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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Cientistas curam HIV de camundongo



O sistema imune dos animais foi manipulado para lutar até o fim 
contra uma variação do vírus que os atinge

Eis um enunciado científico muito aguardado: cientistas curaram uma doença similar à Aids, em camundongos. Há, porém, um grande entretanto: os bichos ficaram sem uma variação do HIV que atinge a espécie, mas tiveram tantos efeitos colaterais após o "tratamento" que quase morreram. 

Os cientistas não utilizaram antivirais. Forçaram o próprio sistema imunológico dos animais a lutar contra o vírus -e, surpreendentemente, ele conseguiu vencer. 

Eles sabiam que o sistema imunológico dos camundongos, assim como o dos humanos, tem uma espécies de disjuntor. Quando ele se depara com um inimigo muito forte, como o HIV, e atinge um estado crítico, o disjuntor "desliga" o sistema, para evitar danos permanentes. É como se o sistema imunológico estivesse se rendendo. 

O disjuntor é um gene chamado SOCS3, que libera um proteína de mesmo nome que faz o serviço de "derrubar" a defesa do organismo. 

O líder do estudo, o médico Marc Pellegrini, do Instituto Walter e Eliza Hall, na Austrália, pensou: e se tirarmos esse disjuntor e deixarmos o sistema imunológico prosseguir defendendo o organismo até as últimas consequências, o que acontece? 

Foi como se Pellegrini estivesse disposto a pagar para ver o preço de um "superaquecimento" do organismo - para manter a analogia, ele apostou que, após o cheiro de queimado e até incêndios terem destruído permanentemente a "estrutura" do sistema imunológico, o corpo ao menos se livraria do vírus. 

Os pesquisadores, então, utilizaram um hormônio para nocautear o SOCS3 nos camundongos - a expressão que eles usam é essa, como se o gene fosse um boxeador perdendo os sentidos depois de levar uma pancada. 

Sem o SOCS3, a guerra entre o sistema imunológico e o vírus seguiu até que um deles se esgotasse.
 
A experiência mostrou que Pellegrini estava certo. Após 60 dias, já não era possível encontrar o vírus em nenhum dos ratos do pesquisador - e só eles sabem o mal que devem ter passado nesse intervalo, com o seu sistema imunológico "fora de controle", obcecado por acabar com o vírus a qualquer custo. 

O "superaquecimento" do sistema imunológico não ficou de graça: a saúde dos animais ficou danificada após esse processo. 

Os bichos desenvolveram graves e recorrentes inflamações, além de vários tipos de doenças autoimunes - quando o organismo perde a capacidade de reconhecer a si mesmo e passa a se atacar, considerando invasoras as suas próprias células. 

Os pesquisadores dizem que ainda há muito a descobrir sobre como esses efeitos colaterais se desenvolvem. Por enquanto, portanto, a técnica é insegura demais para ser testada em seres humanos, ainda que os mecanismos de reação do sistema imunológico relevantes para a técnica sejam iguais aos dos camundongos. 

Como a técnica não é específica para o HIV, os cientistas acreditam que ela funcione também com outras doenças, como as hepatites B e C e também a tuberculose. 

O trabalho foi publicado na revista científica "Cell". (Ricardo Mioto)

Fonte: Folha de SP

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Todos Contra o Preconceito

Viver com aids é possível. Com preconceito não. Esse é o slogan da mobilização nacional do Dia Mundial de Luta contra a Aids. No endereço www.todoscontraopreconceito.com.br estão disponíveis informações interativas sobre como participar da campanha de 2009. O site traz notícias e informações sobre prevenção da Aids e como viver com o HIV, além do vídeo exclusivo e fotos da ação que aconteceu em São Paulo com o artista plástico Vik Muniz, que fará parte da campanha do Dia Mundial. Também é possível inserir a imagem de seu perfil (avatar), postar seu próprio vídeo e foto e também utilizar o twitter para mobilizações sobre o Dia Mundial.

O mapa da Aids no Brasil - Em queda nos grandes centros urbanos, a epidemia cresce no interior do País. De 1997 a 2007, a taxa de incidência cresceu em municípios com menos de 50 mil habitantes. Os grandes centros urbanos do País – onde estão concentrados 52% dos casos de Aids – registraram queda de 15% na taxa de incidência da doença entre 1997 e 2007. Nesse mesmo período, a incidência nos municípios com menos de 50 mil habitantes dobrou, revelando que a epidemia caminhou para o interior do País. Em 1997, a taxa nas cidades com menos de 50 mil habitantes era cerca de oito vezes menor do que a registrada nas cidades com mais de 500 mil pessoas. Em 2007, essa relação caiu para três vezes. 

Em municípios com mais de 500 mil pessoas, houve decréscimo da taxa de incidência, entre 1997 e 2007, de 32,3 para 27,4 notificações por 100 mil habitantes. Ao longo desses dez anos, 24 dos 39 municípios com mais de 500 mil habitantes registraram queda significativa na taxa de incidência ou se mantiveram estáveis. Como essas 39 cidades são responsáveis por 283.191 casos de Aids (52% do total acumulado), mudanças ocorridas ali têm impacto maior para a conformação da epidemia. 

No mesmo período, a taxa nas cidades com menos de 50 mil habitantes passou de 4,4 ocorrências em 1997 para 8,2 em 2007. O conjunto das 4.982 cidades com menos de 50 mil habitantes (90% dos municípios brasileiros) concentram 34% da população e 15,4% dos casos de aids identificados no País, em 2007. 

“O mapa permite conhecer as diversas epidemias existentes no país e fornecer aos gestores locais os instrumentos para que eles possam adequar as respostas à sua realidade”, afirma a diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Mariângela Simão. 
Dos 100 municípios com mais de 50 mil habitantes que apresentam maior taxa de incidência de Aids, os 20 primeiros da lista estão no Sul. A primeira colocada é Porto Alegre (RS) com taxa de incidência de 111,5 por 100 mil habitantes, seguida por Camboriú (SC) com 91,3. 

A tendência de crescimento de Aids nas cidades menores e queda nas maiores confirma-se nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Mas, Norte e Nordeste apresentam um perfil diferente. Ocorre aumento da taxa de incidência, quando se compara 1997 com 2007, tanto em municípios grandes quanto em pequenos.

De 1980 a junho de 2009, foram registrados 544.846 casos de Aids no Brasil. Durante esse período, 217.091 pessoas morreram em decorrência da doença. Por ano, são notificados entre 33 mil e 35 mil novos casos de Aids. Em relação ao HIV, a estimativa é de que existam 630 mil pessoas infectadas no país.

O Vírus HIV - A Aids é uma doença que se manifesta após a infecção do organismo pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, mais conhecido como HIV (proveniente do inglês - Human Immunodeficiency Virus). 

A transmissão ocorre por meio do contato com sangue, sêmen, secreção vaginal ou leite materno da pessoa doente. Vale destacar que suor, lágrima, beijo no rosto ou na boca e uso comum de sabonete, toalha, copos ou talheres, não transmitem a doença. 

Desde 1996, com a distribuição gratuita de medicamentos aos brasileiros que necessitam do tratamento de Aids, houve um aumento na sobrevida e uma melhora na qualidade de vida dos pacientes do HIV. 

Atualmente, cerca de 180 mil pessoas recebem tratamento fornecido pelo Ministério da Saúde e distribuído gratuitamente na rede pública de saúde.