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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Projeto hispano-brasileiro desenvolve telescópios para mapeamento do céu em 3D


Uma iniciativa internacional de grande porte, que envolve a cooperação científica entre Brasil e Espanha, pode abrir caminhos nunca antes explorados para a pesquisa em astronomia. 

O projeto J-PAS (Javalambre Physics of the Accelerating Universe Astrophysical Survey), lançado inicialmente pelo Centro de Estudo de Física do Cosmos de Aragon (Cefca), sob coordenação do professor Narciso Benitez, está na fase final da construção de dois telescópios robóticos no Pico de Buitre, em Teruel, a 1.957 metros de altura. Desta localidade da Espanha - considerada uma das regiões mais escuras da Europa, o que facilita a observação celeste -, os equipamentos vão realizar um trabalho pioneiro: o minucioso mapeamento de todo o céu do hemisfério Norte.

"Os telescópios vão permitir a observação de todos os objetos astronômicos, desde asteroides, passando por supernovas, até galáxias e aglomerados de galáxias, com informação espectroscópica boa o suficiente para produzir imagens tridimensionais com uma precisão sem precedentes para levantamentos celestes fotométricos", destaca o astrônomo e pesquisador Renato Dupke, da Coordenação de Astronomia e Astrofísica do Observatório Nacional. Ele é o coordenador da participação brasileira no J-PAS, que ganhou por aqui o nome de projeto PAU-BRASIL - com pesquisadores de várias instituições brasileiras, mas com grande ênfase nos pesquisadores do Rio de Janeiro, de instituições como o Observatório Nacional, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

Os dois telescópios do sistema em Teruel devem entrar em funcionamento até 2013. O maior, com 2,5 metros de diâmetro, fará o levantamento principal. O outro, de 80 centímetros, vai servir, entre outras coisas, para calibrar o primeiro, fazer testes de softwares e também para complementação dos inúmeros projetos paralelos dos diversos grupos de trabalho do levantamento, como os de asteroides e de supernovas. "Depois que entrarem em funcionamento, os telescópios devem se tornar instrumentos para a observação de mais de 300 milhões de galáxias, durante os quatro anos de mapeamento do céu", prevê.

O grau de riqueza de detalhes fornecidos pelas imagens dos telescópios, que vão captar objetos astronômicos a uma distância de mais de oito bilhões de anos-luz - um ano-luz equivale a cerca de dez trilhões de quilômetros -, com boa resolução espectroscópica, vai ajudar os cientistas a desvendar os mistérios da energia escura, considerada a responsável pela expansão do universo. "Esse levantamento celeste constitui a próxima geração dos grandes levantamentos fotométricos atuais, como o Dark Energy Survey, e abrirá o caminho para os futuros levantamentos espectroscópicos", afirma o pesquisador.

De acordo com Dupke, os astrônomos brasileiros terão uma participação integral no projeto. "Somos responsáveis pela construção e gerenciamento da câmera do telescópio principal, que será completamente dedicado ao projeto PAU-BRASIL. Ela terá um sistema inédito de 56 filtros, número dez vezes maior que o utilizado nos levantamentos celestes fométricos atuais", ressalta. Nunca se tinha usado tantos filtros juntos em um levantamento celeste. "Este sistema vai oferecer imagens de mais de 1,2 gigabytes por exposição, com um total de mais de três petabytes acumulados no fim do levantamento, bem superiores às imagens dos telescópios tradicionais. O Brasil também vai participar do gerenciamento dos dados a serem coletados pelos telescópios, levado a cabo pela Cefca. Além disso, já somos 40% entre os pesquisadores líderes dos grupos de trabalho", conta.

Para o pesquisador, o projeto será um marco para a astronomia mundial. "Será o mais competitivo para os estudos cosmológicos da década. Isso porque a alta tecnologia e a técnica inovadora dos telescópios trarão excelentes investimentos em termos de ciência para cada dólar investido", justifica Dupke. Devido à versatilidade dos telescópios, todas as áreas da astronomia do Brasil serão beneficiadas e, em particular, do estado do Rio de Janeiro, onde a maior parte das pesquisas em cosmologia é realizada. O pesquisador enumera as vantagens. "A participação brasileira no uso dos telescópios será garantida por pelo menos sete anos; pesquisadores do Brasil e da Espanha terão prioridade na liberação de dados; não haverá custos de manutenção do telescópio para o Brasil; e o know-how tecnológico e informacional será transferido para as instituições nacionais envolvidas."

Até o momento, o projeto PAU-BRASIL recebeu, no Brasil, um total de R$ 6,5 milhões. A Faperj repassou recursos do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) para a construção de uma estrutura específica da câmera do telescópio principal, que será resfriada em escala criogênica, isto é, que vai trabalhar sob temperaturas extremamente baixas, a partir de 200°C negativos, para reduzir o ruído térmico nas observações. Outras agências de fomento também contribuem para a iniciativa brasileira, como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), além do próprio Observatório Nacional. "Com o apoio de diversas agências e instituições, o PAU-BRASIL terá grande impacto científico, acadêmico, educacional e tecnológico, aumentando significantemente a visibilidade nacional e internacional para a comunidade astronômica brasileira", conclui Dupke.

Fonte: Agência Faperj

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Capes ratifica acordo de cooperação entre Brasil e Espanha


O presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Almeida Guimarães, participou ontem (27), no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em Brasília, do Seminário Internacional A Cooperação Cultural, Educativa e Científica entre o Brasil e a Espanha.

No evento, Guimarães e o diretor acadêmico da Fundação Carolina, Alfredo Moreno, assinaram um acordo de ratificação de cooperação internacional entre os países, em que metade das bolsas disponibilizadas para 2012 seguirá para brasileiros estudarem na Espanha e metade para espanhóis estudarem no Brasil.

Em sua fala, Guimarães ressaltou a importância das ações da Capes para o progresso da cooperação educativa entre os países. Só em 2010 foram investidos R$ 1,4 milhões em projetos conjuntos de pesquisa com a Espanha, o que colaborou para que hoje o país seja o 5° no destino de bolsistas da Capes. Para Guimarães, ainda há um segmento que precisa ser inserido na cooperação internacional. "Nosso objetivo agora é ampliar o segmento da formação de professores da educação básica na Espanha.", afirmou.

Também estiveram no seminário o conselheiro de Educação da Embaixada da Espanha no Brasil, Ángel Altisent, e a chefe da Divisão de Temas Educacionais do departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Almerinda Augusta de Freitas Carvalho.

Além dos resultados já alcançados, os presentes também discutiram os desafios futuros para a consolidação da cooperação entre os dois países como a validação de graduação e de títulos acadêmicos entre os países e a necessidade de investimento no ensino técnico nas duas nações.

Fonte: Portal da Capes