terça-feira, 29 de março de 2011

MP federal fará vistoria em usinas de Angra


Um dos objetivos da inspeção é verificar o plano de evacuação 
para os moradores em caso de emergência.

O procurador federal de Angra dos Reis, Ricardo Martins Baptista, vai visitar amanhã (30) as usinas operadas pela Eletronuclear no município. Ele deverá ser acompanhado por senadores da comissão externa que investiga o assunto no Senado. O objetivo do grupo é conhecer as instalações e os detalhes do plano de evacuação para um eventual acidente ou evento grave.

Conforme O Globo revelou, a empresa, que vai contratar uma consultoria externa para reavaliar a segurança em razão das encostas no entorno, estuda a construção de dois píeres nas imediações da central nuclear para atender a população da região e criar uma alternativa de fuga por mar em caso de emergência. Os constantes deslizamentos na Rodovia Rio-Santos preocupam especialistas. Após a crise desencadeada pelo terremoto com tsunami em Fukushima, no Japão, o Ministério Público federal pediu à Eletronuclear um relatório sobre o funcionamento dos reatores de Angra.

Ameaça - Os questionamentos em relação às rotas de fuga por terra podem levar o prefeito de Paraty, José Carlos Porto, a pedir à Justiça a paralisação das obras de Angra 3. Ele vai decidir se entra ou não com o recurso depois de um encontro que terá amanhã em Brasília com o presidente do Ibama, Curt Trennepohl.

Porto vai tentar liberar as obras de recuperação da estrada Paraty-Cunha, uma opção à Rio-Santos. As intervenções, avaliadas em R$ 60 milhões, já foram licitadas, mas ainda não tiveram início por causa de uma série de exigências feitas pelo Ibama. Desde os danos provocados por um temporal em 2009, a Paraty-Cunha está interditada.

Um dos principais entraves à concessão da licença de obras é uma polêmica em torno do tipo de revestimento mais adequado para as pistas. Inicialmente, as obras previam asfalto, mas o Ibama exige o uso de blocos intertravados, que melhorariam a drenagem no trecho, onde fica o Parque Nacional da Serra da Bocaina.

- Como vão autorizar o funcionamento de Angra 3 sem uma rota de fuga segura?, disse Porto. - O trecho da Rio-Santos em direção a São Paulo está muito precário, e voltar pela rodovia no sentido Rio seria inviável em caso de acidente, porque obrigaria a passar pelas usinas.

O subsecretário estadual de Projetos de Urbanismo (ligado à Secretaria de Obras), Vicente Loureiro, afirmou ontem (28) que já adaptou o projeto para utilizar blocos intertravados. Como considera que as outras exigências também já foram atendidas, ele acredita que as obras terão início ainda este ano. O Ibama fazia objeções ao funcionamento da estrada à noite e também queria cobrar taxa ambiental dos motoristas que passassem pela estrada. Loureiro vai hoje a Brasília tratar do assunto.

- Sobre a cobrança de taxa ambiental, alertamos que ela poderia ser economicamente inviável, porque a estimativa de fluxo de motoristas para a via não é grande, afirmou Loureiro.

O deputado Fernando Jordão (PMDB-RJ), que apresentou projeto de lei propondo royalties de 10% sobre o faturamento bruto das usinas de Angra, disse ontem que o plano de emergência para evacuação do complexo nuclear "tem falhas gritantes":
- A Rio-Santos é uma colcha de retalhos. É só esperar a próxima chuva, novos pontos críticos vão surgir. O governador Sérgio Cabral defendeu ontem a cobrança de royalties.

Em 2004, quando era senador, ele apresentou um projeto de lei sobre o assunto: - Esse é um projeto do qual me orgulho muito porque visa a dar, não só a Angra e às cidades vizinhas, mas também ao Estado do Rio, a possibilidade de ter instrumentos de reação e de preparação de contingência em relação à questão nuclear.

Presidente da Cnen deixa o cargo após denúncias

Em nota, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) informou que o presidente do
órgão, Odair Gonçalves, pediu ao ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, para deixar o cargo. A Cnen negou que a saída de Odair tenha ligação com o fato de Angra 2 funcionar sem licença permanente de operação. Mercadante, que participou ontem da abertura da Abinee Tec 2011, em São Paulo, disse que as mudanças no setor nuclear serão realizadas "no momento oportuno": - Vamos aguardar que as coisas sejam claramente definidas no Japão. Não há sentido em fazer mudanças em meio a uma crise dessa gravidade.

De acordo com Leonam Guimarães, assistente da presidência da Eletronuclear, quando
Angra 2 entrou em operação, foi assinado o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre MP, Ibama, Cnen e prefeitura de Angra, com uma série de compromissos, sem ligação direta com a segurança da usina, como manutenção de rodovias.

Em 2006, o Ibama, líder do processo, fez um parecer considerando que estavam cumpridas todas as exigências do termo e o encaminhou à Câmara do MP, que até hoje não se pronunciou.
Fonte: O Globo

Cnen nega matéria da Revista Isto é

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), nega peremptoriamente a íntegra da matéria veiculada à página 64 da revista Isto É, de 30/3/2011, e comunica que serão tomadas as providências legais cabíveis.

A Cnen repudia a notícia veiculada, onde servidores de carreira na Cnen, que dedicaram toda sua vida profissional à Instituição, assim como cientistas de renome, são atacados com base em informações que não correspondem à verdade, apontadas pelo Presidente da Cnen ao repórter, que optou por ignorar as informações dadas em favor daquelas com mais impacto e potencial de escândalo. A Cnen repudia ainda os apelos sexistas da reportagem.

O Presidente da Cnen, sem nenhuma relação com os fatos apontados, já havia solicitado sua substituição ao Ministro Mercadante, que, em função do acidente do Japão e do trabalho desempenhado, pediu que permanecesse por ora no cargo.

(Comissão Nacional de Energia Nuclear)

segunda-feira, 28 de março de 2011

Bons ventos levam ideias sustentáveis ao Ceará


CNPq apoia pesquisa que busca criar um sistema ambientalmente limpo para 
produção de energia elétrica no Ceará.

Ciência e Tecnologia para o desenvolvimento sustentável têm sido um dos temas mais destacados no meio acadêmico e pelos diversos atores sociais e políticos que englobam a comunidade ou a sociedade civil. Objeto de interesse público, hoje a sustentabilidade não pode ser mais vista apenas como uma preocupação em longo prazo, mas sim, como uma prioridade diária e uma ferramenta insubstituível para garantir o desenvolvimento futuro da humanidade.

Sabe-se hoje que um dos papéis mais importantes da ciência é o de oferecer instrumentos e informações que permitam uma melhor formulação de políticas voltadas para a preservação do meio ambiente. Nesse sentido, pesquisas científicas vêm sendo realizadas com o intuito de criar e consolidar meios mais modernos e eficientes, que busquem diminuir cada vez mais os impactos ambientais causados pela utilização dos recursos naturais.

Fontes alternativas - Preocupado com a necessidade de mitigar os impactos relacionados à obtenção de energia, o físico e engenheiro mecânico, Elissandro Monteiro do Sacramento, propôs a criação de um sistema híbrido que utiliza energia eólica e solar. O projeto, que tem o apoio do CNPq, pretende otimizar o sistema elétrico do Ceará, buscando diminuir os custos com a produção de energia elétrica, e acabando com a dependência de combustíveis fósseis.

"O Ceará importa grandes quantidades dos combustíveis fósseis consumidos em seu território, o que deixa o estado refém do mercado internacional do petróleo. Porém, com a elaboração do mapa eólico, juntamente com estudos para análise do potencial solarimétrico, ficaram evidenciadas as elevadas capacidades de aproveitamento destas fontes de energia na região", afirma Sacramento.

Segundo ele, a busca pela sustentabilidade requer planejamento e inserção de novas fontes de energia, pois as fontes convencionais como, por exemplo, carvão mineral e derivados do petróleo vêm causando sérios danos ambientais. "Uma economia baseada na queima de combustíveis fósseis influencia diretamente no aumento gradual da poluição atmosférica, o que causa os mais variados efeitos ambientais adversos, como a intensificação do efeito estufa que gera inúmeras mudanças climáticas nocivas à sobrevivência humana", ressalta o pesquisador.

O sistema híbrido de energia solar-eólica, idealizado pelo pesquisador cearense deve começar a ser construído ainda este ano no campus da Capital (Itaperi) da Universidade Estadual do Ceará (Uece). O projeto que, atualmente, tem sete pesquisadores envolvidos, conseguiu junto ao CNPq um financiamento de R$ 250 mil para montar o sistema piloto. "O apoio do CNPq é de fundamental importância para concretizarmos uma ideia formatada há cerca de três anos. A partir do capital disponibilizado poderemos instalar, inicialmente, um sistema piloto para verificarmos o comportamento do sistema", diz.

Funcionamento - O sistema usará o hidrogênio como meio para armazenar a energia elétrica adquirida com os aerogeradores (eólico) e placas (solar). Na concepção do professor, o uso do hidrogênio surge com uma nova tecnologia que trará soluções para os gargalos energéticos locais. "O hidrogênio proporcionará o aumento da disponibilidade de energia no estado, bem como na redução dos gastos com políticas ambientais, pela sua utilização limpa em comparação com outros sistemas convencionais".

Para a produção de energia elétrica, o sistema proposto obtém primeiramente o hidrogênio por meio da eletrólise (processo físico-químico que, a partir da molécula da água, separa o oxigênio do hidrogênio). Tendo o hidrogênio separado, o projeto utiliza-o para armazenar a energia elétrica adquirida a partir de parques eólicos e dos painéis fotovoltaicos.

Perspectivas - "Inicialmente iremos trabalhar apenas com um aerogerador e uma placa fotovoltaica, que serão comprados em abril e setembro, respectivamente, mas esperamos num momento, não muito distante, agregarmos mais equipamentos ao sistema, de forma a aumentar o nível de potência de trabalho", pontua o pesquisador. Em grande escala, ainda é previsto pelo professor o uso de dessalinizadores, os quais utilizarão a água do mar como base para o processo de eletrólise.

Segundo Sacramento os custos de implantação de um sistema com essas características são elevados, pois tratam com tecnologias emergentes. Porém, os avanços tecnológicos nessas áreas (trabalhos com eólica e solar) vêm evoluindo consideravelmente em muitos países, e de acordo com ele, o Brasil não pode ficar na contramão do desenvolvimento. "Apesar de ser um investimento em longo prazo, o uso do hidrogênio será eficiente para comercializar a energia, além de ser ecologicamente correto".

O pesquisador afirma ainda que apesar de haver um investimento considerável na geração de energia elétrica a partir da utilização das fontes eólica e solar no estado do Ceará, é fundamental se investir mais na produção intelectual intensificando investimentos em estabelecimentos de ensino que realizem pesquisas envolvendo a inserção de novas fontes na matriz energética estadual. "Além disso, é preciso conscientizar cada vez mais a sociedade a promover e apoiar tendências menos intensivas de utilização de recursos, inclusive a utilização de menos energia na indústria, agricultura e transporte", finaliza Sacramento.

Hoje, o grupo busca parcerias junto ao governo do estado do Ceará, bem como com empresas privadas que trabalham no setor energético. No Brasil, universidades de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo já trabalham com a mesma ideia.

Fonte: CNPq

Mineração de microrganismos


Assunto é tema da palestra do professor Paul Long, da Divisão de Ciências Farmacêuticas do King's College London, no Reino Unido, amanhã (29), na USP. O tema da palestra é From DNA sequences to chemical structures: methods for mining microbial genomic and metagenomic datasets for new natural products.

O evento, com início previsto para o meio-dia, na sala 101 do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, faz parte das atividades do projeto de pesquisa Construção de diplóides da bactéria Streptomyces: implicações na evolução do genoma e descobrimento de drogas, aprovado em chamada realizada pela Fapesp em parceria com o King's College London.

Uma das técnicas usadas na microbiologia ambiental é o isolamento do DNA chamado metagenômico, que inclui todos os genomas em uma única amostra. "Tem sido um grande avanço já que as técnicas microbiológicas atuais revelam perdas de até 99% dos microrganismos presentes na amostra", disse Gabriel Padilla, professor do Departamento de Microbiologia e organizador do seminário.

Segundo ele, o desafio é descobrir como acessar esse elevado número de perdas durante o processo que antecede o sequenciamento de um genoma. "Se a amostra de DNA for de boa qualidade, o resultado será mais preciso, uma vez que o número de informações será impactante", disse.

Devido ao volume, as informações precisam também ser organizadas de modo a evitar perdas de material biológico. Para isso, o grupo de Long desenvolve programas de bioinformática que analisam famílias de compostos químicos que respondem a certas características.

"Em nosso projeto, focamos no grupo dos policetídeos. Do ponto de vista biotecnológico, são moléculas de altíssimo interesse para a ciência básica", disse Padilla. Os policetídeos, como o prefixo já diz, são moléculas de múltiplas aplicações. Tratam-se de complexos produzidos por bactérias, fungos ou plantas, sendo, muitos deles, antibióticos.

Os pesquisadores desejam entender como ocorre a instabilidade genética da bactéria Streptomyces. "Essas alterações dentro do genoma, que ainda não sabemos como ocorrem, podem geram grandes consequências, como a perda da produção do antibiótico", disse Padilla.

De acordo com o pesquisador da USP, essas bactérias são responsáveis por 70% dos antibióticos disponíveis hoje no mercado. "Elas são as maiores produtoras existentes na natureza", disse.

O objetivo de Padilla e Long, que realizam trabalhos nos laboratórios do ICB-USP e no KCL em parceria com outros dois pesquisadores, o alemão John Cullum, e o croata Daslav Hranueli, é descobrir novos policetídeos a partir do estudo da Streptomyces.(Mônica Pileggi)


Fonte: Agência Fapesp

Folha artificial realiza fontossíntese


Da teoria para a prática. A busca pela fotossíntese artificial acaba de dar mais um importante passo. A novidade foi apresentada neste domingo (27) em Anaheim, nos Estados Unidos, por um grupo de cientistas que desenvolveu uma folha artificial capaz de produzir energia.

Na 241ª reunião nacional da American Chemical Society, o grupo liderado por Daniel Nocera, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), descreveu uma célula solar do tamanho de um baralho de cartas capaz de imitar a fotossíntese, processo por meio do qual as plantas convertem luz e água em energia.

A fotossíntese artificial é investigada em centros de pesquisa de diversos países e foi um dos principais assuntos debatidos no Workshop Bioen/PPP Ethanol on Sugarcane Photosynthesis, realizado pelo Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia em 2009.

"Uma folha artificial funcional tem sido uma espécie de cálice sagrado da ciência há décadas e acreditamos que tenhamos conseguido desenvolvê-la. Nossa folha se mostrou promissora como uma fonte de energia de baixo custo para residências pobres em países em desenvolvimento, por exemplo. Nosso objetivo é fazer com que cada casa tenha sua própria geração de eletricidade", disse Nocera.

Apesar de ter como base as folhas verdes, o dispositivo apresentado pelos cientistas norte-americanos em nada lembra um vegetal, com exceção do resultado energético.

O equipamento é feito de silício e cheio de componentes eletrônicos e catalisadores, usados para acelerar reações químicas. Colocado em um balde com água sob a luz do Sol, o pequeno aparelho divide a água em seus dois componentes básicos: hidrogênio e oxigênio.

Hidrogênio e oxigênio são armazenados em células combustíveis, que usa os dois elementos para produzir eletricidade.

Nocera conta que a primeira folha artificial foi desenvolvida há mais de uma década por John Turner, do Laboratório Nacional de Energias Renováveis no Colorado, mas que não se mostrou prático para uso amplo por ser instável, gerar pouca energia e usar metais caros.

O novo dispositivo superou esses problemas, segundo o cientista, usando materiais mais baratos (como níquel e cobalto) e tendo operado sem parar por mais de 45 horas sem perda na produtividade.

Por enquanto a folha artificial do grupo de Nocera é cerca de 10 vezes mais eficiente na fotossíntese do que uma folha normal. Ainda assim seriam precisos dezenas ou centenas de dispositivos para produzir a mesma energia que uma árvore. Entretanto, Nocera estima que a eficiência possa ser multiplicada no futuro. "Da mesma forma que a natureza, acho que o mundo no futuro será alimentado pela fotossíntese, na forma de folhas artificiais", disse.

Fonte: Agência Fapesp

Inpe e Cast realizam testes para recepção de imagens do satélite Cbers-3


Entre os dias 18 e 25 de março, foi verificada a comunicação entre os equipamentos dos subsistemas transmissores de dados do satélite e o software do sistema de ingestão e gravação instalado na estação. Especialistas brasileiros e chineses realizaram testes de compatibilidade eletromagnética entre o satélite Cbers-3 e a estação de recepção e gravação de imagens do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), localizada em Cuiabá (MT).

Em parceria com a Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (Cast), o Inpe mantém o Programa Cbers (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, na sigla em inglês). O Cbers-3 será o quarto satélite a ser lançado pelo programa, que deu ao Brasil o domínio da tecnologia para o fornecimento de dados de sensoriamento remoto.

Os testes realizados em Cuiabá são importantes não só para garantir a recepção das imagens, mas também para a verificação da correta decodificação e recuperação dos dados auxiliares transmitidos junto a elas, tais como os dados de telemetria das câmeras e os dados de órbita e atitude.

Após a validação da estação de Cuiabá para a recepção do Cbers-3, testes semelhantes serão realizados em uma estação de recepção de imagens na China.

Processo - Os testes envolveram os subsistemas transmissores de dados brasileiro (MWT) e chinês (PIT). As imagens previamente gravadas das câmeras brasileiras Multi-espectral (MUXCam) e Imageadora de Amplo Campo de Visada (WFI) e das câmeras chinesas Imageador de Média Resolução (IRS) e de alta resolução PANMux são injetadas nos subsistemas MWT e PIT e transmitidas simultaneamente via antenas para a estação.

Após a recepção e a demodulação, são realizadas a descompressão, decodificação e visualização em tempo real destas imagens. Os dados recebidos devem ser idênticos aos dados enviados. O software do sistema de ingestão e gravação foi desenvolvido sob contrato pela AMS Kepler Engenharia de Sistemas Ltda.

Participaram desta missão 20 especialistas, entre engenheiros e técnicos do grupo de telecomunicações da Divisão de Eletrônica Aeroespacial da Coordenação de Engenharia e Tecnologia Espaciais (DEA/ETE), das estações Terrena de Cuiabá (ETC), de Recepção de Imagens (ERG) de Cuiabá, da Coordenação de Observação da Terra (OBT), estes do Inpe, da indústria brasileira (AMS Kepler) e da Cast.

Fonte: Ascom do Inpe

Presidente da AEB discute cooperação espacial na Alemanha


O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp, chega hoje (28) em Munique, Alemanha, onde se incorpora à comitiva do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) chefiada pelo Brigadeiro Ailton Pohlmann. Até quinta-feira (31) a delegação visita a Agência Espacial Alemã (DLR), onde discute aspectos da cooperação entre DLR e o DCTA em relação ao programa de foguetes de sondagens como o VSB-30.

O VSB-30 é resultado de uma parceria entre o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e a Agência Espacial Alemã (DLR), que financiou parte do seu desenvolvimento. O foguete foi desenvolvido pelo IAE para atender ao Programa Brasileiro de Microgravidade, coordenado pela AEB, e ao Programa Europeu de Microgravidade da Agência Espacial Européia (ESA), com o objetivo de substituir os foguetes britânicos Skylark, cuja produção está descontinuada.

O VSB-30 é um foguete de sondagem, de dois estágios, não-guiado, sendo estabilizado por empenas e lançado por meio de trilhos. No seu primeiro estágio, há um propulsor booster, chamado S31 e o segundo com um propulsor S30, de emprego também nos VS-30, VS-30/Orion e Sonda 3. Ambos propulsores são alimentados com propelente sólido composite a base de polibutadieno hidroxilado e têm envelopes-motores feitos em aço SAE 4140.

A massa da carga útil influencia no apogeu e no período de microgravidade, podendo o valor nominal de 400kg variar.

Em fevereiro de 2004, a empresa canadense Bristol Aerospace havia oferecido ao consórcio europeu um voo gratuito do veículo Black Brant, visando o fornecimento dos veículos seguintes, de modo a substituir o VSB-30 e o VS-30. Uma parte dos integrantes do consórcio passou a desejar essa solução, mas a DLR se manteve firme na defesa do VSB-30.

O sucesso do VSB-30 foi ratificado em 2009 quando recebeu certificação do Instituto de Fomento Industrial (IFI) se tornando o primeiro foguete certificado pelo País.

O VBS-30 é lançado do Centro de Lançamento de Alcântara (MA) e do Centro de Lançamento de Kiruna no campo de Esrange, Suécia. Até o momento já ocorreram 10 lançamentos, todos com sucesso. O primeiro VSB-30 foi lançado em 23 de outubro de 2004 na base de Alcântara (MA). Nos próximos dias estão previstos mais dois lançamentos do foguete no Centro de Lançamento de Kiruna.

Fonte: Ascom do MCT