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sábado, 3 de setembro de 2011

Por uma nova engenharia


O Brasil está ficando para trás em uma área de fronteira do conhecimento, denominada "sistemas complexos", que é tão importante como a nanotecnologia e as terapias com células-tronco, nas quais o país tem investido e em que a nova área também se aplica.

O alerta é de Sérgio Mascarenhas, professor e coordenador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP). No início da década de 1970, quando foi reitor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Mascarenhas idealizou e lançou o curso de engenharia de materiais, pioneiro na América Latina.

Segundo ele, o País deve investir agora na criação da engenharia de sistemas que interagem entre si e que são de alta complexidade, como são definidos os sistemas complexos. Ou, caso contrário, poderá ficar muito atrás de países como os Estados Unidos, que lideram nas pesquisas nessa nova área que reúne física, química, biologia, educação e economia, entre outras especialidades.

Em 2008, Mascarenhas fundou no IEA de São Carlos, juntamente com o professor do Instituto de Química da USP de São Carlos Hamilton Brandão Varela de Albuquerque e a professora do Instituto de Física Yvonne Primerano Mascarenhas, um grupo de trabalho em sistemas complexos para contribuir para o desenvolvimento de pesquisas na área no País.

Por meio de uma associação com o Nobel de Química de 2007, Gerhard Ertl, premiado por suas pesquisas em sistemas complexos, e com um aluno do cientista alemão na Coreia do Sul, os pesquisadores brasileiros estabeleceram uma rede internacional de pesquisas na área conectando os três países.

Agora, a proposta de Mascarenhas é fomentar no Brasil a criação de um programa de pós-graduação em engenharia de sistemas complexos para diminuir o atraso do País nessa área.

Professor aposentado da USP, Mascarenhas contribuiu para a criação da área de pesquisa em física da matéria condensada no campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), no fim dos anos 1950; da Embrapa Instrumentação Agropecuária, no final da década seguinte, na mesma cidade, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no começo dos anos 60.

Em 2007, Mascarenhas ganhou o prêmio Conrado Wessel de Ciência Geral e, em 2002, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico.

Professor visitante de diversas universidades estrangeiras, em suas pesquisas Mascarenhas tratou de assuntos diversos, como os eletretos, corpos permanentemente polarizados que produzem um campo elétrico e que seriam utilizados mundialmente na fabricação de microfones e aparelhos telefônicos.

No início da carreira, o pesquisador se dedicou ao estudo do efeito termo-dielétrico. Mais tarde, também realizou trabalhos na área de dosimetria de radiações (processo de monitoramento de radiação emitida), o que lhe permitiu, por exemplo, medir a quantidade de radiação existente em ossos de vítimas de Hiroshima.

Recentemente, Mascarenhas desenvolveu um método minimamente invasivo para medir pressão intracraniana que recebeu apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) para ser difundido no Brasil e em toda a América Latina. O projeto foi desenvolvido com apoio do Programa Fapesp Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).

Agência Fapesp - O que é a engenharia de sistemas complexos?
Sérgio Mascarenhas - É uma engenharia de sistemas de sistemas. O que já existe é a engenharia de sistemas, que é aplicada em logística, em transporte e em sistemas construtivos, entre outras áreas. O que não existe é uma engenharia de sistemas que interagem entre si e que são complexos. O melhor exemplo de um sistema de sistemas é a internet, onde há desde pornografia até o Wikileaks e o Google.

Agência Fapesp - Em quais áreas a engenharia de sistemas complexos pode ser aplicada?
Mascarenhas - Ela se aplica não só a materiais mas em operações financeiras e no agronegócio, por exemplo, em que há uma série de problemas que influenciam a produção agrícola. Há o problema do solo, de defensivos e insumos agrícolas, de estocagem e transporte, por exemplo, para que toda a produção da região Centro-Oeste do Brasil seja exportada.

Agência Fapesp - São sistemas que envolvem muitas variáveis?
Mascarenhas - Exatamente. Todo sistema que apresenta muitas variáveis é um sistema complexo. E isso pode se agravar se a interação entre essas variáveis for não linear. Por exemplo, no agronegócio, se dobrar a produção de milho, se quadruplicar o preço do transporte do sistema logístico frente às dificuldades das estradas brasileiras, aí aparecem as chamadas não linearidades. Então, quando se tem um sistema complexo, as variáveis podem interagir não linearmente. Elas podem se multiplicar até exponencialmente.

Agência Fapesp - O que o motivou a encampar a criação no Brasil dessa nova área?
Mascarenhas - Neste ano se comemoram 40 anos da criação do curso de graduação em engenharia de materiais na UFSCar, que idealizei quando era reitor da universidade e que é um sucesso. Agora, achei que deveria propor algo mais moderno, voltado para o século 21. A engenharia de sistemas complexos é uma área nova e muito interessante e para qual não está sendo dada a devida atenção no Brasil. Se fala bastante no País em pesquisa em áreas como a nanotecnologia e células-tronco, mas não sobre a engenharia de sistemas complexos, que se aplica a todas essas áreas e na qual não estamos formando gente.

Agência Fapesp - Como essa nova engenharia poderia ser implementada no País?
Mascarenhas - A ideia seria criar um programa de pós-graduação em engenharia de sistemas para formar professores e pesquisadores nessa área. Não existe engenharia de sistemas complexos no Brasil e não há pesquisadores no país nessas áreas nem em faculdades tradicionais, como a Escola Politécnica da USP e as Faculdades de Engenharia da USP de São Carlos e da UFSCar. O que já existe no Brasil é engenharia de sistemas, mas não uma engenharia de sistemas que interagem entre si e que são de alta complexidade.

Agência Fapesp - Por que essa nova engenharia ainda não existe no Brasil?
Mascarenhas - Porque é uma área muito nova e no Brasil há uma preocupação em "tapar o buraco" de uma porção de outras engenharias, como a de materiais, de sistemas elétricos e até de meio ambiente, e se perde o futuro tratando do passado. É um atraso muito grande da engenharia brasileira ainda não atuar em sistemas complexos. Além disso, o problema dessas áreas novas é que é preciso ter bons contatos internacionais e políticas de Estado - e não de governo - para enfrentar algo que representa um risco.

Agência Fapesp - De que modo as pesquisas nessa área no Brasil poderiam ser articuladas?
Mascarenhas - Teríamos que ter uma rede. Hoje não se faz nada, se se quer ter impacto, sem falar em rede de pesquisa. Mesmo porque ainda somos tão poucos no Brasil que se não nos juntarmos em rede conseguiremos muita pouca coisa, por falta de massa crítica. Um centro de pesquisa nessa área não pode ser sediado só em São Carlos. Outras universidades também estão interessadas.

Agência Fapesp - Há algum grupo de pesquisa nessa área no Brasil?
Mascarenhas - No Instituto de Estudos Avançados da USP, em São Carlos, temos um grupo de trabalho sobre sistemas complexos. Essa é uma história interessante porque quem ganhou o prêmio Nobel de Química em 2007 foi um cientista alemão, chamado Gerhard Ertl, por suas pesquisas sobre sistemas complexos. E nós, no IEA, fizemos uma associação com o Ertl, na Alemanha, e com um aluno dele na Coreia do Sul. Então, agora temos em São Carlos uma rede de pesquisa sobre sistemas complexos integrando Berlim, São Carlos e a Coreia do Sul.

Agência Fapesp - Quais os países que lideram nas pesquisas em sistemas complexos?
Mascarenhas - O país que está na vanguarda nessa área são os Estados Unidos, com o MIT [Massachusetts Institute of Technology], com um centro que lida muito com questões bélicas. A própria guerra é um sistema complexo, porque nela há uma série de sistemas interagindo, como o de transportes, ofensivo, estratégico e de logística, para alimentar os soldados e transportar equipamentos e armamentos. Os militares lidam com sistemas de sistemas. Aliás, se olharmos para o passado, vemos que muitas aplicações de engenharia foram motivadas pelo poder bélico, como a internet, a robótica e bombas atômica e de fusão. O grande problema da humanidade hoje é criar instituições motivadoras de inovação que não sejam estimuladas apenas pela guerra militar, porque temos outras guerras para vencer. Tem a guerra da saúde, da educação, da violência urbana e muitas outras. E a engenharia de sistemas complexos pode ser aplicada para acabar com essas guerras sociais. Se o Brasil não aproveitar essa chance para ingressar nessa área, vamos ficar muito para trás em relação a outros países.

Fonte: Agência Fapesp

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Delegação brasileira embarca para China e Coreia do Sul



Representantes do MCTI e de seus institutos tratarão de acordos internacionais. Satélites, missões espaciais, nanotecnologia, biotecnologia e bolsas do Ciência sem Fronteiras estão na pauta. Uma delegação composta por representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e de seus institutos embarca para China e Coreia do Sul no sábado (20) com o objetivo de tratar de acordos internacionais.

A primeira visita será à China. Na pauta de discussão, assuntos como o lançamento do satélite CBERS 4 e a construção de novos equipamentos. Outros propostas a discutir com as autoridades chinesas são a criação de um centro Brasil-China para pesquisas meteorológicas e a construção de um satélite conjunto dos países que compõem o grupo dos Brics - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Na ocasião, a delegação será responsável também por apresentar aos chineses iniciativas de intercâmbio em mobilidade, capacitação e treinamento na área espacial, considerando o lançamento do Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) e do Programa Ciência sem Fronteiras. Para tratar do programa de bolsas, haverá encontro com representantes de universidades chinesas escolhidas para receber alunos brasileiros. Estarão em pauta, ainda, nanotecnologia e biotecnologia.

Coreia do Sul - Na sequência, a delegação brasileira segue para a Coreia do Sul. Na lista de atividades constam acordos bilaterais com diversos órgãos coreanos, além da assinatura de memorandos de entendimentos com universidades para o envio de estudantes também no âmbito do Ciência sem Fronteiras.

Participam da delegação brasileira o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped/MCTI), Carlos Nobre; o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antônio Raupp; o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilberto Câmara; o diretor do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), Fernando Galembeck; e o professor Khosrow Ghavami, do Departamento de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro.


Fonte: Agência MCTI

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Senado avança ao aprovar análise do Código Florestal na Comissão de C&T


A apreciação do texto na CCT era uma reivindicação da SBPC e da ABC.

O Senado Federal demonstra um "grande avanço" ao aprovar o requerimento propondo que a reformulação do Código Florestal seja analisada, também, pela Comissão de Ciência e Tecnologia (CC&T) da casa. A opinião é de José Antonio Aleixo da Silva, coordenador do grupo de trabalho da SBPC, que estuda as modificações sugeridas no texto do Código Florestal. De autoria do senador Ricardo Ferraço (PMDB), o documento que viabiliza essa medida foi aprovado na última quarta-feira (3). Além dessa comissão, o projeto terá de passar, ainda, pelas comissões de Constituição, Justiça e Cidadania, Meio Ambiente e Agricultura.

A apreciação do requerimento era uma reivindicação da SBPC e da Academia Brasileira de Ciências (ABC), entidades que há vários meses vêm tentando sensibilizar os parlamentares sobre a importância de se usar critérios científicos na definição da proposta. No ano passado, as duas entidades instituíram um grupo de trabalho para analisar o substitutivo do Código Florestal à luz do conhecimento científico e tecnológico. O estudo, baseado na revisão de mais de 300 artigos científicos e na consulta a dezenas de especialistas, parlamentares e representantes de entidades afins, resultou na publicação do livro "O código florestal e a ciência - Contribuições para o debate". 

Ao passar, também, pela apreciação da comissão de C&T, Aleixo avalia que, agora, o texto do Código Florestal terá condições de ter embasamento cientifico e tecnológico e de tornar-se compatível com o atual cenário da área que hoje oferece ferramentas modernas capazes de delimitar as Áreas de Preservação Permanente (APP) e as de reserva legal, por exemplo. Tais como, GPS e técnicas de imagens de radar e satélite, até então inexistentes quando o Código Florestal foi criado. 

Ferraço reconhece a importância de participarem das discussões da proposta do código entidades, como SBPC, ABC, Embrapa e Inpe, que entendem de biotecnologia e nanotecnologia. "Como não trazer para o debate entidades como essas e abrir espaço para que elas possam trazer suas contribuições para a criação de um Código Florestal que atenda o novo ambiente que estamos vivendo?", disse o senador ao Jornal da Ciência. Ele chama a atenção para a necessidade de se investir, cada vez mais, na agricultura sustentável, extraindo riquezas das florestas sem destruí-las.

Para viabilizar a aprovação do requerimento no Plenário, Ferraço disse ter sido necessário "muito diálogo e convencimento" na tentativa de estimular a compreensão de que o Brasil precisa de um novo Código Florestal capaz de prever os próximos 30 anos e atender a um conjunto de variáveis climáticas (aquecimento) e desafios que se apresentam para a agricultura.

"Temos de olhar para o para-brisa e não para o retrovisor", menciona o senador, destacando a necessidade de se trazer para a realidade o Código Florestal de 1965.

Na avaliação de Ferraço, o Senado Federal demonstrou preocupação com o futuro do País. "Ao abrir a porta e a janela para a academia científica, o Senado mostra estar preocupado com a futura geração", acrescentou o senador. O senador vai reforçar o convite às entidades, acima citadas, a partir desta segunda-feira para que elas participem das discussões e deem contribuições para o desenvolvimento do novo Código Florestal com qualidade. "Vamos analisar pontualmente cada artigo do Código Florestal", declarou.

"Nossa expectativa é de que possamos receber as contribuições da academia científica e aperfeiçoar o texto com qualidade", complementa. O senador estima que o texto seja aprovado até fim deste ano. "Temos pressa para aprová-lo, mas, também, temos de pensar na qualidade do Código Florestal", salientou.

Após intenso debate na Câmara dos Deputados, a proposta do Código Florestal começou a tramitar no Senado Federal no início deste semestre. Será avaliada pela Comissão de Justiça, onde já se encontra e deve ser distribuída nos próximos dias; depois será avaliada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e, posteriormente, pelas comissões de Agricultura e de Meio ambiente. 
Fonte: Jornal da Ciência

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Brasil quer que o Centro de Biotecnologia da Amazônia integre projeto internacional da ONU


Mercadante negocia para que o CBA faça parte do programa mundial de biodiversidade como centro de formação de profissionais.

O Brasil está negociando na Organização das Nações Unidas (ONU) a instalação de um centro internacional de formação de pesquisadores sobre biodiversidade no País, usando a plataforma do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), em desenvolvimento em Manaus. A informação foi dada ontem (3) pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, no 4º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, realizado em São Paulo.

Segundo o ministro, a ONU vai criar um programa mundial de biodiversidade, cuja sede deve ser instalada na França. A proposta do ministério é de que o CBA faça parte do programa da ONU.

"Queremos que o CBA seja a sede do processo de formação de profissionais na área de biodiversidade. Estamos negociando no âmbito da ONU para transformar o CBA num grande programa de formação, fazendo parte do programa da ONU", disse o ministro. Segundo ele, as negociações estão em processo avançado.

Criado no governo Fernando Henrique Cardoso, o centro, que ainda não saiu do papel, foi destacado ontem por empresários como um fator importante para a economia brasileira.

Centro de pesquisas em nanotecnologia - Mercadante informou ainda que o governo abrirá um centro de pesquisas em nanotecnologia em Campinas, em parceria com a Academia de Ciências da China. Ele conversou ontem com o presidente da entidade chinesa, Chunli Bai que também participou do evento.

Segundo o ministro, serão investidos R$ 10 milhões no desenvolvimento do centro de pesquisas que deve realizar pesquisas em biotecnologia, energia limpa e pesquisas espaciais, dentre outras. A unidade deverá ser instalada próxima ao Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. Os recursos serão aplicados pelas duas partes.

Trata-se de um acordo de cooperação a ser formalizado até o fim deste mês na China. O acordo envolverá, segundo o ministro, 200 estudantes de doutorado e de pós-doutorado.

Mercadante acrescentou que outros acordos de entendimento serão assinados com a Academia de Ciências da China. Entre eles, cooperação nas áreas de ciências da computação, ciências espaciais e energia eólica; e ações em áreas de desastres naturais, sobretudo para evitar os desmoronamentos que respondem por 11% dos desastres naturais do Brasil.

Embrapii - O ministro informou ainda que o acordo assinado ontem com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para o desenvolvimento da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) contará com a cooperação com a alemã Associação Fraunhofer, cujo nome faz uma homenagem ao cientista, engenheiro e empresário Joseph Von Fraunhofer.

A Embrapii é desenhada à imagem e semelhança da Embrapa, que tem assegurado "o êxito" do agronegócio brasileiro. Segundo o ministro, a gestão da nova empresa, que atenderá as demandas da indústria brasileira pela inovação, obedecerá aos critérios da associação alemã no que se refere à metodologia e conhecimento de avaliação dos centros.

Segundo o presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), João Fernando Gomes de Oliveira, o acordo assinado ontem estabelece a criação de um comitê, que deve gerir a Embrapii, liderado pelas Sects: secretarias de Ciência e Tecnologia.

O projeto piloto da Embrapii, uma parceria público-privada, nasce com a integração de centros de três estados: o IPT, em São Paulo (USP), o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), do Rio de Janeiro; e os três centros do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), da Bahia, que atuam nas áreas de petróleo, automação e manufatura. A ideia é de que a empresa conte com a integração de cerca de 30 centros nos próximos dois anos. Cada instituto deve estabelecer a vocação setorial de cada região.

Segundo Mercadante, o governo já dispõe de R$ 30 milhões para serem aplicados na Embrapii no próximo ano, quando deve começar a operar. Conforme o presidente do IPT, os centros também devem injetar recursos na Embrapii, por intermédio de parcerias com empresas que encomendarem pesquisas. O IPT já dispõe de uma carteira de 20 projetos de inovação para serem apresentados à nova empresa.

Sibratec - A ideia é de que a Embrapii venha complementar o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec), um instrumento de articulação e aproximação da comunidade científica e tecnológica com as empresas. Segundo o diretor do INT, Domingos Manfredi Naveiro, o projeto será uma conexão para melhorar a relação entre universidade e empresa.

Para o presidente do IPT, a criação da Embrapii ajudará a acelerar os projetos de inovação no País. "Será um sistema muito inteligente porque será fomentando pela capacidade de desempenho (dos projetos de inovação)", explicou. Segundo ele, hoje um projeto de inovação demora até cinco anos para a obtenção de um parecer. "Agora o desempenho será anual". (Viviane Monteiro)

Fonte: Jornal da Ciência

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ministério da Ciência e Tecnologia lança o programa Ciência sem Fronteiras


O anúncio foi feito pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, nesta terça-feira (26), durante a 38ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Durante exposição sobre o cenário econômico mundial apresentada na 38ª Reunião Ordinária do Pleno do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Salão Nobre do Palácio do Planalto, nesta terça-feira (26), o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, apresentou oficialmente o novo programa do Governo Federal - Ciência sem Fronteiras. "Digo que o principal objetivo do programa é aumentar a quantidade de estudantes e pesquisadores nas melhores universidades do mundo, em especial das áreas de engenharias, ciências básicas e tecnológicas", explicou o ministro. A cerimônia contou com a participação da presidente da República, Dilma Rousseff.

Ciência sem Fronteiras - O programa vai custear 100 mil bolsas de intercâmbio nas principais universidades do exterior para estudantes, desde o nível médio ao pós-doutorado. A iniciativa tem como objetivos avançar na ciência, tecnologia, inovação e competitividade industrial por meio da expansão da mobilidade internacional; aumentar a presença de estudantes e pesquisadores brasileiros em instituições de excelência no exterior; promover maior internacionalização das universidades brasileiras; aumentar o conhecimento inovador do pessoal das indústrias brasileiras; e atrair jovens talentos e pesquisadores altamente qualificados para trabalhar no Brasil.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) vai conceder 40 mil bolsas até 2014 com investimentos na ordem de R$ 1.731.424.647. Já o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) concederá, no período, 35 mil bolsas, com investimento de R$ 1.429.441.973. As outras 25 mil bolsas serão concedidas por meio de articulação com o setor privado.

Áreas estratégicas - De acordo com dados apresentados pelo ministro, mesmo o País tendo triplicado o número de graduados, chegando a 1 milhão em 2010, as engenharias não acompanharam o crescimento. "A Coréia possui um engenheiro para cada quatro formados. O Brasil possui um engenheiro para cada 50", exemplificou.

As áreas estratégicas estabelecidas pelo programa são:

- Engenharias e demais áreas tecnológicas;
- Ciências Exatas e da Terra: Física, Química e Geociências;
- Biologia, Ciências Biomédicas e da Saúde;
- Computação e tecnologias da informação;
- Tecnologia Aeroespacial;
- Fármacos;
- Produção Agrícola Sustentável;
- Petróleo, Gás e Carvão Mineral;
- Energias Renováveis;
- Tecnologia Mineral;
- Tecnologia Nuclear;
- Biotecnologia;
- Nanotecnologia e novos materiais;
- Tecnologia de prevenção e migração de desastres naturais;
- Tecnologias de transição para a economia verde;
- Biodiversidade e Bioprospecção;
- Ciências do Mar;
- Indústria Criativa;
- Formação de Tecnólogos.

Mercadante reforçou a necessidade de investimento em áreas prioritárias e destacou o fato de a concessão de bolsas no exterior pelas instituições federais para estudantes das áreas de humanas ter crescido 66% no período de 2001 a 2009. Para as engenharias, o crescimento foi de apenas 1%. "A Capes e o CNPq vão continuar cobrindo todas as áreas do conhecimento, mas este programa é voltado para darmos um salto tecnológico."

A presidente da República, Dilma Rousseff, disse que o novo programa é destinado a resolver gargalos do crescimento do País nos últimos oito anos. "Não vamos formar 75 mil cientistas individuais, mas sim a base do pensamento educacional do País."

Fonte: Ascom da Capes

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Finep disponibiliza até R$ 15 milhões para projetos em nanotecnologia

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT) abre seleção pública de propostas para apoio a atividades de pesquisa e desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores em nanotecnologia empreendidos em cooperação entre instituições científicas e tecnológicas (ICTs) e empresas. O edital 05/2009 tem recursos não reembolsáveis de até R 15 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT/Fundos Setoriais).

Do total de recursos disponibilizados, 30% serão aplicados em projetos cuja Instituição Executora esteja localizada nas regiões Norte, Nordeste ou Centro-Oeste, e, no mínimo, 20% dos recursos do FNDCT devem ser destinados a projetos que envolvam, exclusivamente, micro e pequenas empresas (MPEs). O resultado final da chamada pública sai no dia 28 de junho.

Os interessados em submeter às propostas, que tem o prazo até 23 de março de 2010, devem postar seus currículos atualizados na Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT). As propostas devem explicitar a relevância do projeto, com indicação de seu caráter incremental sob o ponto de vista de inovação tecnológica no mercado em que se insere; identificar o produto, processo ou serviço que se pretende desenvolver ou aprimorar; caracterizar a efetividade da cooperação entre a(s) empresa(s), demandante(s) de inovação, e o(s) grupo(s) de pesquisa envolvido(s), devendo haver a participação técnica e o aporte de recursos financeiros de, pelo menos, uma empresa no projeto a ser desenvolvido; descrever a metodologia, o planejamento e os procedimentos a serem adotados para a execução do projeto.