quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Nova espécie de macaco com nariz arrebitado é descoberta em Mianmar


Uma nova espécie de macaco com o nariz arrebitado foi encontrada no nordeste de Mianmar (antiga Birmânia), na Ásia. As narinas do animal são voltadas para cima, portanto, quando chove, a água entra pelas cavidades, fazendo com que o macaco espirre.

Há outras espécies com esse tipo de nariz, mas são bastante raras. Para os especialistas, a descoberta de uma nova espécie de primata é algo excepcional e demonstra a grande biodiversidade de Mianmar - uma riqueza que precisa ser protegida, eles enfatizam.

A nova espécie foi descrita em um artigo divulgado na publicação especializada American Journal of Primatology.

Barba e pelos nas orelhas

Cientistas fazendo pesquisas na área identificaram o chamado macaco a partir de pele e crânios recebidos de caçadores locais, que haviam relatado a existência de uma espécie que não se encaixava nas descrições existentes.

Depois, uma população pequena, estimada entre 260 e 330 indivíduos, foi localizada no Estado de Kachin, no norte de Mianmar. Os animais são pretos e têm tufos de pelo branco saindo das orelhas. Eles também têm barba no queixo, lábios carnudos e uma cauda longa, com comprimento de em torno de 140% o tamanho de seu corpo.

A espécie está separada do habitat de outra espécie de macaco de nariz arrebitado pelos Rios Mekong e Salween. Uma equipe de primatologistas de Mianmar e outros países identificou formalmente a nova espécie, cujo nome científico é Rhinopithecus strykeri.

O biólogo Frank Momberg, um dos diretores da ONG Fauna & Flora International (FFI), que trabalha pela preservação de plantas e animais, participou da expedição que descobriu a espécie. Para população local, macaco tem ''rosto virado para cima''

"É absolutamente excepcional descobrir uma nova espécie de primata e, especialmente, descobrir uma nova espécie de macaco de nariz arrebitado é algo muito raro", disse Momberg à BBC.

"Com o novo macaco de nariz arrebitado, Mianmar tem agora 15 espécies de primatas, o que enfatiza a importância do país para a preservação da biodiversidade". Na vizinhança da região habitada pela nova espécie vivem os macacos Yunnan (R. bieti), que também têm o nariz arrebitado.

Segundo os especialistas, o fato de que os novos primatas estão isolados do outro grupo é uma indicação de que se trata de uma outra espécie e não uma espécie já identificada que tem apenas uma cor diferente.

''Mey nwoah''

Entrevistas com a população local revelaram que, embora cientistas desconhecessem a espécie, os moradores da área já sabiam da existência do animal, que é conhecido como mey nwoah, ou "macaco com o rosto virado para cima".

Segundo relatos de caçadores, é particularmente fácil identificar os macacos quando chove: eles espirram alto quando a água da chuva cai em suas narinas e tendem a ser vistos com a cabeça entre os joelhos.

Todas as espécies de macacos de nariz arrebitado são consideradas seriamente ameaçadas de extinção, incluindo o impressionante macaco de rosto azul R. roxellana.

A caça e a destruição do habitat desses animais são os fatores que mais ameaçam as populações de animais no mundo. A ONG Fauna & Flora International já iniciou campanhas envolvendo a população da área e a indústria madeireira para que o habitat da nova espécie seja protegido.

"Se pudermos convencer a população da área a parar de caçar o macaco de nariz arrebitado, por meio da criação de um sentimento de orgulho local, desenvolvendo patrulhas comunitárias e monitoramento, e oferecendo fontes alternativas de sustento para comunidades que dependem da floresta, poderemos salvar (a nova espécie) da extinção", disse Momberg.

Fonte: Terra

China anuncia computador mais rápido do mundo

Tianhe-1, instalado no Centro Nacional de Supercomputação da China, em Tianjin, ultrapassa máquina norte-americana e acirra disputa por hegemonia mundial no desenvolvimento de supercomputadores.

Uma conferência nesta quinta-feira, dia 28, dará demonstrações do novo computador chinês, desenvolvido pela Universidade Nacional de Defesa Tecnológica da China. A condição de supercomputador mais rápido do mundo, no entanto, foi confirmada também por fontes norte-americanas.

Jack Dongarra, cientista da computação da Universidade do Tennessee responsável pelo ranking mundial dos 500 computadores mais rápidos do mundo, afirmou ao jornal "The New York Times" que o novo computador "detona o atual número um". O ranking é semestral e a próxima atualização será fechada em novembro.

O Tianhe-1, que significa Via Láctea, segundo a agência de notícias Xinhua, tem capacidade de fazer 2.507 trilhões de cálculos por segundo. Isso equivale a uma velocidade teórica de 4,7 petaflops por segundo (um petaflop é igual a mil trilhões de cálculos), ainda segundo a agência estatal chinesa.

De acordo com a Xinhua, o atual supercomputador mais rápido do mundo, o Jaguar, sediado no Laboratório Nacional de Oak Ridge, no Tennessee, tem velocidade de 1,75 petaflops por segundo. O "New York Times" calculou que o Tianhe-1 tem 1,4 vez a potência (medida em "hp") do Jaguar.

Nesta quarta-feira, dia 27, a fabricante norte-americana de chips Nvidia já havia anunciado o uso de seus componentes no novo supercomputador mais rápido do mundo. O Tianhe-1 usa também componentes de outra empresa norte-americana, a Intel, principal fabricante de chips do mundo, e processadores FeiTeng-1000, desenvolvidos na China.

O componente tecnológico chinês no desenvolvimento do supercomputador está, porém, na tecnologia de redes e interconexão. Supercomputadores são formados pela ligação de milhares e milhares de chips e os pesquisadores chineses conseguiram montar uma conexão mais rápida entre eles.

"Essa tecnologia foi construída por eles [os chineses]. Eles estão levando a supercomputação muito a sério e assumindo um compromisso profundo", afirmou o pesquisador Jack Dongarra ao "New York Times".

Acesse a reportagem do "New York Times" em:  
http://www.nytimes.com/2010/10/28/technology/28compute.html?_r=1&hp

A notícia da agência Xinhua está disponível em:
http://news.xinhuanet.com/english2010/china/2010-10/28/c_13580129.htm

(Com informações do "New York Times" e das agências Xinhua e Reuters)

Conexão entre clima e biodiversidade, artigo de Izabella Teixeira e Caroline Spelman

Izabella Teixeira é ministra do Meio Ambiente do Brasil. Caroline Spelman é ministra de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido. Artigo publicado em "O Globo":

Ecossistemas saudáveis e um clima estável são críticos para o bem-estar e o desenvolvimento humano, mas ambos estão severamente ameaçados.

Ao passo que florestas, savanas e campos foram convertidos em cidades e fazendas, que rios foram represados para irrigar campos, e que novas tecnologias forneceram energia para produzir e consumir coisas que gerações anteriores mal podiam ter imaginado, melhoramos a vida de bilhões de pessoas. No entanto, essas mudanças recentes nos sistemas naturais custaram muito aos complexos sistemas de apoio à vida no nosso frágil mundo.

Embora muitos se sintam distantes da natureza, a perda de biodiversidade é uma ameaça imediata à saúde, à subsistência e à nossa economia. Nossa pesca depende de um oceano saudável.

Nossa agricultura depende do material genético que alimenta sementes e animais, dos micro-organismos que fornecem um solo fértil e da água que irriga colheitas. Mesmo com a invenção de materiais sintéticos, árvores nos fornecem madeira e papel, fibras vegetais e animais nos dão roupas para vestir, e incontáveis organismos, muitas vezes irreconhecíveis à primeira vista, provêem-nos com medicamentos. A biodiversidade é a base de nossa riqueza e a raiz de nossa cultura. É o sistema de apoio à vida da Terra.

A biodiversidade também é vital para o nosso clima. Florestas e savanas são fundamentais para a manutenção dos padrões de clima estável com o qual estamos acostumados, armazenando vastas quantidades de carbono e gerando chuva para nossos cultivos.

Mangues e pântanos tornam-nos mais resistentes a eventos extremos, reduzindo a erosão costeira e as inundações e mantendo o fluxo e a qualidade da água. É a rica variedade de vida vegetal e animal, terrestre e aquática, que ajudará a adaptarmo-nos ao clima incerto do futuro. Em sentido oposto, uma maior degradação dos sistemas naturais pode acelerar o aquecimento global, que, por sua vez, vai colocar em risco o que estamos tentando proteger.

Juntas, as alterações climáticas e a degradação ambiental estão reduzindo a resiliência dos ecossistemas e diminuindo a variedade de espécies e sua capacidade de adaptação.

Um clima estável e ecossistemas saudáveis são componentes vitais para o desenvolvimento. Se não entendermos a interdependência entre clima e biodiversidade, e se não desenvolvermos meios de trabalhar de maneira integrada nessas questões, pode tornar-se muito mais difícil atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e livrar o mundo da fome, da pobreza extrema e de doenças que poderiam ser prevenidas, bem como evitar mudanças abruptas nos sistemas de apoio à vida do planeta, que não discriminam em função de renda.

Proteger e melhorar o bem-estar e o desenvolvimento futuros requer uma reavaliação sobre como usamos, valoramos e protegemos nosso capital natural e sobre como estruturamos nossas economias. Reconhecer o verdadeiro valor da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos, e levá-lo em consideração quando de nossas decisões econômicas, poderia ajudar a orientar governos, empresas e a sociedade no sentido de um crescimento mais verde.

As soluções não serão simples nem fáceis, mas podemos e devemos procurá-las e colocá-las em prática.

Um mecanismo de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) poderia ser uma solução. Cuidadosamente projetado, o REDD tem o potencial para reduzir as emissões, e salvaguardar a biodiversidade de nossas florestas e de nossas savanas e as condições de vida das pessoas que delas dependem. O estudo Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (TEEB) estima que a perda de ecossistemas causada pelo desmatamento global equivale entre dois e cinco trilhões de dólares por ano.

Para empresas, diminuir o uso de água e energia ou reciclar resíduos pode trazer benefícios de longo prazo em seus balanços de custos e de lucros, e à sociedade como um todo. Empresas preparadas para abrir caminho a novas tecnologias estão prontas para antecipar mudanças nas políticas públicas e para aproveitar novas oportunidades.

Em última análise, todos nós - governo, empresas e sociedade civil - temos interesse em reconstruir o estoque de capital natural: ele está no cerne do modelo de negócios.

Esta semana, 192 países estão reunidos na 10ª Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica em Nagoia, Japão, para discutir algumas dessas questões. Acreditamos decididamente que, ao identificar e agir sobre as relações entre o clima e a biodiversidade, poderemos proteger nosso precioso capital natural, ao mesmo tempo em que promovemos ações de adaptação e mitigação à ameaça das mudanças climáticas. Esperamos poder começar um debate importante sobre essas questões neste ano.

Fonte: O Globo

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

STF arquiva ação contra a falta de regras sobre direito de resposta


Foi arquivada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO 9) ajuizada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e pela Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão (Fitert) para questionar a ausência de regulamentação do direito de resposta.

Na semana passada, a relatora do processo, ministra Ellen Gracie, julgou que as duas federações seriam ilegítimas para propor esse tipo de ação. Ela afirmou que a Fenaj e a Fitert não se enquadram no rol de autoridades e entidades que podem ajuizar Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão. As duas federações ainda podem recorrer ao Plenário do Supremo.

Ação

Na ADO 9, a Fenaj e a Fitert afirmavam que, embora a Constituição preveja o direito de resposta proporcional ao agravo (artigo 5º, inciso V), a revogação da Lei de Imprensa pelo próprio Supremo (por incompatibilidade com a Constituição), em abril de 2009, prejudicou gravemente a sua regulação. "Deixou de existir um parâmetro legal para que os tribunais possam decidir quando e como tal direito fundamental é efetivamente aplicado", diz o texto arquivado pela ministra Ellen.

As duas entidades também questionavam a falta de leis sobre o exercício do direito constitucional de resposta na internet e sobre a garantia que a Constituição dá às famílias para se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão (artigos 220 e 221, parágrafo 3º, inciso II).

Caso a ação fosse considerada procedente, o STF poderia comunicar à Câmara e ao Senado a ocorrência de uma mora legislativa, solicitando a aprovação de uma lei para regulamentar o assunto.

Fonte: Valéria Castanho / Agência Senado

Japão oferece US$ 2 bilhões durante três anos para proteger biodiversidade

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, anunciou nesta quarta-feira (27) que o Japão doará US$ 2 bilhões nos próximos três anos aos países em desenvolvimento para proteger a biodiversidade, uma iniciativa saudada pelo Brasil, porta-voz dessas nações.

"Vamos lançar uma iniciativa para apoiar os esforços dos países em desenvolvimento, para que elaborem suas estratégias nacionais e as apliquem", disse Naoto Kan no discurso de abertura da sessão ministerial da 10ª Conferência sobre a Diversidade Biológica (CDB), que acontece em Nagoya.

"Concederemos uma ajuda de US$ 2 bilhões, em três anos, a partir de 2010", garantiu o premier japonês.

A questão da ajuda financeira aos países em desenvolvimento é um dos pontos-chave da negociação que chegará ao fim na sexta-feira.

Os outros temas cruciais são a instituição de metas globais para 2020 (percentual de áreas protegidas na terra e no mar, por exemplo) e a aprovação de um acordo sobre as condições de acesso das indústrias do Hemisfério Norte aos recursos genéticos dos países do sul.

Os representantes de 193 países estão reunidos desde 18 de outubro em Nagoya para tentar concluir acordos sobre os três pontos.

Extinção e conservação

Um amplo estudo sobre os vertebrados (mamíferos, aves, anfíbios, répteis e peixes) apresentado nesta quarta-feira em Nagoya mostra que apesar de 20% das espécies estarem ameaçadas, os cientistas têm agora provas indiscutíveis dos efeitos positivos dos esforços de conservação.

Os cientistas identificaram 64 mamíferos, aves e anfíbios que tiveram o estado de conservação melhorado graças às medidas de proteção adotadas.

Mas apesar dos delegados presentes em Nagoya afirmarem ter consciência da situação, as negociações estão bloqueadas pelas habituais disputas entre países ricos e pobres, que já frustraram em grande parte as discussões na ONU sobre a luta contra a mudança climática.

Neste sentido, o anúncio do Japão acalmou os ânimos, mesmo sem a divulgação de detalhes sobre o destino do dinheiro e quanto consistirá em ajuda direta e quanto em empréstimos.

O Brasil, que se tornou o porta-voz dos países emergentes, elogiou a oferta do Japão.

"É uma boa notícia", declarou à AFP a ministra brasileira do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

"Para nós, no Brasil, é muito importante destacar que novos fundos, dinheiro adicional, são absolutamente importantes para a nova fase (das negociações)", acrescentou.

A ministra afirmou na terça-feira que as negociações internacionais sobre a biodiversidade em Nagoya devem resultar imperativamente em um acordo para conter a biopirataria.

Já a ONG Greenpeace, que faz parte da sociedade civil presente nas discussões, destacou que a oferta do Japão estimula as oportunidades de um acordo em Nagoya.

"É um grande início que o Japão apresente números concretos para proteger a vida na Terra", afirmou à AFP o diretor do Greenpeace Wakao Hanaoka. (AFP)

Fonte: G1

O fim do otimismo verde


Nagoia nunca foi tão parecida com Copenhague. A exemplo da Conferência sobre o Clima realizada na capital dinamarquesa em dezembro passado, a Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica segue paralisada pelo impasse entre países ricos e em desenvolvimento.

O segundo grupo, que reúne o Brasil e outros detentores dos ecossistemas de maior biodiversidade, quer auxílio financeiro para a preservação. Outra demanda é o repasse de verbas de empresas que exploram recursos genéticos tropicais, como os grandes laboratórios farmacêuticos. As nações ricas, no entanto, consideram o pedido o mesmo que assinar um cheque branco, e resistem a pagamentos.

Analistas internacionais acreditam que mais um fracasso nas negociações diplomáticas ligadas ao meio ambiente encerrará a era de otimismo verde inaugurada na Rio 92, quando o clima e a biodiversidade entraram na agenda mundial.

Os países em desenvolvimento iniciaram a semana recusando-se a assumir compromissos com as metas delineadas para 2020 - que cobrem, entre outros itens, a proteção de florestas, recifes de corais e espécies de água doce.

As nações ricas propuseram na terça-feira (26/10) o repasse de US$ 4 bilhões para as florestas tropicais. A iniciativa, no entanto, ainda será avaliada.

As florestas tropicais são o centro das atenções. São elas as responsáveis por sugar da atmosfera uma parte significativa do gás carbônico, o principal responsável pelo efeito estufa. Além de frearem as mudanças climáticas, estes ecossistemas são, também, o lar de numerosas espécies.

Somente na Amazônia, 1.222 novas espécies foram catalogadas nos últimos 12 anos - registrou-se, portanto, uma descoberta a cada três dias, segundo relatório recém-divulgado pelo WWF.

- Nossas florestas precisam de uma ação imediata - pediu a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que chefia a delegação brasileira em Nagoia.

Os ministros das nações participantes da cúpula concentram seus esforços na criação de uma parceria voluntária envolvendo 70 países. Aqueles que preservarem suas florestas e revitalizarem áreas devastadas seriam recompensados.

De acordo com um estudo publicado esta semana pela "Science", quase um quinto de todas as espécies conhecidas de vertebrados são hoje classificadas como "ameaçadas" pela União Mundial para a Conservação da Natureza. No entanto, as perdas seriam 20% maiores se não houvesse iniciativas para proteger determinadas espécies.

Fonte: O Globo

Edital do Pibid tem foco na formação para a diversidade


A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da Educação (MEC), divulgou na segunda-feira, 25, o edital para seleção de propostas de projetos de iniciação à docência para a diversidade no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid).

Podem apresentar proposta as instituições públicas e as universidades e centros universitários comunitários, confessionais e filantrópicos, sem fins econômicos, que desenvolvam os projetos do Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Indígenas (Prolind) e do Programa de Apoio à Formação Superior em Licenciatura em Educação do Campo (Procampo), aprovados pela Secad.

As propostas deverão levar em consideração as especificidades da formação para a diversidade e das escolas situadas em comunidades indígenas e do campo, harmonizando essas realidades aos objetivos estabelecidos para o Pibid.

Cada instituição poderá apresentar um único projeto institucional. Poderão, ainda, ser apresentados subprojetos distintos no âmbito do Prolind e do Procampo para as seguintes áreas de licenciatura: Línguas/Linguagens e Códigos; Ciências da Natureza e Matemática; Ciências Humanas e Sociais; e Ciências Agrárias/Desenvolvimento Agroecológico.

O financiamento dos projetos institucionais do Pibid Diversidade observará o limite máximo de R$ 2 milhões por projeto institucional, pelo prazo de 24 meses.

São itens financiáveis bolsas de estudo nas modalidades iniciação à docência, coordenação institucional, coordenação de área e supervisão; e verbas de custeio destinadas ao pagamento de despesas essenciais à execução do projeto institucional, tais como deslocamentos (passagens) terrestres, fluviais e aéreos, concessão de diárias no país, aquisição de material de consumo e serviços de terceiros - pessoa física e jurídica.

As propostas devem ser submetidas até o dia 22 de novembro.


Mais informações pelo e-mail pibid.diversidade@capes.gov.br ou pelo telefone 0800 616161.


Fonte: Assessoria de Imprensa da Capes

Fórum anuncia reforço na Política para a área de Mudanças Climáticas


O Brasil emitiu 2,192 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (tCO2eq), em 2005, e devido as novas políticas na área ambiental, deve alcançar a redução de 1,775 bilhões de tCO2eq enviados à atmosfera em 2009.

A informação foi dada nesta terça-feira (26) pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, na Reunião Anual do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Pelos cálculos do ministro, a queda pode chegar a 0,9 (33,6%) em relação a 2004, quando houve um pico das emissões brasileiras, de 2,6 bilhões de toneladas de CO2eq. A estimativa de redução está baseada na queda da taxa de desmatamento da Amazônia.

"Em 2009, o número do desmatamento na Amazônia foi de sete mil quilômetros quadrados aproximadamente. Um número bem menor quando comparado com os quase 20 mil verificados em 2005 e 25 mil em 2004. A tendência é de que tenhamos uma redução para cinco mil km² na taxa de 2010. Uma queda estimada de 25 a 30%", disse Rezende, baseado em levantamento do Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica (Prodes), coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), a ser consolidado no mês que vem.

Na avaliação do governo, o novo quadro coloca o País em boas condições para cumprir o compromisso voluntário de redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) entre 36 e 39% em 2020. A proposta foi apresentada pelo Brasil na 15ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP15), realizada em Copenhague, na Dinamarca, em 2009.

Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o país deve antecipar em quatro anos o compromisso assumido. "Mesmo com o crescimento, o Brasil tem o menor índice de desmatamento dos últimos 21 anos, com isso vamos antecipar a meta para 2016", projetou.

Além da apresentação da publicação com as informações referentes à Segunda Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima a ser enviada, em março de 2011, à Convenção sobre Mudança do Clima, também foi assinado na reunião do Fórum o Decreto de Regulamentação do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, e as diretrizes e ações estratégicas voltadas para cinco setores específicos: energia, siderurgia, agricultura e combate ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado. (leia mais na nota 3)

Inventário

A Segunda Comunicação Nacional apresenta dados sobre os programas e ações relativos à mudança do clima, desenvolvidos até 2010 e inclui o Inventário Nacional de Emissões Antrópicas por Fontes e Remoções por Sumidouros de Gases de Efeito Estufa, para o período de 1990 a 2005.

O inventário é um dos principais instrumentos para a definição de ações previstas na Política Nacional sobre Mudança do Clima porque reúne informações sobre as emissões nos diversos setores da atividade econômica. O documento avançou em cinco anos além do período estabelecido pelas diretrizes da Convenção que era de 1990 a 2000.

O segundo inventário atualiza os dados de 1990 a 1994 e apresenta novas informações para o período de 1995 a 2005. Mais de 600 instituições e cerca de 1.200 especialistas de diversos setores (energético, industrial, florestal, agropecuário e de tratamento de resíduos) foram mobilizados para sua elaboração.

O documento aponta crescimento de 57,8% das emissões de 1990 para 2005, mas na avaliação do coordenador geral de mudanças globais de clima do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), José Miguez, uma análise mais precisa desse comportamento deve levar em conta outras variantes relacionadas ao avanço da economia e da população brasileira no mesmo período. "O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu 46,7% e a população 24,2%", informa.

O levantamento utiliza como diretriz técnica básica documentos elaborado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Global do Clima (IPCC). Pela avaliação, o setor de Mudanças no Uso da Terra e Florestas foi responsável por 61% das emissões, seguido de Agricultura (19%), Energia (15%), Processos Industriais (3%) e Tratamento de Resíduos (2%).

Fundo Clima

O Decreto de regulamentação do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC ou Fundo Clima) institui o Comitê Gestor do Fundo com o objetivo de administrar, acompanhar e avaliar a aplicação de recursos. O Comitê decidirá sobre a destinação dos recursos para projetos, estudos e empreendimentos de mitigação e adaptação da mudança do clima e seus efeitos.

O Comitê será composto por representantes governamentais, comunidade científica, empresários, trabalhadores e organizações não governamentais, tendo orçamento inicial de R$ 226 milhões para 2011.

COP 16

A reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas ainda abordou as estratégias do Brasil para a 16ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP16), que se realizará de 29 de novembro a 10 de dezembro em Cancun, no México.

Com as novas ações, o Brasil pretende consolidar uma posição de liderança nas discussões de emissões de gases de efeito estufa no evento internacional. Na avaliação do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, não há o mesmo clima de expectativa de um acordo mundial como havia na COP15.

"As expectativas são modestas, sem grandes ambições. O Brasil chegará com uma posição moral elevada na COP16", destacou Amorim, sustentando que o País já assumiu posição de vanguarda na COP15 ao ser o primeiro a apresentar uma proposta de redução das emissões.

Fonte: Assessoria de Imprensa

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Amazônia ganha uma espécie a cada 3 dias


Relatório diz que foram achados 1.222 novos animais e plantas em dez anos; conta desconsidera invertebrados.  A enorme biodiversidade da Amazônia é velha conhecida dos cientistas, mas agora eles estão mais próximos de quantificá-la. Um novo relatório mostra que, entre 1999 e 2009, foram registradas 1.222 novas espécies na região -o equivalente a um novo achado a cada três dias.

Isso significa que, sozinha, a floresta amazônica revelou mais espécies do que a soma de outros biomas reconhecidamente biodiversos, como Bornéu e a bacia do rio Congo, no mesmo período.

Entre as novidades estão tipos de piranhas, macacos, papagaios, sapos, um boto-cor-de-rosa e até uma gigantesca sucuri. Os dados estão no relatório "Amazônia Viva!", que acaba de ser lançado pela ONG WWF.

O documento compila dados de oito países e da Guiana Francesa (território francês), locais por onde se estende o bioma amazônico.

O resultado só considera os vertebrados. De acordo com o relatório, "milhares de invertebrados documentados" ficaram de fora.

"O número impressionante de descobertas mostra que, se aumentarmos o esforço de pesquisa, temos potencial para localizar ainda mais espécies", afirma Mauro Armelin, mestre em ciências florestais e coordenador do Programa da Amazônia da WWF-Brasil.

O Brasil, país que tem a maior "fatia" da floresta, destacou-se com seus primatas. Das sete novas espécies, seis estão em território nacional.

Contando com eles, foram registrados 39 mamíferos. Na Bolívia, foram encontradas novas espécies de botos, que se distinguiriam de seus "parentes" brasileiros por terem corpo e cabeça menores, além de mais dentes.

As plantas são responsáveis pela maior parte das novas espécies. Foram 637 na última década. Os peixes vêm atrás, com 257 novos registros. Também foram contabilizados 216 novos anfíbios, 55 répteis e outras 16 aves.

Apesar de recém-descobertas, muitas das novas espécies já estão em perigo. A pressão da agricultura, a expansão da pecuária e a construção de grandes hidrelétricas na região ameaçam o habitat de espécies que dependem de um frágil equilíbrio para sobreviver.

É o caso do Coendou roosmalenorum, um minúsculo ouriço encontrado nas margens do rio Madeira, em Rondônia. O bichinho foi descoberto durante uma expedição de resgate de fauna na área, afetada pela construção da hidrelétrica Samuel.

"Quanto maior o potencial de retorno econômico ligado ao habitat dessas espécies, mais ameaçadas elas estão", disse Mauro Armelin.

Segundo o coordenador, o Estado tem um papel importante para a preservação das novas e das antigas espécies.

"O BNDES financia grandes obras de infraestrutura aqui e no exterior. É preciso ligar essas ações aos esforços de preservação", avalia.

O relatório completo estará disponível para o público no site da WWF-Brasil ( www.wwf.org.br ), em inglês e em português. (Giuliana Miranda)


Fonte: Folha de SP

Brasil vai calcular valor econômico de sua diversidade biológica


Anúncio da ministra do Meio Ambiente foi feito na COP 10, em Nagoya. Custo global da perda de biodiversidade é de R$ 3,6 trilhões a R$ 8,2 tri. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou nesta segunda-feira (25/10), durante a Conferência das Partes sobre Biodiversidade (COP 10), em Nagoya, no Japão, que o Brasil está preparando um relatório sobre o valor dos ecossistemas e da biodiversidade.

O objetivo é que o documento sirva como referência para futuras decisões políticas e para o desenvolvimento de uma economia sustentável. "É importante conciliar estratégias de desenvolvimento e manutenção da biodiversidade", disse a ministra, segundo informações divulgadas pelo ministério.

O relatório brasileiro terá como referência o estudo "A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade" (Teeb, na sigla em inglês), produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e lançado durante a COP 10. O estudo internacional apontou o valor econômico de florestas, água, solo, animais, entre outros, bem como os custos ocasionados pela perda desses recursos.

Segundo o Teeb, o custo anual da perda da biodiversidade fica entre US$ 2 trilhões e US$ 4,5 trilhões (R$ 3,6 trilhões e R$ 8,2 trilhões).

Segundo informações do Ministério do Meio Ambiente, a intenção é que os dados do Teeb Brasil sejam incorporados por políticas públicas, empresas privadas, setor produtivo e governos ao tomar decisões sobre agricultura, segurança alimentar, segurança energética e exploração de recursos naturais, como o pré-sal.

"Este será o grande desafio deste século. A base de tudo deve ser a sustentabilidade. Creio que o relatório possa contribuir para associar todos estes temas nas discussões dos tomadores de decisão", disse Izabella.

A ministra disse ainda que o Teeb Brasil já está sendo preparado, e que os requerimentos para a adoção destas estratégias no País estão em fase de análise. "Agora nós estamos preparando os termos de referência para finalizar a negociação. Depois que forem estabelecidos os compromissos da COP 10, pretendemos desenvolver uma nova estratégia nacional baseada no Teeb como referência de uma nova economia sustentável", afirmou.

Fonte: Agência Estado

Brasil rejeita acordo parcial sobre biodiversidade


Ministra Izabella Teixeira afirma que, se não houver pacto sobre a regulamentação do uso de recursos genéticos, o país não concordará com mais nada. Diplomatas e autoridades da delegação brasileira avisam: "Não estamos blefando." Se não houver acordo sobre a regulamentação do uso de recursos genéticos da biodiversidade, o país não concordará com mais nada na 10ª Conferência das Partes (COP-10) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), que está em andamento em Nagoya, no Japão, desde o dia 19.

"Se quisermos falar sério sobre biodiversidade, temos de falar do pacote todo", disse ao Estado a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que chegou a Nagoya no domingo (24/10) para chefiar a delegação brasileira na reta final da conferência.

A COP-10 é a reunião mais importante da CDB, um tratado internacional lançado em 1992 para promover a conservação e o uso sustentável da biodiversidade do planeta. A adoção de um protocolo de regras para o acesso e a repartição de benefícios (ABS, na sigla em inglês) oriundos da exploração comercial de recursos genéticos é a grande lacuna da convenção, que o Brasil e outros países ricos em biodiversidade têm especial interesse em preencher.

As decisões da convenção precisam ser tomadas por consenso entre os 193 países participantes. Se não houver acordo sobre ABS e o Brasil, apoiado por outros países em desenvolvimento, levar a cabo a ameaça de não aprovar outros temas, ocorrerá um fracasso total da conferência.

Os outros dois grandes temas da agenda em Nagoya são a definição de metas para 2020 e a falta de apoio financeiro dos países desenvolvidos para programas de conservação ambiental nos países em desenvolvimento. "Como é que vamos avançar em metas se não tivermos financiamento e se não há regras para acesso e repartição de benefícios dos recursos genéticos?", argumenta a ministra brasileira.

A ideia por trás do protocolo seria garantir que os lucros obtidos com produtos desenvolvidos com base em recursos genéticos da biodiversidade sejam compartilhados com o país de origem da espécie e com as populações tradicionais que eventualmente tenham contribuído para a pesquisa. Por exemplo, no caso de um fármaco desenvolvido na Europa com base na molécula de uma planta brasileira usada na medicina tradicional de alguma tribo indígena da Amazônia.

Faltando quatro dias para o fim da COP-10, a negociação sobre ABS avança madrugada adentro. Países desenvolvidos, como Canadá, Austrália e alguns europeus, resistem à regulamentação, temendo redução da liberdade de pesquisa - e dos eventuais lucros obtidos com ela.

Mas há também divergências fortes entre países em desenvolvimento. O bloco africano, por exemplo, insiste que o protocolo deve ter efeito retroativo, o que implicaria pagamento de royalties por todos os recursos biológicos extraídos do continente nas últimas décadas ou até séculos. Uma proposta inaceitável para os países desenvolvidos e também para o Brasil, cuja agricultura é quase 100% baseada em espécies exóticas, trazidas originalmente de outros países e continentes, incluindo arroz, feijão, milho e até a carne.

A ameaça de não aprovar nada caso não haja um acerto sobre ABS e financiamento é uma jogada audaciosa do País, que tem o tema como prioridade número um na agenda. O superintendente de Conservação da WWF-Brasil, Claudio Maretti, acha que a estratégia se justifica. "Os países desenvolvidos foram muito competentes em protelar a discussão durante anos. Chegou a hora de dizer um basta. Quem tem de ceder agora são eles." (Herton Escobar)

Fonte: O Estado de SP

Lei nacional do clima tem regulamentação adiada


Fundo destinado a financiar cortes de CO2 vai receber só um quarto da verba prevista. O governo prometeu para o mês que vem a regulamentação da lei do clima, que estabelece como o Brasil cumprirá as ambiciosas metas de redução de emissões de gás carbônico anunciadas na cúpula de Copenhague.

Sem a regulamentação, será letra morta a proposta brasileira de cortar de 36,8% a 38,9% suas emissões em 2020 em relação ao que elas seriam se nada fosse feito.

Nesta terça-feira, Lula sanciona um decreto regulamentando o Fundo Nacional de Mudança Climática, que destinará dinheiro do setor do petróleo para ações de adaptação e corte de emissões. Previsto para ter R$ 800 milhões ao ano, o fundo começa com R$ 226 milhões em 2011. A verba será gerida pelo BNDES.

A implementação da lei, porém, fica para depois. E deverá ser incompleta: ela abarcará apenas cinco setores-desmatamento na Amazônia e no cerrado, agropecuária, siderurgia e energia.

Ficam de fora fontes significativas de CO2, como o pré-sal e o setor de transportes - o que mais queima combustíveis fósseis no país.

Isso se o decreto presidencial que regulamenta a lei para esses cinco setores for mesmo editado neste governo. Fontes próximas à discussão afirmam que o prazo é curto para que a Casa Civil possa formatar um decreto a ser assinado ainda por Luiz Inácio Lula da Silva.

Um dos motivos do atraso é o fato de que o inventário brasileiro de emissões, que baseará as projeções de quanto carbono o país lançará na atmosfera em 2020, só será divulgado hoje.

"Nós achávamos que teríamos as informações [sobre emissões] antes para a regulamentação da lei, mas tivemos de esperar terminar o inventário", disse Johannes Eck, assessor da Casa Civil.

As metas foram calculadas, em 2009, com base em uma estimativa preliminar, que apontava emissões de 2,7 bilhões de toneladas de CO2 equivalente em 2020.

Segundo Eck, o trabalho de projetar oficialmente as emissões deve levar semanas. "A ideia é ir para a COP com a regulamentação", afirmou, referindo-se à conferência do clima de Cancún, no fim de novembro.

Ambientalistas têm criticado a exclusão do pré-sal e dos transportes do decreto. "O pré-sal pode dobrar nossas emissões", diz Sérgio Leitão, do Greenpeace.

A secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Branca Americano, diz que não é preciso colocar todos os setores num mesmo pacote. Outros poderão ter suas metas incluídas na política do clima a partir do ano que vem. (Cláudio Ângelo)

Fonte: Folha de SP

Pesquisa indica elevado número de grandes empresas que investem em inovação


Sete em cada dez grandes empresas brasileiras têm apostado na inovação tecnológica para aumentar sua competitividade no mercado interno. Esta é uma das conclusões da Sondagem de Inovação Tecnológica, levantamento trimestral realizado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para avaliar o esforço real e a expectativa das grandes empresas com investimentos nesta área.

Os números do segundo trimestre de 2010, anunciado nesta terça-feira (26) pela ABDI, mostram que 71,5% das grandes empresas industriais inovaram em produto ou processo no período, percentual semelhante ao verificado na pesquisa anterior (71,4%).

A sondagem também apontou que 27% das empresas ampliaram seus investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e 47% mantiveram o mesmo nível do trimestre anterior. "São números excelentes, que indicam a consciência do empresariado brasileiro da necessidade de inovar para garantir presença no mercado", avaliou o presidente da ABDI, Reginaldo Arcuri.

Com relação ao trimestre anterior, quando foi realizada a primeira edição da Sondagem, a pesquisa detectou que houve um crescimento de 52,4% para 57% em inovação de produto, com lançamento de produtos já existentes no mercado nacional. Não houve alteração no número de empresas que lançaram produtos ainda não existentes no Brasil, mas o percentual é considerado satisfatório: 18,1%.

As inovações de processo de produção tiveram uma ligeira redução entre o primeiro e o segundo trimestre do ano, quando se comparam os dados das duas pesquisas. Essa redução ainda é mais acentuada quando se fala em novos processos no mercado nacional 24,8% para 15,5%. A queda do índice de inovação de processo dentro da própria empresa foi superior a três pontos percentuais (48,6% para 45,1%).

"Nem toda inovação tecnológica de produto necessita de uma inovação tecnológica de processo, bem como nem toda inovação de processo é realizada para produzir um novo produto", observou Maria Luisa Campos Machado Leal, diretora da ABDI e responsável pelo estudo. No entanto, reforçou a diretora, as empresas que realizam inovações de produto e de processo fazem esforços maiores para inovação do que a média das demais firmas.

Segundo ela, ainda é cedo para tirar conclusões sobre a tendência das empresas em relação à inovação nesta segunda edição da sondagem. "Não temos ainda uma série histórica, portanto não é possível saber se há algum fator sazonal nesses números. O importante é perceber que as grandes empresas, que orientam a inovação para outros setores, estão investindo para se tornar mais competitivas, tanto no mercado nacional quanto no exterior", disse a diretora.

A Sondagem de Inovação entrevista trimestralmente as empresas industriais com 500 ou mais pessoas ocupadas. Existem aproximadamente 1.650 empresas industriais com esta característica na indústria brasileira e sobre ela foi realizada a amostragem.

A pesquisa foi desenvolvida pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (IPEAD), com o apoio técnico-científico de uma equipe de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e de especialistas setoriais renomados de outras instituições acadêmicas brasileiras. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prestou auxílio técnico na elaboração do questionário e na definição da amostra das empresas consultadas.

A pesquisa encomendada pela ABDI, agência governamental ligada ao Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior (MDIC), será fundamental para auxiliar as ações de promoção do desenvolvimento industrial brasileiro.

A ABDI, juntamente com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e com os Ministérios da Fazenda e da Ciência e Tecnologia, é responsável pela Secretaria Executiva da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), sob a coordenação geral do MDIC.

Fonte: Assessoria de Comunicação da ABDI