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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Brasil é ouro na Olimpíada Internacional de Informática


Cerca de 80 países participam todos os anos da IOI, com equipes de até quatro alunos com idades entre 11 e 19 anos. 

O Brasil ganhou sua primeira medalha de ouro na Olimpíada Internacional de Informática (International Olympiad in Informatics - IOI). Na 23ª edição da competição, o País conquistou o terceiro lugar na classificação geral, à frente dos ibero-americanos e de nações como Inglaterra, França, Canadá e Alemanha. O evento ocorreu entre 22 e 29 de julho em Pattaya, na Tailândia.

Felipe Abella Cavalcante Mendonça de Souza, que participou pelo Colégio Geo, de João Pessoa - onde estudou até o fim de 2010 e atualmente é aluno da Universidade Federal de Campina Grande -, foi o responsável pelo fato inédito ao conquistar 598 pontos, dos 600 possíveis.

Souza ficou atrás de apenas dois estudantes, Gennady Korotkevich, da Bielo-Rússia (1º lugar, com 600 pontos), e Haoqiang Fan, da China (599 pontos), que também levaram ouro.

Os outros três competidores da equipe brasileira, Renato Ferreira Pinto Júnior (Colégio Objetivo de São Paulo), Caíque Porto Lira (Colégio Farias Brito, Fortaleza) e Marcos Massayuki Kawakami (Colégio Etapa de São Paulo), conquistaram medalhas de bronze.

Cerca de 80 países participam todos os anos da IOI, com equipes de até quatro alunos com idades entre 11 e 19 anos. Neste ano, a olimpíada contou com 304 jovens, que competiram individualmente resolvendo tarefas de programação de computadores.

Para participar da edição internacional, os estudantes brasileiros são selecionados por meio da Olimpíada Brasileira de Informática (OBI). A competição é promovida anualmente pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e coordenada pelo professor Ricardo Anido, do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (IC-Unicamp).

Anido explica que o processo de classificação na OBI está dividido em três fases, com cinco modalidades cada. Na primeira delas, as provas eliminatórias são realizadas nos colégios. Na segunda, os que têm melhor pontuação participam de uma competição que é realizada, a cada ano, em uma capital do Brasil.

"Dessas duas primeiras etapas, de um universo que se inicia, geralmente, com cerca de 20 mil alunos, selecionamos os 12 melhores. Depois, há uma seletiva na Unicamp, da qual saem os quatro melhores que irão representar o Brasil na IOI", disse à Agência Fapesp.

O professor contou que apenas os alunos da modalidade avançada - composta por estudantes do ensino médio e conhecida por "programação nível 2" - conseguem concorrer à seleção da IOI.

Para Anido, o problema para a participação tardia no torneio internacional não está na idade dos competidores, mas no sistema educacional do Brasil. "Tanto na China como na Rússia, e em alguns países do Leste Europeu, os estudantes têm, desde o equivalente ao nosso ensino fundamental, aulas de programação na grade curricular. Por conta disso, adquirem uma base matemática muito boa. Já na maioria das nossas escolas, não temos nem aulas de informática", destacou.

Mais informações: www.ioi2011.or.th/results e olimpiada.ic.unicamp.br

Fonte: Agência Fapesp

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Inspirados na natureza


A versão sintética do princípio ativo do molusco marinho é um exemplo de como a biodiversidade continua sendo uma fonte inesgotável de arquiteturas moleculares para o desenvolvimento de novas drogas e produtos.

Quase 200 anos depois da descoberta da morfina - que foi isolada pela primeira vez em 1804 pelo farmacêutico alemão Friedrich Wilhelm Adam Serturner da Papaver somniferum - a indústria farmacêutica descobriu na toxina do caramujo marinho Conus magnum um peptídeo que, com apenas algumas modificações estruturais, tornou-se mais potente que o analgésico e alguns de seus derivados utilizados para aliviar dores crônicas.

Aprovado em 2004 pela Food and Drug Administration (FDA) - a agência regulatória de alimentos e fármacos dos Estados Unidos - e lançado sob a marca Prialt, a versão sintética do princípio ativo do molusco marinho é um exemplo ilustrativo de como a biodiversidade continua sendo uma fonte inesgotável de novas arquiteturas moleculares para o desenvolvimento de novas drogas e produtos cosméticos e agroquímicos.

A avaliação foi feita pela professora do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro da coordenação do programa Biota-Fapesp, Vanderlan da Silva Bolzani, na palestra que proferiu no quarto encontro do Ciclo de Conferências do Ano Internacional da Química 2011 sobre "Biodiversidade & Química", realizado em 19 de julho, no auditório da Fapesp.

De acordo com Bolzani, nos últimos 15 anos, com o advento da era pós-genômica, começou-se a especular que os produtos naturais deixariam de exercer o interesse da indústria farmacêutica, devido ao fato de o setor passar a contar com novas técnicas para o desenvolvimento de drogas. Porém, o vaticínio não se cumpriu e os produtos naturais continuam despontando como fontes de ideias em função de fornecerem modelos inéditos de estruturas químicas para o desenvolvimento de novas substâncias bioativas.

"A maioria das novas entidades moleculares existentes hoje é derivada ou inspirada completamente em produtos naturais. Os ambientes terrestre e marinho continuam sendo fontes inesgotáveis de estruturas químicas", disse.

Para referendar essa constatação, de acordo com um recente levantamento internacional, dos 847 fármacos de baixo peso molecular (micromoléculas) lançados no mercado entre 1981 e 2006, 43 eram produtos naturais, 232 produzidos por hemissíntese (parte de sua estrutura é derivada da natureza e a outra parte desenvolvida em laboratório) a partir de produtos naturais e 572 obtidos por síntese total, dos quais 262 eram inspirados em produtos naturais ou poderiam ser considerados análogos de produtos naturais.

Um deles é a nitisinona - um composto ativo descoberto por farmacêuticos suíços da planta Callistemon citrinus L. Myrtaceae, que está sendo usado para o tratamento de um raro distúrbio metabólico chamado tirosinemia hereditária tipo 1.

Lançado no mercado em 2002 sob a marca Orfadin, o medicamento também é bastante exemplar de como o Brasil perde oportunidade de explorar sua rica biodiversidade para o desenvolvimento de novos produtos farmacêuticos, cosméticos e agroquímicos, apontou Bolzani.

"Com a quantidade de mirtáceas que nós temos na nossa biodiversidade seria possível o Brasil desenvolver muitos medicamentos como esse. Nós teríamos uma riqueza enorme se tivéssemos no país um ambiente favorável não só à pesquisa básica, como para o desenvolvimento e melhores marcos regulatórios", afirmou.

Obstáculos - A opinião da pesquisadora foi compartilhada pelo professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do programa Biota-Fapesp, Carlos Alfredo Joly.

Na avaliação dele, a legislação brasileira é o maior obstáculo hoje para o aproveitamento econômico dos estudos e o desenvolvimento no país da química de produtos naturais.

"Apesar da nossa riqueza em biodiversidade, o Brasil produz pouquíssimos novos fármacos. Uma parte desse problema é estrutural e a outra da legislação que regulamenta o acesso aos recursos genéticos no País, que é uma medida provisória que está em vigor há 11 anos e tem uma série de exigências que tornam um martírio o processo de obtenção de licença e de todas as autorizações para se trabalhar na identificação de novas moléculas", afirmou.

De acordo com o pesquisador, esse entrave ao desenvolvimento da área de química de produtos naturais representado pela legislação foi uma das razões pelas quais aceitou o convite para assumir no início deste ano a diretoria do Departamento de Políticas e Programas Temáticos (DPPT) da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Desde que assumiu o cargo, o pesquisador diz que está empenhado na elaboração de uma legislação que regulamente o acesso aos recursos genéticos no Brasil que já incorpore as resoluções do Protocolo de Nagoya. Aprovado durante a 10ª Conferência das Partes (COP-10) da Convenção sobre Diversidade Biológica, realizada em outubro de 2010, no Japão, o protocolo estabelece a repartição de benefícios dos recursos genéticos provenientes da biodiversidade dos países.

"A convenção era muito tênue e o protocolo é muito mais incisivo no aspecto de dar proteção aos países detentores de biodiversidade. Com uma nova legislação brasileira sobre o acesso aos recursos genéticos baseada no Protocolo de Nagoya, se espera dar condições para a realização no Brasil de pesquisas que resultem na ampliação da possibilidade de utilização da nossa biodiversidade", avaliou.

Segundo Joly, a transformação de recursos da biodiversidade em valor também é um dos objetivos do programa Biota-Fapesp, que desde que foi iniciado, em 1999, vem inventariando sistematicamente a biodiversidade do Estado de São Paulo.

Para aumentar a possibilidade de se conseguir transformar o potencial econômico de recursos da biodiversidade paulista em algo concreto, o programa ampliará a área de bioprospecção, principalmente da biodiversidade marinha.

"Nós não estamos mais só olhando no Biota-Fapesp a parte de bioprospecção de plantas e vertebrados terrestres, mas também estudando, principalmente, algas e invertebrados marinhos. Essa é uma área nova extremamente promissora que se tem trabalhado com sucesso no mundo inteiro e que nós precisamos ampliar", disse.

Próximo evento - O próximo Ciclo de Conferências do Ano Internacional da Química 2011, com o tema "A química doce, amarga e perfumada", será realizado no dia 3 de agosto, a partir das 13h30, no auditório da Fapesp.

Promovido pela Sociedade Brasileira de Química (SBQ) em parceria com a revista Pesquisa Fapesp, o evento integra as comemorações oficiais do Ano Internacional da Química, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac, na sigla em inglês).

O ciclo é coordenado por Vanderlan da Silva Bolzani, professora do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro do comitê nacional de atividades do AIQ-2011 da SBQ, e por Mariluce Moura, diretora de redação da revista Pesquisa Fapesp.

Fonte: Agência Fapesp

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Perspectivas da inovação brasileira


Foi lançado hoje (2), na Câmara dos Deputados, o livro Inovações Tecnológicas no Brasil - desempenho, políticas e potencial.

Composto pela Prospectiva Consultoria, em parceria com a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), o livro, publicado pela editora Cultura Acadêmica, é uma coletânea de análises de gestores na área de ciência e tecnologia sobre a problemática que envolve o desenvolvimento de pesquisa no Brasil, especialmente na área da saúde.

Entre os autores dos artigos reunidos na publicação estão o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, e o professor da Unicamp e membro da Coordenação Adjunta de Pesquisa para Inovação da Fapesp, Sérgio Robles Reis de Queiroz.

Brito Cruz é autor de um capítulo sobre recursos humanos para a ciência e tecnologia, em que chama a atenção para a baixa inserção de pesquisadores em empresas nacionais. Por sua vez, Queiroz escreveu um artigo sobre atração de investimentos para inovação, em que argumenta que a atratividade do país para pesquisa e desenvolvimento ainda é baixa, mesmo com algumas melhorias realizadas nos últimos anos.

Os organizadores da obra são o professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e diretor da Prospectiva Consultoria, Ricardo Ubiraci Sennes, e o presidente executivo da Interfarma, Antonio Britto Filho.

Foram convidados para o lançamento o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, e do presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados, Bruno Araújo.

No evento, se realiza o painel Inovação no Brasil em perspectiva comparada, que tem como palestrantes Brito Cruz e o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Glauco Arbix, que também é um dos autores do livro.

Fonte: Agência Fapesp

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Biomassa incerta


Tema foi debatido no Workshop do Programa Fapesp de Pesquisa em 
Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), na semana passada, em São Paulo.

"As estimativas anuais de áreas desmatadas em florestas tropicais são precisas e altamente confiáveis - pelo menos no Brasil. Mas a utilização desses dados para avaliar as emissões de carbono provenientes de mudanças de uso do solo traz grandes incertezas, principalmente porque o mapeamento da biomassa das florestas é precário."

A avaliação foi feita por Shaun Quegan, diretor do Centro de Dinâmica do Carbono Terrestre e professor do departamento de Matemática Aplicada da Universidade de Sheffield (Reino Unido), na abertura do Workshop do Programa Fapesp de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, na quarta-feira (11).

O evento de dois dias se destinou aos coordenadores, pesquisadores principais, colaboradores e estudantes dos 17 projetos em andamento do PFPMCG e teve ainda a participação de coordenadores e equipes dos projetos de pesquisa dos programas Biota-Fapesp e Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (Bioen).

Quegan explicou que fazer estimativas das emissões produzidas por mudanças do uso da terra é uma tarefa extremamente difícil, especialmente porque não existem mapas consistentes de biomassa das florestas. Em sua apresentação, ele comparou sete diferentes mapas produzidos por grupos de pesquisa distintos.

"Os mapas são tão diferentes que é impossível pensar até mesmo em uma estimativa em termos de médias. Comparando esses sete mapas de biomassa da Amazônia, que mostram a maneira como a biomassa está distribuída no espaço, efetivamente constatamos que a correlação é zero. Temos a impressão de olhar para algo completamente aleatório", disse à Agência Fapesp.

Segundo ele, sem mapas mais precisos é impossível avaliar com exatidão as emissões causadas por mudanças no uso da terra e compreender integralmente os fluxos de carbono responsáveis pelo aquecimento global e por outras mudanças climáticas.

"As fontes das emissões continuam sendo um grande problema para a ciência. A biomassa representa o material na árvore, que vai parar em algum lugar quando a floresta é substituída. No que diz respeito ao clima, a questão é que uma parte significativa desse material vai parar na atmosfera", disse.

Sem saber quanta biomassa é perdida com a queima de uma determinada área de floresta, só obtemos estimativas muito pobres sobre qual é a quantidade de carbono que vai para a atmosfera.

"Se não conhecemos essa quantidade, não sabemos o quanto precisamos reduzir de emissões. Em segundo lugar, sem essas estimativas, não podemos avaliar qual é o teto para permitir mudanças no uso da terra, em termos de área. Saber estimar a biomassa é importante tanto economicamente como cientificamente", afirmou.

De acordo com Quegan, as tecnologias com base no espaço são importantes para realizar essas estimativas. "Trabalhamos para desenvolver tecnologias de base espacial para realizar as medidas reduzindo esses erros nas estimativas. Temos técnicas já bastante desenvolvidas, com uso de satélites, que têm o objetivo de fornecer mapas de biomassa que sejam globais, imparciais e em escala de metros", afirmou.

Para que os dados sejam aplicáveis na ciência do clima, além das técnicas de estimativa de biomassa, há necessidade também de desenvolver sistemas de satélites capazes de estimar o desmatamento. Segundo Quegan, o Brasil é uma exceção positiva em relação a esses sistemas.

"Nos países onde há florestas tropicais, o Brasil é a única exceção. O país é o único que possui infraestrutura para medir os dados e fazer os cálculos. A razão para isso é que há mais de 20 anos o país tem sistemas avançados para monitorar o que ocorre na Amazônia", disse.

Os sistemas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), segundo Quegan, são um exemplo para todo o mundo. "São os mais ambiciosos e importantes programas existentes para monitorar a superfície terrestre em todo o mundo. Outra coisa realmente admirável é que esses dados estão disponíveis gratuitamente na internet. Isso é extraordinário e exemplar", destacou.

Programa integrado - A abertura do workshop foi conduzida pelo diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, e pelo presidente da coordenação do PFPMCG, Reynaldo Luiz Victoria. De acordo com Brito Cruz, trata-se do primeiro workshop realizado desde que foram contratados os projetos da primeira rodada do programa. O objetivo, segundo ele, é criar oportunidades para uma boa integração entre os vários projetos de pesquisa que compõem o PFPMCG.

"Essa integração é justamente o que justifica a existência de um programa. O workshop, portanto, não é um fato acessório da atividade de pesquisa. É uma atividade essencial das mais importantes, que vai nos ajudar a ter um programa integrado, estabelecendo o diálogo entre os responsáveis por cada projeto. A ciência só avança em ambientes onde há debate e discussão", afirmou Brito Cruz.

O PFPMCG foi organizado pela Fapesp a partir de uma proposta da comunidade científica. O objetivo é que o programa tenha duração mínima de dez anos. Os projetos avulsos, segundo Brito Cruz, ainda são bem-vindos. "Os novos projetos relacionados com mudanças climáticas que são submetidos ajudam a indicar quais temas poderão ser contemplados em futuras chamadas do programa", disse.

Há ainda projetos avulsos que podem ser incorporados ao programa. Foi o que ocorreu com o projeto que permitiu, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), adquirir o supercomputador Tupã, em uso no Inpe para desenvolver novos modelos climáticos. Outro exemplo é a aquisição do novo navio oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP).

Victoria destacou que o PFPMCG envolve não só pesquisadores, mas alunos e pós-doutorandos e que, a partir de agora, os workshops serão realizados pelo menos uma vez por ano.

"Os alunos e pós-doutorandos são importantes para a sinergia do programa, pois estão efetivamente com a mão na massa. Queremos que esse sinergismo nos ajude a detectar novos rumos a tomar, além de indicar possíveis falhas e limitações, revelando novas frentes que poderão ser atacadas em chamadas posteriores", afirmou.

Fonte: Agência Fapesp

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Frontiers of Science tem relatório de reunião brasileira


A Royal Society, academia de ciência no Reino Unido, publicou o relatório UK-Brazil Frontiers of Science Meeting, com os principais resultados dos debates no encontro de mesmo nome realizado em Itatiba (SP), em agosto de 2010. 

O simpósio de quatro dias integrou o programa Frontiers of Science, uma série de encontros promovidos periodicamente pela Royal Society em diversos países, com o objetivo de estimular os participantes a refletir sobre os novos rumos de seus campos de atuação, assim como de outras áreas do saber.

A publicação traz resumos de todas as sessões no simpósio, relação dos participantes, principais pontos debatidos e considerações dos pesquisadores reunidos sobre o evento.

O evento foi organizado pela Royal Society e pela Fapesp, em parceria com British Council, Academia Brasileira de Ciências, Academia Chilena de Ciências e Cooperação Reino Unido-Brasil em Ciência e Inovação.

"A Royal Society completou 350 anos em 2010 e realizou uma série de eventos comemorativos. A escolha do Brasil para sediar uma das principais iniciativas naquela data mostra a importância conquistada pelo País no contexto internacional da ciência", disse um dos coordenadores da organização do evento, Marcelo Knobel, pró-reitor de graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), à Agência Fapesp.

Além de Knobel, o comitê de organização foi coordenado por Richard Kirby, da Escola de Ciência e Engenharia Marinha da Universidade de Plymouth, no Reino Unido.

Para o simpósio, foram selecionados preferencialmente pesquisadores com menos de 20 anos de doutorado e liderança reconhecida no meio acadêmico. Além dos 27 palestrantes e dos 16 membros do comitê organizador, foram convidados outros 27 pesquisadores para participar dos debates.

Os debates abordaram uma gama extraordinária de áreas de pesquisa, incluindo biocombustíveis, plasticidade cerebral, modelagem matemática de populações e doenças, jornalismo científico, emaranhamento quântico e efeitos das mudanças climáticas no desenvolvimento de plantas.

O programa The Frontiers of Science foi concebido originalmente pelo geofísico Frank Press, presidente da Academia de Ciências dos Estados Unidos de 1981 a 1993. O primeiro encontro ocorreu em 1989. O formato foi adaptado pela Royal Society em 2004 e, desde então, a academia britânica tem organizado encontros em diversos países.

"As palestras tiveram enfoque geral - já que foram apresentadas a cientistas de outras áreas -, contextualizando os temas abordados. O objetivo foi fomentar a discussão, para que cada participante pudesse expandir seus horizontes de pesquisa, refletindo sobre assuntos que normalmente não temos oportunidade de abordar, devido à especialização da ciência", disse Knobel.

Para Knobel, que também é membro da coordenação da área de Física da Fapesp, essa dinâmica é bastante enriquecedora, principalmente quando se leva em conta o perfil dos participantes.

"Como são cientistas que ainda têm muito pela frente, esse contato com as grandes questões científicas de todas as áreas, tornado possível pelo simpósio, tende a gerar parcerias e colaborações internacionais", afirmou.

Fonte: Agência Fapesp

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Energia solar com ajuda de vírus


Um grupo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, descobriu uma forma inusitada de melhorar a eficiência na conversão de energia solar em elétrica: por meio do uso de vírus. O estudo, publicado na revista Nature Nanotechnology, emprega também nanotubos de carbono para aumentar a eficiência no agrupamento de elétrons na superfície da célula solar para a produção de corrente elétrica.

Essa propriedade dos nanotubos era conhecida, mas seu uso em tal aplicação era prejudicado por dois problemas. Em primeiro lugar, sua fabricação produz geralmente uma mistura de dois tipos: semicondutor e metálico. Outro problema é que os nanotubos tendem a se aglutinar, o que reduz sua eficiência.

A nova pesquisa mostrou que os efeitos dos dois tipos de nanotubos são diferentes e que os semicondutores podem melhorar o rendimento das células solares, enquanto os metálicos têm o efeito oposto.

Para resolver o problema do aglutinamento dos nanotubos, entram em cena os vírus. Xiangnan Dang e colegas observaram que uma versão modificada geneticamente de um vírus conhecido como M13, que geralmente infecta bactérias, pode ser usada para controlar o arranjo de nanotubos em uma superfície, mantendo-os separados e isolados de modo que eles não grudem uns nos outros nem causem curtos-circuitos.

Nos testes, a estrutura com vírus aumentou de 8% para 10,6% a eficiência da conversão energética. Os cientistas do MIT usaram um tipo de célula solar de baixo custo na qual a camada ativa é composta de dióxido de titânio, mas afirmam que a técnica pode ser aplicada em células convencionais de silício.

O conjunto de nanotubos e vírus representa um peso ínfimo, de aproximadamente 0,1% da célula solar. Os vírus realizam duas funções diferentes no sistema. Primeiramente, eles fazem com que pequenas proteínas (peptídeos) se unam fortemente aos nanotubos, mantendo separadas as minúsculas estruturas de carbono. Cada vírus é capaz de segurar até dez tubos, cada um mantido por 300 peptídeos.

Além disso, os vírus foram induzidos geneticamente para produzir um filme de dióxido de titânio - ingrediente fundamental para as células solares utilizadas - sobre cada um dos nanotubos, aproximando o dióxido de titânio dos nanotubos que transportam os elétrons.

As duas funções foram realizadas alternadamente, por meio da mudança da acidez do meio no qual os vírus se encontram. Segundo os autores do estudo, essa troca de função também foi demonstrada pela primeira vez.

Fonte: Agência Fapesp

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Menos gestão e mais pesquisa


A Universidade Estadual Paulista (Unesp) aprovou a criação, em todas as suas unidades, de seções técnicas que darão apoio institucional aos seus pesquisadores.

O objetivo principal da iniciativa, de acordo com Maria José Soares Mendes Giannini, pró-reitora de Pesquisa, é permitir que os cientistas sejam poupados da pesada carga de trabalho exigida para a gestão e administração de projetos de pesquisa e possam, dessa forma, dedicar-se mais à pesquisa e à orientação de alunos. Os escritórios também darão apoio às relações internacionais.

De acordo com o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, a Fundação tem estimulado fortemente as universidades paulistas a criar estruturas que garantam o apoio institucional. "Esse é um assunto importante para a Fapesp. É preciso haver apoio para evitar que o pesquisador se desgaste na administração do projeto e na sua gestão, de tal modo que o seu tempo possa ser dedicado à pesquisa e à orientação de estudantes", disse.

Algumas instituições brasileiras já têm escritórios de apoio técnico semelhantes. A Unicamp, por exemplo, criou em 2003 a Unidade de Apoio ao Pesquisador, que realiza prestações de contas de projetos às agências de fomento, preparação de formulários e documentos para submissão de projetos, levantamento de editais e fontes de financiamento e orientações nos processos de compras e no uso dos recursos.

Um artigo recente publicado na revista Research Managment Review destaca a importância da existência de estruturas de apoio institucional à pesquisa. "O texto mostra que, nos Estados Unidos, 42% do tempo do pesquisador é gasto com administração dos projetos de pesquisa", disse Brito Cruz.

De acordo com Giannini, as Seções Técnicas de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão serão implementadas em todas as unidades da Unesp, com a atribuição de apoiar as atividades de pesquisa e internacionalização. Toda essa estrutura será coordenada por um Escritório Central de Apoio à Pesquisa (Ecap), centralizado na Pró-reitoria de Pesquisa.

"O Ecap oferecerá consultoria para as demais seções técnicas e fornecerá os elementos necessários para que elas padronizem o treinamento do pessoal que será contratado. Esses escritórios regionais, por sua vez, darão todo o apoio institucional para os projetos de pesquisa e para as relações internacionais", disse Maria Giannini.

A expectativa, segundo ela, é que as novas estruturas ajudem a contornar um dos principais gargalos para o crescimento da pesquisa na universidade: a prestação de contas de projetos financiados pelas agências de fomento.

"Com a nova estrutura, vamos aumentar a nossa demanda por projetos de pesquisa e elevar nossa competitividade nos grandes projetos da Fapesp, minimizando os erros de prestação de contas. Achamos também que os escritórios permitirão que possamos prospectar melhor os editais internacionais", disse Maria Giannini, que também é conselheira da Fapesp.

Entre várias outras atribuições, os escritórios deverão assessorar docentes e alunos na elaboração de pedidos de auxílios à pesquisa e submissão de projetos às agências, divulgar programas e bolsas disponíveis, auxiliar na divulgação, elaboração e aprimoramento de projetos e gerenciar parcerias resultantes dos projetos.

"Os escritórios vão também conferir e encaminhar a documentação para as agências de fomento, orientar o corpo docente no preenchimento do Currículo Lattes, apoiar parcerias empresariais, orientar a prestação de contas de projetos dos pesquisadores, divulgar editais associados à internacionalização da Unesp e organizar eventos que levem à integração dos alunos estrangeiros nas unidades", explicou.

Segundo a pró-reitora, o Ecap criará um portal na internet para dar apoio aos escritórios regionais e levantará dados gerais sobre projetos e financiamento de pesquisas da Unesp, produzindo relatórios anuais de pesquisa. "O Ecap terá um papel importante de agregar dados gerais sobre os projetos de pesquisa apoiados na universidade. Com isso, será possível centralizar e monitorar a informação sobre o retorno dos projetos. Ter esses dados à disposição será fundamental para traçar políticas de pesquisa", afirmou.

Pontos de Apoio - Em algumas unidades da Unesp já existem seções técnicas estruturadas, que serão aproveitadas. "A diferença é que agora, além de serem implantados em todas as unidades, os escritórios contarão com a contratação de pessoas qualificadas e treinadas especialmente com essa finalidade. Como haverá uma forte ênfase nas relações internacionais, esses profissionais precisarão ter domínio não apenas de toda a parte financeira e de gestão, mas também de línguas estrangeiras", disse Giannini.

A Unesp tem hoje 32 unidades distribuídas em 23 campi. A universidade conta ainda com 18 Pontos de Apoio Fapesp, que também servirão como embriões das novas estruturas de apoio técnico.

"Estamos contratando o pessoal e os quadros serão proporcionais à demanda, de acordo com um levantamento que fizemos sobre o número de projetos aprovados por cada unidade. Provavelmente, teremos um mínimo de três funcionários trabalhando em cada seção, mas isso irá variar de acordo com a necessidade de cada uma, considerando que a Unesp tem unidades com diferentes graus de complexidade", disse Maria Giannini.

O número de funcionários aumentará continuamente de acordo com a necessidade. Serão assistentes de suporte acadêmico e assistentes administrativos capazes de realizar todas as tarefas referentes à execução orçamentária e financeira dos projetos.

"Começamos a organizar o treinamento do pessoal, a fim de estabelecer as novas seções técnicas e uniformizar os serviços das que já existem. O setor de recursos humanos está orientando as unidades a contratar pessoal com o perfil que precisamos. É possível que em seis meses a maior parte das estruturas já esteja operacional", afirmou a pró-reitora de Pesquisa.

Fonte: Agência Fapesp

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Pós em sustentabilidade


A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus de Diadema (SP), está com inscrição aberta, até 4 de março, para a primeira turma do programa de pós-graduação em ciência e tecnologia da sustentabilidade. O curso é inédito no Brasil.

O curso abrange as áreas da química, engenharia, ciências ambientais, física, geologia, farmácia e biologia.

Com 25 vagas, o curso visa a promover a interdisciplinaridade por meio das seguintes linhas de pesquisa: desenvolvimento e aplicações de materiais sustentáveis; desenvolvimento de moléculas bioativas; ótica biomédica e biossensores; energia e sustentabilidade; engenharia de processos e controle ambiental; e ciências moleculares da sustentabilidade.

"O programa diferencia-se por propor um estudo formal da sustentabilidade com fundamentação científica e tecnológica para um desenvolvimento sustentável", disse a vice-coordenadora do programa, Fernanda Camilo. De acordo com ela, os principais motivos que levaram à criação do programa foram o potencial da represa Billings e seu entorno como campo de pesquisa, além do crescente parque industrial de Diadema, com empresas que buscam a modernização da produção e o manejo sustentável. "Neste contexto, o oferecimento de uma pós-graduação pública na área de ciência e tecnologia da sustentabilidade mostra-se claramente oportuna no âmbito da demanda regional e micro-regional", disse.

Os profissionais que se formarem no programa estarão aptos para atuar no meio acadêmico, indústrias, órgãos públicos reguladores e certificadores, suporte científico e tecnológico nas áreas de Saúde e Meio Ambiente, além de organizações não-governamentais (ONGs).

Os interessados devem se inscrever na secretaria do programa, na Rua Prof. Artur Riedel, 275, Jardim Eldorado, em Diadema, munidos da documentação exigida, que pode ser acessada em www.unifesp.br/homediadema/pg/sustenta

Mais informações e inscrição: www.unifesp.br ou pelos telefones (11) 3319-3314 ou 3319-3370.

Fonte: Agência Fapesp

Planos de cooperação entre Brasil e Reino Unido


Com o objetivo de incrementar as cooperações entre Brasil e Reino Unido em pesquisas sobre doenças tropicais, um grupo de 30 cientistas dos dois países iniciou nesta segunda-feira (21) o UK-Brazil Tropical Medicine Workshop, em São Paulo. O evento de dois dias, organizado pela Fapesp e pelo Consulado Britânico em São Paulo, integra a Parceria Brasil-Reino Unido em Ciência e Inovação. A realização foi solicitada pela Academia de Ciências Médicas (AMS, na sigla em inglês) do Reino Unido.

De acordo com Robert Souhami, secretário de relações exteriores da AMS, o objetivo central do evento é discutir a fundo os mecanismos de financiamento da ciência nos dois países e propor maneiras para torná-los mais eficientes na promoção de cooperações de pesquisa sobre doenças como malária, leishmaniose, esquistossomose e doença de Chagas. Ambos os países têm excelência científica nessa área.

"O workshop envolve discussões sobre ciência na área de medicina tropical, mas o objetivo principal é identificar áreas nas quais as colaborações poderiam ser melhoradas ou desenvolvidas, além de entender como funcionam os mecanismos de financiamento de ciência no Brasil e no Reino Unido - e como esses mecanismos podem ser melhorados para atingir a máxima eficiência no contexto da pesquisa colaborativa", disse Souhami.

Segundo ele, a iniciativa do workshop surgiu a partir da necessidade de aumentar a presença da América Latina na Rede de Ciência e Inovação, criada pelo governo britânico em 2000. Com base em consulados britânicos espalhados em mais de 20 países, a rede se encarrega de desenvolver colaborações científicas entre o Reino Unido e outros países, em diversas áreas do conhecimento.

"Quando olhamos o mapa da Rede de Ciência e Inovação, vemos que a maior parte dos consulados onde ela se baseia está na União Europeia e, por razões históricas, nos países que fizeram parte das ex-colônias britânicas ao longo da história. Mas existe um grande vazio na América Latina. O único consulado no continente que integra a rede é o de São Paulo", disse Souhami.

De acordo com o cientista, a intenção de aumentar as parcerias na região - em especial no Brasil - justifica-se pelo contínuo crescimento da pesquisa científica latino-americana em termos de qualidade e quantidade.

"Nos últimos 20 anos vimos um crescimento incrível da produção científica em países como Argentina, México, mas especialmente no Brasil, onde ela dobrou entre 2003 e 2008. A ciência brasileira atingiu um patamar de importância inegável e seria uma loucura se o Reino Unido não estivesse preocupado com o aumento das colaborações entre os cientistas dos dois países", disse Souhami.

Por sediar a representação da Rede de Ciência e Inovação no Brasil, a cidade de São Paulo foi escolhida como ponto de partida para a expansão das colaborações e identificou que no campo de ciências biomédicas a AMS seria o parceiro ideal para essa tarefa.

De acordo com Souhami, a AMS representa o mais alto nível de ciências biomédicas no Reino Unido em diversas áreas da pesquisa biomédica. A academia tem 900 membros escolhidos com base em mérito científico em uma seleção muito competitiva.

"Dentro dessa equipe altamente qualificada, temos cerca de 50 cientistas que trabalham com doenças infecciosas. Muito deles já estão envolvidos com estudos em parceria com pesquisadores brasileiros. Como também se trata de um problema de grande importância para o Brasil, achamos que esse seria o tema ideal para focar o workshop e iniciar a discussão sobre a expansão das colaborações", disse.

De acordo com um levantamento feito pela Embaixada Britânica no Brasil, o país é o maior produtor mundial em pesquisa para as áreas de Medicina Tropical e Parasitologia, sendo responsável, respectivamente, por 18,4% e 12,3% da produção global nessas áreas. O Reino Unido, por outro lado, é o segundo país do mundo em termos de qualidade e impacto das pesquisas desenvolvidas nas áreas médicas e clínicas.

Segundo Souhami, o workshop tem foco na discussão sobre os mecanismos existentes para viabilizar as cooperações entre os dois países. "O objetivo é entender como utilizar esses mecanismos da melhor forma e explorar ao máximo esse potencial de colaboração. Estamos discutindo, por exemplo, maneiras muito interessantes de financiar jovens pesquisadores em conjunto", afirmou.

Além de identificar possibilidades de projetos de pesquisa conjuntos, colaborações, alternativas de financiamento e intercâmbio para treinamento de pessoal, o workshop tem o objetivo de identificar os obstáculos atuais para as colaborações e apontar áreas de interesse comum para pesquisa.

"Queremos identificar as complementaridades entre as áreas de excelência dos dois países. Logo nas primeiras discussões pudemos apontar áreas muito promissoras para colaborações científicas. Por exemplo, percebemos que as pesquisas sobre o Plasmodium vivax estão se tornando cada vez mais importantes para os cientistas brasileiros. Na cooperação com a Indonésia, o Reino Unido tem muitos estudos sobre esse tema. Está claro que o Brasil deveria fazer parte desses estudos" declarou. (Fábio de Castro)

Fonte: Agência Fapesp