quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Confira as propostas dos candidatos à Presidência para ciência e tecnologia

As promessas priorizam a revitalização do sistema existente em órgãos como o MCTI e a revisão de regulamentações sobre o setor
Apenas quatro dos 11 candidatos à Presidência da República apresentaram propostas de estímulo à área de pesquisa e inovação nos programas de governo entregues à Justiça Eleitoral. Eles reconhecem a importância do setor para a competitividade produtiva do país, e as promessas priorizam a revitalização do sistema existente em órgãos como o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e a revisão de regulamentações sobre o setor.

Confira as propostas dos candidatos à Presidência para ciência e tecnologia:
Aécio Neves (PSDB) promete apoio para que universidades públicas e instituições de pesquisa invistam mais na infraestrutura de pesquisa e defende o ensino da tecnologia associado à resolução de problemas sociais e a uma atitude empreendedora. O tucano quer estruturar um Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia & Inovação e revitalizar o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, como órgão colegiado, com representação nacional. Segundo ele, é preciso articular políticas de educação e ciência, tecnologia e inovação e criar um programa nacional para formação de pesquisadores. Para Aécio, a pesquisa brasileira precisa alcançar padrões internacionais para impulsionar a economia, diversificando as atividades e agregando valor. Ele garante que vai estabelecer um programa para internacionalização da ciência brasileira, envolvendo intercâmbio de pesquisadores e atração de cientistas internacionais, e criar uma estratégia para incentivar a pesquisa e a inovação nas empresas públicas e privadas. Outras promessas do candidato são apoiar incubadoras de empresas em articulação com as universidades, estimular a pesquisas de extensão voltadas para a agricultura familiar e apoiar a Embrapa na pesquisa em agroecologia.
Dilma Rousseff (PT) defende a inovação como uma das ferramentas para aumentar a competitividade produtiva do país. A candidata à reeleição promete implantar plataformas do conhecimento como uma das estratégias para acelerar a geração de inovação a partir da interação entre cientistas, instituições de pesquisa e empresas. Segundo ela, isso permitirá acelerar a produção de conhecimento e sua transformação em produtos e processos inovadores “fundamental para o crescimento de competitividade de nossa economia”. Dilma também se compromete a adotar políticas industrial, científica, tecnológica e agrícola para reduzir os custos de investimento e produção, a partir dos estímulos a inovação que reduzam custos logísticos e melhorem o ambiente de negócios do país.
Eduardo Jorge (PV) não tem propostas específicas sobre o tema.
Eymael (PSDC) defende um plano nacional de apoio à pesquisa “tanto em seu aspecto de investigação pura, como no campo da pesquisa aplicada.”
Levy Fidelix (PRTB) não apresenta propostas.
Luciana Genro (PSOL) não apresenta propostas sobre o tema.
Marina Silva (PSB) garante que vai ampliar os investimentos públicos e estimular os investimentos de empresas em pesquisa e desenvolvimento. Segundo ela, o investimento total deve representar cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), se aproximando do padrão dos países líderes mundiais. A ex-senadora também afirma que vai aumentar o orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e fazer com que o Fundo Setorial do Petróleo volte a ser alocado no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e não seja contingenciado. Marina quer recuperar programas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e de agências de apoio à pesquisa básica, aperfeiçoar o Programa Ciência sem Fronteiras e criar um programa de atração de talentos com foco nos pesquisadores mais jovens. O rol de promessas da candidata também inclui o estímulo para que estados e municípios invistam em inovaçao e para a criação de parques científicos e tecnológicos que atraiam investimentos privados nacionais e internacionais. Outra medida apresentada é a revisão da Lei de Inovação para dar segurança jurídica e solucionar contradições legais existentes no texto.
Mauro Iasi (PCB), Pastor Everaldo (PSC), Rui Pimenta (PCO) e Zé Maria (PSTU) não apresentaram propostas.

(Carolina Gonçalves / Agência Brasil)

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Tempestade solar atinge a Terra na próxima semana

Especialistas temem que sinais GPS, comunicações por rádio e transmissões de energia possam ser interrompidos
Uma rara explosão dupla de tempestades solares magneticamente carregadas atingirá a Terra na noite de quinta (18) e sexta-feira (19). Segundo especialistas da área de monitoramento do clima espacial, existe a preocupação de que sinais GPS, comunicações por rádio e transmissões de energia possam ser interrompidos.
Individualmente, as tempestades, conhecidas como ejeções de massa coronal, ou CMEs, não justificariam advertências especiais, mas o curto intervalo atípico e sua rota direta para a Terra levou o Centro de Previsão Climática, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) a emitir o alerta.
O primeiro CME, que explodiu a partir de uma região magneticamente conturbada do Sol na segunda-feira (8) à noite, deve chegar a Terra na noite de quinta, informou o diretor do centro Thomas Berger. As partículas de plasma magnetizado e energizado viajam em direção a Terra a uma velocidade média de 4 milhões de quilômetros por hora.
A mesma região da superfície solar produziu uma segunda tempestade mais poderosa na quarta-feira (10). “Não esperamos quaisquer impactos incontroláveis em função dos eventos solares, neste momento, mas estamos acompanhando de perto esses eventos”, diz Berger.

Periodicidade – Atualmente o Sol está no pico de seu ciclo de onze anos, embora o nível global de atividade esteja muito menor do que o típico para um pico solar. Tempestades tão poderosas como as de agora, que estão fazendo o seu caminho para a Terra, normalmente ocorrem entre 100 e 200 vezes durante um ciclo solar, conta Berger.
“O fato único sobre este evento é que tivemos dois em rápida sucessão e as CMEs poderiam estar interagindo em seu caminho para a Terra, na órbita da Terra ou além. Simplesmente não sabemos ainda”, diz o especialista.
As partículas solares altamente energéticas e magneticamente carregadas podem atingir o campo magnético da Terra e interromper algumas comunicações de rádio e degradar os sinais de GPS. O fenômeno também tem o potencial de afetar as redes de energia do campo elétrico nas latitudes norte, que são mais suscetíveis a perturbações geomagnéticas.
No lado positivo, as tempestades devem provocar belas auroras, sempre visíveis quando o céu estiver limpo. As auroras são causadas por partículas solares eletricamente carregadas que atingem o oxigênio, nitrogênio e outros gases na alta atmosfera, criando cortinas de luz acima dos polos magnéticos norte e sul do planeta.
(AEB, via  Nasa/Noaa)

Começa o cadastro de ações individuais para a SNCT 2014

O procedimento é uma das novidades da 11ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
Os organizadores das ações para a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) 2014 já podem registrar as atividades previstas para a edição deste ano, por meio da segunda etapa do processo de cadastramento. A primeira fase terminou em 10 de setembro, com o envio das informações dos grandes eventos e eventos programados.
Agora os registros são direcionados às iniciativas individualizadas e serão feitos no próprio site da semana. Com isso, as pessoas poderão conferir a programação no portal, onde também é possível ler notícias e outras curiosidades sobre o mundo da ciência, além de obter informações sobre a SNCT e o contato das coordenações estaduais.
Segundo o coordenador nacional da SNCT, Douglas Falcão, o cadastramento em duas etapas trará uma dimensão mais exata da abrangência da semana em todo o país, a partir da constatação, em edições anteriores, de que grandes eventos vinham sendo contabilizados como uma única atividade.
“As pessoas e que cadastraram essas ações e as instituições que irão participar dessas inciativas poderão registrar suas atividades, mas ainda vamos receber o cadastramento dos grandes eventos e eventos”, esclarece Falcão.
Assim, os organizadores que não fizeram o registro na primeira etapa podem obter a ficha no próprio portal, que deve ser preenchida e enviada para o endereço: semanact@mcti.gov.br.
Na primeira etapa, foram registrados 180 grandes eventos e 500 eventos, entre eles, semanas municipais e estaduais de Ciência e Tecnologia, semanas universitárias, feiras, seminários, ciclo de palestras e mesas redondas.
Embora algumas atividades ocorram em datas diferentes, o período oficial da 11ª SNCT será de 13 a 19 de outubro e terá como temática “Ciência e tecnologia para o desenvolvimento social”.
A proposta é estimular as instituições a abordarem a ciência e a tecnologia na dimensão social, como instrumento de inclusão, transformação social e desenvolvimento humano. A coordenação nacional é do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (Secis).
(MCTI)

Seis décadas dedicadas ao estudo de doenças nos trópicos

SBMT entrevista um dos principais contribuintes nos estudos de patologias como esquistossomose, Chagas e calazar
O principal homenageado na abertura do 50º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MEDTROP 2014), que ocorreu no final de agosto em Rio Branco (AC), foi um dos maiores contribuintes na área de patologia no Brasil, doutor Zilton de Araújo Andrade, que estudou doenças como esquistossomose, Chagas e calazar (leishmaniose visceral). Ele foi o vencedor do Prêmio Pesquisador Sênior da SBMT – uma honraria, aliás, que ele faz questão de dividir com outra grande cientista brasileira, a sua esposa doutora Sônia Gomes Andrade, com quem trabalha em pesquisas há seis décadas. Aliás, esta entrevista conta com a participação de ambos, devidamente creditados nas respostas. Ainda hoje, aos 90 anos, o Dr. Zilton contribui na formação de alunos e professores.
Ao longo de sua carreira, foi ainda autor de 34 capítulos de livros, 14 dos quais publicados no exterior e editor de quatro livros publicados no Brasil. Seus numerosos trabalhos científicos resultaram em conceitos que norteiam o conhecimento de moléstias tropicais de grande relevância para o País. Destacam-se as questões referentes à progressão e regressão da fibrose hepática e da angiogênese, inicialmente estudadas na esquistossomose mansônica e atualmente aplicadas a outras entidades nosológicas.

SBMT: Nesses 64 anos de trabalho acadêmico, quais foram as principais contribuições dadas à ciência?
Dr. Zilton: Sempre foi na área de doenças tropicais. No Hospital Edgar Santos, em que trabalhei, via casos de indivíduos com mielorradiculopatia esquistossomótica, que é uma forma grave da esquistossomose (infecção causada pelo S. mansoni e que afeta muitos indivíduos no Nordeste brasileiro. Isso me chamava a atenção porque era uma doença muito disseminada no estado da Bahia. As formas graves, felizmente eram relativamente raras. O meu interesse pela doença me fez ganhar uma bolsa de estudos para passar um ano, em 1961, no Mount Sinai Hospital (New York City, USA), onde trabalhei durante um ano sob a orientação do famoso hepatologista Dr. Hans Popper. Aí pude fazer uma investigação quanto à patologia do fígado, principal órgão afetado pela esquistossomose  de Manson, o que me possibilitou os estudos, sobretudo das alterações vasculares que a enfermidade causa no órgão. Outra enfermidade parasitária que me chamou muito a atenção foi a doença de Chagas, devido à sua alta frequência entre os casos de autópsias no Hospital Universitário. Estes casos foram minuciosamente estudados na sua patologia trazendo importantes informações sobre esta doença. Este trabalho foi feito em colaboração com a minha esposa Sonia G. Andrade em um dos primeiros números no boletim da Fundação Gonçalo Moniz – instituição que hoje faz parte da Fundação Oswaldo Cruz.

SBMT: Quais foram as linhas de pesquisa quanto à doença de Chagas?
Dr. Zilton: A sistematização das lesões que ocorriam nos indivíduos infectados, o que já havia sido estudado por Carlos Chagas. Mas houve a possibilidade de esclarecer e acrescentar novos dados a antigos problemas. Esses trabalhos foram em auxílio ao grande conhecimento que já vinha se formando sobre a patologia da doença de Chagas.
Drª. Sônia: Acrescentaria ao que você disse o fato de que esses casos humanos foram estudados em pacientes internados em um Hospital Universitário com todas as manifestações clínicas bem estudadas e registradas, com informações sobre se os pacientes tinham sido tratados ou não. Ou seja, uma grande contribuição no sentido de interpretar a doença e de sua evolução, até o óbito. Ou nos casos cirúrgicos, se poderia também interpretar lesões que não levavam à morte, mas a cirurgia mostrava a patologia que estava ali envolvida, o porquê da pessoa estar doente. Muita gente pensa que essa é só doença do coração, mas na realidade ela afeta outros importantes setores do organismo, como o tubo digestivo (megas) e o tecido nervoso central e periférico.

SBMT: Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
Dr. Zilton: Foi quando trabalhávamos no Hospital das Clínicas da Universidade Federal da Bahia e estudávamos esses casos em mesas de autópsia. Fazíamos sessões anátomo-clínicas com os estudantes, discutíamos muitos aspectos e tivemos a oportunidade de contribuir para esclarecer vários assuntos, acentuar os conhecimentos de outros temas relativos à patogenia e às lesões causadas nos órgãos por doenças, como calazar, doença de Chagas e esquistossomose.

SBMT: Qual foi a sua linha de trabalho em relação ao calazar?
Dr. Zilton: Foi um período onde ocorreram descobertas de muitos casos clínicos de uma hora para a outra. Era uma doença a qual, na época, ninguém se referia – era coisa do passado. Sabia-se que existia, mas em locais como a Grécia, a Itália e a Síria. Mas os registros apareceram e foi identificada uma patologia importante para os brasileiros. Então várias pessoas começaram a se dedicar ao problema. Gostaria de acrescentar que o pioneiro destes estudos na época foi o doutor Aluizio Prata, que começou a estudar essa doença na Bahia com a colaboração de outros cientistas. Ele me dizia: “Tem que estudar o calazar, é importante também”. E foi aí que comecei a me interessar pelo tema. O Dr. Prata me estimulou para que eu fizesse uma Tese de Livre Docência diretamente sobre os estudos que fizemos relacionados com o calazar. A contribuição brasileira foi muito grande, pois ocorreu em uma época em que muitos estudos sobre essa enfermidade foram publicados por diferentes pesquisadores brasileiros.

SBMT: Atualmente, o que o senhor acha que precisa melhorar nos estudos das doenças tropicais?
Dr. Zilton: Os brasileiros têm produzido pesquisas muito interessantes sobre essas enfermidades. Há um estímulo geral e acho que os avanços agora dependem das ações de governo, para tomar medidas preventivas a partir da base científica produzida pelos pioneiros. Base essa que hoje permite aos patologistas e parasitologistas fazerem estudos para ter excelente material de discussão com os seus alunos.

SBMT: Mesmo aposentado, o senhor continua atuante no meio científico?
Dr. Zilton: O meu papel principal hoje está na formação de professores e de pesquisadores por meio de cursos de pós-graduação. Hoje em dia, essas atividades são desenvolvidas em um ritmo muito menor, mas ainda são bem estimulantes para mim.
(Ascom SBMT)

Uso de energia solar na irrigação pode ter prioridade em lei

Projeto de lei é apresentado no Senado e propõe alteração em duas outras leis
O incentivo à sustentabilidade nas atividades de irrigação é o principal objetivo de projeto de lei apresentado pelo senador Fleury (DEM-GO). O PLS 268/2014 altera duas leis para tratar do uso sustentável de equipamentos de irrigação e para incentivar a pesquisa sobre o uso de fontes de energia alternativas nessa atividade.
Uma das alterações propostas pelo senador é na Lei 8.171/1991, que trata da política agrícola, para determinar que, na política de irrigação e drenagem, seja priorizado o uso sustentável dos equipamentos de irrigação. O objetivo é compatibilizar a atividade agrícola com a preservação do meio ambiente.
As outras alterações são na Lei 12.787/2013, que trata da Política Nacional de Irrigação. O projeto estabelece que será priorizado o desenvolvimento de pesquisas para incentivar fontes alternativas de energia na irrigação, como a energia solar fotovoltaica.
Para o senador, o desenvolvimento das pesquisas e de sistemas alimentados com esse tipo de energia pode trazer benefícios para a agricultura, dado o grande potencial e o baixo impacto ao meio ambiente.
“A matriz fotovoltaica apresenta vantagens comparativas que devem ser consideradas pelo poder público ”, afirma o senador.
O texto deve ser analisado pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).
(Agência Senado)

Senadores querem aprimorar o Programa Mais Médicos

Objetivo é melhorar o desempenho e tornar mais transparentes os gastos e a execução das ações do programa
Os senadores querem melhorar o desempenho e tornar mais transparentes os gastos e a execução das ações do Programa Mais Médicos. Para isso, estão analisando propostas que alteram a Lei nº 12.871/2013.
O Mais Médicos é apontado pelo governo federal como parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). O programa prevê mais investimentos em infraestrutura de hospitais e unidades de saúde e busca levar mais médicos para regiões onde há escassez de profissionais. A grande maioria dos profissionais é de estrangeiros, principalmente cubanos. O projeto prevê também a expansão do número de vagas nos cursos de residência médica e graduação em Medicina, além do aprimoramento da formação médica no Brasil.
Transparência
Uma das propostas que tratam do Mais Médicos foi apresentada pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) com o objetivo de dar mais transparência ao programa (PLS 266/2014). O texto estabelece a obrigação de, a cada seis meses, ser enviado um relatório para o Conselho Regional de Medicina (CRM) de cada estado com o número do registro único dos médicos intercambistas participantes e o nome e a inscrição no CRM do supervisor e dos tutores acadêmicos.
Na justificativa do projeto, o autor diz que os médicos estrangeiros estão submetidos a regime diferenciado que os isenta de registro nos CRMs, mas lembra a competência dos conselhos para fiscalizar a atuação dos profissionais do programa. Vital ainda lamenta que o Ministério da Saúde venha se recusando a fornecer informações para os CRMs, o que obriga essas autarquias a entrarem com ação judicial para assegurar a fiscalização.
Para o senador, na queda de braço entre o Ministério da Saúde e a categoria médica só há um perdedor: a população assistida pelo Mais Médicos. Criar obstáculos à atividade fiscalizadora dos CRMs, argumenta Vital, em nada contribui para a melhoria da assistência médica prestada à população carente. A ideia, de acordo com o parlamentar, também é colaborar com a qualidade do serviço prestado à população.
A proposta está em análise na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde aguarda o recebimento de emendas. Se aprovada, poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados, se não for apresentado recurso para votação em Plenário.
Diagnóstico
Logo após as eleições de outubro, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) deve criar um grupo de trabalho para visitar instalações e elaborar um diagnóstico sobre o Programa Mais Médicos.
Um dos objetivos, segundo o autor da iniciativa, senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), é “sugerir medidas capazes de solucionar, de uma vez por todas, o problema da falta de médicos no país”, justamente o que motivou o governo a criar o programa.
Em discurso no início de setembro, Mozarildo comentou as críticas publicadas na imprensa ao Mais Médicos e afirmou que o Senado deve investigar a situação e formular suas próprias conclusões. O senador informou que já enviou ofício ao Ministério da Saúde, às secretarias estaduais de saúde e aos conselhos de medicina, pedindo informações sobre o andamento do programa.
Ele quer saber, por exemplo, que tipo de formação tiveram os médicos cubanos que atuam no país. Mozarildo Cavalcanti pondera ainda que não basta criticar o programa, mas que o ideal é apontar possíveis soluções.
(Agência Senado)