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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Rio+20 lança site em português e apresenta avanços e desafios


Sha Zukang, secretário-geral da Rio+20, pontuou que a conferência deve ter entre seus objetivos promover a integração do desenvolvimento sustentável com os campos econômico, social e ambiental.

Integração, implementação e coerência, três passos fundamentais para pular da teoria à prática nas ações globais de sustentabilidade. Foi o que destacou nesta quarta-feira (23) o subsecretário-geral para Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas e secretário-geral da Rio+20, Sha Zukang, que apresentou os avanços e desafios da conferência ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Na mesma ocasião, foi lançada a versão em português do site oficial do Rio+20, www.rio20.info.

Também participaram da apresentação, realizada no Palácio da Cidade, sede da Prefeitura do Rio, o chefe do escritório do Secretariado da Rio+20 e diretor da Divisão para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, Nikhil Seth; o subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado; Giancarlo Summa, do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) e Sheila Pimentel, presidente do Instituto Humanitare, que financiou a versão em português do site em português.

Sha Zukang pontuou que a conferência deve ter entre seus objetivos promover a integração do desenvolvimento sustentável com os campos econômico, social e ambiental. "A Rio+20 deverá encontrar maneiras de integrar todas essas áreas, pois nos últimos vinte anos vimos desenvolvimentos econômicos relativamente rápidos, o que é bom, mas que acarretaram um custo. Vimos também crescer a desigualdade entre ricos e pobres, além da deterioração e destruição do meio ambiente", relata.

Juntamente com a integração, o segundo passo seria a implementação das decisões tomadas na Rio 92 (Agenda 21), relembradas em Johanesburgo dez anos depois. "O que nós precisamos é honrar e pôr em prática o que os líderes decidiram anos atrás". Finalmente, a coerência seria o terceiro pilar para o sucesso da posta em prática do evento. "Para garantir a integração e a implementação, precisamos de mecanismos, ou seja, de instituições em níveis globais, nacionais e regionais, que atuem nas áreas econômica, social e ambiental. O desafio é como fazê-las trabalhar de modo conjunto", explica, acrescentando que "o desenvolvimento sustentável tem um início, mas não tem fim".

Além disso, Zukang assegurou que essas medidas são fundamentais para tirar o mundo desenvolvido da crise econômica. "O desenvolvimento sustentável é o caminho para solucioná-la e é isso que torna a conferência mais importante ainda", opina. O secretário-geral do evento também ressaltou o que não deve ser associado à Rio+20, como a imposição de um modelo único de desenvolvimento, a criação de novas formas de protecionismo 'verde' ou maneiras de estabelecer o controle corporativo da natureza.

Site em português - Sha Zukang destacou a importância de se criar uma versão em português para o site da Rio+20, não apenas por ser o idioma da cidade sede, mas porque o português é usado por cerca de 237 milhões de pessoas, sendo a sexta língua mais falada do mundo. Por sua parte, Nikhil Seth ressaltou que a página ajudará a "democratizar a informação" e que 80% das contribuições de textos recebidos vieram dos chamados 'major groups'. "Em 1992, esses conglomerados estavam batendo à nossa porta e agora eles estão dentro do processo", conta.

Zakung estima que a Rio+20 contará com pelo menos vinte chefes de Estado a mais que a Rio 92. "A mudança da data da conferência vai facilitar a adesão de mais países. Gostaria muito que todos os 190 estivessem presentes", conta.

"Os chamados novos desafios emergentes não são novos, mas exigem novas medidas e novos esforços", afirma Sheila Pimentel, que defendeu a busca por solidariedade inclusiva, acesso à energia, garantia de alimentos a todos, água, preservação e resiliência aos desastres ambientais e cidades mais sustentáveis. Ela também lançou a Agenda G15 Rio+20, programa de inteligência estratégico de Relações Públicas que tem como principal objetivo promover com a ONU o entendimento e a divulgação do evento.

"O que está em jogo na conferência é o futuro do planeta, a criação de um consenso global para a construção de um desenvolvimento sustentável e conseguir unir as exigências desse movimento econômico com as da preservação do meio ambiente", relata Giancarlo Summa, lembrando que será lançada na próxima segunda-feira (29) a campanha 'The Future We Want', que convidará todos a opinar sobre o futuro a partir da Rio+20.

Por sua vez, o prefeito Eduardo Paes adiantou que, por ocasião da conferência, pretende organizar no Rio em 2012 um encontro colaborativo entre prefeitos de outras cidades importantes do mundo, como Londres, Paris e Nova York com intuito de discutir a sustentabilidade, a proteção ambiental e a erradicação da pobreza.

Paes também lembrou a adesão do Rio de Janeiro ao modelo de relatório da Global Reporting Initiative (GRI), atualmente o mais completo e mundialmente difundido. "É um super desafio, apesar de que o Rio já tenha um plano estratégico, com metas. Porém, o GRI inclui elementos que não estão no nosso planejamento", conta, lembrando que a cidade será a primeira a adotar o modelo, já usado no Brasil por empresas como a Vale e a Petrobras. "O Rio tem que ter ousadia neste momento para chamar os outros para a 'briga', no bom sentido", conclui, recordando que o Rio de 2012 terá menos veículos poluentes que o de 1992 e que possivelmente já terá fechado o aterro de Gramacho.(Clarissa Vasconcellos)

Fonte: Jornal da Ciência

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Governo prevê apresentar estratégia para conservação da biodiversidade na Rio+20


O Ministério do Meio Ambiente quer apresentar na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) a estratégia nacional para a conservação e uso sustentável da diversidade biológica, elaborada a partir de uma série de diálogos com a sociedade brasileira - denominados "Diálogos sobre a Biodiversidade: construindo a estratégia brasileira para 2020". 

A afirmativa é de Braulio de Souza Dias, secretário de Biodiversidade e Florestas do ministério, em entrevista ao Jornal da Ciência. O objetivo da proposta é o de fazer frente às metas globais, conhecidas como Metas de Aichi, acordadas entre 193 países em Nagoia, na província de Aichi (Japão), em 2010. 

Pelo acordo internacional, o prazo para os países signatários apresentarem suas estratégias é até outubro de 2012, antes da 11ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 11 da CDB), na Índia. O Brasil quer adiantar a apresentação de sua estratégia de conservação da biodiversidade para aproveitar a relevância da Rio +20. 

"Tomamos a decisão interna de apresentar as propostas até a Rio + 20 pela relevância do evento que envolve governança ambiental, combate à pobreza e economia verde", disse Braulio. 

Colaboração da comunidade científica - Para a elaboração da proposta nacional, o ministério, juntamente com entidades parceiras, como WWF-Brasil, União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN) e o Instituto Ipê, vem colhendo, desde abril deste ano, sugestões de especialistas de vários setores da sociedade. Essas serão consolidadas e colocadas em consultas públicas no site do MMA no início de 2012. 

O próximo encontro será com a comunidade científica, nos dias 17 e 18 deste mês, em Brasília, em parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). As reuniões com o setor privado ocorreram em duas etapas, em 3 e 4 de agosto e em 31 de outubro; com ONGs, em 26 e 27 de setembro; e com as lideranças indígenas, em 19 do mês passado. 

Segundo o secretário, os setores que já deram suas sugestões esperam que a comunidade científica contribua com a definição de metas quantitativas. Por exemplo, aguardam que cientistas e pesquisadores sugiram percentuais ideais para a redução do desmatamento para 2020. 

Depois da reunião com a comunidade científica, os organizadores da estratégia nacional para a conservação da biodiversidade, encabeçados pelo MMA, se reunirão, por último, com representantes dos governos federal e estadual, evento inicialmente agendado para a primeira semana de dezembro. 

"Vamos consolidar as propostas e colocá-las todas em consulta pública. A partir de fevereiro pretendemos fazer uma reunião para a proposta final, com representantes dos vários setores", adiantou. 

A estratégia brasileira, segundo o secretário, é apoiada também pelo governo britânico que oferece recursos financeiros, em parte, para fomentar pesquisas e o mapeamento da biodiversidade brasileira. (Viviane Monteiro - com a colaboração de Beatriz Bulhões, articuladora da SBPC)

Fonte: Jornal da Ciência



Dilma adia em duas semanas 
data de abertura da Rio+20


A presidente Dilma Rousseff anunciou na sexta-feira (4) mudança na data de abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, de 4 para 20 de junho de 2012, no Rio de Janeiro.

A mudança foi feita para que a Rio+20 não coincida com a comemoração dos 60 anos de coroação da rainha da Inglaterra, Elizabeth, entre os dias 4 e 6 de junho do próximo ano. Vários líderes do G20 e de países europeus devem participar da comemoração britânica e, assim, poderiam não comparecer ao evento no Rio de Janeiro. 

Dilma explicou também que representantes de países da Ásia pediram para que a Rio+20 ocorresse em um período mais próximo da reunião do G20, marcada para os dias 18 e 19 de junho, no México. 

"A proposta que foi consenso com a ONU [Organização das Nações Unidas], entre mim e Ban Ki-moon. Nós propusemos e comunicamos ao plenário a transferência [da data] para permitir a ida dos países do G20, da Commonwealth [comunidade que reúne 54 Estados independentes que têm ligações históricas com a Inglaterra] e da Ásia", disse Dilma, após o encerramento da reunião do G20, em Cannes, na França. 

Mais cedo, em uma sessão de trabalho do G20 sobre meio ambiente, a presidente Dilma Rousseff disse que a conferência será uma oportunidade para "discussão do modelo de desenvolvimento que as nações querem para o futuro" e colocará em pauta pontos importantes como economia verde, erradicação da pobreza e governança internacional para o desenvolvimento sustentável.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Rio+20: Pesquisador defende mais recursos para áreas intactas


Parlamentares, governantes estaduais e municipais, além de representantes de diversas entidades, associações locais, ribeirinhos e ONGs ambientalistas se revezaram na última sexta-feira (23) para falar sobre biomas no Amazonas. 
 
Eles participaram do primeiro debate para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20 promovido pela a Frente Parlamentar Ambientalista na Assembleia Legislativa de Manaus.

A reunião contou com cerca de 200 participantes. Na palestra sobre "Conservação e Desenvolvimento da Amazônia", o pesquisador do Imazon Paulo Barreto defendeu mais investimentos nas áreas intactas ou de manejo florestal, com aumento do crédito para reflorestamento, que hoje é menos de 1%. O pesquisador também considerou essencial a capacitação para uso desses recursos e investimentos nas áreas protegidas criadas nas unidades de conservação para o desenvolvimento local.

Barreto lembrou que atualmente 70% das áreas criadas ainda não têm plano de manejo "Sem o plano, elas começam a ser consideradas como impedimento ao desenvolvimento e começa a pressão para reduzir e extinguir essas áreas".

O coordenador da frente, deputado Sarney Filho (PV-MA), disse que o objetivo é tirar as discussões dos gabinetes e levar para a sociedade, com o intuito de divulgar e acolher sugestões. Ele destacou ainda a importância da participação da sociedade para que os objetivos da Rio+20 sejam atingidos. "O sucesso da conferência vai depender das pressões feitas pelos grupos políticos ou econômicos de cada país e da comunidade internacional. Não há outra opção: ou damos sustentabilidade às nossas ações no planeta, ou as futuras gerações não terão como se manter", alertou.

A abertura do debate foi feita pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Ricardo Nicolau, que destacou a relevância da escolha do estado para receber o primeiro debate. Ele lembra que o Amazonas tem 98% da sua floresta preservada.

Para o diretor de mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, começar o debate pelos biomas é muito importante porque o Brasil é o único país ainda em condições de dizer que tem as características de todos os biomas. "O meu papel aqui é de exigir que os políticos, a ciência, e todos que hoje são lideranças neste País, que levem para a sociedade os benefícios da Rio+20", afirmou.

A deputada Rebecca Garcia (PP-AM) avaliou que as discussões sobre meio ambiente no Congresso Nacional são acirradas e calorosas. "Nada como descentralizar os debates e ouvir cada região, com suas peculiaridades e características. Queremos ouvir os especialistas e depois poder levar tudo para a Rio+20", completou.

Marco legal para biodiversidade - Com o tema "Desafios e Oportunidades da Biodiversidade Brasileira", o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Braúlio Dias, defendeu a aprovação de um marco legal para a biodiversidade antes da Rio+20. "O Brasil precisa ratificar o acordo e internalizar as metas estabelecidas. Temos um grande objetivo, que é a preservação ambiental, mas, para chegarmos a esse alvo, é preciso que as ações sejam feitas em comum acordo entre governo federal, entidades, associações, ongs", ressaltou.

Participação popular - Após as palestras foi aberta a participação popular no evento. "É importante que sejamos ouvidos também porque vivemos a realidade do Meio Ambiente. Nas apresentações aqui aprendemos que devemos valorizar o homem da floresta, isso porque somos nós que temos aliado o desenvolvimento à preservação", completou a presidente do Movimento Nação Mestiça, Helda de Sá.

Também participaram do evento o diretor da Fundação Verde Herbert Daniel, José Carlos de Lima; a deputada estadual Aspásia Camargo (PV-RJ); o presidente da Rede GTA - Grupo de Trabalho Amazônia, Rubens Gomes; o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado Luiz Castro; o coordenador estadual da Frente Ambientalista, deputado Marcelo Ramos; a vereadora Lúcia Antony; o secretário de Mudanças Climáticas do estado, Hamilton Casara; e o secretário de Meio Ambiente de Rondônia, Francisco Sales.

Os eventos para discutir a Rio+20 são organizados pela Frente Ambientalista, em conjunto com a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados e a Fundação SOS Mata Atlântica e conta com o apoio das assembleias legislativas dos estados que sediarão os eventos.

Fonte: Agência Câmara

sábado, 24 de setembro de 2011

Assessor da Unesco defende a busca de novas fontes de recursos para educação

 
Diante da guerra fiscal presente entre estados e municípios, o que dificulta o aumento de repasse de recursos para educação, é importante se buscar novas fontes de investimentos para a educação e garantir o desenvolvimento do País.
 
A opinião é do assessor especial da Unesco, o professor Célio da Cunha, sinalizando apoio a mobilização pública da SBPC e ABC por uma cifra carimbada da receita do petróleo extraído da camada de pré-sal para educação, ciência, tecnologia e inovação.

"Carimbar parte dos recursos do petróleo do pré-sal é absolutamente necessário para melhorar a educação nacional", complementa o professor da Unesco, braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para a cultura e educação.

Segundo Cunha, a guerra fiscal entre os estados representam um gargalo para educação, pois a disputa pelo recolhimento de impostos inviabiliza o aumento no repasse dos recursos para a educação.

Ainda que as receitas do petróleo extraído da camada de pré-sal devem ser geradas apenas a partir de 2015, ele destaca a importância de se carimbar, já agora, uma fatia dos recursos do petróleo extraído da camada do pré-sal para a educação, pesquisa e inovação.

Segundo o professor, tal como a União, os estados e municípios devem também aumentar os investimentos em educação. Ele lembra que estados e municípios investem apenas o percentual mínimo, de 25% da receita de uma cesta de tributos, exigido pela Constituição. A exceção hoje é o Ceará que investe mais de 28% da receita de tributos na educação, o que "pode servir de exemplo" para os demais estados.

Por sua vez, a União aplica 18% da receita de tributos nessa área. Juntos, os percentuais representam algo em torno de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação. "É necessário que os estados e municípios refaçam suas leis para ampliar esses investimentos em educação", sugere.

O Plano Nacional de Educação (PNE) para vigorar até 2020 determina a ampliação progressiva do investimento público em educação até atingir o mínimo de 7% do produto interno bruto (PIB) do país, com revisão desse percentual em 2015.

Apesar de vê uma ligeira melhora da educação nacional, principalmente a partir da década de 1990, o professor esclarece que o Brasil precisa "pisar o pé" no acelerador para melhorar a educação que enfrenta muita defasagem no mercado internacional.

Segundo o professor, o custo de um aluno brasileiro é US$ 2,5 mil ao ano, enquanto que em países europeus os desembolsos atingem de US$ 7 mil a US$ 8 mil anuais. Além disso, o Brasil ainda possui 14 milhões de analfabetos absolutos e mais 20 milhões de analfabetos funcionais.

O último "Relatório de Monitoramento Global" da Unesco, divulgado em março deste ano, mostrou que o País situa-se no 88º lugar na educação no ranking de 127 países, atrás de países como Argentina, Chile, Equador e Bolívia. O assessor especial da Unesco acredita que a educação nacional deve apresentar melhorar no próximo relatório em relação ao anterior.

Ele nota avanço nas matrículas do ensino médio na faixa etária de 15 a 18 anos, atingindo percentuais de 50% do total. Além disso, o Brasil, segundo disse, começa a "viver uma revolução de inclusão social". Ou seja, pessoas que, até então, não tinham acesso à educação passaram a estudar. (Viviane Monteiro)

 Fonte: Jornal da Ciência
 

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social ouve sociedade para elaborar propostas para a Rio+20


Ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, o CDES está elaborando uma proposta para subsidiar o posicionamento do governo brasileiro na conferência.

O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) vai ouvir esta semana especialistas e representantes da sociedade civil para ajudar a construir a proposta brasileira para a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorre em junho de 2012.

Vinte anos depois da Rio 92, ambientalistas do mundo inteiro vão voltar ao Brasil para um novo encontro da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre meio ambiente. Mais do que um balanço sobre a implementação de compromissos estabelecidos na conferência de 1992 - como a Agenda 21 e a criação das convenções-quadro da ONU sobre Mudança do Clima e Biodiversidade - a Rio+20 tentará avançar em uma proposta de economia verde que concilie crescimento econômico com baixas emissões de carbono.

Ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos, o CDES, mais conhecido como Conselhão, está elaborando uma proposta para subsidiar o posicionamento do governo brasileiro na conferência e, para isso, vai reunir empresários, líderes sindicais, acadêmicos, pesquisadores e organizações não governamentais em um debate que leve a sugestões para uma economia sustentável. Entre os temas, estão energia, mudanças climáticas, inclusão social e combate à fome. A reunião vai ocorrer na próxima terça-feira (30), em São Paulo.

O coordenador de Processos Interacionais do Instituto Vitae Civilis, Aron Berlinki, que vai participar do encontro, diz que o Brasil pode mostrar que é possível conciliar políticas que compatibilizem a inclusão social e o desenvolvimento limpo, com menos emissões de gases de efeito estufa que os países ricos.

"Esse potencial o Brasil tem. Mas ainda há uma série de dificuldades práticas para direcionar a atividade econômica numa direção mais sustentável. É preciso corrigir algumas distorções graves, como alguns pontos da política energética", avaliou.

Segundo Berlinki, a possibilidade de flexibilização das leis ambientais - com as mudanças no Código Florestal - e a opção do governo em continuar investindo em grandes projetos hidrelétricos, em detrimento de outras opções de energias renováveis, pode comprometer a imagem do país como anfitrião da Rio+20.

Além do Vitae Civilis, a oficina deve reunir representantes do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, da Confederação Nacional da Indústria, do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, entre outros. O Conselhão é um órgão consultivo da Presidência da República.

Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Brasil quer que o Centro de Biotecnologia da Amazônia integre projeto internacional da ONU


Mercadante negocia para que o CBA faça parte do programa mundial de biodiversidade como centro de formação de profissionais.

O Brasil está negociando na Organização das Nações Unidas (ONU) a instalação de um centro internacional de formação de pesquisadores sobre biodiversidade no País, usando a plataforma do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), em desenvolvimento em Manaus. A informação foi dada ontem (3) pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, no 4º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, realizado em São Paulo.

Segundo o ministro, a ONU vai criar um programa mundial de biodiversidade, cuja sede deve ser instalada na França. A proposta do ministério é de que o CBA faça parte do programa da ONU.

"Queremos que o CBA seja a sede do processo de formação de profissionais na área de biodiversidade. Estamos negociando no âmbito da ONU para transformar o CBA num grande programa de formação, fazendo parte do programa da ONU", disse o ministro. Segundo ele, as negociações estão em processo avançado.

Criado no governo Fernando Henrique Cardoso, o centro, que ainda não saiu do papel, foi destacado ontem por empresários como um fator importante para a economia brasileira.

Centro de pesquisas em nanotecnologia - Mercadante informou ainda que o governo abrirá um centro de pesquisas em nanotecnologia em Campinas, em parceria com a Academia de Ciências da China. Ele conversou ontem com o presidente da entidade chinesa, Chunli Bai que também participou do evento.

Segundo o ministro, serão investidos R$ 10 milhões no desenvolvimento do centro de pesquisas que deve realizar pesquisas em biotecnologia, energia limpa e pesquisas espaciais, dentre outras. A unidade deverá ser instalada próxima ao Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. Os recursos serão aplicados pelas duas partes.

Trata-se de um acordo de cooperação a ser formalizado até o fim deste mês na China. O acordo envolverá, segundo o ministro, 200 estudantes de doutorado e de pós-doutorado.

Mercadante acrescentou que outros acordos de entendimento serão assinados com a Academia de Ciências da China. Entre eles, cooperação nas áreas de ciências da computação, ciências espaciais e energia eólica; e ações em áreas de desastres naturais, sobretudo para evitar os desmoronamentos que respondem por 11% dos desastres naturais do Brasil.

Embrapii - O ministro informou ainda que o acordo assinado ontem com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para o desenvolvimento da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) contará com a cooperação com a alemã Associação Fraunhofer, cujo nome faz uma homenagem ao cientista, engenheiro e empresário Joseph Von Fraunhofer.

A Embrapii é desenhada à imagem e semelhança da Embrapa, que tem assegurado "o êxito" do agronegócio brasileiro. Segundo o ministro, a gestão da nova empresa, que atenderá as demandas da indústria brasileira pela inovação, obedecerá aos critérios da associação alemã no que se refere à metodologia e conhecimento de avaliação dos centros.

Segundo o presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), João Fernando Gomes de Oliveira, o acordo assinado ontem estabelece a criação de um comitê, que deve gerir a Embrapii, liderado pelas Sects: secretarias de Ciência e Tecnologia.

O projeto piloto da Embrapii, uma parceria público-privada, nasce com a integração de centros de três estados: o IPT, em São Paulo (USP), o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), do Rio de Janeiro; e os três centros do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), da Bahia, que atuam nas áreas de petróleo, automação e manufatura. A ideia é de que a empresa conte com a integração de cerca de 30 centros nos próximos dois anos. Cada instituto deve estabelecer a vocação setorial de cada região.

Segundo Mercadante, o governo já dispõe de R$ 30 milhões para serem aplicados na Embrapii no próximo ano, quando deve começar a operar. Conforme o presidente do IPT, os centros também devem injetar recursos na Embrapii, por intermédio de parcerias com empresas que encomendarem pesquisas. O IPT já dispõe de uma carteira de 20 projetos de inovação para serem apresentados à nova empresa.

Sibratec - A ideia é de que a Embrapii venha complementar o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec), um instrumento de articulação e aproximação da comunidade científica e tecnológica com as empresas. Segundo o diretor do INT, Domingos Manfredi Naveiro, o projeto será uma conexão para melhorar a relação entre universidade e empresa.

Para o presidente do IPT, a criação da Embrapii ajudará a acelerar os projetos de inovação no País. "Será um sistema muito inteligente porque será fomentando pela capacidade de desempenho (dos projetos de inovação)", explicou. Segundo ele, hoje um projeto de inovação demora até cinco anos para a obtenção de um parecer. "Agora o desempenho será anual". (Viviane Monteiro)

Fonte: Jornal da Ciência

sexta-feira, 8 de julho de 2011

ONU lança Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2011

Grandes progressos foram feitos na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, mas a maior parte dos vulneráveis foi deixada para trás, diz relatório da ONU.

Avanços significativos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) foram feitos, ainda que a meta de cumprir todos os Objetivos até 2015 continue sendo um prazo desafiador, porque os países mais pobres do mundo estão sendo deixados para trás, afirma a ONU.

O Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2011, lançado ontem (7) pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, diz que há razões para celebrar, já que grandes sucessos foram alcançados desde que líderes mundiais em 2000 estabeleceram os Objetivos para reduzir a pobreza extrema, a fome, o analfabetismo e as doenças.

"Os ODM já ajudaram a retirar milhões de pessoas da pobreza, a salvar as vidas de inúmeras crianças e a assegurar que elas possam ir à escola", disse Ban. "Eles reduziram a mortalidade materna, expandiram as oportunidades para mulheres, aumentaram o acesso à água potável e libertaram muitas pessoas de doenças mortais e debilitantes. Ao mesmo tempo, o Relatório mostra que ainda temos um longo caminho a percorrer no empoderamento de mulheres e garotas, na promoção do desenvolvimento sustentável e para proteger os mais vulneráveis dos efeitos devastadores das múltiplas crises, sejam elas conflitos, desastres naturais ou a volatilidade nos preços de alimentos e energia."

O Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2011 destaca sucessos no desenvolvimento, afirmando que muitos se devem ao crescimento econômico contínuo em alguns países em desenvolvimento e aos esforços direcionados em áreas críticas dos ODM, como a saúde. O aumento do financiamento por várias fontes, afirma o documento, aumentou em programas-chave como o do tratamento para pessoas com HIV/AIDS.

"Alcançar os ODMs requer um crescimento econômico equitativo e inclusivo - um crescimento que alcance a todos e que possa permitir que todas as pessoas, especialmente as pobres e marginalizadas, se beneficiem de oportunidades econômicas", disse o Secretário-Geral. "Entre hoje e 2015, precisamos assegurar que as promessas feitas sejam promessas mantidas. Líderes mundiais devem mostrar não apenas que eles se importam, mas que eles têm a coragem e a convicção para agir."

Dirigir-se para um caminho mais sustentável é essencial para conquistar os ODM, disse Ban. Ecossistemas devem ser protegidos para apoiar o crescimento contínuo e os ambientes naturais. A Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável de junho de 2012, que será realizada no Rio de Janeiro e é frequentemente referida como Rio+20, oferece uma grande oportunidade para os novos progressos.

Fonte: Serviço de Informação da ONU

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Rio+20 poderá gerar órgão mundial destinado à preservação do meio ambiente


O órgão, em estudo, ficará subordinado à Organização das Nações Unidas (ONU).

Autoridades de países que são alvos de críticas internacionais por causa da forma como tratam a preservação ambiental e o estímulo à economia verde, deverão participar da Conferência Rio+20, de 28 de maio a 6 de junho de 2012, na área do Porto do Rio de Janeiro.

A expectativa, segundo os organizadores, é que a China, Índia e os Estados Unidos enviem emissários do primeiro escalão do governo para os debates. As discussões da cúpula poderão gerar a proposta de criação de um órgão específico internacional para a área ambiental.

O órgão, em estudo, ficará subordinado à Organização das Nações Unidas (ONU), como ocorre com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) - que será comandada pelo brasileiro José Graziano da Silva.

A ideia é que a sede do novo órgão, responsável pela área ambiental, seja na África. Atualmente só há uma agência da ONU para cuidar do tema, que é o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), cuja sede fica no Quênia. Criado em 1972, o programa tem o objetivo de fortalecer as ações mundiais de desenvolvimento sustentável.

As autoridades brasileiras e estrangeiras, porém, concluíram que é necessário ampliar os esforços em nível mundial, pois hoje não há uma definição universal sobre economia verde nem foram estabelecidos os instrumentos, aceitos de forma global, para o desenvolvimento sustentável.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 2 de março de 2011

UNFCCC lança portal para monitorar Acordos de Cancún


A Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças do Clima espera que a ferramenta estimule o progresso dos tratados firmados na Conferência do Clima de 2010, que até agora não saíram do papel. Os representantes dos mais de 190 países reunidos no final de 2010 no México para discutir políticas climáticas para frear o aquecimento global, deixaram a Conferência do Clima de Cancún (COP 16) confiantes de que tinham realizado mais do que era esperado.

A COP16 estabeleceu um 'Fundo Climático Verde' que distribuirá US$ 100 bilhões ao ano em ajuda à adaptação e mitigação das mudanças climáticas, criou mecanismos para transferência de tecnologias limpas e propôs uma estrutura para a preservação das florestas.

Na época, a presidente da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC), Christiana Figueres, afirmou que "Cancún foi um grande passo, maior do que muitos imaginavam que seria possível e expandiu significantemente as opções para o combate ao aquecimento global. A ONU está pronta para ajudar a colocá-las em prática. O importante agora é agir".

O problema é que essa 'ação' está demorando a ocorrer. Mesmo as promessas da COP anterior, em Copenhague, ainda não foram cumpridas. Os US$ 30 bilhões prometidos em 2009 como parte do "fast start finance" para a adaptação e mitigação das mudanças climáticas nos países mais vulneráveis não apareceram.

"Ficaria surpreso se me mostrassem que a liberação de recursos já ultrapassou os dois dígitos", criticou o ministro do Meio Ambiente da Índia, Jairam Ramesh.

No que pode ser considerada agora como uma tentativa de estimular avanços para que os acordos firmados realmente saiam do papel, a UNFCC divulgou nesta segunda-feira (1) um novo website que permite o acompanhamento do progresso dos Acordos de Cancún.

O site tem logo em sua homepage uma barra com datas e ações que permite o entendimento do que está sendo feito para cumprir os compromissos firmados em 2010. Infelizmente, a barra mostra claramente que até agora praticamente nada foi realizado.

Além disso, o site disponibiliza todos os detalhes das negociações climáticas e as promessas específicas para cada área, como mitigação, adaptação e transferência de tecnologias. A agenda para este ano também pode ser conferida.

Com certeza, o website representa um passo a mais na transparência das políticas climáticas e tornará muito mais fácil acompanhar os rumos das negociações, que no momento começam a aquecer.

Quioto

Outro sinal de que a UNFCCC está disposta a por as coisas para funcionar foi a declaração em Tóquio de Christiana Figueres, que afirmou que o Japão deve repensar sua posição e aceitar uma extensão do Protocolo de Quioto, que expira no final de 2012.

"Vocês investiram muito na infraestrutura do Protocolo. Rejeitar tudo isso será um desperdício de tempo e dinheiro. Só Quioto pode usar os mecanismos criados para ele", explicou Figueres.

O governo japonês, porém, rebateu dizendo que um item presente nos Acordos de Cancún permite que o país continue usando o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e outras ferramentas de Quioto mesmo não fazendo mais parte do Protocolo.

As indústrias japonesas estão bastante envolvidas com os mercados de carbono mundiais, principalmente com Esquema Europeu de Comércio de Emissões (EU ETS), pois precisam comprar créditos para cumprir as metas estabelecidas pelo governo.

Japão, Rússia e Canadá são os maiores opositores à extensão de Quioto porque acreditam que o Protocolo não é mais viável por deixar de fora os dois maiores emissores de gases do efeito estufa, Estados Unidos e China. Os três países preferem que um novo acordo climático global seja estabelecido.

Pressão

Quem também não está contente com os rumos das negociações é o grupo chamado Basic, formado por Brasil, África do Sul, Índia e China, que se reuniu no último fim de semana em Nova Deli e divulgou uma nota afirmando que os Acordos de Cancún não substituem o chamado Bali Road Map.

O grupo está se referindo ao conjunto de decisões firmado em 2007 na Conferência do Clima da Indonésia.

"Existe um grande número de questões presentes no Bali Road Map que não foram contempladas em Cancún, em particular as referentes a direitos de propriedade intelectual e de comércio, que são muito importantes para o Basic. Faremos de tudo para que esses tópicos voltem a ser discutidos", afirmou Jairam Ramesh.

Além disso, o grupo questiona a validade das promessas de Cancún, uma vez que nem as de Copenhague começaram a ser cumpridas. "Não há porque se falar em um 'Fundo Climático' se nem uma fração dos US$ 30 bilhões prometidos em 2009 como financiamento rápido foi liberada", explicou o ministro do Meio Ambiente indiano.

O comunicado do Basic afirma ainda que para que o grupo apoie um acordo climático global em Durban em 2011 será preciso: a extensão do Protocolo de Quioto ou dos compromissos sob ele, a criação de um mecanismo de monitoramento das ações climáticas em todos os países e a adoção de metas ambiciosas de redução de emissões nas nações desenvolvidas.

Com certeza as negociações climáticas têm pela frente um ano cheio de debates e decisivo no que diz respeito a criação de um acordo internacional para frear as emissões de gases do efeito estufa e para mitigar os efeitos do aquecimento global. (Fabiano Ávila)

Fonte: Instituto Carbono Brasil

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Brasil assume hoje o Conselho de Segurança das Nações Unidas


O Brasil assume hoje a presidência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Em fevereiro, o comando será brasileiro. O posto é rotativo e sempre ocupado por um dos 15 membros do órgão. Há anos, o Brasil tenta ocupar um assento permanente no conselho e defende sua reforma. Ao assumir o comando, o objetivo é ampliar os debates para as áreas de conflito nas regiões mais pobres do mundo.

As informações são confirmadas pelas Nações Unidas. No dia 11 de fevereiro, o Brasil promove um debate sobre as questões de paz, segurança e desenvolvimento. O ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, deverá participar das discussões.

Na ONU, o Brasil é representado pela embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti. De acordo com diplomatas que acompanham as discussões nas Nações Unidas, o momento é para observar com atenção o que ocorre no Kosovo, no Congo e em Guiné Bissau, além dos efeitos do plebiscito no Sudão.

No ano passado, em sessão das Nações Unidas em nome do governo brasileiro, o então ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu a reforma urgente da atual estrutura do Conselho de Segurança. Criado em 1945, depois da Segunda Guerra Mundial, o formato do órgão estabelece que cinco países tenham assento permanente e dez ocupem provisoriamente, por dois anos, as vagas.

Uma das propostas em discussão é que, entre os seus integrantes permanentes, sejam incluídos mais dois países da Ásia, um da América Latina, outro do Leste Europeu e um da África. Atualmente, são integrantes permanentes do conselho os Estados Unidos, a Rússia, China, França e Inglaterra. Já o Brasil, a Turquia, Bósnia Herzegovina, o Gabão, a Nigéria, Áustria, o Japão, México, Líbano e Uganda são membros rotativos no órgão, com mandato de dois anos.

É o Conselho de Segurança das Nações Unidas que autoriza a intervenção militar em um dos 192 países-membros da organização e também que estabelece sanções – como ocorreu ao Irã, em junho. Os conflitos e crises políticas são analisados pelo conselho, que define sobre o envio e a permanência de militares das missões de paz.

No ano passado, em junho, Brasil e Turquia, que integram o Conselho de Segurança das Nações Unidas, votaram contra as sanções ao Irã. O Líbano se absteve da votação, mas 12 países foram favoráveis às restrições. Para a comunidade internacional, o programa nuclear do Irã é suspeito de produção secreta de armas atômicas. Os iranianos negam.

Fonte: Agência Brasil / Renata Giraldi

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A conta da natureza

A ONU apresentou na quarta-feira (20/10) na Cúpula da Biodiversidade, em Nagoia, no Japão, uma forma inédita - e, espera-se, mais convincente - de calcular o valor dos serviços prestados pela natureza. O estudo ainda é preliminar, mas informa que só os insetos que polinizam plantas comestíveis prestam serviço avaliado em US$ 210 bilhões por ano.

Os corais - berçários de peixes e usados em turismo - proporcionam US$ 172 bilhões anuais. Cerca de 30 milhões de pessoas dependem diretamente de recursos vindos dos corais para viver.

Em sua versão mais avançada, o relatório "Economia de Ecossistemas e Biodiversidade" (Teeb, na sigla em inglês) trará o valor dos serviços prestados por sistemas mais complexos, como as florestas tropicais.

Preparado pelo Programa de Meio Ambiente da ONU (Pnuma), o relatório lembra que a perda de biodiversidade custa aos países cerca de US$ 5 trilhões anuais (número anunciado no início da semana) e que a destruição de ecossistemas causará crises sociais e econômicas.

- O tempo de ignorar a biodiversidade acabou. A invisibilidade econômica da natureza sempre foi um problema, estamos mudando isso. Os governos precisam entender que só têm a perder com atual modelo de desenvolvimento predatório. A preservação de espécies é uma questão de sobrevivência da nossa própria espécie - disse o principal autor do estudo, o banqueiro indiano Pavan Sukhdev.

O Teeb foi bem recebido por ambientalistas. Eles acreditam que, ao fornecerem números concretos, o Teeb muda a argumentação em favor da conservação da biodiversidade, ainda vista por muitos como menos importante do que o combate às mudanças climáticas.

- O Teeb é uma fonte sólida de argumentação e achamos que os ministros vão analisá-lo com atenção - disse Tove Ryding, do Greenpeace.

Outro relatório apresentado na quarta-feira em Nagoia listou as regiões e as espécies mais ameaçadas de extinção do mundo. Elaborado por um consórcio integrado por 68 instituições internacionais de conservação chamado Aliança para a Extinção Zero (AEZ), ele relaciona 587 lugares que são o último habitat das 920 espécies mais ameaçadas de plantas e animais.

O Brasil, um dos países megadiversos, é o terceiro em número de sítios em risco, com destaque para a Mata Atlântica.

Fonte: O Globo

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Dez anos para salvar a natureza

Espécies são extintas num ritmo mil vezes maior do que o natural, minando a estabilidade de ecossistemas ao redor do planeta, causando prejuízos avaliados em até US$ 5 trilhões anuais e ameaçando nossa própria existência. O alerta dramático foi ouvido na segunda-feira (18/10) por representantes de 193 países na abertura da 10ª Conferência das Partes sobre Biodiversidade (COP-10), um dos encontros ambientais mais importantes do ano, em Nagoia, no Japão.

Até o próximo dia 29, eles tentarão chegar a um acordo sobre um plano estratégico para interromper, num período de dez anos, a destruição das bases da natureza que sustentam a vida do homem. Para isso terão que superar uma série de divergências entre os países em desenvolvimento e as nações mais ricas do mundo.

O problema é que não há mais tempo para um novo fracasso, como o que ocorreu no ano passado, na conferência da ONU sobre mudanças climáticas.

- Estamos atingindo o ponto limite, depois do qual não teremos mais como reverter a perda da biodiversidade - discursou o ministro do Meio Ambiente do Japão, Ryu Matsumoto, que preside a conferência e tem o desafio de mostrar que seu país, muito criticado pelos ambientalistas, pode liderar a discussão.

- Se não dermos passos decisivos agora, cruzaremos este ponto em dez anos. Vamos adotar ações combinadas, como uma comunidade internacional, acertando metas ambiciosas e realistas - pediu.

Quinze mil pessoas participam do encontro em Nagoia, fazendo da COP-10 a convenção de biodiversidade mais disputada dos últimos anos, com a presença de governos, empresas e sociedade civil. Mesmo assim, é evidente que o tema não desperta a mesma atenção que o aquecimento global, assunto que domina a agenda ambiental internacional, embora um esteja ligado ao outro - as duas convenções nasceram juntas, na Rio 92.

O primeiro dia da COP-10 foi marcado pela distribuição farta de origamis - um símbolo do Japão -, menos manifestações ecológicas do que seria de se esperar e apelos para que os nós sejam desatados e metas para proteção de terras e águas sejam aprovadas, antes que seja tarde.

Um indício de que a reunião de Nagoia não é vista com a mesma importância dada à conferência de Copenhague, em 2009, é o fato de que os países serão representados por ministros e não chefes de Estado.

- Estamos destruindo a própria fundação que permite a vida neste planeta, mas quando realizamos fóruns como este, a sociedade ainda tem dificuldades para entender o que estamos fazendo aqui e por que isso importa - alertou o diretor do Programa Ambiental da ONU, Achim Steiner.

A discussão central para o Brasil, líder do grupo de 17 nações que detêm 70% da biodiversidade da Terra, é a aprovação de um tratado sobre o acesso a recursos genéticos para uso comercial ou pesquisas e a distribuição dos ganhos obtidos com essas operações, o chamado Tratado ABS (do inglês access and benefit sharing).

O princípio foi discutido pela primeira vez em 92: os países detentores de riquezas naturais querem garantias de que serão recompensados pela exploração de seus recursos por indústrias, como as de medicamentos e cosméticos, por exemplo. Mas as divergências nunca foram superadas.

- É um tema absolutamente crucial. As discussões estão mais maduras, mas se não houver acordo sobre o Tratado ABS, a COP-10 será um fracasso - concordou a alemã Cristine Von Weizsacker, da CBD Alliance, grupo que reúne várias ONGs ligadas à proteção da biodiversidade.

Outro ponto defendido pelo Brasil é a criação de um fundo com doações do mundo desenvolvido para garantir as iniciativas de proteção da natureza, como projetos de reflorestamento. Não há dúvidas de que metas de proteção precisam ser estabelecidas, mas não está claro se a conferência de Nagoia conseguirá aprovar um percentual a ser seguido.

As ONGs defendem que pelo menos 20% das áreas terrestres sejam transformadas em santuários ecológicos, protegidos da ação do homem. O Japão fala em 15% de terras e zonas marinhas. A China, a princípio, só aceita discutir a proteção de 6% dos oceanos.

Países em desenvolvimento temem que percentuais muito elevados atrapalhem o seu crescimento econômico.

- Não é uma questão de números, mas de responsabilidades - ponderou o argelino Ahmed Djoghlaf, secretário-executivo da COP-10. - A ideia é que as partes transformem em ações nacionais as metas decididas aqui, fazendo delas prioridade entre 2011 e 2020. O número da China não pode ser o mesmo do Haiti - exemplificou. (Claudia Sarmento)

Fonte: O Globo

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Principal funcionário da ONU para questão climática pede demissão

Yvo de Boer, chefe do secretariado climático da Organização das Nações Unidas, pediu demissão, anunciou a ONU nesta quinta-feira (18). Ele, que estava no cargo desde 2006, deve sair em 1º de julho, para ser conselheiro no grupo privado de consultoria KPMG. 



A saída de De Boer ocorre dois meses depois da  conferência sobre mudanças climáticas de Copenhague , que foi avaliada por especialistas como um fracasso.

"Foi uma decisão difícil, mas acredito que era tempo para assumir um novo desafio, trabalhando com clima e sustentabiliade no setor privado e na universidade", disse ele no comunicado.

"Copenhague não nos deu um acordo claro em termos legais, mas o comprometimento político e o senso de direção rumo a um mundo de baixas emissões são irresistíveis. Isso pede novas parcerias com o setor de negócios, e agora eu tenho a chance de fazer isso acontecer." 

A saída do principal nome da ONU na área ambiental ocorre também em um momento em que o IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, colegiado de especialistas responsável por balizar políticas públicas para lidar com o aquecimento global , é alvo de uma série de acusações de falta de rigor científico. Mas seu coordenador, Rajendra Pachauri, afastou a possibilidade de renúncia.(Fonte: G1)