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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Rio desonera produção de equipamentos de energia eólica e solar


As indústrias voltadas para a transformação de energia eólica e solar (fotovoltaica) terão isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no estado do Rio de Janeiro.

O decreto foi assinado nesta segunda-feira (26) pelo governador Sérgio Cabral. A meta, segundo o secretário do Meio Ambiente, Carlos Minc, é quadruplicar o uso desse tipo de energia no estado do Rio até 2030.

"A desoneração desses impostos pode representar uma queda de até 25% do custo dos equipamentos. Hoje a maioria dos equipamentos é importada e a ideia é atrair empresas para o Rio. Aliás, já existe uma grande empresa chinesa, mas não posso revelar o nome ainda, que pretende instalar uma fábrica para produzir torres, hélices e turbinas para geração de energia eólica".

Minc explicou que o uso de energias alternativas ainda é muito baixo no país. "O Brasil tem uma base hidrelétrica muito forte e as energias eólica e solar muito atrasadas. Há três anos, Portugal, que é do tamanho do Rio, tinha cinco vezes mais energia eólica e solar do que o Brasil."

Na mesma cerimônia, o governador Sérgio Cabral também assinou o Decreto do Clima que regulamenta a Política Estadual sobre Mudança do Clima e Desenvolvimento Sustentável. O decreto define as metas de redução de emissão de gases e aponta as fontes de recursos financeiros para a implementação das ações propostas.

O governo do Rio pretende reduzir, até 2030, 65% da emissão de gases de efeito estufa e 11 milhões de toneladas de gás carbônico. Se a redução for alcançada, o número equivale a todas as emissões de dióxido de carbono do setor de transportes hoje e o dobro de todas as emissões do setor energético, segundo a Secretaria do Ambiente.

A subsecretária estadual de Economia Verde, Suzana Kahn, explicou que São Paulo, que tem um Produto Interno Bruto (PIB) maior que o do Rio, emite menos gases poluentes que o estado fluminense. "São Paulo produz 3,5 toneladas equivalente de carbono por habitante, enquanto o Rio emite 4,5 toneladas. É importante que a economia cresça, mas não precisamos aumentar as emissões de gases poluentes na mesma ordem e esse é o nosso foco", explicou a subsecretária.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Energia eólica ganha impulso e reforça matriz renovável no País


Setor registrou crescimento nos últimos dois anos e necessita de profissionais capacitados para atuar na área.

O Brasil aposta no potencial dos seus ventos para ampliar o leque de opções e garantir a sustentabilidade no fornecimento de energia. O investimento em energia eólica ganhou força nos últimos dois anos. Atualmente, a energia eólica no Brasil possui aproximadamente 1,1 GW (gigawatt) de potência instalada, o equivalente a quase uma usina nuclear brasileira (Angra 1 tem 0,65 GW e Angra 2 tem potência de 1,35 GW).

Antigamente, os famosos moinhos captavam o vento para moer grãos, por exemplo. Agora eles receberam uma nova tarefa: produzir energia elétrica. O mecanismo funciona geralmente por intermédio de um dispositivo que transforma a energia dos ventos em energia elétrica e mecânica.

O coordenador de Tecnologia e Inovação em Energia do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Eduardo Soriano, lembra que a primeira turbina foi instalada na Dinamarca (Europa), em 1976, para geração de energia elétrica conectada à rede. "Hoje existem mais de 30 mil turbinas eólicas no mundo. Elas também começaram a crescer em tamanho. Antes elas cabiam numa sala, por exemplo, hoje os postes que seguram as turbinas podem ter até 120 metros de altura", observa.

Apesar do crescimento recente, utilizar o potencial dos ventos ainda é novidade no País. O primeiro leilão de comercialização de energia, voltado exclusivamente para fonte eólica, foi realizado em 2009. O resultado foi a contratação de 1,8 Gigawatt (GW), distribuídos em 71 empreendimentos de geração eólica em cinco estados das regiões Nordeste e Sul. Já no leilão de 2010, foram contratadas mais 70 usinas eólicas, com potência total de 2 GW, também distribuídos em vários estados.

Vantagens - Um dos motivos que estimulam o investimento em energia eólica no país é o preço competitivo no mercado em relação às outras energias. Eduardo Soriano avalia a trajetória de queda do valor atribuído à energia nos últimos anos. Segundo ele, as primeiras instalações tinham preços cerca de duas a três vezes maiores na comparação com o custo atual.

"Nos últimos anos, houve leilões específicos para energia eólica. Os primeiros preços beiravam R$ 300,00/megawatts hora. No leilão de 2009 foi em torno R$ 148,00 e no leilão 2010 foi de R$ 130,00. Então se pode ver que houve uma redução de preços da energia eólica no Brasil e ela está entrando de uma forma muito competitiva", informa o especialista em energia do MCT.

Outro ponto favorável à energia eólica é a necessidade em se compor matrizes energéticas mais limpas, renováveis e menos poluentes. O Brasil já é um dos países que têm mais energias renováveis na sua matriz energética. Em torno de 45% da energia produzida no Brasil vêm de fonte renovável, sendo 90% na geração de energia elétrica.

A energia eólica contribui para a manutenção dos altos índices de energias renováveis da matriz energética brasileira, mas na avaliação de Soriano, ela não pode ser encarada com uma solução definitiva e o Brasil não pode desprezar outras opções. Ele alerta que é fundamental para um país não depender de só uma fonte de energia.

"Tem que diversificar as fontes. Vamos supor que o vento pare. Não vai ter energia?", indaga. "Então é preciso ter uma diversificação, um pouco de energia eólica, hidráulica, termonuclear, termelétrica, carvão e óleo. É preciso ter as várias fontes funcionando em conjunto para que se possa ter uma segurança energética", sustenta.

Por conta da instabilidade dos ventos, a energia eólica compõe o sistema brasileiro de distribuição de energia e não chega a atender uma cidade específica. É conectada às várias linhas de distribuição de energia espalhadas pelas diversas regiões brasileiras.

Além da região Nordeste, os ventos do Sul do País e também do Rio de Janeiro concentram os ventos com potencial para a geração de energia, especialmente, na faixa do litoral. Ao contrário de locais como a Dinamarca, que possui usinas eólicas no mar, no Brasil elas estão instaladas em terra.

Investimento - O investimento governamental também incentiva o crescimento do setor. As primeiras instalações surgiram a partir de um programa do Ministério de Minas e Energia, o Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica), que subsidiou a energia eólica no Brasil, além de outras alternativas como a geração a partir da bioenergia e a energia hidráulica de pequeno porte.

Desde 2002, o MCT investe recursos em pesquisa, principalmente na produção de peças, parques e sistemas para geradores eólicos, tais como: conversores, elementos mecânicos de torres, sistemas de controle, aerogeradores de pequeno porte, pás etc.

Em 2009 e 2010, o ministério implementou editais de subvenção econômica com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), direcionado para empresas, nos quais foram aprovados 14 projetos envolvendo recursos da ordem de R$ 25 milhões (incluindo as contrapartidas empresariais).

Tais investimentos, aliados aos incentivos governamentais para a implantação da energia eólica na matriz energética, têm alavancado no Brasil o mercado de peças e partes, o que está contribuindo com o aumento dos índices de nacionalização dos aerogeradores que estão sendo produzidos no País por diversas empresas. Alguns itens como pás, estão sendo exportados para diversos países do mundo.

Agora o grande desafio a ser superado é a falta de mão de obra especializada e de laboratórios capacitados. Para isso, o MCT deve lançar, ainda neste ano, um edital, no valor em torno de R$ 15 milhões, para formar recursos humanos de alto nível (pós-graduação, mestrado e doutorado) e criar laboratórios nos diversos estados, com prioridade para os locais com projetos em energia eólica.

A carência de profissionais na área de energia é uma situação preocupante na avaliação de Eduardo Soriano. De acordo com ele, está faltando engenheiros e técnicos no mundo inteiro na área de projetos, de implantação e de operação de energia eólica. O que representa uma deficiência que precisa ser suprida para dar suporte a esse crescimento da energia eólica.

"Para ser competitivo, não basta ter só ventos, equipamentos e uma política de implantação de energia eólica. Precisamos ter também recursos humanos e laboratórios pra dar suporte a esse crescimento da energia eólica no Brasil", reforça Soriano.

Fonte: Ascom do MCT

segunda-feira, 28 de março de 2011

Bons ventos levam ideias sustentáveis ao Ceará


CNPq apoia pesquisa que busca criar um sistema ambientalmente limpo para 
produção de energia elétrica no Ceará.

Ciência e Tecnologia para o desenvolvimento sustentável têm sido um dos temas mais destacados no meio acadêmico e pelos diversos atores sociais e políticos que englobam a comunidade ou a sociedade civil. Objeto de interesse público, hoje a sustentabilidade não pode ser mais vista apenas como uma preocupação em longo prazo, mas sim, como uma prioridade diária e uma ferramenta insubstituível para garantir o desenvolvimento futuro da humanidade.

Sabe-se hoje que um dos papéis mais importantes da ciência é o de oferecer instrumentos e informações que permitam uma melhor formulação de políticas voltadas para a preservação do meio ambiente. Nesse sentido, pesquisas científicas vêm sendo realizadas com o intuito de criar e consolidar meios mais modernos e eficientes, que busquem diminuir cada vez mais os impactos ambientais causados pela utilização dos recursos naturais.

Fontes alternativas - Preocupado com a necessidade de mitigar os impactos relacionados à obtenção de energia, o físico e engenheiro mecânico, Elissandro Monteiro do Sacramento, propôs a criação de um sistema híbrido que utiliza energia eólica e solar. O projeto, que tem o apoio do CNPq, pretende otimizar o sistema elétrico do Ceará, buscando diminuir os custos com a produção de energia elétrica, e acabando com a dependência de combustíveis fósseis.

"O Ceará importa grandes quantidades dos combustíveis fósseis consumidos em seu território, o que deixa o estado refém do mercado internacional do petróleo. Porém, com a elaboração do mapa eólico, juntamente com estudos para análise do potencial solarimétrico, ficaram evidenciadas as elevadas capacidades de aproveitamento destas fontes de energia na região", afirma Sacramento.

Segundo ele, a busca pela sustentabilidade requer planejamento e inserção de novas fontes de energia, pois as fontes convencionais como, por exemplo, carvão mineral e derivados do petróleo vêm causando sérios danos ambientais. "Uma economia baseada na queima de combustíveis fósseis influencia diretamente no aumento gradual da poluição atmosférica, o que causa os mais variados efeitos ambientais adversos, como a intensificação do efeito estufa que gera inúmeras mudanças climáticas nocivas à sobrevivência humana", ressalta o pesquisador.

O sistema híbrido de energia solar-eólica, idealizado pelo pesquisador cearense deve começar a ser construído ainda este ano no campus da Capital (Itaperi) da Universidade Estadual do Ceará (Uece). O projeto que, atualmente, tem sete pesquisadores envolvidos, conseguiu junto ao CNPq um financiamento de R$ 250 mil para montar o sistema piloto. "O apoio do CNPq é de fundamental importância para concretizarmos uma ideia formatada há cerca de três anos. A partir do capital disponibilizado poderemos instalar, inicialmente, um sistema piloto para verificarmos o comportamento do sistema", diz.

Funcionamento - O sistema usará o hidrogênio como meio para armazenar a energia elétrica adquirida com os aerogeradores (eólico) e placas (solar). Na concepção do professor, o uso do hidrogênio surge com uma nova tecnologia que trará soluções para os gargalos energéticos locais. "O hidrogênio proporcionará o aumento da disponibilidade de energia no estado, bem como na redução dos gastos com políticas ambientais, pela sua utilização limpa em comparação com outros sistemas convencionais".

Para a produção de energia elétrica, o sistema proposto obtém primeiramente o hidrogênio por meio da eletrólise (processo físico-químico que, a partir da molécula da água, separa o oxigênio do hidrogênio). Tendo o hidrogênio separado, o projeto utiliza-o para armazenar a energia elétrica adquirida a partir de parques eólicos e dos painéis fotovoltaicos.

Perspectivas - "Inicialmente iremos trabalhar apenas com um aerogerador e uma placa fotovoltaica, que serão comprados em abril e setembro, respectivamente, mas esperamos num momento, não muito distante, agregarmos mais equipamentos ao sistema, de forma a aumentar o nível de potência de trabalho", pontua o pesquisador. Em grande escala, ainda é previsto pelo professor o uso de dessalinizadores, os quais utilizarão a água do mar como base para o processo de eletrólise.

Segundo Sacramento os custos de implantação de um sistema com essas características são elevados, pois tratam com tecnologias emergentes. Porém, os avanços tecnológicos nessas áreas (trabalhos com eólica e solar) vêm evoluindo consideravelmente em muitos países, e de acordo com ele, o Brasil não pode ficar na contramão do desenvolvimento. "Apesar de ser um investimento em longo prazo, o uso do hidrogênio será eficiente para comercializar a energia, além de ser ecologicamente correto".

O pesquisador afirma ainda que apesar de haver um investimento considerável na geração de energia elétrica a partir da utilização das fontes eólica e solar no estado do Ceará, é fundamental se investir mais na produção intelectual intensificando investimentos em estabelecimentos de ensino que realizem pesquisas envolvendo a inserção de novas fontes na matriz energética estadual. "Além disso, é preciso conscientizar cada vez mais a sociedade a promover e apoiar tendências menos intensivas de utilização de recursos, inclusive a utilização de menos energia na indústria, agricultura e transporte", finaliza Sacramento.

Hoje, o grupo busca parcerias junto ao governo do estado do Ceará, bem como com empresas privadas que trabalham no setor energético. No Brasil, universidades de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo já trabalham com a mesma ideia.

Fonte: CNPq

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Avanço da energia eólica afeta biomassa



Usineiros e especialista dizem que competição com centrais eólicas é desigual devido a incentivos do governo. Produtores de energia eólica surpreenderam no último leilão. 

O sucesso da energia eólica nos leilões do governo está incomodando os produtores de biomassa e provocando uma disputa entre os geradores desses dois segmentos. Para os produtores de biomassa, é desigual a competição entre a energia produzida com o vento e a resultante da queima do bagaço da cana-de-açúcar. 

"Só a energia eólica tem financiamento do Banco do Nordeste [BNB] de pai para filho", diz Zilmar de Souza, assessor de bioeletricidade da Unica (associação dos produtores de cana), lembrando que a maioria dos projetos de bioeletricidade está no Centro-Sul do país. 

Das 70 centrais eólicas contratadas nos leilões de fontes alternativas da semana passada, 55 estão no Nordeste. Só 12 projetos de biomassa foram selecionados. O preço médio da energia eólica contratada ficou em R$ 130,86 por MWh, ante R$ 144,20 da biomassa. 

Além do custo diferenciado nos financiamentos, Souza diz que incentivos fiscais para a instalação de usinas no Nordeste tornaram a energia eólica mais barata. O Rio Grande do Norte, por exemplo, oferece isenção de ICMS às empresas do setor. 

"Existe uma competição entre fontes diferentes que têm custos e localizações diferentes", afirma Nivalde de Castro, coordenador do Gesel (grupo de estudos do setor elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro). 

Já Ricardo Simões, presidente da Abeeólica (associação brasileira de energia eólica), diz que o grande financiador desses projetos é o BNDES, que também apoia as usinas de cana. "Eventualmente há um financiamento do BNDES mais BNB, mas não vejo muita diferença no custo dos projetos nesse aspecto", afirma. 

Efeito crise 

Segundo Simões, o ganho de competitividade da energia eólica no país está diretamente relacionado à crise econômica. "Na Europa, o setor está estagnado, e os fabricantes de equipamentos viram o Brasil como a nova fronteira no setor", diz. 

Com o aumento da oferta pelos fabricantes e a queda do dólar, o preço dos equipamentos -que representam de 70% a 80% do custo da energia eólica- caiu. Além disso, os produtores de eólica assumiram taxas de retorno menores em seus empreendimentos. "As nossas margens estão inferiores às de biomassa", diz Simões. 

Castro, da UFRJ, afirma que, como a maioria dos projetos de eólicas tem grandes grupos internacionais por trás, como Iberdrola e Suez, é mais fácil assumir margens mais apertadas em nome de preservação do mercado. 

Potencial 

Estima-se que há, no campo, potencial para produção de energia elétrica equivalente a uma Itaipu, a maior hidrelétrica do mundo, com 14 mil MW de capacidade. Mas a participação dos derivados de cana na oferta de energia pouco avançou nas últimas décadas. Passou de 13%, em 1984, para 18%, no ano passado, segundo dados do "Anuário de Energias Renováveis" da AgraFNP, lançado nesta semana. 

Para José Goldemberg, especialista em energia e ex-ministro da Ciência e Tecnologia, faltam incentivos para a bioeletricidade. "O governo deveria encorajar a modernização das usinas, dando condições para o setor introduzir a energia de biomassa a preços mais baixos no mercado", afirma. Hoje, das 434 usinas de cana instaladas no Brasil, apenas 100 exportam energia elétrica para o sistema. 

Usineiros precisam reduzir as margens em biomassa, diz EPE 

Os produtores de cana precisam reduzir a expectativa de retorno dos projetos de bioeletricidade para oferecer energia a preços mais baixos. A avaliação é do presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim. 

"Não se pode querer o mesmo retorno de uma commodity, como o açúcar, em uma atividade que oferece uma receita estável, como o setor elétrico", afirma. 

Para Tolmasquim, como a geração de energia a partir da biomassa é um subproduto da atividade principal das usinas -produção de açúcar e álcool-, o resultado da atividade em bioeletricidade funciona como um "hedge" (espécie de seguro) de receita para o setor. 

Portanto, ele sugere que os usineiros não podem esperar a mesma margem da venda de commodities. "A venda de energia é quase uma aplicação em renda fixa", compara. 

Ele rebate as insinuações de que existem subsídios para a produção de energia eólica no Nordeste. "O financiamento que o BNDES oferece é excelente", argumenta. 

O resultado dos últimos leilões de fontes alternativas, diz Tolmasquim, revelou uma "evolução extraordinária" da energia eólica, com preço mais atrativo do que as térmicas a gás, a R$ 140 o megawatt-hora (MWh). 

O presidente da EPE garante que a produção de energia a partir da queima do bagaço e da palha da cana-de-açúcar tem espaço garantido na matriz energética brasileira. "Seria uma irracionalidade não aproveitarmos o potencial energético da cana." 

Tolmasquim afastou a possibilidade de o governo fazer leilões separados para diferentes tipos de energia alternativas, a fim de evitar uma disputa direta entre as fontes. "Fontes distintas em um mesmo leilão evitam que conluios possam ser formados", afirma. 

(Tatiana Freitas)

Fonte: Jornal da Ciência/Folha de SP

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Leilão ressalta competitividade da energia eólica no Brasil

A produção de energia eólica no Brasil está cada vez mais atrativa. É o que revelou o primeiro leilão de energia gerada pelos ventos promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel),  em São Paulo. Com um deságio de 21,49% em relação preço-teto definido no edital, o leilão negociou 753 lotes de 1 megawatt (MW) ao preço médio de R$ 148,39 MWh. O investimento estimado chega a R$ 9 bilhões e o preço alcançado garante competitividade à fonte eólica, limpa e renovável, frente à geração térmica, poluente e não-renovável.

Os 71 empreendimentos vencedores serão instalados em Sergipe, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e Rio Grande do Sul. Os contratos de compra e venda terão vigência de 20 anos, a partir de 1º de julho de 2012, ano previsto para o início do suprimento.

Com o resultado do leilão, o Brasil reforça sua posição pela preferência por energia gerada a partir de fontes renováveis, que atualmente respondem por 85,4% da oferta interna de energia elétrica, com destaque para geração hidrelétrica. Ao estimular a energia eólica, o País acompanha a tendência de desenvolvimento internacional. A utilização do vento como fonte primária de energia teve crescimento médio de 27% ao ano, de 1990 a 2008. A capacidade instalada mundial é de 121 mil MW. Desse total, 54% estão na Europa, de acordo com dados do Global Wind Energy Council (GWEC). 

O potencial brasileiro para esse tipo de geração pode chegar a 145 mil MW, de acordo com o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), feito em 2001. Atualmente, a potência dos parques eólicos em operação no Brasil é de 602 MW, explorados por 36 empreendimentos. Outros 10 projetos estão em construção, com capacidade de 256,4 MW e 45, com potencial de 2.139,7 MW, já foram outorgados pela Aneel. 

Os leilões de reserva têm como objetivo garantir o suprimento e reduzir os custos operacionais do Sistema Interligado Nacional (SIN). No ano passado, foi realizado o primeiro leilão de energia gerada por biomassa, no qual foram negociados 2.379 MW produzidos por 31 termelétricas movidas a cana-de-açúcar e capim elefante, com suprimento iniciado neste ano e em 2010.