de 57% na execução dos recursos", destacou.

A proposta de investimentos da Finep para 2012 prevê, entre outras medidas, a criação de programas estruturantes em oito áreas estratégicas, que estão incluídos no Plano Brasil Maior e em outras políticas de governo. São elas: Petróleo e Gás, TICs, Sustentabilidade, Energia, Desenvolvimento Social, Complexo da Saúde, Defesa e Aeroespacial. Outro programa estruturante está ligado à descentralização da execução de recursos. No total, esses programas deverão comprometer cerca de R$ 10 bilhões em recursos reembolsáveis e não reembolsáveis, incluindo a Subvenção Econômica, nos próximos cinco anos.

Pré-sal - Na busca por recursos mais robustos para a Ciência e Tecnologia no País, a comunidade científica entrou neste ano em uma batalha em defesa de investimentos provenientes dos royalties do pré-sal para a área de C,T&I e Educação. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), apoiadas por diversas sociedades científicas e universidades, encabeçaram o movimento. Foi realizada uma petição pública que teve entorno de 30 mil assinaturas, e dois atos públicos para chamara a atenção dos parlamentares e da sociedade em geral foram promovidos, um em Brasília outro em São Paulo.

Para Neto Borges, essa briga é importante porque "essa pode ser a fonte que irá permitir que a gente chegue a 2% ou 2,5% de investimento do PIB na nossa área. Os recursos do pré-sal são importantes para dar velocidade à nossa caminhada" sublinha.

Apesar das discussões sobre a partilha dos royalties do pré-sal também terem sido adiadas para o próximo ano, uma vitória foi conquistada. No dia 7 de dezembro, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado aprovou por unanimidade, o PLS 138/11, projeto de lei que destina às áreas de Educação, Ciência e Tecnologia metade dos recursos do Fundo Social. Criado no final do ano passado, o Fundo Social tem entre as suas principais fontes de receita os recursos do petróleo retirado da camada pré-sal. Pelo texto aprovado na comissão, desses 50% do Fundo Social do pré-sal, no mínimo 70% terão de ser destinados à educação básica; 20% para a educação superior; e 10% para Ciência e Tecnologia.

Inovação - Em 2011, o termo foi inserido no nome oficial do Ministério da Ciência e Tecnologia. Para o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Ronaldo Mota, a mudança foi bem aceita pela comunidade acadêmica e científica, que entende que a relação entre universidade e empresa precisa melhorar. De acordo com o secretário, a ciência e a formação de recursos humanos altamente qualificados têm avançado significativamente no Brasil, mas a inovação nas empresas ainda é tímida. "Tal situação decorre da frágil cultura de inovação no ambiente empresarial, da historicamente insuficiente articulação entre as políticas industrial e de comércio com as políticas de ciência e tecnologia e da falta de qualidade na formação de recursos humanos aptos ao mundo da inovação", disse ao Jornal da Ciência.

Em inovação, um dos destaques do ano foi a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Mota afirma que o projeto piloto para implementação da Embrapii está bastante avançado. Diferente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a nova empresa não se constituirá a partir da construção de seus laboratórios próprios, mas fará uso intensivo das redes de institutos e centros de pesquisa já existentes, com capilaridade comprovada e competências certificadas em interações com empresas inovadoras. O Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT), o Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia na Bahia (CIMATEC/Senai) e o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), cada qual em suas áreas específicas de especialização, foram inicialmente selecionados para testar o modelo proposto.

Código da Ciência - O Projeto de Lei 2177/2011, conhecido como o Código de Ciência, Tecnologia e Inovação, é comemorado como o destaque mais positivo do ano. Resultado de um grupo de trabalho, instalado no início de 2011, que contou com a participação de entidades importantes, o projeto é uma tentativa de desburocratizar a legislação da área, propondo mudanças nos processos de compras, licitações, importações e contratação de pessoal, entre outros temas. Para Neto Borges, o poder de articulação da proposta é o ponto expressivo desse trabalho. Ele destaca que o trabalho foi realizado com parceria de procuradores de seis estados diferentes, que trouxeram as peculiaridades de cada região. Odenildo Sena faz coro ao destacar que o projeto foi um esforço conjunto e um avanço "porque essa era uma questão que já vinha sendo discutida a algum tempo de forma fragmentada, mas faltava uma iniciativa concreta que modernizasse a legislação".

Apesar de ter sido apresentada no Congresso no final de agosto, a definição de tramitação da proposta por meio de uma comissão especial acabou atrasando a apreciação do texto. "Essa foi uma estratégia que parecia ser de agilidade e, no entanto o tiro acabou saindo pela culatra. Ao decidir pela comissão especial, os partidos têm que indicar membros e isso aconteceu num momento em que havia outras prioridades, como o Código Florestal e orçamento, que acabaram atrapalhando o que parecia ser um passo de aceleração", avalia Neto Borges. Para Sena, o importante agora é voltar a trabalhar junto aos parlamentares para que o projeto seja apreciado. "Agora é outro tipo de trabalho que tem que ser feito junto ao Congresso, não podemos retroceder. Acho que, fora a burocracia, o projeto não sofre nenhuma restrição ideológica porque parece que todos concordam a que a legislação existente vem atravancando a área", avaliou.

Para Ronaldo Mota, a intenção da proposta do Código da Ciência é a melhor possível e o debate necessário e estratégico. "No entanto, gostaria de destacar que há ainda muito a avançar dentro do marco regulatório existente, aprofundando a aplicação da Lei de Inovação e da Lei do Bem. Essas coisas não são excludentes e sim complementares", afirmou.

Os gestores concordam que o projeto não é perfeito e ainda não está fechado. Muita discussão ainda deve ser feita. "Cumprimos com essa parte inicial que apresentar um texto, agora vamos brigar por ele, vamos discutir e aprimorá-lo", propõe Sena. Neto Borges afirma que a comunidade acadêmica e a jurídica são muito críticas, então é preciso ainda muita discussão sobre a proposta. "Mas eu acho que as criticas não tiram o grande mérito da proposta que foi abrangente, é enxuta, moderna e vem para ficar". Quanto à sugestão do deputado Sibá Machado (PT-AC) de que a proposta seja tramitada em forma de Medida Provisória. Neto Borges considera que, diante da boa receptividade do Congresso, "talvez um acordo entre o legislativo e o executivo seja mais elegante do que a MP que parece mais forçada".

Código Florestal - As discussões no Congresso sobre a reforma do Código Florestal se arrastaram durante todo o ano e sua votação final da Câmara acabou ficando para março de 2012. A comunidade científica se fez presente nas discussões, e na avaliação do secretário da SBPC, José Antônio Aleixo essa participação foi muito boa, "principalmente, na imprensa que deu cobertura total aos nossos documentos publicados." 

Em abril, os cientistas lançaram um livro com as conclusões de um estudo de 10 meses sobre o texto. Com a publicação, o protesto da comunidade para ser incluída nos debates do Congresso ganhou força. "Certamente, o impacto de nosso documento na Câmara não foi o esperado, pelos menos na votação. No Senado o tratamento foi diferente, fizemos várias apresentações em Comissões e sempre fomos muito bem recebidos. No geral, não temos o que reclamar dos congressistas", avaliou Aleixo.

Fonte: Jornal da Ciência

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Embrapii pode fazer ponte entre universidade e indústria, diz secretário


Ronaldo Mota, do MCTI, participou de audiência na Câmara dos Deputados sobre a empresa. Para ele, a proposta é alternativa para enfrentar o desafio de transferir conhecimento da academia para o setor produtivo.

O secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI), Ronaldo Mota, participou, nesta terça-feira (27), de audiência pública, na Câmara dos Deputados, para apresentar informações sobre a constituição da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Em sua palestra, ele apontou a proposta da Embrapii como alternativa para enfrentar o desafio de transferir conhecimento da academia para o setor produtivo. O secretário alertou para o risco de o Brasil se transformar numa "grande fazenda" do mundo no futuro, como produtor de minérios e alimentos, abrindo mão de fortalecer a indústria. Citou como exceção o setor do agronegócio, que, segundo avaliou, serve de exemplo para outros segmentos industriais.

Mota destacou o grande crescimento da produção científica brasileira, que hoje representa 1% da produção mundial, mas, por outro lado, chamou a atenção para a quase inexistência da transferência de tecnologia e do registro de patentes em relação aos países desenvolvidos.

Enfatizou ainda que, apesar do marco legal para estimular o setor e do crescente investimento das empresas em pesquisa e desenvolvimento, a atual estrutura existente no país não permitiria atender o ritmo de demanda pela inovação das empresas. "Hoje tem um conjunto de empresas pequenas e médias de base tecnológica que estão nascendo, e a estrutura é baseada em estimular a ciência, que tem um tempo diferente da inovação", disse.

O secretário explicou aos deputados que a Embrapii terá o objetivo de agilizar e facilitar o processo inovativo, que é interrompido entre a produção e a fase negocial. "A Embrapii irá atuar nesse intervalo. A boa experiência da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] servirá de exemplo", ressaltou.
Mudança cultural

O economista Paulo Mol, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), lembrou que a ideia da Embrapii surgiu na entidade, com o apoio do MCTI, visando a levar a inovação para a agenda empresarial. Mol comentou a mudança de perfil do Ministério nos últimos anos, ao se voltar para o processo da inovação, inclusive com a inclusão recente da palavra no nome.

Ele ainda lembrou a criação do marco legal, com a Lei da Inovação e da Lei do Bem, como facilitador para essa transformação: "Fico feliz que o tema inovação começa a entrar pela porta da frente na política brasileira. Isso é importante para o país e para o crescimento econômico".

Para o diretor do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCTI), Domingos Manfredini, a Embrapii vem para colocar a velocidade necessária no processo de inovação no país, onde, a seu ver, já acontece uma mudança de cultura no meio empresarial, nas organizações e nas universidades. "Hoje percebemos isso dentro dos nossos institutos: os pesquisadores preocupados com o que está sendo desenvolvido e como será usufruído", disse.

Piloto - Ronaldo Mota informou ainda que um projeto piloto da Embrapii, com prazo de 18 meses para ser implantado, vem sendo articulado com a Confederação Nacional da Indústria. Três institutos tecnológicos foram selecionados em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia para receber recursos da ordem de 30 milhões cada um nesta fase inicial.

De acordo com o secretário do MCTI, a empresa será compartilhada pelos setores público e privado, com gestão predominantemente da iniciativa privada, em parceria com institutos tecnológicos e universidades.

Ao ser questionado pelos deputados sobre a necessidade de detalhes da empresa e quanto à preocupação com o uso adequado dos recursos públicos, ele reforçou que haverá a contrapartida empresas e que a discussão será aprofundada no Legislativo. "Quanto mais embasada chegar ao Congresso Nacional, melhor", concluiu.

Fonte: Agência MCTI

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Maior parte da área desmatada da Amazônia foi transformada em pastos


A conclusão está em um mapeamento sobre o uso das áreas desmatadas do bioma que mostrou o que foi feito com os 720 mil quilômetros quadrados de florestas derrubados até 2008.

Mais de 60% da área já desmatada na Amazônia foram transformados em pastos. A conclusão está em um levantamento divulgado na sexta-feira (2) e que, pela primeira vez, mapeou o uso das áreas desmatadas do bioma e mostrou o que foi feito com os 720 mil quilômetros quadrados de florestas derrubados até 2008 - uma área equivalente ao tamanho do Uruguai. A maior parte foi convertida para a pecuária.

O levantamento, feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), dividiu a área desmatada em dez classes de uso, que incluem pecuária, agricultura, mineração, áreas de vegetação secundária, ocupações urbanas e outros.

A pecuária ocupa 62,1% de tudo o que foi desmatado no bioma, com pastos limpos - onde houve investimento para limpar e utilizar a área -, mas também com pastagens degradadas ou abandonadas. Na avaliação do diretor do Inpe, Gilberto Câmara, o número confirma a baixa produtividade da pecuária na região e que o desmatamento não gerou necessariamente desenvolvimento econômico.

"Mostra que a pecuária ainda hoje é extensiva e precisa de politicas públicas para se intensificar e usar a terra que foi roubada da natureza. Não é, nem do ponto de vista econômico, um uso nobre das áreas. Não fizemos da floresta o uso mais produtivo possível, que seria a agricultura."

A produção agrícola ocupa cerca de 5% da área total desmatada na Amazônia. Apenas em Mato Grosso a agricultura representa um percentual significativo do uso das áreas que eram ocupadas originalmente por florestas.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que a baixa participação da agricultura na ocupação das áreas desmatadas contrapõe o argumento de defensores de mudanças no Código Florestal, de que é preciso flexibilizar a lei para viabilizar a produção agrícola no país.

"Temos que eliminar da agenda falsas ideias, falsas colocações de que o meio ambiente impede o desenvolvimento da agricultura. Está provado que a agricultura anual, consolidada, não é a responsável pelo uso das terras desmatadas da Amazônia. É preciso aumentar a produtividade, menos de uma cabeça por hectare é algo inaceitável, é um desperdício substituir a floresta por algo que não dá retorno para o país", avaliou.

Para o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, os novos dados poderão dar mais racionalidade ao debate sobre o Código Florestal no Senado. "Espero que essa racionalidade ilumine o Congresso, para que o debate se ancore mais nos dados para chegar ao equilíbrio entre potencial produtivo e preservação. O Brasil não tem porque flexibilizar o desmatamento, não tem razão nenhuma para desmatar, já temos área suficiente para aumentarmos a produção."

Em 21% da área desflorestada, o Inpe e a Embrapa registraram vegetação secundária, áreas que se encontram em processo de regeneração avançado ou que tiveram florestas plantadas com espécies exóticas. Essas áreas, segundo Gilberto Câmara, do Inpe, poderão representar oportunidades de ganhos para o Brasil na negociação internacional sobre mudanças climáticas, porque funcionam como absorvedoras de dióxido de carbono, principal gás de efeito estufa.

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Vice-campeão brasileiro de patentes, CPqD mostra aos 35 anos que inovação é rentável


O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD), desmembrado da antiga Telebras, deverá fechar o ano com receita de R$ 280 milhões, contra R$ 230 milhões registrados no ano passado. O centro está ligado a um conjunto de empresas e organizações criadas para disseminar tecnologias que deverão gerar, ao todo, receitas de R$ 460 milhões este ano, contra R$ 410 milhões no ano passado.

Com 35 anos de existência, o CPqD é o maior depositante de registros de programas de computador (softawares) do País e a segunda instituição não acadêmica de pesquisa brasileira que mais deposita pedidos de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), só perdendo para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Como o CPqD é uma fundação sem fins lucrativos, o dinheiro que sobra é, necessariamente, aplicado em novas pesquisas, de acordo com o presidente da instituição, Hélio Graciosa. Ele destacou que essas atividades são "imprescindíveis para o próprio desenvolvimento do país", e citou uma estimativa do Banco Mundial de que "o aumento de 10% no número de conexões de banda larga em países emergentes pode induzir a um crescimento adicional de mais de 1,3% no Produto Interno Bruto anual". As tecnologias desenvolvidas pelo CPqD já foram exportadas para países como Estados Unidos, México, Chile, Colômbia, Uruguai, Equador e Angola.

"Para os eventos da Copa do Mundo em 2014 teremos infraestrutura genuinamente nacional necessária para prover banda larga com novas aplicações e serviços que, para a indústria nacional, representa a possibilidade de estarmos nas mesmas condições dos países mais avançados em evolução tecnológica". Para ele, o desenvolvimento científico no Brasil "deve ser prioridade nacional pois, a exemplo de outras áreas importantes, como a da defesa, há muita dificuldade de transferência de tecnologia da informação". Com base nessa mentalidade, segundo ele, o Brasil "trabalhou e saiu na frente em muitas inovações importantes em relação ao resto do mundo".

Um dos exemplos mais comuns que ele costuma citar é o popular cartão telefônico usado nos orelhões, que substituiu as antigas fichas de metal (semelhantes a moedas) e que foi encomendado para facilitar as comunicações durante a 2ª Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano (Rio 92). "Enquanto o resto do mundo utiliza cartões magnéticos ou com chip, fizemos o cartão nacional que anula o fim do crédito através de impulso enviado pelas operadoras de telefonia. É como um fusível que queima e, assim, encerra a conversa num determinado tempo", explicou Graciosa.

O último grande feito do CPqD, citado por Graciosa, foi o primeiro teste de transmissão de dados em altíssima velocidade de 100 gigabit Ethernet por segundo (GbE/s) em ambiente de rede em operação, fora de laboratório. Para ele, foi "um marco da tecnologia brasileira". A experiência foi feita em uma conexão entre Campinas e São Paulo. O mercado conta, atualmente, com equipamentos que só suportam transmissões entre 10 e 40 gigabits. A velocidade de 100 GbE/seg, que está sendo testada por um grupo de empresas e institutos de pesquisa de vários países, permite que seja transmitido via intenet em menos de 1 segundo o conteúdo integral de um disco rígido de 120 gigabytes de capacidade de armazenamento.

O programa de pesquisa e desenvolvimento do CPqD é o maior da América Latina e atende aos setores de telecomunicações, energia elétrica, financeiro, industrial, corporativo e da administração pública.

Ao comemorar os 35 anos da instituição, Hélio Graciosa faz questão de mencionar que o CPqD foi responsável pelo lançamento do primeiro telefone com teclas, na década de 1970; da primeira central telefônica digital, nos anos 1980; e do primeiro enlace de comunicações óticas.
(Agência Brasil

sábado, 13 de agosto de 2011

CTNBio adia votação de liberação comercial do feijão da Embrapa


Dos cinco pedidos em pauta, comissão aprovou apenas um: o milho geneticamente modificado (transgênico) resistente a ataques de insetos.

Na 144ª reunião ordinária da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), no auditório do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em Brasília, nesta quinta-feira (11) foi aprovado apenas um dos cinco pedidos de liberação comercial em análise. Quatro pedidos foram retirados da pauta, entre eles o feijão geneticamente modificado (transgênico) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Foi aprovado o milho geneticamente modificado resistente a ataques de inseto TC1507 e MON810 e seus progênies (descendentes). A solicitação recebeu do grupo 16 votos a favor e seis contrários.

"Nós já tínhamos o feijão da Embrapa analisado e pronto para ser votado, mas como houve pedido de vista do professor Antônio Euzébio, da Universidade Federal de Alagoas, ele foi retirado da pauta. A votação deve acontecer na próxima reunião", adiantou o presidente da comissão, Edilson Paiva.

O próximo encontro da CTNBio será realizado nos dias 14 e 15 de setembro, quando também deve ser dado prosseguimento a outras questões jurídicas em discussão. A proposta de Alteração da Resolução Normativa nº 5, que dispõe sobre as normas para liberação comercial para organismos geneticamente modificados (OGMs) e seus derivados, não teve deliberação e nem modificação.

Os membros apenas analisaram um fluxograma apresentado, como proposta de modelo para a implantação no Brasil de um plano de monitoramento de produtos já liberados comercialmente.

A comissão - A CTNBio é uma instância colegiada multidisciplinar, criada por meio da Lei nº 11.105, de 24 de março de 2005, e tem como finalidade prestar apoio técnico consultivo e assessoramento ao governo federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativa a organismos geneticamente modificados.

Além disso, é responsável pelo estabelecimento de normas técnicas de segurança e pareceres referentes à proteção da saúde humana, dos organismos vivos e do meio ambiente, para atividades que envolvam construção, experimentação, cultivo, manipulação, transporte, comercialização, consumo, armazenamento, liberação e descarte de OGMs e derivados.

Saiba mais sobre a comissão no portal www.ctnbio.gov.br.

Fonte: Agência MCTI

sábado, 25 de junho de 2011

Brasil sedia Conferência internacional de biotecnologia florestal - IUFRO


Tree Biotechnology 2011 é apontado como o principal evento mundial nessa área e reunirá pessoas de 30 países.

Pela primeira vez o Brasil e a América Latina serão sede da conferência internacional Iufro Tree Biotechnology 2011, tido como evento mais importante do mundo na área de biotecnologia florestal, promovido há mais de 20 anos pela União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (Iufro, sigla em inglês). A Embrapa e a Veracel Celulose S.A. serão as instituições hospedeiras da conferência, que ocorre de domingo (26) a 2 de julho, no Centro de convenções do Ecoresort Arraial d'Ajuda, em Arraial d´Ajuda, distrito de Porto Seguro, BA.

A Iufro é uma rede global não governamental e sem fins lucrativos que reúne cientistas florestais de vários países para promover cooperação técnica e ampliar o conhecimento sobre aspectos econômicos, sociais e ecológicos relacionados a florestas e árvores. Este ano, a conferência terá como tema De genomas à integração e geração de resultados e deve ter a participação de cerca de 500 pessoas, sendo 300 brasileiros e 200 de outros países.

Ano Internacional das Florestas declarado pela ONU - A conferência ganha ainda mais importância em 2011, declarado pela Organização das Nações Unidas como o Ano Internacional das Florestas. O objetivo é incrementar a conscientização mundial sobre a importância do manejo sustentável dos recursos florestais e a promoção do evento contribuirá significativamente para os propósitos da Embrapa de intensificar o apoio a atividades na área florestal.

Segundo o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e presidente da comissão organizadora do evento no Brasil, Dario Grattapaglia, a realização da conferência Iufro converge para a internacionalização do Brasil e sua consolidação como um importante ator mundial em biotecnologia florestal.

"É a primeira vez que esta conferência acontece na América Latina e a segunda no hemisfério sul. E, por isso, é uma oportunidade muito importante para o País aumentar a sua visibilidade no cenário internacional na área de biotecnologia florestal", ressalta.

O Brasil tem alguns dos mais extensos e diversos ecossistemas florestais naturais no mundo e é líder em produtividade de florestas plantadas que suprem biomassa florestal de forma sustentável para as mais variadas aplicações industriais.

A proporção de floresta plantada no Brasil, entretanto, ainda é modesta e as previsões da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - FAO são de um crescimento massivo e acelerado para os próximos 20 anos em vista da demanda crescente em bioenergia, sequestro de carbono e crescimento da população humana.

Esse crescimento e a manutenção da competitividade da indústria brasileira de base florestal vão requerer o desenvolvimento crescente de materiais genéticos com amplo espectro de adaptação e qualidade da madeira. Por isso, como explica Grattapaglia, a biotecnologia terá um papel cada vez mais importante nesse processo. Segundo ele, a realização da conferência Iufro no Brasil será uma oportunidade ímpar de capacitação, atualização e estabelecimento de interações para a crescente comunidade científico-tecnológica brasileira em biotecnologia florestal.

A conferência está organizada em nove sessões cobrindo uma ampla gama de áreas de interesse em biotecnologia, biologia molecular e genômica populacional de espécies florestais.

Mais informações sobre a conferência, incluindo inscrição, prazos para apresentação de trabalhos etc. podem ser obtidas no endereço:http://www.treebiotech2011.com.

Fonte: Ascom Embrapa

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Nova unidade da Embrapa fortalece pesquisas para produção de biocombustíveis

Um importante passo foi dado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para o avanço nas pesquisas para a produção de biocombustíveis. 

Nesta quarta-feira (25) foi inaugurado o Núcleo de Apoio a Culturas Energéticas (Nace). Construído a partir de uma parceria entre a Embrapa Agroenergia e a Embrapa Cerrados, com financiamento parcial da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Núcleo, instalado nos campos experimentais da segunda Unidade, servirá de apoio aos trabalhos de experimentação e de desenvolvimento de tecnologias agronômicas, industriais e estudos transversais relativos às cadeias produtivas de etanol e biodiesel.

"Esse é um exemplo de parceria interinstitucional, de desejo e de compromisso de duas Unidades da Embrapa em contribuir para o aumento da produtividade e de tecnologias para obtenção de produtos energéticos", destacou o Chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Frederico Durães. Para o Chefe-geral da Embrapa Cerrados, Wenceslau Goedert, "o grande desafio será o desenvolvimento de tecnologias que permitam a produção sustentável, em escala comercial, da grande variedade de espécies vegetais com potencial para agroenergia".

De acordo com o Termo de Cooperação, assinado durante a inauguração do Nace, caberá à Embrapa Cerrados desenvolver tecnologias agronômicas, tais como, sistemas de produção e o melhoramento genético das espécies pesquisadas, entre elas, pinhão-manso, dendê, macaúba, cana-de-açúcar e forrageiras.

A Embrapa Agroenergia irá analisar a qualidade das matérias-primas oriundas das pesquisas agronômicas, estabelecer as especificações técnicas e desenvolver os processos industriais de conversão de biomassa em biocombustíveis e outras formas de energia. Em conjunto, as Unidades realizarão os estudos transversais, incluindo os balanços de energia, de emissão e fixação de carbono e gases de efeito estufa, além da viabilidade econômica das tecnologias agrícolas e industriais e dos aspectos relacionados à sustentabilidade das cadeias produtivas da agroenergia.

Fonte: Ascom Embrapa Cerrados

terça-feira, 17 de maio de 2011

CTNBio realiza audiência pública para discussão do feijão transgênico

Em caráter excepcional, a Comissão promove neste mês as reuniões 
setoriais na sede da Embrapa.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) realiza hoje (17), em Brasília, na sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em caráter excepcional, as reuniões setoriais das áreas vegetal e ambiental e de saúde humana e animal. As reuniões ocorrerão pela manhã. No período da tarde haverá uma Audiência Pública para discussão do feijão transgênico.

Amanhã (18), ocorre a Reunião Ordinária no Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que normalmente é realizada às quintas-feiras. As pesquisas envolvendo o organismo geneticamente modificado são de responsabilidade da Embrapa Arroz e Feijão e Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. A variedade em processo de análise na CTNBio é resistente ao Mosaico Dourado-Evento Embrapa.

Na pauta da 142ª Reunião Ordinária constam para liberação comercial os seguintes itens geneticamente modificados: milho resistente a ataques de insetos TC1507 e MON810; algodão tolerante ao glifosato MON88913; o milho TC1507 x MON810 x NK603; vacina contra a bouba aviária e laringotraqueíte aviária-VECTORMUNE FP-LT; vacina contra a bouba aviária e laringotraqueíte aviária e encefalomielite aviária - VECTORMUNE FP-LT+AE; Algodão Glytol x LibertyLink; Milho MON 89034 x MON 88017 e o feijoeiro resistente ao Mosaico Dourado-Evento Embrapa.
Fonte: Ascom do MCT

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Reino Unido defende parceria com a Embrapa para produção de alimentos de forma sustentável


Assunto foi tema de debate na última sexta-feira (13) na Finep.

De olho nas perspectivas de crescimento da demanda mundial por alimentos, energia e água nos próximos anos, o governo do Reino Unido já expressa interesse em firmar protocolos de intenção com a Embrapa para a produção de alimentos de forma sustentáveis focada na preservação e conservação do meio ambiente.

Em debate na Finep, na sexta-feira (13), Sir John Beddington, conselheiro-chefe para assuntos científicos do Gabinete de Ciência e Tecnologia do Reino Unido, afirmou que as duas partes já estudam a possibilidade de produzir alguns gêneros de culturas agrícolas capazes de intensificar a quantidade de sequestro de gás carbônico e redução do efeito estufa na atmosfera.

"Pensamos em desenvolver uma agricultura inteligente em relação ao clima", declarou ele, que debateu o tema C,T&I e desafios globais de Brasil e Reino Unido, na sede da Finep, no Rio de Janeiro. 

Ao destacar que os assuntos ligados à ciência e tecnologia fazem parte da pauta diária do café da manhã dos cientistas do governo do Reino Unido, Beddington defendeu, em sua palestra, a ampliação do melhoramento genético das culturas agrícolas e racionamento do uso da água principalmente na agricultura, que responde por cerca de 70% do consumo do recurso natural do planeta. Nesse sentido, destacou que o governo britânico estuda desenvolver tecnologias para tirar a salinidade da água do mar, transformando a água salgada em água doce.

Baseado em dados do Banco Mundial, o assessor de ciência do governo britânico declarou que as previsões apontam para 2030 um crescimento de 40% no consumo de energia elétrica, 40% para o consumo de alimentos e 30% para o consumo de água.

Além das expectativas de aumento da aquisição de alimentos pela classe média de países em desenvolvimento, principalmente do Sudeste da Ásia e da América do Sul, Beddington disse existir outra demanda em curso: um bilhão de pessoas que vivem na pobreza, sem nenhum poder aquisitivo.

"Essa alavanca da população implica na reação dos sistemas de mundiais de produção desses itens. Essa produção tem de vir acompanhada de segurança alimentar, energética e de água", enfatizou. Para Beddington, o Brasil, que já é um grande fornecedor mundial de produtos agrícolas, é o País indicado para gerar, em parte, essa oferta de alimentos. 

Fonte: Jornal da Ciência

sábado, 2 de abril de 2011

Embrapa lança site para público infanto-juvenil


Contando Ciência na Web, uma ferramenta destinada a alimentar a curiosidade e oferecer informações tecnológicas, com linguagem adaptada a públicos mais jovens.

Entre os próximos dias 4 e 8, crianças e jovens de todo o Brasil conhecerão mais uma estratégia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para levar conhecimento científico à sociedade, de um jeito diferente, divertido e interativo.

Com a participação das 46 Unidades de Pesquisa da Empresa, será lançado o site Contando Ciência na Web, uma ferramenta especial destinada a alimentar a curiosidade e oferecer as mesmas informações tecnológicas, por meio de uma linguagem adaptada a públicos mais jovens, porém não menos exigentes.

A Embrapa Pantanal programou dois lançamentos na região. Na terça-feira (5), às 8h40, o site será apresentado a 35 alunos do 6º ano do Colégio Objetivo em Corumbá. No dia 7, às 13h30, é a vez de 40 estudantes do 5º ano da escola municipal Professor João Baptista, de Ladário, conhecerem a experiência.

Esforço coletivo - Para concluir o site, equipes multidisciplinares de profissionais estiveram envolvidas por cerca de dois anos, testando as melhores formas de organização das informações, sem se descuidar de características consideradas fundamentais em sites infanto-juvenis. As cores, os personagens e as possibilidades de interatividade de pequenos usuários com os pesquisadores das Unidades Embrapa foram algumas das principais preocupações em todo o processo de criação.

Além disso, as próprias crianças tiveram a oportunidade de opinar e sugerir melhorias no conteúdo do site.

Duas etapas de testes foram realizadas com a presença de alunos convidados -, a maioria deles filhos de empregados lotados nas Unidades do Distrito Federal. Foram os avaliadores-mirins. A segunda fase, da qual participaram 20 jovens e crianças, teve ainda o acompanhamento de uma comissão de especialistas e pesquisadores do MCT, da Universidade de Brasília (UnB) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A liderança do projeto, aprovado pelo Macroprograma 4 da Embrapa, é da empregada da Embrapa Informação Tecnológica, Maria Regina Fiuza.

Segundo o gerente-geral da Embrapa Informação Tecnológica, Fernando Amaral, o investimento da Unidade no novo projeto foi motivado pelo desafio de atender a um público muito habituado a tecnologias web. "Por isso mesmo precisamos estar atentos à evolução dessas ferramentas e oferecer o conteúdo científico de uma forma adaptada ao público e à internet", comenta. A coordenação do site é da Embrapa Informação Tecnológica, em parceria com todas as Unidades Descentralizadas, gestoras do conteúdo de cada item do menu, como o Você sabia?, o Conheça a Embrapa, o Brinque com Ciência, a Biblioteca, o Glossário e o Bloguinho, onde as crianças podem trocar idéias com pesquisadores sobre o assunto que mais lhes interessar.

A Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), incluiu em seu espaço o acesso aos jogos interativos Nossos Bichos - Mamíferos do Pantanal. Por meio deste jogo, crianças podem identificar hábitos, sons, alimentação e outras características de animais como a onça, a jaguatirica, a ariranha, o tamanduá-bandeira, entre outros.

Fonte: Embrapa

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cientistas criticam novo Código Florestal


As duas principais organizações científicas do país publicam nos próximos dias um aguardado relatório sobre a nova versão do Código Florestal Brasileiro. O texto deve esquentar mais ainda o debate sobre a lei no Congresso.

No documento, a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e a ABC (Academia Brasileira de Ciências) dirão que as áreas de preservação permanente, como matas em margens de rio, não podem ser alteradas. A flexibilização dessas áreas está prevista no texto que segue em análise na Câmara dos Deputados.

Na verdade, continuam os especialistas, a lei atual dá a elas menos proteção do que elas precisam hoje. Essa proteção apenas diminuiria. De acordo com os cientistas, tanto essas áreas quanto as reservas legais precisariam ser mantidas e recompostas para o bem da própria atividade agrícola. Isso porque culturas como o café, soja e maracujá, por exemplo, dependem de 40% a 100% dos polinizadores que se abrigam nesses locais.

Os cientistas dirão também que o Brasil tem terras de sobra para a expansão da agropecuária, bastando para isso mudar a política agrícola, e que também é possível recuperar as áreas desmatadas de forma irregular.

Documento
Um sumário executivo do relatório, elaborado por um grupo de 17 pesquisadores, foi postado na semana passada na homepage da SBPC (www.sbpcnet.org.br).

Segundo o documento, obtido pela Folha, "os dados científicos disponíveis e projeções indicam claramente que o país pode resgatar eventuais passivos ambientais, sem prejudicar a produção e a oferta de alimentos, fibras e energia".

As conclusões têm tudo para irritar a bancada ruralista no Congresso, que tem insistido em dizer que faltarão terras para a produção caso a lei de proteção às matas, de 1965, não seja suavizada.

Nesta semana, por exemplo, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), afirmou a secretários da Agricultura dos Estados que a área para a agropecuária pode encolher em 20 milhões de hectares em dez anos. Isso aconteceria caso os proprietários fossem obrigados a recompor a reserva legal (área da propriedade que deve permanecer como vegetação nativa).

O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), autor do projeto em análise na Câmara, disse que examinará "qualquer documento que a SBPC mandar". "Vou confrontá-lo com outras opiniões", declarou.

Para Paulo Adário, do Greenpeace, o documento põe fim ao "sequestro da ciência" pelos ruralistas. "Vinham dizendo que os ambientalistas não tinham base científica para defender o que defendiam. O documento inverte essa equação", conclui Adário.

Ex-ministro pediu para sair do relatório

Antes mesmo de vir à tona, o documento das entidades científicas já tem gerado muita polêmica. Um dos integrantes do grupo de trabalho, o agrônomo Alisson Paulinelli, pediu para ter seu nome excluído da lista de autores.

Paulinelli foi ministro da Agricultura no governo Geisel. Sob sua gestão, foi criada a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em 1973. "Eu me opus porque o relatório estava faccioso, [os autores] pareciam de uma facção", afirmou o ex-ministro à Folha. Paulinelli, no entanto, não quis dizer qual foi exatamente o ponto de divergência com os cientistas.

Após o episódio, o presidente da SBPC, Marco Antonio Raupp, determinou que o sumário executivo fosse tirado da página da sociedade na internet. O relatório final, agora, passa por revisão.(Claudio Ângelo)


Fonte: Folha de São Paulo


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Embrapa vai liderar rede internacional de pesquisa em ingredientes funcionais de frutas


A Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza-CE) será a instituição-líder de uma rede de pesquisa internacional na área de ingredientes funcionais de frutas: a Rede Frutactiva. A proposta de criação da rede foi aprovada pelo Cyted, um conselho que reúne todos os Organismos Nacionais de Ciência e Tecnologia (ONCTS) dos países Iberoamericanos (Portugal, Espanha e os 20 países latinoamercianos). O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) é o representante brasileiro no Cyted.

O objetivo da Rede Frutactiva é montar um grupo multi e transdisciplinar que favoreça a interação, a cooperação, a transferência de conhecimentos, metodologias e tecnologias para a caracterização, obtenção e uso de compostos bioativos de frutas tropicais não-tradicionais dos países iberoamericanos. Além do avanço no que se refere ao conhecimento científico, a rede prentende viabilizar a comercialização de ingredientes bioativos que vierem a ser obtidos durante os quatro anos do projeto.

As doenças crônicas causam 60% das disfunções e 49% da mortalidade total no mundo, sendo que 79% dessas mortes são registradas nos países em desenvolvimento. De acordo com o pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical e coordenador da rede, Ricardo Elesbão, há um consenso acerca de que as frutas não fornecem apenas nutrientes, conforme seu uso tradicional, mas possuem ainda ingredientes bioativos com propriedades comprovadas na prevenção de doenças degenerativas.

As frutas contêm compostos antioxidantes que podem ocorrer naturalmente ou ser introduzidos durante o processamento para o consumo. Esses compostos, tais como as vitaminas A, C e E, a clorofila, os fenólicos, os carotenóides a as fibras são capazes de restringir a propagação das reações em cadeia e as lesões induzidas pelos radicais livres, que aceleram o processo degenerativo do organismo.

As espécies de frutas não-tradicionais (acerola, caju, açaí, camu-camu, romã, dentre outras) produzidas na Iberoamérica tropical apresentam-se como uma grande oportunidade para os produtores regionais conquistarem nichos de mercados e atenderem consumidores interessados em produtos exóticos, ricos em compostos (ingredientes bioativos) que possam ter função na manutenção da saúde.

Esses são alguns dos resultados esperados pela Rede Frutactiva, segundo o pesquisador: gerar e consolidar conhecimentos científicos que possam levar a avanços significativos na agregação de valor das frutas em estudo; fornecer subsídios para estudos in vivo (animais e humanos) que comprovem as propriedades funcionais das frutas; aumentar a contribuição social das frutas em estudo às populações locais onde estão disseminadas e políticas públicas voltadas para a nutrição; e fornecer subsídios para a pesquisa de melhoramento, assim como para a indústria que pretenda utilizar extratos dessas frutas para a obtenção de produtos cosméticos e nutracêuticos.

Ainda conforme Ricardo Elesbão, a aprovação de uma rede como esta pelo CYTED sempre tem sido bastante concorrida. O conselho aprova, por ano, apenas um projeto por linha de pesquisa. Essa foi a terceira tentativa dos pesquisadores em quatro anos. A equipe que integra a rede contará com 33 mil euros por ano para promover reuniões, cursos e lançar publicações. "Isso pode representar a liderança do Brasil neste tema durante os próximos quatro anos", afirma Elesbão.

A Rede Frutactiva é composta por 14 grupos de pesquisa (quatro do Brasil, dois do México, dois da Espanha, um do Equador, um de Portugal, um do Peru, um da Colômbia, um da Costa Rica e um da Venezuela) e 12 empresas. Ao todo, 109 pesquisadores dos nove países fazem parte dessa iniciativa.

Fonte: Embrapa

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Regulamentação da clonagem de animais é aprovada na Comissão de C&T do Senado


A regulamentação do manejo de material genético animal e de clones domésticos de interesse zootécnico foi aprovada nesta quarta-feira (8) pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado. O texto trata de produção, importação, comercialização, fiscalização e pesquisa.

Segundo o relator da matéria, senador Gilberto Goellner (DEM-MT), a principal diferença do substitutivo elaborado, com relação ao projeto de lei (PLS 73/07) de autoria da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), é que, na proposta original, a regulamentação incluía todos os animais mamíferos, anfíbios, peixes, répteis e aves.

- Agora só vale para os animais domésticos - informou o relator, que, para chegar ao substitutivo, realizou duas audiências públicas na CCT, com a presença de pesquisadores do Centro de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa/Cenargem) e da Universidade de São Paulo (USP), bem como representantes do setor pecuário e de órgãos governamentais com interesse na matéria.

Em seu parecer, Goellner afirmou que o Brasil já domina a tecnologia de clonagem de mamíferos, em especial a de bovinos, através da Embrapa. Hoje, segundo o relator, a empresa, por meio de parcerias, já está produzindo clones em escala comercial, e a tendência é o crescimento desse mercado.

- Entendemos que a aprovação do projeto contribuirá para o avanço das pesquisas com clonagem, não só na área de bovinos, mas também de outras espécies domésticas de interesse zootécnico, como equinos, suínos, ovinos e caprinos, entre outras. Ademais, a regulamentação da proposta trará segurança à produção comercial de animais clonados - afirmou o relator, durante a discussão da matéria.

Na justificativa ao projeto original, Kátia Abreu afirma que a sua pretensão, ao formular a proposta, era promover o debate. Seu texto, segundo explicou, procura "a solução de problemas práticos já existentes e, também, chamar a atenção para o fato de que o direito deve estar na vanguarda, ou seja, deve estar preparado para organizar o desenvolvimento e o uso da técnica em um futuro próximo, que poderá ser desenvolvida a aplicada nas mais variadas espécies".

O substitutivo será ainda analisado por outras três comissões do Senado, antes de ser encaminhado à Câmara: Agricultura e Reforma Agrária (CRA); Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ); e, por último, em decisão terminativa, Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA). (Valéria Castanho)

Fonte: Agência Senado

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Embrapa e UFRJ identificam gene que confere tolerância à seca


O pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Eduardo Romano e o pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Márcio Alves Ferreira, junto com suas equipes, identificaram um gene que confere alta tolerância à seca. O gene se encontra normalmente presente em plantas de café e os pesquisadores além de identificarem o gene, conseguiram demonstrar que quando este é transferido para outras plantas, elas se tornam altamente resistentes à seca. 

O pedido de patente do gene já foi encaminhado ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e o próximo passo é testar o seu desempenho em outras plantas de interesse agronômico, como soja, cana de açúcar e algodão. A identificação do gene só foi possível graças ao pioneirismo do Brasil, que em 2004 conseguiu sequenciar o genoma do café, o que resultou em um banco de dados com cerca de 200 mil sequências de genes, dos quais mais de 30 mil já estão identificados. 

Esse banco está à disposição das 45 instituições que compõem o Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/Café), distribuídas em 14 estados brasileiros, entre as quais se incluem a Embrapa e a UFRJ. Para chegar ao gene que confere tolerância à seca, os pesquisadores submeteram plantas de café arábica, que é a variedade mais utilizada comercialmente no Brasil e no mundo, a 10 dias sem água. 

Com o passar do tempo, eles verificaram, por análises moleculares, que a expressão desse gene aumentava a cada dia em condições de seca. "É o que chamamos de restabelecimento da homeostase, ou seja, a defesa natural da planta para sobreviver em condições de estresse", explica Romano. De posse dessa informação, os pesquisadores isolaram o gene e o transferiram por engenharia genética para plantas modelo em laboratório. 

O objetivo era checar se a planta se tornaria mais tolerante à seca e se teria condição de passar essa característica para as suas progênies, ou seja, próximas gerações. "Essa é a fase a qual chamamos de validação gênica. Para que uma tecnologia possa ser validada cientificamente, é preciso provar que o gene realmente confere a característica desejada, no caso a tolerância à seca, e se é capaz de passá-la para as suas futuras gerações", completa o pesquisador. 

 As plantas geneticamente modificadas e suas descendentes permaneceram saudáveis após 40 dias sem água, se tornando muito mais tolerantes do que as plantas que não receberam o gene. De posse destes resultados, os pesquisadores passaram então para a fase de registro de patente junto ao INPI. O próximo passo, como explica Romano, é transferir esse gene para outras culturas agrícolas de importância para o país, como soja, algodão e cana de açúcar. 

As pesquisas com soja e algodão deverão ser desenvolvidas respectivamente com a Embrapa Soja (Londrina, PR) e Embrapa Algodão (Campina Grande, PB), enquanto as com cana-de-açúcar serão desenvolvidas em rede com a Embrapa Agroenergia (Brasília, DF), Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), Embrapa Meio Norte (Teresina/PI) e Universidade Federal de Alagoas (Ufal). 

O objetivo é obter variedades tolerantes capazes de produzir nas condições de seca da região nordeste, no caso do algodão, e diminuir os custos com irrigação, no caso de soja e cana de açúcar. A pesquisa coordenada por Eduardo Romano e Márcio Alves Ferreira foi premiada como melhor trabalho científico no II Congresso de Genética Molecular Vegetal, em 2009. (Com informações da Assessoria de Comunicação da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Embrapa lança livro sobre conservação do solo e da água

O trabalho é organizado pelas pesquisadoras da Embrapa Solos Rachel Prado e Ana Turetta e conta com parceria do pesquisador Aluísio Andrade, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio).

Com um total de 486 páginas, a obra é dividida em cinco grandes temas e 27 capítulos, que abordam desde a expansão da agricultura brasileira e as relações com as mudanças ambientais, até o envolvimento da sociedade com o manejo e conservação do solo e da água.

Segundo Rachel Prado, o livro não se limita a apresentar resultados de pesquisas, mas se constitui em fonte para o estabelecimento de políticas governamentais nessa área. Ela acredita que o livro, de distribuição gratuita, pode ajudar as autoridades na tomada de decisões.

Embora tenha como principal foco o manejo de solo e água no Brasil, a publicação traz relato do pesquisador canadense Julian Dumanski sobre a conservação do solo no mundo.


Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Pesquisa com cana-de-açúcar é apresentada na China

Pesquisa com cana-de-açúcar geneticamente melhorada tolerante a seca será apresentada, pelo pesquisador da Embrapa Agroenergia, Hugo Molinari no 3ª Conferência Internacional sobre abordagens integradas para melhorar a produção de cultura em ambientes propensos a seca (Interdrought-III), que acontece em Shangai, China, até sexta-feira ( 16 ). 

Além deste trabalho, a Embrapa mostrará trabalhos com soja e milho. Esta Conferência é o maior evento de debates sobre seca em culturas agrícolas no mundo, e acontece a cada cinco anos reunindo trabalhos focados em seca. 

Com o aquecimento global cada vez mais evidente, a demanda por cultivares mais tolerantes a esse tipo de estresse é crescente no mundo. No Brasil, pesquisas visando tolerância a seca estão em desenvolvimento na Embrapa. “Esta será uma oportunidade para pesquisadores da Embrapa e representantes do Brasil debaterem o tema com cientistas de diversos lugares do mundo”, enfatiza Hugo Molinari.

Recentemente, a Embrapa em parceria com o Centro Internacional de Pesquisa do Japão para Ciências Agrícolas (JIRCAS), aprovaram projeto visando à inserção de um gene promissor (gene DREB) para tolerância a seca em cinco culturas de importância agrícola para o País: cana-de-açúcar, soja, milho, algodão e feijão. 

Durante o evento, os pesquisadores Hugo Molinari, da Embrapa Agroenergia, Alexandre Nepomuceno, da Embrapa Soja e Newton Carneiro, da Embrapa Milho e Sorgo também participarão de reunião com o JIRCAS para discutir ações futuras do projeto.