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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

CARAVANA ANTINUCLEAR parte para o Sertão nesta quinta-feira


No período de 28 a 31 de outubro a Caravana Antinuclear estará percorrendo os municípios pernambucanos de Belém do São Francisco, Floresta, Itacuruba e Jatobá. O objetivo é levar para estas cidades sertanejas informações sobre os impactos que ocorrerão com a instalação de uma usina nuclear em Itacuruba. O ônibus conduzindo seus integrantes sairá da frente da Reitoria da UFPE, às 17 horas desta quinta-feira, dia 27. Nele vão embarcar integrantes do MESPE - Movimento Ecossocialista de Pernambuco, do Greenpeace e da Articulação Anti Nuclear Brasileira, acompanhados de professores universitários, jornalistas, artistas e ambientalistas daqui e de outras partes do país, que vieram apoiar essa mobilização.

A Caravana terá atividades integradas como exposições, debates, feira de ciências, apresentação de teatro, cantadores e poetas populares, para ajudar a população a compreender os riscos de uma usina nuclear na região, assim como as possibilidades de gerar energia elétrica a partir do sol, dos ventos, de outras fontes renováveis de energia que não destroem a natureza e nem causam danos às pessoas. “A Caravana Antinuclear espera alertar as populações para os riscos da instalação dessa usina. O governo decidiu e planeja instalar a usina nuclear, mas não faz um diálogo com o povo da região para que ele fique ciente dos riscos, principalmente à saúde e ao meio ambiente. A Caravana vem para cumprir esse papel, para isso organizações locais ajudam a mobilizar o maior número de pessoas”, afirma o coordenador da Caravana, físico e professor Heitor Scalambrini Costa.

A primeira parada será nesta sexta-feira, em Belém do São Francisco, no sábado a Caravana aporta em Floresta, no domingo em Itacuruba, local onde está prevista a instalação da usina. A última cidade a receber os manifestantes antinucleares será Jatobá, com a programação prevista para segunda-feira. Todas as atividades da Caravana serão gratuitas. Associações, sindicatos, igrejas, escolas e várias outras organizações sociais da região estão se mobilizando para participar do evento.

Jornalista/Assessor de Imprensa: Gerson Flávio – 8649.8759 ou 7812.0080

Fonte: enviado por e-mail

terça-feira, 3 de maio de 2011

Meio Ambiente realiza nova audiência sobre segurança nuclear


A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável realiza hoje (3) uma nova audiência pública para discutir a segurança do Programa Nuclear Brasileiro, já tendo debatido o tema no último dia 12 de abril, quando foi apontada a falta de um projeto para conter a radiação nas usinas de Angra (RJ) em caso de acidente severo.

Nesta semana, a comissão espera ouvir representantes da Eletrobrás Termonuclear (Eletronuclear) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que foram convidados para o debate anterior, mas não compareceram. O presidente da comissão, deputado Giovani Cherini (PDT-RS), disse que essa ausência foi um desrespeito aos parlamentares.

"O Ibama teria que confirmar aqui que a energia nuclear não tem licença para funcionar no Brasil", afirmou o deputado. E acrescentou, "Será que a Eletronuclear acredita que está fora da fiscalização desta Casa?"

O debate foi sugerido após o acidente nuclear ocorrido em março na usina de Fukushima, no Japão. Por causa desse acidente, os deputados querem avaliar a situação do Programa Nuclear Brasileiro e a possibilidade de investimento em outras formas de energia.

Preocupação mundial - "O acidente de Fukushima, que pode se repetir em outras centrais nucleares pelo mundo, provoca dúvidas sobre o nível de segurança das usinas nucleares e estimula o debate sobre a necessidade de se usar esse tipo de energia", afirmou Ricardo Tripoli. Ao sugerir a audiência, ele defendeu maiores investimentos em fontes alternativas, como a eólica e a solar.

Hoje, funcionam no País as usinas nucleares de Angra 1 e 2, que juntas têm capacidade de produzir 2.007 MW. A partir de 2015, está previsto o início das operações de Angra 3, que vai gerar 1.405 MW. Além disso, o Plano Nacional de Energia (PNE 2030) aponta para a necessidade de construção de mais quatro usinas nucleares com capacidade de 1.000 MW cada uma, sendo duas no Nordeste e duas no Sudeste. O cronograma da Central Nuclear do Nordeste prevê o início da operação da primeira usina em 2019 e da segunda em 2021.

Custo elevado - O líder do PV, deputado Sarney Filho, afirmou que a construção dessas usinas tem um custo estimado de R$ 30 bilhões. "Esse total de recursos seria suficiente para a implantação de outras fontes de energia para produzir, no mínimo, quatro vezes mais energia", argumentou o deputado, em requerimento apresentado à comissão.

Ele também criticou a falta de uma "solução satisfatória" para o tratamento dos resíduos nucleares, hoje armazenados em locais temporários. "A radioatividade dos resíduos do urânio processado nas centrais é muito elevada, com graves riscos para a saúde pública por muitos anos."

Sarney Filho e o líder do PSDB, deputado Duarte Nogueira, já apresentaram requerimento à Mesa Diretora do Congresso para que seja criada uma comissão mista especial com o objetivo de acompanhar, monitorar e fiscalizar as ações referentes à implantação de usinas nucleares no Brasil.

O tema também deve ser discutido no Plenário, pois uma das MPs que trancam a pauta é a 517/10, que institui o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento de Usinas Nucleares (Renuclear). Segundo a MP, poderão se beneficiar do regime empresas com projeto aprovado até 31 de dezembro de 2012 para a realização de obras de infraestrutura em geração de energia nuclear.

"As imagens da tragédia no Japão já fizeram vários países anunciarem mudanças na segurança de seus programas nucleares. É fundamental que esta comissão acompanhe os estudos em execução sobre a situação das usinas existentes e também sobre a construção de novas usinas nucleares no Brasil", disse o deputado Mendes Thame.

Convidados - Foram convidados para a audiência o presidente da Eletrobrás, Termonuclear (Eletronuclear), Othon Luiz Pinheiro da Silva; o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Curt Trennepohl; o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante; o subprocurador-geral da República e coordenador da 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, Mário José Gisi, e o secretário estadual do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc.

A audiência se realiza às 14h, no plenário 8.
(Agência Câmara)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Não há risco de acidente japonês se repetir no Brasil, diz Cnen


O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Odair Dias Gonçalves, disse ontem (23) na Câmara dos Deputados que o acidente nuclear no Japão não é razão para mudar nosso Programa Nuclear. Ele participou de audiência pública da Comissão de Minas e Energia. Gonçalves classificou de "precipitada" a decisão da Alemanha de fechar usinas e vinculou a medida ao período eleitoral daquele país. O Programa Brasileiro de Energia Nuclear prevê a construção de mais quatro usinas.

Na audiência, que discute os projetos de construção de usinas nucleares no Brasil e a situação das usinas que já estão em funcionamento (Angra 1 e 2), Gonçalves lembrou que o Brasil está sobre uma única placa tectônica e, por isso, um terremoto de nível 7 jamais ocorrerá no País.

Segundo ele, as usinas japonesas estariam preparadas para um terremoto de nível 8,4 e ondas de 10 metros, mas foram registradas ondas de 14 metros e um terremoto de 8,9 graus. Ele afirmou também que, mesmo diante de uma catástrofe, os prédios das usinas de Angra dos Reis são à prova de inundação.

Radiação - Gonçalves falou também sobre os riscos da radiação. Ele explicou que o nível máximo permitido para o público em geral numa usina é de uma unidade de medida, enquanto uma simples tomografia já expõe uma pessoa a quatro unidades de medida.

Ele acrescentou ainda que o acidente japonês não deve causar mortes ou câncer provocado por radiação, porque a exposição das pessoas não chegou a 100 unidades. De acordo com o presidente da Cnen, só a partir de 800 unidades de medida o dano ao homem seria certo, e acima de 4.500 a exposição seria com certeza letal.

Fonte: Agência Câmara

quarta-feira, 16 de março de 2011

Aloizio Mercadante afirma que usinas brasileiras são seguras


Em repercussão ao acidente atômico ocorrido em uma das usinas japonesas, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, tranquilizou na tarde desta terça-feira (15) a população brasileira sobre a possibilidade da ocorrência de um fato semelhante no País. Mercadante enfatizou que as usinas brasileiras possuem sistemas diferenciados de segurança. Ele citou, por exemplo, que as varetas que compõem os reatores têm a capacidade de reter com mais eficiência um possível vazamento. Outro ponto diz respeito ao sistema independente de refrigeração. E, por último, uma sala de contenção com paredes mais espessas que a dos asiáticos.

O ministro explicou ainda que o Brasil não está sujeito a fenômenos naturais como maremotos e terremotos na proporção que atingiu cidades do Japão e, principalmente, os ocorridos nos reatores da usina de Fukushima, localizada a 240 quilômetros de Tóquio. "Apesar disso, nossas usinas localizadas em Angra dos Reis (RJ), foram construídas para suportar terremotos que medem até 6,5 na escala Richter e inundações de até sete metros", destacou.

Mercadante anunciou também a disponibilização no site da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnem) de análises diárias a respeito do acidente ocorrido no Japão. "Os técnicos da Comissão, responsáveis pela segurança das usinas brasileiras farão uma leitura dos fatos à medida que forem surgindo novas informações, sobre o vazamento de Fukushima. A nossa próxima ação é deixar no site da Cnem relatórios diários sobre a situação da emissão de material nuclear", disse.

O ministro da pasta de C&T não descartou também a possibilidade de surgir novos protocolos de segurança a partir desse último acidente. "É evidente que o caso do Japão deverá culminar em uma série de novos protocolos. E, acontecendo isso, o Brasil irá adotar todas as medidas necessárias para garantir a segurança da população. Estaremos presentes em todas as discussões. O caso será acompanhado pela Cnem com toda a atenção, que certamente passará a exigir todos os protocolos tanto das usinas brasileiras existentes quanto das possíveis novas construções", lembrou.

Outro ponto defendido por Aloizio Mercadante é que o Brasil está seguro com relação às suas usinas nucleares, entretanto, precisa olhar para a questão das enchentes. Neste sentido, reiterou o esforço do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) em implantar o Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais. "Estamos atentos ao caso ocorrido na região serrana do Rio de Janeiro e precisamos dar uma resposta para a população. Para isso, já no próximo verão teremos parte do sistema implantado nas principais áreas atingidas", ressaltou.

Em todo o mundo existem mais de 400 usinas nucleares e mais de 60 estão em construção. Aloizio explicou quais são atualmente as iniciativas do Brasil na área da energia nuclear e sobre os órgãos responsáveis. "Hoje, a Cnem é responsável principalmente por fiscalizar toda e qualquer atividade nessa área. Além dela, os ministérios de Minas e Energia e da Defesa também possuem responsabilidade nesse processo. No da Defesa por exemplo existe o projeto de construção de um submarino nuclear e o de Minas e Energia é responsável pela construção das usinas", finalizou.

Participaram da reunião, com a apresença dos jornalistas, o secretário-executivo do MCT, Luiz Antonio Rodrigues Elias, o cientista Odair Dias Gonçalves, presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen); o físico Ricardo Galvão, diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF); e o professor Aquilino Senra, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), e o secretário-adjunto da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (AABACC), Odilon Antonio Marcuzzo de Canto.

O presidente da Cnen, Odair Dias Gonçalves, falou do projeto de construções de futuras instalações nucleares no País. Ele disse que possivelmente o Brasil terá de quatro a oito usinas, além das existentes e que a região de implantação será no nordeste brasileiro. "Isso deverá acontecer até o ano de 2030. Para o desenvolvimento do projeto foram feitos estudos em cima de mais de 200 possíveis cenários futuros. E daí tirou-se esses números de usinas", complementou.

Fonte: MCT

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Usinas nucleares do NE devem ser instaladas no São Francisco


O rio São Francisco surge como o destino favorito do governo na região Nordeste para instalação de uma central com duas usinas nucleares, embora o Estado cortado pelo rio ainda não esteja definido. A informação foi confirmada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. "O São Francisco é, de fato, uma hipótese muito provável, mas ainda não há nada definido", comentou.

O governo acelerou o ritmo dos estudos sobre as localidades que poderão receber as quatro usinas nucleares que serão construídas no país. A previsão inicial da Eletronuclear, estatal controlada pelo sistema Eletrobras, era entregar o relatório com as potenciais cidades até junho, mas o estudo feito em parceria com a consultoria da Coppe-UFRJ pode ser apresentado já no mês que vem. No Nordeste, diz Lobão, já há uma lista com algo entre 15 e 20 sítios selecionados.

Outra central com duas usinas será instalada na região Sudeste. O estudo feito para escolher as prováveis sedes é dividido em quatro etapas, nas quais chega-se a avaliar quase 60 critérios. Nas primeiras duas etapas são excluídas áreas que possuem falhas no solo que podem trazer riscos à estrutura da usina. A terceira e quarta etapas apontam locais com infraestrutura adequada e qual tecnologia se enquadraria bem na região. Já foram definidas 40 áreas como prováveis sedes de usinas, segundo o pesquisador da Coppe-UFRJ, Moacyr Duarte.

De acordo com o governo, há uma disputa pelos projetos. "Antes havia um certo receio dos Estados em receber as usinas nucleares, mas hoje a situação amadureceu", disse o ministro Edison Lobão, que já recebeu cartas de interesse enviadas pelos governos de Alagoas, Pernambuco e Bahia.

O Brasil tem hoje duas usinas em atividade em Angra dos Reis. Angra 1, que teve sua construção iniciada em 1971, iniciou sua operação comercial em 1985. A usina tem capacidade de 657 Megawatts (MW). A construção de Angra 2 teve início em 1976, tendo entrado em operação comercial em 2001, com capacidade instalada de 1.350 MW. Também em 1976 foram comprados equipamentos de Angra 3, que chegou a ter sua obras iniciadas, até a paralisação em 1986. Com as obras retomadas em 2007 e previsão de entrar em operação em 2015, Angra 3 terá potência de até 1.405 MW. Neste mês, a Eletronuclear pretende publicar o edital para contratação dos serviços de montagem eletromecânica da usina, um contrato estimado em R$ 1,5 bilhão.

"Há um momento de retomada desses projetos em todo o mundo. O Brasil, com o potencial que tem nas mãos, não pode desperdiçar essa oportunidade", disse Leonam dos Santos Guimarães, assistente da presidência da Eletronuclear e membro do grupo permanente de assessoria do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).

A expectativa do governo é que sejam investidos cerca de R$ 30 bilhões na construção das quatro usinas. Cada uma delas terá capacidade de 1.000 MW, elevando a capacidade do parque nacional de usinas nucleares para 7.300 MW até 2030.

A meta é que, já no ano que vem, sejam iniciadas as obras da primeira central na região Nordeste. O crescimento da energia nuclear na matriz energética do país, no entanto, será modesto em comparação a outras técnicas de geração. Em 2009, a energia nuclear representava 1,8% do total da matriz energética brasileira, com 2 GW. A projeção é que salte para 3,4 GW, ou 1,9% do total em 2019. Enquanto isso, a participação das usinas eólicas e solares passará de 0,5% (0,6 GW) para 3,3% (6 GW) no mesmo período. Até 2019, prevê o governo, a capacidade total de geração do país deverá passar dos atuais 110 GW para 177,9 GW em 2019.

Atualmente, Estados Unidos, França e Japão produzem 63% da energia nuclear do mundo. Apesar da forte produção desses países, somente na França a energia gerada por meio da fissão nuclear representa bem mais da metade da matriz nacional. Atualmente, essa fonte de energia é responsável por 80% da energia consumida pelos franceses, ante 16% dos americanos. (André Borges e Tarso Veloso)

Fonte: Valor Econômico