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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Extremos do Clima


Análise dos dados dos últimos 60 anos da ocorrência de tempestades nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas mostram que as tempestades irão se tornar mais freqüentes, devido ao aumento da temperatura superficial das águas do oceano Atlântico no hemisfério sul em decorrência do aquecimento global. 

Neste período, o oceano Atlântico teve um aquecimento médio da ordem de 0,6 graus, simultaneamente ao aquecimento global do planeta da ordem de 0,8 graus. Este aumento de temperatura faz parte do aquecimento global e deve se intensificar a cada década, fazendo com que com o aumento de tempestades se acentue e leve a ocorrência mais freqüente de catástrofes climáticas associadas a tempestades com altas taxas de precipitação, granizo e raios, vendavais e tornados.

Nas três cidades estudadas, São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas, a mesma tendência de aumento das tempestades para esta combinação de temperaturas dos oceanos foi verificada com um grau de confiabilidade superior a 99 %. Se considerarmos que a temperatura do oceano Atlântico continue subindo na mesma taxa atual e que o fenômeno La Niña não sofra alterações em sua frequência de ocorrência e intensidade com o aquecimento global, o que é esperado a partir dos dados existentes, o estudo estima que em 2070 (daqui a 60 anos - período equivalente ao estudado) o número médio de tempestades no sudeste será duas vezes maior em relação ao número atual, sendo que nas regiões litorâneas deverá ser três vezes maior. Este aumento, contudo, pode ocorrer bem mais cedo, se considerarmos que o aquecimento global se intensifique, conforme alguns cenários de maiores emissões de gases estufa sugerem a partir de projeções de modelos climáticos.

Os resultados do estudo coordenado por Osmar Pinto Junior, Coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com a participação de Earle Willians do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Iara Pinto, também do Elat, e Marco Antonio Ferro do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) serão apresentados durante palestra na 14ª Conferência Internacional de Eletricidade Atmosférica (ICAE 2011), que acontece no Rio de Janeiro até o final dessa semana. O congresso está sendo realizado, pela primeira vez, no hemisfério sul, desde sua criação em 1954.

O estudo utiliza uma nova metodologia baseada na análise de valores mensais da ocorrência de tempestades confrontados com valores máximos e mínimos de temperatura superficial do oceano Atlântico e do oceano Pacífico equatorial. Com isto, foi possível verificar a tendência de aumento das tempestades, o que as análises feitas anteriormente com base em valores médios anuais não conseguiram evidenciar.

Tal tendência, contudo, só ocorre em períodos quando o oceano Atlântico esta com temperaturas altas e o oceano Pacífico equatorial esta sujeito ao fenômeno La Niña, caracterizado por um resfriamento das águas nesta região. Esta combinação de fatores se tornará cada vez mais freqüente, devido ao aquecimento do oceano Atlântico. "Tanto o La Niña quanto o aquecimento das águas do oceano Atlântico intensificam a ocorrência de tempestades. Entretanto, quando atuam isoladamente seus efeitos não são tão significativos", comentou Osmar Pinto.

"Os resultados obtidos por este estudo são os primeiros a indicar concretamente que a ocorrência de tempestades deve aumentar no sudeste do Brasil nas próximas décadas, além de confirmar uma crescente visão entre os cientistas de que as variações na ocorrência de tempestades sobre os continentes são em boa parte influenciada pelas temperaturas dos oceanos", concluiu Earle Willians. O estudo deve ser estendido para outras regiões do País nos próximos anos.

Fonte: Ascom do Elat/Inpe

sábado, 25 de junho de 2011

IPCC estuda geoengenharia para minimizar aquecimento


Talvez motivada pela lentidão das negociações climáticas, entidade sugere que cientistas avaliem possibilidades para refletir os raios solares e até o depósito de ferro nos oceanos para estimular o crescimento de algas que absorvam o CO².

O jornal britânico The Guardian teve acesso a documentos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) destinados para os cientistas que formam o grupo de trabalho em geoengenharia da entidade e revelou que utilizar essa opção para lidar com as mudanças climáticas está sendo considerada com seriedade.

O grupo de cientistas se reúne na próxima semana em Lima, no Peru, e tem como principal objetivo fornecer sugestões para os governos de quais tecnologias de geoengenharia seriam mais eficientes e seguras.

Entre as propostas que o IPCC pede para serem avaliadas estão: Dispersar aerossóis de enxofre na estratosfera para refletir parte dos raios solares de volta para o espaço; Depositar grandes quantidades de ferro nos oceanos para o crescimento de algas que absorvam o CO²; Realizar a bioengenharia de culturas agrícolas para que tenham uma cor que reflita os raios solares; Suprimir a formação de nuvens do tipo cirrus, que agem acentuando o efeito estufa.

De acordo com o The Guardian, outras medidas que podem ser estudadas são a dispersão de partículas de água do mar nas nuvens para que reflitam os raios solares, a pintura de branco das estradas e telhadas em todo o mundo e diferentes maneiras de capturar e armazenar os gases do efeito estufa.

Apesar das ideias parecerem ficção científica, algumas delas já foram inclusive tiradas do papel. No começo de 2009, um navio de pesquisas alemão carregado com 20 toneladas de sulfato de ferro partiu em direção à Antártica com o objetivo de injetar o material no fundo do oceano. A operação acabou sendo suspensa no último momento pelo governo alemão que atendeu aos pedidos da comunidade internacional.

Realizar projetos de geoengenharia sempre levantou muita polêmica, tanto que em 2010 a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) aprovou uma moratória desse tipo de iniciativa. Entretanto, a moratória permite a continuidade de estudos em pequena escala em circunstâncias controladas.

Mesmo a Sociedade Americana de Meteorologia (AMS), entidade que defende o uso da geoengenharia, alerta que ainda são necessários muitos estudos antes que seja feita qualquer alteração de grande porte nos sistemas terrestres.

"O potencial para ajudar a sociedade, assim como os riscos de consequências inesperadas, exigem mais pesquisas, regulamentações e transparência nas iniciativas", ressalta a instituição.

Contrários até mesmo a continuidade de estudos sobre o assunto, 125 grupos ambientais e de direitos humanos de 40 países, incluindo a Friends of the Earth International e a Via Campesina, entregaram uma carta nesta semana para o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, alertando que a entidade não tem competência para avaliar a opção da geoengenharia.

"Perguntar a um grupo de cientistas que trabalham com geoengenharia se é preciso fazer mais pesquisas sobre o assunto é igual perguntar se um urso quer mel", afirma a carta. Segundo os ambientalistas, essa não é uma questão apenas cientifica, é política.

A geoengenharia voltou a ganhar força depois que foi registrado que em 2010 as emissões bateram um novo recorde histórico, apesar de todas as promessas dos governos mundiais. De acordo com a Agência Internacional de Energia, o ano passado registrou a emissão de 30,6 gigatoneladas de dióxido de carbono.

Além disso, o ritmo das negociações internacionais está muito lento, tornando praticamente impossível que seja criado um acordo climático global nos próximos meses.

A própria presidente da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Christiana Figueres, afirmou que talvez seja preciso adotar tecnologias mais radicais para conter o aquecimento em no máximo 2°C e evitar as piores consequências das mudanças climáticas.

"Estamos nos colocando em uma situação onde precisaremos utilizar métodos mais drásticos para retirar as emissões da atmosfera", concluiu Figueres.

Fonte: Carbono Brasil

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Aquecimento global diminui produção agrícola


Para quem acha que as mudanças climáticas globais não têm impactado na produção agrícola, um artigo publicado hoje (6) no site da revista Science serve como uma 
grande ducha de água fria.
 
De acordo com uma pesquisa feita por David Lobell, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e colegas, nos últimos 30 anos as produções de milho e de trigo em todo o mundo caíram, respectivamente, 5,5% e 4% em resposta ao clima mais quente. A queda se refere aos valores que teriam sido atingidos se não houvesse o aquecimento climático. As produções de soja e de arroz não foram afetadas significativamente.

"Verificamos que, desde 1980, os efeitos das mudanças climáticas nas lavouras agrícolas provocaram um aumento de cerca de 20% nos preços no mercado global", disse Wolfram Schlenker, da Universidade Columbia, outro autor do estudo.

Os cientistas analisaram dados da produção de alimentos no mundo de 1980 a 2008, centrando-se nas quatro principais commodities agrícolas: milho, trigo, arroz e soja.

Foram desenvolvidos dois modelos, um que representa os aumentos reais na temperatura no período e outro que manteve as temperaturas nos níveis de 1980. Ao considerar todas as outras variáveis que afetam a produção agrícola, o grupo verificou a relação entre aquecimento e queda na produção.

Mas os pesquisadores identificaram exceções. Nos Estados Unidos, Canadá e norte do México a produção não caiu no período. Segundo eles, o resultado aponta que, embora a relação entre aquecimento e produtividade agrícola seja óbvia em escala global, regional ou nacionalmente ela pode não ter os mesmos efeitos.

Desde 1950, a temperatura global média tem aumentado cerca de 0,13º por década, mas, de acordo com relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), o aquecimento esperado para as próximas duas ou três décadas é 50% maior.

O artigo Climate Trends and Global Crop Production Since 1980 (10.1126/science.1204531) de David Lobell e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

Fonte: Agência Fapesp

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Ministério investiga impacto das hidrelétricas no aquecimento global

Encontrar culpados pelo aquecimento global é atividade da moda na comunidade acadêmica. Porém, quando a culpa recai sobre um interesse estratégico do país, a defesa é necessária. Publicações internacionais apontaram nações de clima tropical com ampla quantidade de reservatórios de hidrelétricas como potenciais emissores de gases do efeito estufa.

Como resposta, o Ministério de Minas e Energia (MME) disponibilizou, no fim do ano passado, aproximadamente R$ 26 milhões para pesquisar 11 reservatórios, nas cinco regiões do Brasil. A pesquisa, que começa no mês que vem, possibilitará avaliar o real efeito das hidrelétricas sobre o aumento da temperatura global.

O coordenador do Programa de Pós-graduação em Ecologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), na Zona da Mata mineira, Fábio Roland, explica que o estudo em âmbito nacional será a continuação de uma pesquisa iniciada em 2003 e financiada por Furnas Centrais Elétricas.

O objetivo dessa primeira análise era estudar o balanço de carbono em reservatórios de hidrelétricas localizadas no cerrado brasileiro, com atenção especial aos processos de regulação e às emissões de gás carbônico e metano. O professor ressalta que outros elementos relacionados ao efeito estufa também foram estudados, apesar de não serem integrantes do ciclo do carbono.

A pesquisa, concluída em 2008, focou oito reservatórios, com diferentes idades de enchimento, distintas características morfológicas e variadas capacidades de geração de energia.

Os resultados estão em fase de publicação em documentos científicos internacionais, mas Roland adianta: "Os reservatórios das hidrelétricas estudados no cerrado não são vilões para as mudanças climáticas, sobretudo se comparados às termelétricas movidas a óleo e a carvão, estas significativamente mais emissoras de gases associados ao efeito estufa". O professor da UFJF destaca ainda que a discussão é integrante fundamental da agenda nacional e internacional associada às mudanças climáticas.

Condenação

Na opinião de Roland, o Brasil entende a temática como estratégia científico-tecnológica vital para a soberania nacional: "Além do Brasil, outras importantes economias mundiais, como China, Índia, Rússia e Canadá, têm suas matrizes energéticas associadas à hidroelétricas e não devem ser condenadas por isso. O Brasil, porém, pode ser condenado por outros graves desvios no uso dos recursos naturais, como as queimadas, os desmatamentos e a poluição dos recursos hídricos, que transformam expressivamente as rotas no ciclo do carbono, promovendo desequilíbrios no balanço de CO2".

O estudo iniciado em 2003 também concluiu que os reservatórios antigos emitem menos gases que os novos. Isso se deve à decomposição da biomassa - vegetação e solo - inundada durante o período de enchimento do reservatório, derivado do barramento dos rios.

Os resultados obtidos pelo projeto financiado por Furnas são estratégicos. No momento da instalação da segunda fase do projeto, o MME decidiu ampliar a pesquisa para todo o complexo Eletrobras, atingindo um maior espectro do território nacional, abrangendo os principais biomas brasileiros. A nova fase de pesquisa inclui reservatórios como Itaipu e alguns localizados na Região Norte. A hidrelétrica de Belo Monte também será objeto de pesquisa no âmbito do projeto.

Além da UFJF, que sozinha receberá R$ 2,6 milhões, o projeto está construído com base na cooperação com outras instituições: as universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ), do Paraná (UFPR) e do Pará (UFPA), o Instituto Internacional de Ecologia e Gerenciamento Ambiental e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A coordenação do projeto ficará a cargo do Centro de Energia Elétrica (Cepel), da Eletrobras.

As instituições envolvidas são responsáveis por estudar os diferentes compartimentos dos reservatórios - coluna d'água, fundo sedimentar e bacia de drenagem - e a atmosfera, além de criar modelos matemáticos que podem fazer previsões.

Ecossistemas tropicais

De acordo com o professor Roland, o imenso banco de dados que será gerado permitirá ainda um avanço na compreensão dos ecossistemas tropicais. A primeira reunião técnica será em 8 de fevereiro. Os dados coletados pela pesquisa deverão ser usados no relatório de emissão de gases do efeito estufa do governo federal e no Painel Brasileiro sobre Mudanças Climáticas (PBMC). O projeto tem prazo de dois anos para ser concluído.

O professor explica que a dificuldade dos cientistas que estudam os ecossistemas aquáticos é que, na maioria das vezes, não é possível ver o objeto estudado. Esse fato exige a adequação e o uso de equipamentos especiais para as coletas e as análises das amostras. Na pesquisa nacional, serão avaliados 11 reservatórios, e as equipes irão a campo quatro vezes por ano, para respeitar as diferenças entre as estações climáticas. Com isso, uma ampla malha horizontal de amostragem será executada.

"É muito importante estudar as algas, por exemplo, pois elas retiram nutrientes da água, fazem fotossíntesse, puxam dióxido de carbono e liberam oxigênio", acrescenta Roland. Outros micro-organismos, como bactérias e animais microscópicos também atuam nos fluxos de CO2 nos ecossistemas aquáticos. Ele destaca ainda o papel das bactérias metanotróficas, responsáveis pela síntese do gás metano em reservatórios.

"O metano, quando liberado para a atmosfera, exibe um potencial de aquecimento cerca de 21 vezes maior que o CO2". Porém, o professor minimiza esse efeito, afirmando que parte do metano é oxidado na coluna d'água e transformado em CO2 antes de chegar à superfície. Ele informa ainda que, considerando toda a emissão de carbono pelos ecossistemas aquáticos do planeta (excluindo os oceanos), os reservatórios de hidrelétricas são responsáveis por menos de 5% da emissão total.
(Daniel Camargos)

Fonte: Correio Braziliense

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Eventos extremos e acelerados


O inverno severo do Hemisfério Norte, a onda de calor em Moscou em meados do ano, as inundações no Paquistão. Os eventos climáticos extremos que assombraram 2010 vão tornar-se mais frequentes nas próximas décadas, segundo prognóstico divulgado na quarta-feira (1/12) pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM).

Os sinais de um quadro descontrolado no futuro são evidentes. A um mês de seu fim, 2010 já é considerado o mais quente desde o início das edições de temperatura. E os próximos anos deverão ser ainda piores, com ondas de calor escorchante.

Os cientistas explicam que mesmo ondas de frio extremo, como a que agora volta a afetar parte da Europa, podem estar associadas ao aquecimento global. Em sua análise, a OMM admite ser "impossível dizer se um ou outro desastre natural foi 'causado' por mudança climática".

Ainda assim, a instituição alerta que "o cenário atual será provavelmente alterado pela maior concentração de gases-estufa na atmosfera".

Em entrevista durante a 16ª Conferência do Clima, em Cancún, no México, o diretor do Programa de Investigação do Clima Mundial da OMM, Ghassam Asrar, pediu para que os países priorizem o desenvolvimento de sua infraestrutura para que, assim, resistam melhor aos eventos extremos.

Estas ações impediriam, por exemplo, a morte de 1.500 pessoas no Paquistão, devido a uma série de inundações ocorridas em agosto. O Brasil é uma vítima em potencial das intempéries provocadas pelo aquecimento global. Em outubro, a consultoria britânica Maplecroft criou um ranking de vulnerabilidade às mudanças climáticas. O país ficou na 81ª posição, classificado como "alto risco", entre os 170 listados.

- Haverá mudanças notáveis nos parâmetros climáticos do Brasil nos próximos 30 anos, como o nível de precipitações, temperatura e umidade - adverte o analista Matthew Bunce, um dos responsáveis pelo estudo. - As regiões ao leste do país são mais expostas aos riscos da mudança climática, devido à sua suscetibilidade histórica a inundações e seca.

Apenas 30% do território do país está exposto a mudanças altas ou extremas, mas isso equivale a uma área onde mora uma grande parcela da população. O acirramento dos eventos extremos fez o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) rever as estatísticas divulgadas, três anos atrás, pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O órgão, vinculado à ONU, previa que os termômetros brasileiros avançariam até 4 graus Celsius na Amazônia em 2100.

- Agora admitimos que, no Norte do país, a temperatura pode crescer 5 graus, e, no Sul, até 3 graus - explica o climatologista José Marengo, do Inpe.

- Uma série de episódios nos motivou a rever os prognósticos. Por exemplo, 2010 termina como o ano mais quente da série histórica, mesmo sem um fenômeno natural de grande porte. Afinal, o El Niño foi incomparavelmente mais fraco do que em sua última aparição, em 1998.

É evidente que a ação humana tem a sua responsabilidade neste recorde. Até meados do século, a temperatura média subiria mais de 3 graus em boa parte do país, desencadeando uma série de transformações. A caatinga passaria por um processo de desertificação. A Floresta Amazônia vai se retrair. O bioma passaria por secas rigorosas, com extinção de diversas espécies. As queimadas facilitariam a expansão de doenças respiratórias.

O Sul, por sua vez, sofreria com mais precipitações, tornando-se mais exposto a enchentes e deslizamentos em centros urbanos. (Renato Grandelle)

Fonte: O Globo

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Envelhecimento é arma contra a mudança climática


Lugares cuja população está ganhando idade, como a Europa e a Brasil, podem reduzir emissões em até 20%. A terceira idade pode ajudar a salvar o planeta. Isso porque os cientistas descobriram que países cuja população está ficando mais velha devem passar por grandes reduções nas emissões de CO2.

Países europeus, como Itália e Alemanha, e mesmo de outras regiões, como o Japão, devem ter uma redução de cerca de 20% nas suas emissões até 2050.

Isso vai acontecer porque os responsáveis pelo grosso das emissões são aqueles que estão no mercado de trabalho, no auge das suas carreiras -eles consomem mais, produzem mais, se deslocam mais, poluem mais.

Isso não significa, porém, que o mundo está salvo: na outra ponta, a urbanização nos países em desenvolvimento, especialmente China e Índia, será responsável por uma explosão nas emissões de CO2 nas próximas décadas -quem vive no campo, claro, não emite muito CO2.

Em função do gigantismo da população desses dois países, a urbanização vai superar de longe o envelhecimento e levar ao aumento global da temperatura.

Essas conclusões estão no trabalho publicado pela equipe de Brian O'Neill, do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica dos EUA, no periódico científico "PNAS".

Eles utilizaram dados de 34 países para avaliar como tendências demográficas afetam emissões de carbono.

Um dos países analisados foi o Brasil. O país, nesse caso, se parece mais com os europeus do que com as outras nações em desenvolvimento.

Primeiro, porque já é bastante urbano (mais de 80% da população). Além disso, porque a taxa de fertilidade brasileira já é menor do que dois filhos por mulher, um valor bastante baixo, parecido com o encontrado em países desenvolvidos. Isso, claro, está levando ao rápido envelhecimento da população.

O cientista americano, porém, evita fazer comentários sobre as consequências políticas das suas conclusões.

Ele diz não estar apto a afirmar se o seu trabalho sugere que países desenvolvidos deveriam se preocupar menos com com o envelhecimento da sua população, já que isso tem um fator positivo, ou se China e Índia deveriam tentar limitar a urbanização nos seus territórios.

"Mais atenção deveria ser dada aos impactos do envelhecimento e da urbanização no clima", afirma O'Neill. "Mas os nossos resultados não significam necessariamente que ações políticas deveriam ser tomadas para alterar esses fatores."

Fonte: Folha de SP

Holanda se previne contra alta das marés


Há 57 anos, uma enchente devastou a Holanda e matou 1,8 mil pessoas - número de vítimas semelhante ao de New Orleans com o furacão Katrina. O país nunca esqueceu a tragédia - vários diques não conseguiram conter as águas de uma tormenta associada à maré alta - e todos falam dela como se tivesse acontecido há apenas alguns meses.

Talvez seja por isso que, apesar de as negociações para um tratado climático entre os países avançar muito lentamente, os holandeses tenham decidido não esperar por uma definição global. Optaram por se preparar e se adaptar para as mudanças que inevitavelmente virão com o aumento médio da temperatura do planeta nas próximas décadas.

A maior preocupação é com a subida dos mares: a Holanda tem 25% de seu território abaixo do nível do mar e outros 25% suscetíveis à alagamento.

A cidade de Roterdã, por exemplo, tem como meta cortar suas emissões de gases-estufa em 50% até 2025 e criou um programa para ficar "à prova do clima" até essa data. Paula Verhoeven, que cuida das questões climáticas no município, conta que por muitos anos as pessoas não precisaram se preocupar com o fato de estarem 5 ou 6 metros abaixo do nível do mar. "É importante que daqui a cem anos os moradores também consigam usar a cidade sem ter de pensar se choveu muito, se os túneis alagaram, se está muito quente ou seco", explica.

Um dos planos é erguer no distrito de Stadshavens 13 mil casas "resilientes às mudanças climáticas" até 2040. Dessas, 1,2 mil serão feitas sobre a água. A área não tem a proteção de diques e era ocupada por atividades portuárias que agora se mudaram para o oeste.

Apesar de parecer loucura, não se trata de um projeto utópico. Num país com pouca terra disponível e que convive tanto com a água, transformar barcos em moradias permanentes é algo relativamente comum - hoje, existem 6 mil barcos-casa. Mais recentemente, porém, houve um boom de casas flutuantes.

Segundo o arquiteto Koen Olthuis, um dos mais reconhecidos no setor, há 300 delas em diferentes partes da Holanda e muitas outras em projeto. São realidade também uma prisão, uma estufa, um conjunto de escritórios e restaurantes flutuantes.

A prefeitura de Roterdã fez também como projeto-piloto um pavilhão flutuante perto de cartões-postais da cidade - a ponte Erasmus e o Hotel New York. São três semiesferas que podem abrigar exposições.

Na cidade de Maasbommel há uma vila de casas flutuantes. Por questão de segurança, os donos só passam oito meses por ano no local. Elas custam 20% a mais que uma moradia comum, possuem jardins e possibilitam que os moradores nadem e pesquem com facilidade.

Outros países também aderiram à ideia das estruturas flutuantes: as Ilhas Maldivas querem construir um campo de golfe e, em Dubai, há projeto de fazer uma praia flutuante.

Barreira

A Inglaterra, a Rússia e a Holanda construíram barreiras contra tempestades. Com as mudanças climáticas, elas serão fundamentais. Atualmente, a barreira em Hoek van Holland, que protege Roterdã, precisa ser usada em média a cada dez anos, quando o tempo está realmente ruim e o nível da água sobe mais de 3 metros. Porém, a expectativa é que, em 50 anos, a barreira passe a ser usada a cada cinco anos. Os números mostram que a obra compensa. Reforçar os diques existentes custaria 820 milhões, enquanto o gasto com a barreira foi de 660 milhões.(Afra Balazina)

Fonte: O Estado de SP

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Formigas derrotam elefantes na África


Às vezes, até uma formiga é capaz de vencer um elefante. Não se trata de mais um refrão de autoajuda: é justamente isso que acontece quando certas espécies desses insetos vivem em acácias.

Pesquisadores notaram que elefantes (Loxodonta africana) das savanas da África ao sul do Saara, que devoram folhas e galhos de muitas espécies de árvores, não chegavam perto de um tipo de acácia (conhecida como Acacia drepanolobium).

Os cientistas descobriram que quatro espécies de formigas (Crematogaster mimosae, C. nigriceps, C. sjostedti e Tetraponera penzigi) protegem as árvores onde moram dos ataques dos elefantes.

A estratégia é simples: elas entram nas trombas e começam a picar e morder suas partes internas.

Ao contrário do couro do elefante, que é muito resistente, a tromba tem muitas terminações nervosas extremamente sensíveis.

Isso não acontece com as girafas. Devido à sua superlíngua, esses animais conseguem “varrer” as formigas das folhas para se alimentar.

Aparentemente, os elefantes são os únicos animais vulneráveis aos ataques.

SEM FORMIGAS

Os pesquisadores realizaram um experimento de 12 meses e verificaram que, sem formigas, os elefantes voltavam a se alimentar normalmente dessas acácias.

A densidade de árvores e a quantidade de elefantes está diretamente relacionada na África. Quando as populações dos animais aumentam, a quantidade de árvores diminui – o que significa redução de absorção de CO2.

“A cobertura das árvores regula o ecossistema como um todo, incluindo a absorção de carbono e a dinâmica da alimentação dos bichos”, diz Todd Palmer, da Universidade da Califórnia, um dos autores do estudo.

Por isso, os pesquisadores estão avaliando a possibilidade de usar as formigas como barreiras naturais para proteção das árvores.

O estudo foi publicado na revista “Current Biology”.

Fonte: Folha online

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Buraco na camada de ozônio está maior e dura mais


Um buraco na camada de ozônio, que tradicionalmente se forma sobre a Antártica em setembro, tem aumentado de área e duração por motivo ainda desconhecido.

No ano passado, sua extensão beirou o Rio Grande do Sul, e o estado ficou especialmente vulnerável à incidência de raios ultravioleta até o início de dezembro. A interação do fenômeno com o aquecimento global intriga os cientistas.

Pesquisadores de Argentina, Brasil, Chile e Holanda uniram-se para estudar o fenômeno. A análise renderá um artigo para a revista "Geophysical Research Letters".

Medições realizadas com sondas e balões constataram que a temperatura da estratosfera - onde fica a camada de ozônio - cai durante a formação do buraco de 60 graus Celsius negativos 80 graus Celsius negativos. A relação entre esta queda e a estrutura do buraco também será estudada.

- A atmosfera circula no entorno daquele buraco - explica Neusa Maria Paes Leme, coautora do estudo e pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. - À medida que ele avança em direção à Austrália e à América do Sul, encontrando o ar mais quente, as camadas começam a se misturar. A borda do buraco comunica-se com as regiões vizinhas.

No ano passado, o limite da camada de ozônio atingiu a Argentina e o Chile, mas células de ar pobres em ozônio - muito vulneráveis a raios ultravioleta - desprenderam-se e atingiram a região de Santa Maria, no centro do Rio Grande do Sul. São como miniburacos, que provocariam um aumento da temperatura.

A radiação ultravioleta não tem conexão direta com o aquecimento global. Mas, quando a incidência desses raios aumenta em uma área poluída, eles provocam reações químicas que acarretam na elevação das temperaturas.

- Esta radiação, na atmosfera, potencializa a ligação de gases-estufa, como o CO2. A reação, por sua vez, provoca o aquecimento - diz Neusa. - Vamos fazer medições no Sul para ver se, com a chegada das células pobres em ozônio, houve um aumento da temperatura no Sul.

Fonte: Jornal da Ciência/O Globo

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Líder dos céticos do clima muda de ideia sobre Aquecimento Global



O mais famoso cético do aquecimento global, o dinamarquês Bjorn Lomborg, já chamado pelos seus oponentes de "Hitler do clima", mudou de ideia. Ele disse na terça-feira (31/8) ao jornal britânico "Guardian" que vai agora lutar contra a mudança climática. 

O estatístico, conhecido mundialmente por negar a importância do aquecimento global e o barulho feito por cientistas, ativistas e a imprensa em torno dele, vai lançar um livro no próximo mês pedindo dinheiro em nome da sua nova bandeira. 

Na obra, ele e um grupo de economistas analisaram oito métodos de redução do aquecimento global e sugerem que seja injetado dinheiro, por exemplo, em energias limpas como vento, ondas e energia solar e nuclear. 

O ex-cético não é exatamente modesto na hora de pedir dinheiro: de acordo com ele, serão necessários cerca de US$ 100 bilhões por ano para que as iniciativas tragam resultados. 

A mudança de lado do professor dinamarquês nos recentes debates sobre o clima foi uma surpresa para a comunidade científica. 

Na obra que lhe deu projeção internacional ("O Ambientalista Cético"), e nas palestras e entrevistas que vieram depois dela, Lomborg abusou da matemática para mostrar que o controle do aquecimento global seria uma conta que não fechava. 

Na sua opinião, o custo para combater o aquecimento era alto demais quando comparado com o benefício de ter um mundo "ligeiramente menos quente no futuro". 

Lomborg costumava defender que o ritmo do aquecimento e seus efeitos sobre as pessoas estavam sendo exagerados pelos cientistas "pró-clima" e pelo lobby dos que se beneficiariam com investimentos pesados em ações como limpar a matriz enérgica, por exemplo. 

Lomborg, no entanto, nega no "Guardian" que tenha feito uma reviravolta. Ele disse que sempre aceitou a existência do efeito humano no aquecimento global e que o importante, agora, é ver onde se deve gastar dinheiro para combatê-lo. 

O "episódio Lomborg" aconteceu um dia depois de um grupo de 12 cientistas independentes ter feito uma série de recomendações ao IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, na sigla em inglês). 

De acordo com os cientistas -que incluem um brasileiro, o físico Carlos Henrique de Brito Cruz-, o painel do clima precisa passar por mudanças na sua gestão e na coleta de informações. 

Um dos pontos nevrálgicos do IPCC que levaram à revisão independente foi a afirmação de que as geleiras do Himalaia desapareceriam em 2035, muito antes do que outras fontes sugerem. 

Lomborg bateu nessa tecla anteriormente, quando ainda era cético do clima. Ele afirmou que a matemática do degelo estava errada e que, mesmo que o degelo ocorresse, isso poderia ser benéfico, pois aumentaria a quantidade de água disponível no verão para a China e Índia. 

O dinamarquês pretende continuar criticando as contas do Himalaia. Mas, agora, sem desprezar as recomendações do IPCC. 

Fonte: Folha de SP


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Brasil tem R$ 200 milhões para combater os efeitos das mudanças climáticas

Fundo Clima é o primeiro do mundo a usar recursos do petróleo e está com R$ 200 milhões garantidos para ações de mitigação e adaptações aos efeitos das mudanças climáticas no Brasil em 2011.

O Fundo Nacional de Mudanças Climáticas já tem garantidos R$ 200 milhões para investimento em ações de mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas no Brasil em 2011.

A informação é da secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiental, Branca Americano, e foi dada na quarta-feira (18/8), durante mesa-redonda da Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (Icid+18).

A secretária explicou aos participantes que o Fundo Clima terá recursos garantidos todos os anos: "60% dos recursos serão do petróleo. Isso não implicou em nova carga tributária. Era um dinheiro que já existia. Então, foi mudada a lei do petróleo sobre impactos ambientais, que agora direciona parte dos recursos para esse fundo", disse. Segundo a secretária, o comitê gestor do fundo será instalado ainda neste ano.

O Fundo Clima foi criado no final do ano passado e é o primeiro do mundo a usar recursos do petróleo no combate às mudanças climáticas. Com um orçamento que pode chegar a R$ 1 bilhão por ano, o dinheiro será aplicado em pesquisas e ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, ajudando regiões vulneráveis, como a região semiárida, que sofre com a seca, e os litorais, com risco de alagamento.

Branca Americano ressaltou, ainda, que o combate à alteração do clima está em consonância com o desenvolvimento sustentável, o crescimento econômico, a erradicação da pobreza e a redução da desigualdade social. "Isso significa ter um novo padrão de desenvolvimento para a região", salientou.

Para que haja desenvolvimento sustentável, na opinião de Branca, o Brasil deverá aproveitar o potencial natural para reduzir os impactos no País, principalmente na região Nordeste. "Vão aumentar variabilidades e vulnerabilidades. As chuvas serão mais concentradas e poderão vir em momentos ruins para plantações e terão anos ainda mais secos", alertou.

O pequeno produtor rural será o mais afetado pelas variações climáticas no semiárido. De acordo com a secretária, para enfrentar o problema é preciso conhecer as vulnerabilidades e mapeá-las. Com essas informações, serão criadas ações de mitigação e adaptação mais efetivas. "É preciso desenvolver projetos econômicos adequados à nova realidade, como em parceria com a Embrapa, para dar mais possibilidade ao pequeno produtor de enfrentar o problema climático", enfatizou.

A secretária também afirmou que o MMA vai priorizar o semiárido na aplicação dos recursos do Fundo Clima, principalmente para adaptação. "Pensar em adaptação é uma oportunidade para agir. E isso é fundamental, porque as mudanças climáticas vão atingir de forma perversa a região." Como alternativa, Branca citou o sistema REDD (Redução de Emissão por Desmatamento e Degradação), que é um estímulo ao reflorestamento por gerar crédito de carbono.

Cenários - À tarde, a secretária Branca Americano coordenou a mesa de debates sobre Cenários das Mudanças Climáticas para Regiões Semiáridas. Especialistas mostraram as complexidades das informações no enfrentamento às mudanças climáticas.

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Nobre, defendeu a criação de sítios de observação no Brasil para poder entender as variações climáticas da região semiárida.

Segundo ele, a variação climática é muito grande, o que torna difícil traçar cenários de seca e de chuvas. Branca, por sua vez, destacou o alto custo para se conseguir informações e disponibilizá-las para pesquisas e políticas públicas. "No entanto, isso não pode ser justificativa de inação", concluiu.

(Assessoria de Comunicação do MMA)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Emissão de gás carbônico permanece inalterada em 2009, diz relatório


A emissão industrial de gás carbônico no mundo permaneceu inalterada no ano passado, segundo relatório da Agência Holandesa de AvaliaçãoAmbiental divulgado nesta quinta-feira (1º). O motivo seria a queda na produção em países ricos devido a recessão, compensada pelo aumento das emissões na China e Índia.

É a primeira vez desde 1992 que as emissões de gás carbônico, originadas principalmente da queima de combustíveis fósseis, produção de cimento e produção de indústrias químicas, permaneceram as mesmas.

O relatório, no entanto, não levou em conta medidas de desmatamento, incêndios em florestas e emissões de biomassa em decomposição, que pode adicionar até 20% às emissões globais.

A agência do governo holandês foi a primeira a confirmar que a China havia superado os EUA em 2006 como o maior emissor de CO2 do mundo. Suas análises são baseadas em dados da petrolífera britânica BP e da Agência Internacional de Energia; os dados de cimento, aço e outras indústrias são coletados pelo projeto Edgar da União Europeia.

Nos países ricos, as emissões caíram 7% (800 milhões de toneladas de gás carbônico), mas isso foi compensado por um aumento de 9% na China e 6% na Índia.

Desde 2000, a China mais que dobrou suas emissões, chegando a 8,1 bilhões de toneladas), apesar de ter praticamente dobrado a cada ano sua produção de energia eólica e solar.

As emissões da Índia cresceram 50% desde 2000. O país superou a Rússia e hoje é o quinto maior emissor de carbono do mundo.

Em termos de país, a China é o maior emissor, mas os EUA ainda são os maiores poluidores per capita, emitindo quase três vezes mais CO2 por habitante que o país asiático.

O aumento na temperatura média da Terra pode levar a secas, cheias e aumento do nível do mar. Apesar disso, não há consenso na comunidade internacional sobre como lidar com esse problema.

Um encontro de 120 líderes mundiais em Copenhague (Dinamarca) em dezembro do ano passado fracassou. A próxima conferência está marcada para o fim deste ano em Cancún (México). 

Fonte: Folha.com

domingo, 27 de junho de 2010

Aquecimento global: mais brasileiros integrarão o IPCC



O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) terá 26 cientistas brasileiros entre 831 especialistas que vão elaborar o Quinto Relatório de Avaliação (AR5), que será publicado em 2014. No relatório anterior, o Brasil participou com 13 pesquisadores.

Segundo o IPCC, neste quinto relatório haverá uma participação maior de especialistas vindos de países em desenvolvimento (30% do total) e também de mulheres (25%). No entanto, a maior prioridade foi dada a jovens pesquisadores que ainda não haviam participado do IPCC e somam 60% do total.

Entre estes está Chou Sin Chan, do Inpe, escolhida pela primeira vez para participar como autora de um relatório do IPCC. Chou diz que seu papel estará relacionado à elaboração de modelos de cenários climáticos regionais.

“Até agora, o IPCC vem utilizando modelos globais com resolução de 200 ou 300 quilômetros, que resultam emestudos de impacto menos precisos”, explica a brasileira.

Segundo ela, os modelos regionais permitem melhor qualidade de dados e de detalhes importantes com relação à topografia, vegetação e até ao recorte litorâneo.

Fonte: JB Online/Ambientebrasil

sábado, 12 de junho de 2010

Senado dos EUA vota a favor de proposta para reduzir gases do efeito estufa


O Senado dos Estados Unidos rejeitou nesta quinta-feira (10) uma iniciativa republicana para bloquear uma proposta do governo do presidente Barack Obama de reduzir as emissões de gases que provocam o estufa.

A moção, rejeitada por 53 votos a 47, propunha negar à EPA (Agência de Proteção Ambiental, pela sigla em inglês) poder para aplicar normas de redução de poluentes incluídas na Lei de Ar Limpo.

Os republicanos e seis democratas que deram seu voto para bloquear a iniciativa assinalaram que sua aplicação vai representar um aumento dos custos da energia e uma redução das fontes trabalhistas.

Entretanto, os democratas que rejeitaram a tentativa manifestaram que as normas têm como objetivo não só reduzir a poluição como também a dependência de petróleo e outros combustíveis fósseis.

Isto foi como “enfiar a cabeça na areia e ignorar a realidade”, afirmou o senador democrata Tom Udall.

Por sua parte, Harry Reid, líder da maioria democrata, denunciou que as tentativas de bloquear as medidas eram “um presente para as grandes empresas petrolíferas”.

No início da semana, a Casa Branca tinha advertido que vetaria qualquer disposição que freasse os esforços para reduzir a poluição.

A EPA anunciou uma série de normas para reduzir as emissões de gases estufa depois que a Corte Suprema dos EUA afirmou que elas representam um perigo para a saúde. 

Fonte: Folha.com